A leitaria Ecila

Sunday, February 07, 2010

POSTAIS ILUSTRADOS


Toda a gente sabe que gosto de os escrever.
Às vezes em Tibaldinho escrevo sessenta e tal,verdade, sem exagêro.
A N também sabe.
Às vezes também ela me escreve um, «Para a amiga que ainda os escreve.»

Hoje telefonou-me. Por causa da saúde do Manel.

Em desabafo, quase em desespêro, contou-me que no verão tinha ido a França e procurou um para me escrever.

Disse-me «Sabes que não havia.»

Se eu sei N.
Em Tibaldinho, vou
e torno a ir
ao Museu de Grão Vasco para comprar os tais postais, os únicos razoáveis.

Tenho sessenta e nove anos, quase setenta.

Os postais que ainda encontro são os mesmos desde a infância.
Os mesmos.
E cada vez menos variados.
Compro imensos iguais, os que há.

E desespero.

Não é mesmo lindo este, a praça de D. Duarte junto à Sé?

FIM DE SEMANA, POIS CLARO


Fartos de estar em casa,
o Manel, as dores, mais fortes, menos fortes,

vagamente e sem muita atenção um livro (finalmente a «Vida de Teresa de Jesus», esta que já me convence da santidade e não a que me «venderam» em criança,
obediente sempre,
caladinha,
«Vês Teresinha, é assim que deves ser»,

a televisão ocupa IMENSO espaço.

Só futebol.

Política
em stand by.

Fim de semana
tão ao gosto português.

TENHO MUITA PENA.
MUITA.

Friday, February 05, 2010

SMS


Ontem escrevi à Z para justificar a minha ausência e lá disse que o Manel tinha que fazer exames para se encontrar a causa do tal líquido na pleura.
Recebi de volta estas palavras
amigas
sábias.

«As notícias não são boas, mas abrem caminho. Que fique bem e depressa.»

Respondi:
«Caminho é sempre bom. Só que estamoss a vida toda a aprender a caminhar.»

Tal qual.
Aprender o passo certo em cada dia.
O passo certo em cada situação
em cada melodia.

Wednesday, February 03, 2010

PARABÉNS MEU AMOR

É que eu não tinha qualquer intenção de abandonar este espaço,
gagarro-me a todos os espaços de comunicação e de partilha.
Respiro assim. Comunicando.
O que me deu foi sofrer situação difícil de enfrentar. Ver o Manel cheio de dores, frequentes e fortes e eu aqui a procurar fazer-lhe tudo.
E impotente.

Custou-me muito. Era mais por aí o «abandono». Durante semanas e semanas, o homem a fazer todos os exames possíveis. E causa não detectada.

Por fim, parece que estamos lá quase, esperamos bem. Líquido na pleura. Com a medicação alterada e uma ida ao barbeiro, cabelinho cortado, está com menos dores e até muito giro. O cabelo branco fica-lhe muito bem, verdade
Agora é preciso fazer exames, saber a causa. Ja é caminho.

Parece estranho escrever tudo isto no dia abençoado em que o Bernardo faz dezanove anos.
Nosso neto primeiro.

Vou plagear o André que escreve aos Marias PARABÉNS, MEU AMOR.
Com a vida dos meus filhos
e com a vida dos meus netos,
sei que toco a eternidade.

A continuar...

Saturday, January 23, 2010

ABANDONO

As deduções
são daqueles que lerem este título.

Thursday, January 07, 2010

VALE-ME O CACHE-COL DO FRANCISCO

- A avó podia fazer-me um cache-col preto e laranja?

Valeu-me o teu pedido este natal.

O Natal foi bom naquelas queixas que fazemos todos os anos. Dizemos «para o ano vou p'ra fora» e são as inúmeras correrias, é que é milagre não querer mesmo deixar de ver ninguém, estender-se até sei lá, p'ra lá de tudo. Os embrulhitos que abrindo-se dizem a ternura e ninguém pensa em valores.

E também foi muito triste.
Na minha idade ou sempre batem-nos à porta mortes. Doenças. Na minha idade ou sempre,...

Mas aquele cache-col Francisco, que está quase (dois metros e meio e é preciso chegar aos três). É que fazer estas e outras malhas me dá a sensação de ligar sempre fios,
vidas,
ternura

Fios que nunca se cortam.

Um bem-haja grande, Francisco

Natal

Sunday, December 06, 2009

DE «FIOSSOLTOS»

Gostei tanto,
que ouso copiar de «fiossoltos»
e transcrever

"Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós."
de Antoine de Saint-Exupéry

Saturday, November 28, 2009

ADVENTO E HONESTIDADE

O que é que neste país é honesto?

Verdade, qualquer coisinha serve.

Porque começa o Advento

E há-de vir o Natal.

Recebi uma proposta de encontro com o tema

«SOMOS NÓS QUE FAZEMOS O PRESÉPIO OU É O PRESÉPIO QUE NOS FAZ?»

«Isto» já vale. Pudéssemos nós passar esta pergunta pela cidade e talvez...

É que A DESONESTIDADE NÃO É UMA FATALIDADE.
Não é mesmo.