Assaltam-me com espanto e alguma dor frases, afirmações que justificam qualquer coisa estranha a que hoje parece chamar-se «espontaneidade».
Não sei bem o que é.
Tantas vezes, porque espontâneamente «isto» ou «aquilo»,
devagar vamos entendendo que esse tal «espontâneo», se o queremos, requer a a construção da fidelidade.
Transcrevo, porque ela o diz tão bem, de Etty Hillesum, a jovem judia morta no campo de concentração de Auschwitz a 30 de Novembro de 1943:
“Ser fiel a tudo o que uma pessoa iniciou num momento espontâneo, demasiado espontâneo, por vezes
Ser fiel a cada sentimento, cada pensamento que começou a germinar.
Fiel no sentido mais lato da palavra.
Fiel a si mesmo, a Deus,
fiel aos seus próprios melhores momentos.
E onde uma pessoa está, ser totalmente, cem por cento SER
Friday, April 15, 2011
Saturday, April 09, 2011
PASSEAR NUMA AVENIDA DE LIVROS NA «LER DEVAGAR»
Era mais para dizer que o meu telemóvel não funciona.
Sabe.se lá porquê.
Agora só por mail
Felizmente a Ana e o André tinham-me desafiado para jantar fora com os Marias. Lá para Alcântara. Tesouros escondidos em edifícios que ao primeiro olhar mais parecem ruinas. Depois um espanto total E uma festa. Tudo.
E a alegria de entrar na «Ler devagar»! Mesmo devagar. Paredes, andares cheios de livros. Novos. Velhos. Capas de que me lembrava nas poucas estantes do meu pai. Outros tão recentes. Magia grande.
Eu tinha lido a «Odisseia» adapada para jovens.
Hoje trouxe-a para casa uma bela edição.
E grande.
O meu neto Manel perguntou-me «que livro é esse?»
«Este livro, Manel, tem todas as histórias»
Foi assim que o trouxe.
Apaziguada.
Por este livro.
Pela noite com os rapazes.
Pela noite de Lisboa.
Tantos são os espaços em que revisitamos a Vida.
Sabe.se lá porquê.
Agora só por mail
Felizmente a Ana e o André tinham-me desafiado para jantar fora com os Marias. Lá para Alcântara. Tesouros escondidos em edifícios que ao primeiro olhar mais parecem ruinas. Depois um espanto total E uma festa. Tudo.
E a alegria de entrar na «Ler devagar»! Mesmo devagar. Paredes, andares cheios de livros. Novos. Velhos. Capas de que me lembrava nas poucas estantes do meu pai. Outros tão recentes. Magia grande.
Eu tinha lido a «Odisseia» adapada para jovens.
Hoje trouxe-a para casa uma bela edição.
E grande.
O meu neto Manel perguntou-me «que livro é esse?»
«Este livro, Manel, tem todas as histórias»
Foi assim que o trouxe.
Apaziguada.
Por este livro.
Pela noite com os rapazes.
Pela noite de Lisboa.
Tantos são os espaços em que revisitamos a Vida.
Thursday, March 31, 2011
CASA DE FERNANDO PESSOA
Hoje fui à CASA DE FRENANDO PESSOA.
Que lufada de ar fresco!!!
Eu estava não «chateada», nem queria sair.
Que lufada de ar fresco!!!
Eu estava não «chateada», nem queria sair.
Tuesday, March 15, 2011
MEMÓRIAS POR UM «OLÁ»
Estava eu a abrir este blog e a pensar que queria deixar uma nota ou o que quer que fosse sobre uns pacotes de açúcar que acompanham manhãzinha o meu café, quando me lembrei que a A fazia anos.
Tentei o telemóvel. A A é afilhada do Manuel, mas o contacto não era frequente.
As minhas agendas marcavam este dia, cada ano. Eu lembrava o Manel. Ele ligava e à distância de alguns números, eu percebia as cumplicidades e a ternura expressas assim, de ano a ano.
E depois, era pr'ó ano.
Morreu o Manuel em Novembro.
Sendo esperado, foi tão inesperado.
Vi a dor da A.
Quando hoje atendeu, não reconheceu o número do meu telemóvel.
Disse-lhe «Sou a Teresa Frazão e quero muito dar-lhe os parabéns».
Entre a emoção e a alegria disse-me que queria muito vir cá a casa.
Queria saber e guardar tudo sobre o padrinho. A casa. Os livros. O sofá.
E queria ouvir-me.
Queria tudo aquilo a que tinha tido direito - a vida partilhada, o afecto, as fotografias, imagens certeiras, ali, reais.
Tinha sido assim trinta e tal anos, vida calada, vida escondida.
Mas era a vida do Manuel entrelaçada com a vida da A.
- Venha depressa, A. Não cozinho muito bem, mas à volta de uma mesa vamos falando.
Eu vou fazendo a narrativa e a A vai perguntando e vai guardando. Parece-me que vamos falar de tesouros escondidos.
Esses são os mais verdadeiros. Verdade.
Tentei o telemóvel. A A é afilhada do Manuel, mas o contacto não era frequente.
As minhas agendas marcavam este dia, cada ano. Eu lembrava o Manel. Ele ligava e à distância de alguns números, eu percebia as cumplicidades e a ternura expressas assim, de ano a ano.
E depois, era pr'ó ano.
Morreu o Manuel em Novembro.
Sendo esperado, foi tão inesperado.
Vi a dor da A.
Quando hoje atendeu, não reconheceu o número do meu telemóvel.
Disse-lhe «Sou a Teresa Frazão e quero muito dar-lhe os parabéns».
Entre a emoção e a alegria disse-me que queria muito vir cá a casa.
Queria saber e guardar tudo sobre o padrinho. A casa. Os livros. O sofá.
E queria ouvir-me.
Queria tudo aquilo a que tinha tido direito - a vida partilhada, o afecto, as fotografias, imagens certeiras, ali, reais.
Tinha sido assim trinta e tal anos, vida calada, vida escondida.
Mas era a vida do Manuel entrelaçada com a vida da A.
- Venha depressa, A. Não cozinho muito bem, mas à volta de uma mesa vamos falando.
Eu vou fazendo a narrativa e a A vai perguntando e vai guardando. Parece-me que vamos falar de tesouros escondidos.
Esses são os mais verdadeiros. Verdade.
Sunday, February 27, 2011
OS ÓSCARES
Nem que seja só um nadinha.
Viamo-lo sempre. Uma liturgia a vida toda.
Continuamos.
Agora eu.
Procuro - com dificuldade - que o vazio não seja maior.
Viamo-lo sempre. Uma liturgia a vida toda.
Continuamos.
Agora eu.
Procuro - com dificuldade - que o vazio não seja maior.
Monday, February 21, 2011
HÁ PALAVRAS ... HÁ ESTIGMAS...
Agora
procuro reencontrar-me noutro passo, numa vida minha, que nunca se confrontrou nem antes nem depois de casar com uma espécie de protecção ou coitadinha, o que pressupõe de certo modo que se não tem em conta o respeito pela dignidade.
Está a ser difícil. Há palavras e há estigmas.
Vou transcrever um pouco do que escrevi ontem, que talvez dê para entender melhor esta busca dura e persistente.
Assim:
«Primeiro que eu interorize e perceba bem (ou quase bem) o q quer q seja leva sempre imenso tempo.
Não é do meu jeito a viúva coitadinha, não vamos ferir.Vivi sempre com respeito por mim. Com defeitos e qualidades. E isso peço ou quase exijo .
Desistir de mim, não.
Não é altivez. É consciência.
Sim, sou viúva de um casamento inteiro, de igual para igual (não falo de virtudes nem de sabedoria, em que não quis nunca «chegar» um bocadinho que fosse ao ponto do Manel).
O nosso casamento não passou nunca por aí, qualquer coisa que seria mais um concurso do que um casamento. Nunca medimos nada «em balanças».
Nunca nos passou pela cabeça ou pela vida se não a dignidade de existir amando.
Talvez mais do que tudo louvo e espanto-me na vida do Manuel com atitudes como o nascimento do André, sete meses difíceis (a Maria tinha tido rubéola e o Manel impôs com firmeza e amor a vontade de que ele nascesse, disse sempre «essa criança é tão nosso filho como a Maria) e a dignidade com que viveu a morte.
Espanto-me sim.
Os dias difíceis e que desejo às vezes mais silenciosos hão-de conduzir os meus passos de forma mais tranquila.»
Mas é que são difíceis mesmo e eu não posso perguntar ao Manel «Olha lá, que dizes disto?»
Tenho mesmo que clarificar umas agulhitas que me têm parecido pouco claras. Entretanto vou andando e não quero nenhum caos.
Gosto e gostei sempre de gostar das pessoas.
É a minha respiração. E não me é difícil.
O que é mais difícil é que o outro entenda mesmo «este de igual para igual».
Realmente há palavras e há estigmas. Mulher. Viúva.... Sei lá que mais
a
procuro reencontrar-me noutro passo, numa vida minha, que nunca se confrontrou nem antes nem depois de casar com uma espécie de protecção ou coitadinha, o que pressupõe de certo modo que se não tem em conta o respeito pela dignidade.
Está a ser difícil. Há palavras e há estigmas.
Vou transcrever um pouco do que escrevi ontem, que talvez dê para entender melhor esta busca dura e persistente.
Assim:
«Primeiro que eu interorize e perceba bem (ou quase bem) o q quer q seja leva sempre imenso tempo.
Não é do meu jeito a viúva coitadinha, não vamos ferir.Vivi sempre com respeito por mim. Com defeitos e qualidades. E isso peço ou quase exijo .
Desistir de mim, não.
Não é altivez. É consciência.
Sim, sou viúva de um casamento inteiro, de igual para igual (não falo de virtudes nem de sabedoria, em que não quis nunca «chegar» um bocadinho que fosse ao ponto do Manel).
O nosso casamento não passou nunca por aí, qualquer coisa que seria mais um concurso do que um casamento. Nunca medimos nada «em balanças».
Nunca nos passou pela cabeça ou pela vida se não a dignidade de existir amando.
Talvez mais do que tudo louvo e espanto-me na vida do Manuel com atitudes como o nascimento do André, sete meses difíceis (a Maria tinha tido rubéola e o Manel impôs com firmeza e amor a vontade de que ele nascesse, disse sempre «essa criança é tão nosso filho como a Maria) e a dignidade com que viveu a morte.
Espanto-me sim.
Os dias difíceis e que desejo às vezes mais silenciosos hão-de conduzir os meus passos de forma mais tranquila.»
Mas é que são difíceis mesmo e eu não posso perguntar ao Manel «Olha lá, que dizes disto?»
Tenho mesmo que clarificar umas agulhitas que me têm parecido pouco claras. Entretanto vou andando e não quero nenhum caos.
Gosto e gostei sempre de gostar das pessoas.
É a minha respiração. E não me é difícil.
O que é mais difícil é que o outro entenda mesmo «este de igual para igual».
Realmente há palavras e há estigmas. Mulher. Viúva.... Sei lá que mais
a
Sunday, February 13, 2011
DIAS!!! DIFERENÇAS! TANTAS DIFERENÇAS!
Irrito-me também com «dias especiais» Parecem-me todos importados. Espantam-me.
Ámanhã «Dia dos namorados».
Não sei o que é. Dantes, HÁ IMENSO TEMPO, UM TEMPO JÁ PERDIDO, o Dia dos Namorados, o Dia dos Namoros era o dia de Santo António. Fazia sentido. Não era preciso explicar, não era preciso comprar nada, nem flores, nem jantar fora. Nada. Tudo normalzinho. Talvez uma ida até à Igreja de Santo António e de volta um pãozinho que há-de estar bom p´ró ano.
E o Dia das Mulheres!!!
Muito pior.
Quero dizer a todas as Mulheres que se não deixem enganar. Nem flores, nem almoços ou jantares. Delas são todos os dias.
Toda a vida. De igual para igual
Se criássemos o DIA DO HOMEM ?
Veriam então «o que é ser diferente».
E quanto dói.
Ámanhã «Dia dos namorados».
Não sei o que é. Dantes, HÁ IMENSO TEMPO, UM TEMPO JÁ PERDIDO, o Dia dos Namorados, o Dia dos Namoros era o dia de Santo António. Fazia sentido. Não era preciso explicar, não era preciso comprar nada, nem flores, nem jantar fora. Nada. Tudo normalzinho. Talvez uma ida até à Igreja de Santo António e de volta um pãozinho que há-de estar bom p´ró ano.
E o Dia das Mulheres!!!
Muito pior.
Quero dizer a todas as Mulheres que se não deixem enganar. Nem flores, nem almoços ou jantares. Delas são todos os dias.
Toda a vida. De igual para igual
Se criássemos o DIA DO HOMEM ?
Veriam então «o que é ser diferente».
E quanto dói.
Thursday, February 10, 2011
QUERO/QUEREMOS SONHO/SONHÁMOS SEMPRE UMA IGREJA ASSIM ...
Li ontem no jornal on line «Página Um»
“Sonho com uma Igreja em que qualquer fi el possa dizer o que quiser a um
bispo e onde um bispo possa dizer o que quer também”, explicou o Bispo
de Down and Conner.
“Sonho com uma Igreja em que qualquer fi el possa dizer o que quiser a um
bispo e onde um bispo possa dizer o que quer também”, explicou o Bispo
de Down and Conner.
Monday, January 31, 2011
«DOMINGO AO FIM DO DIA. . . . .»
Comecei esta postagem no domingo e ao fim de dia.
Estava uma confusão. E acrescentei «Não leiam. Hei-de dar forma e conteúdo a esta mensagem.
Aí vai
Não me lembro de gostar muito de domingos. Tinha sempre esta pergunta
o que faço hoje?
O domingo trazia consigo esta pergunta/esta prisão.
Era preciso fazer qualquer coisa de diferente.
Também não gosto quase nada de distracções. Gosto mais de razões.
Portanto há tanta coisa de que eu gosto de fazer ao domingo. Sobretudo «coisas de nada».
Nesta nova situação tem sido mais difícil.
No domingo passado, entrei em casa e «nesta dificuldade» lembrei-me da canção, no poema que tinha oferecido ao Manuel quando fizemos dez anos de casados ( «vinte» passou a «dez»).
Estas palavras são tão certas.
Aí vão uns excertos:
"Veinte anos de estar juntos,
esta tarde se han cumplido,
para ti flores, perfumes
para mi... Algunos libros!
No te he dicho grandes cosas, !
ya sabes cosas de viejos!
Hace tiempo que intentamos
bonar nuestro Destino,
Tú bajabas la persiana.
Yo apuraba mi ultimo vino.
Hoy En esta noche fría
casi como ignorando
el sabor de soledad compartida,
quise hacerte una canción,
para cantar despacito,
como se duerme a los ninos.
Y ya ves solo palabras,
sobre notas me han salido.
Que al igual que tú y que yo,
se soportan amistosas,
ni se importan ni se estorban,
mas non son una canción. ...
Qué helaba está esta casa. ...
Será que está cerca del Rio. ...
O es que entramos en invierno. ...
Y están llegando... ...
Están llegando los fríos".
Patxi Andion
Nós fomos,
nós somos «uma canção»
Sempre
Estava uma confusão. E acrescentei «Não leiam. Hei-de dar forma e conteúdo a esta mensagem.
Aí vai
Não me lembro de gostar muito de domingos. Tinha sempre esta pergunta
o que faço hoje?
O domingo trazia consigo esta pergunta/esta prisão.
Era preciso fazer qualquer coisa de diferente.
Também não gosto quase nada de distracções. Gosto mais de razões.
Portanto há tanta coisa de que eu gosto de fazer ao domingo. Sobretudo «coisas de nada».
Nesta nova situação tem sido mais difícil.
No domingo passado, entrei em casa e «nesta dificuldade» lembrei-me da canção, no poema que tinha oferecido ao Manuel quando fizemos dez anos de casados ( «vinte» passou a «dez»).
Estas palavras são tão certas.
Aí vão uns excertos:
"Veinte anos de estar juntos,
esta tarde se han cumplido,
para ti flores, perfumes
para mi... Algunos libros!
No te he dicho grandes cosas, !
ya sabes cosas de viejos!
Hace tiempo que intentamos
bonar nuestro Destino,
Tú bajabas la persiana.
Yo apuraba mi ultimo vino.
Hoy En esta noche fría
casi como ignorando
el sabor de soledad compartida,
quise hacerte una canción,
para cantar despacito,
como se duerme a los ninos.
Y ya ves solo palabras,
sobre notas me han salido.
Que al igual que tú y que yo,
se soportan amistosas,
ni se importan ni se estorban,
mas non son una canción. ...
Qué helaba está esta casa. ...
Será que está cerca del Rio. ...
O es que entramos en invierno. ...
Y están llegando... ...
Están llegando los fríos".
Patxi Andion
Nós fomos,
nós somos «uma canção»
Sempre
Thursday, January 27, 2011
À PROCURA DE TESOUROS PERDIDOS
Acordei, vi um sol mesmo amarelinho, disse para mim «Vou escrever no meu blog Está sol.
Depois, seguidinhos, uma chuva. Um frio.
E esta chuva, este frio falavam-me da televisão que temos, dos programas até à 1 da manhã.
Telenovelas cujo objectivo me parece «quanto mais alienarmos os telespectadores MELHOR».
Depois Bibi ... Quem pagou E COMO SE PERMITE? Fala-se, palavras que não ouvimos e não nos inquitam.
Depois hão-de encher-se os écrans com imagens, velas, flores, figuras cheias de visibilidade na «metade» do enterro de Carlos...
Procurámos a vida toda viver cumprindo ideais,
procurámos trabalhar cumprindo.
Procurámpos SER.
E agora?
Quero para mim a dinâmica de procurar estes tesouros.
Até ao fim.
Onde se guarda esta procura?
Depois, seguidinhos, uma chuva. Um frio.
E esta chuva, este frio falavam-me da televisão que temos, dos programas até à 1 da manhã.
Telenovelas cujo objectivo me parece «quanto mais alienarmos os telespectadores MELHOR».
Depois Bibi ... Quem pagou E COMO SE PERMITE? Fala-se, palavras que não ouvimos e não nos inquitam.
Depois hão-de encher-se os écrans com imagens, velas, flores, figuras cheias de visibilidade na «metade» do enterro de Carlos...
Procurámos a vida toda viver cumprindo ideais,
procurámos trabalhar cumprindo.
Procurámpos SER.
E agora?
Quero para mim a dinâmica de procurar estes tesouros.
Até ao fim.
Onde se guarda esta procura?
Monday, January 24, 2011
CADA DIA ... UM POUCO MAIS
Afinal, e depois das presidenciais ( eu tão zangada com o painel...), ontem é verdade que senti tanto a tua falta.Valeu-me o André que me telefonou e perguntou «Mãe, amanhã vamos à escola?»
E fomos. E foi muito bom.
Com quase trinta aninhos de diferença, encontrámos muita gente conhecida, não eram sempre os mesmos, claro.
E foi uma festa. (Campo de Ourique é assim ...).
Lembras-te de quando fui votar pela primeira vez no tempo de Marcelo. Até aí, mulheres a votar, nunca. A paciência com que estiveste numa fila enorme até que chegasse a minha vez.
As lutas académicas.
Os ideais.
Ir votar foi sempre um acto de liberdade. De consciência. De alegria.
Mas sei-te sempre tão entrelaçado e digo quase sempre «nós», enquanto procuro um outro jeito. Um outro passo.
Isto tudo para dizer também que a postagem anterior não faz muito sentido. Não é bom desejar que o tempo que pare.
Hoje, assim.
Amanhã outro dia.
Sempre vida.
E vida sempre nova.
E fomos. E foi muito bom.
Com quase trinta aninhos de diferença, encontrámos muita gente conhecida, não eram sempre os mesmos, claro.
E foi uma festa. (Campo de Ourique é assim ...).
Lembras-te de quando fui votar pela primeira vez no tempo de Marcelo. Até aí, mulheres a votar, nunca. A paciência com que estiveste numa fila enorme até que chegasse a minha vez.
As lutas académicas.
Os ideais.
Ir votar foi sempre um acto de liberdade. De consciência. De alegria.
Mas sei-te sempre tão entrelaçado e digo quase sempre «nós», enquanto procuro um outro jeito. Um outro passo.
Isto tudo para dizer também que a postagem anterior não faz muito sentido. Não é bom desejar que o tempo que pare.
Hoje, assim.
Amanhã outro dia.
Sempre vida.
E vida sempre nova.
Monday, January 03, 2011
DO TEMPO ...
Estava eu a tentar escrever sobre o Ano Novo e uma agenda nova,
quando da memória da juventude surgiam as palavras de Lamartine
«Ainsi, toujours poussés vers de nouveaux rivages,
Dans la nuit éternelle emportés sans retour,
Ne pourrons-nous jamais sur l'océan des âges
Jeter l'ancre un seul jour ?
Et la voix qui m'est chère
Laissa tomber ces mots :
« Ô temps, suspends ton vol ! et vous, heures propices,
Suspendez votre cours !
Laissez-nous savourer les rapides délices
Des plus beaux de nos jours !
« Assez de malheureux ici-bas vous implorent ;
Coulez, coulez pour eux ;
Prenez avec leurs jours les soins qui les dévorent ;
Oubliez les heureux.
(...)
L'homme n'a point de port, le temps n'a point de rive ;
Il coule, et nous passons ! »
Não sei se é «demasiado francês», mas vale.
Talvez porque sempre o senti forte em mim, me lembre tão bem
palavra por palavra.
quando da memória da juventude surgiam as palavras de Lamartine
«Ainsi, toujours poussés vers de nouveaux rivages,
Dans la nuit éternelle emportés sans retour,
Ne pourrons-nous jamais sur l'océan des âges
Jeter l'ancre un seul jour ?
Et la voix qui m'est chère
Laissa tomber ces mots :
« Ô temps, suspends ton vol ! et vous, heures propices,
Suspendez votre cours !
Laissez-nous savourer les rapides délices
Des plus beaux de nos jours !
« Assez de malheureux ici-bas vous implorent ;
Coulez, coulez pour eux ;
Prenez avec leurs jours les soins qui les dévorent ;
Oubliez les heureux.
(...)
L'homme n'a point de port, le temps n'a point de rive ;
Il coule, et nous passons ! »
Não sei se é «demasiado francês», mas vale.
Talvez porque sempre o senti forte em mim, me lembre tão bem
palavra por palavra.
Saturday, January 01, 2011
Desbloqueou o Blog. Ano Novo, deve ser isso ...
Só para dizer «Bom Ano»
E pedir-vos que não deixem que esta crise seja o centro da vida.
Só a vida é a razão da vida.
Cada dia serenamente,
aprendendo sempre.
E pedir-vos que não deixem que esta crise seja o centro da vida.
Só a vida é a razão da vida.
Cada dia serenamente,
aprendendo sempre.
Sunday, December 19, 2010
ENFIM NATAL
Parece que estou um bocado ou muito zangada com o Natal
Mas encontrei o meu professsor,
e foi assim que me reconciliei,
porque é neste Natal que me reconheço.
Diz assim:
NATAL CHIQUE
Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na minha pressa e pouco amor.
Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.
Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado...
Só esse pobre me pareceu Cristo.
VITORINO NEMÉSIO
E quero estar muito atenta a tudo e a todos que me parecem Cristo.
Mas encontrei o meu professsor,
e foi assim que me reconciliei,
porque é neste Natal que me reconheço.
Diz assim:
NATAL CHIQUE
Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na minha pressa e pouco amor.
Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.
Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado...
Só esse pobre me pareceu Cristo.
VITORINO NEMÉSIO
E quero estar muito atenta a tudo e a todos que me parecem Cristo.
Sunday, November 21, 2010
Porque é domingo
Cheguei a casa de tomar um café.
Procuro devagar os gestos novos.
Tão desordenada que nem tinha café.
Quis tanto procurar este poema e deixá-lo aqui.
Aívai:
Um dia
Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.
O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nosso membros lassos
A leve rapidez dos animais.
Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.
Sophia de Mello Breyner
Procuro devagar os gestos novos.
Tão desordenada que nem tinha café.
Quis tanto procurar este poema e deixá-lo aqui.
Aívai:
Um dia
Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.
O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nosso membros lassos
A leve rapidez dos animais.
Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.
Sophia de Mello Breyner
Tuesday, November 02, 2010
AGORA
Chegámos aqui,
Os dois.
Diremos cada dia palavras como
Sempre
Amarelo
Sorriso
Na mesa mais um prato, dois...
Rezamos? Que dizes?
Sabemos que tudo é oração.
Os dois.
Diremos cada dia palavras como
Sempre
Amarelo
Sorriso
Na mesa mais um prato, dois...
Rezamos? Que dizes?
Sabemos que tudo é oração.
Friday, September 10, 2010
VAI VALER A PENA
Para que não seja só a dor a ensombrar o dia,
socorro-me de Simone. Bem alto.
Aqui vai:
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Ter amanhecido
Ter me rebelado
Ter me debatido
Ter me machucado
Ter sobrevivido
Ter virado a mesa
Ter me conhecido
Ter virado o barco
Ter me socorrido
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Ter amanhecido
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Ter amanhecido
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
socorro-me de Simone. Bem alto.
Aqui vai:
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Ter amanhecido
Ter me rebelado
Ter me debatido
Ter me machucado
Ter sobrevivido
Ter virado a mesa
Ter me conhecido
Ter virado o barco
Ter me socorrido
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Ter amanhecido
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Ter amanhecido
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Monday, September 06, 2010
«OS VELHOS» de A O'Neil
Antes que todas as tarefas me atropelem o dia
antes de terminar (?) palavras que hão-de dizer a dor da morte do Tomaz,
enquanto apenas velo o sono doloroso do Manuel,
assalta-me a vontade de transcrever os versos de O'Neil,
cuja morte também dói.
Antes de tudo
Aí vão:
OS VELHOS
«Velhinhas de gargantilha
visitam o neto, a filha,
levam bombons de creme
ou palitos de la reine.
(...)
Um velho tira dos dedos
profecias e enredos.
Outros fazem esgares,
têm poses e vagares.
E a velha que se desleixa
e morre sem uma queixa?
Venha a cidade ajudar a abotoar o casaco
que não faz nada demais.
Velhos, meus queridos velhos,
saltem-me para os joelhos.»
Que fiquem para a dureza dos dias
acutilantes como O'Neil
tão cheias de ternura como O'Neil.
antes de terminar (?) palavras que hão-de dizer a dor da morte do Tomaz,
enquanto apenas velo o sono doloroso do Manuel,
assalta-me a vontade de transcrever os versos de O'Neil,
cuja morte também dói.
Antes de tudo
Aí vão:
OS VELHOS
«Velhinhas de gargantilha
visitam o neto, a filha,
levam bombons de creme
ou palitos de la reine.
(...)
Um velho tira dos dedos
profecias e enredos.
Outros fazem esgares,
têm poses e vagares.
E a velha que se desleixa
e morre sem uma queixa?
Venha a cidade ajudar a abotoar o casaco
que não faz nada demais.
Velhos, meus queridos velhos,
saltem-me para os joelhos.»
Que fiquem para a dureza dos dias
acutilantes como O'Neil
tão cheias de ternura como O'Neil.
Friday, September 03, 2010
D TOMAZ DA SILVA NUNES, O COMPANHEIRO AMIGO
Nunca nos habituámos a chamar-te senhor D. Tomaz.
Foste,
és o pe Tomaz ou apenas o Tomaz.(bem me lembro de quantas vezes te dizia de cor - com alguma zanga do Manel – o poema de Daniel Felipe «Tomasinho-Cara-Feia vai p'rá pesca da baleia. Quem sabe se tornará?»
e tu foste sempre o amigo,
o camarada,
o companheiro também dos nossos filhos,
tu foste,
tu és
um entre nós.
Quando te vi, não há muito, disseste «Lembrei-me tanto de ti. Por causa de um bom documentário sobre Tibaldinho.» E eu, sem qualquer censura, bem sabias, bem sabes como sou «Prometido. Hei-de dar-te um paninho de Tibaldinho.»
O Manel abriu-me os olhos, está-se a ver. Estávamos mesmo ao lado do Patriarca.
(texto interrompido com muita pena e obviamente a continuar, Vou pôr na mesa o jantar)
Foste,
és o pe Tomaz ou apenas o Tomaz.(bem me lembro de quantas vezes te dizia de cor - com alguma zanga do Manel – o poema de Daniel Felipe «Tomasinho-Cara-Feia vai p'rá pesca da baleia. Quem sabe se tornará?»
e tu foste sempre o amigo,
o camarada,
o companheiro também dos nossos filhos,
tu foste,
tu és
um entre nós.
Quando te vi, não há muito, disseste «Lembrei-me tanto de ti. Por causa de um bom documentário sobre Tibaldinho.» E eu, sem qualquer censura, bem sabias, bem sabes como sou «Prometido. Hei-de dar-te um paninho de Tibaldinho.»
O Manel abriu-me os olhos, está-se a ver. Estávamos mesmo ao lado do Patriarca.
(texto interrompido com muita pena e obviamente a continuar, Vou pôr na mesa o jantar)
Tuesday, August 17, 2010
MARIA ALIETE GALHOZ
Pois eu era aprendiz de estudante em 56 no 6ºano do liceu Pedro Nunes (hoje 10ºano).
Tinha notáveis professores estagiários em Românicas - Mário Dionísio, Maria José Salema, Maria Aliete Galhoz e outros cujos nomes já não sei.
Comprei o JL - alguns artigos elogiavam o trabalho de Maria Aliete Galhoz.
Julgo que nunca troquei uma palavra com esta Senhora.
Admirava-a.
Deixava «escorrer» algumas frases conhecedoras de Pessoa, que se não estudava nem na faculdade, à excepção da «Mensagem».
Talvez por ela me fui aproximando de Pessoa.
Na altura, uma aproximação rasteira e fascinante.
Por ela admirei aquela seriedade de trabalho exigente e incansável.
De vez em quando lia-lhe um poema.
Até que a «reencontrei» reconhecida nas páginas do JL de 11 de Setembro.
Peço-vos que leiam.
P'ra mim, Maria Aliete Galhoz é o nome presente de uma seriedade intelectual sem imagem que se tem vindo a perder.
A perder.
«Sobeja-lhe uma certa solidão mas também uma vida de exigência que testemunhará aos vindouros» (de Ivo Cruz9 e que nunca a assutou.
Tinha notáveis professores estagiários em Românicas - Mário Dionísio, Maria José Salema, Maria Aliete Galhoz e outros cujos nomes já não sei.
Comprei o JL - alguns artigos elogiavam o trabalho de Maria Aliete Galhoz.
Julgo que nunca troquei uma palavra com esta Senhora.
Admirava-a.
Deixava «escorrer» algumas frases conhecedoras de Pessoa, que se não estudava nem na faculdade, à excepção da «Mensagem».
Talvez por ela me fui aproximando de Pessoa.
Na altura, uma aproximação rasteira e fascinante.
Por ela admirei aquela seriedade de trabalho exigente e incansável.
De vez em quando lia-lhe um poema.
Até que a «reencontrei» reconhecida nas páginas do JL de 11 de Setembro.
Peço-vos que leiam.
P'ra mim, Maria Aliete Galhoz é o nome presente de uma seriedade intelectual sem imagem que se tem vindo a perder.
A perder.
«Sobeja-lhe uma certa solidão mas também uma vida de exigência que testemunhará aos vindouros» (de Ivo Cruz9 e que nunca a assutou.
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