Thursday, December 06, 2012
MEU PAÍS DESGRAÇADO Sebastião da Gama
Meu país desgraçado!...
E no entanto há Sol a cada canto
e não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas …
Meu país desgraçado!...
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?
Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé
-- busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.
E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.
Levanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclama filhos mais robustos!
Povo anémico e triste,
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
-- olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!
Sebastião da Gama
Friday, November 30, 2012
30 de NOVEMBRO, DIA DE SANTO ANDRÉ
Bem contente por este dia.
Vou aos anos de um amigo. Bem gentil em me ter convidado.
Importante, importante também é que é o dia de santo André, nome que o Manel quis dar ao nosso filho.
Certinho.
O rapaz, melhor, o senhor gosta. Parece que sempre gostou.
E que toda a gente gosta.
ANDRÉ.
Thursday, November 29, 2012
A VANTAGEM ECONÓMICA, O BEM MAIOR. SURPREENDO-ME, NÃO QUERO ACREDITAR. MAS É TAL QUAL
Do Arcebispo de S. Paulo, Brasil, transcrevo
«Eu teria preferido escrever sobre outro assunto nesta semana, mas o leilão da virgindade de uma jovem brasileira, amplamente divulgado pela imprensa, requer uma reflexão. É um facto chocante e, ao mesmo tempo, parece tão banal que, talvez, só chamou a atenção porque o leilão aconteceu de maneira aberta, pela internet, e porque o valor da licitação foi alto. (...)
Chocar, por quê?
O novo é que, sem nos darmos conta, estamos a assimilar uma cultura do mercado, na qual o factor económico passou a ser o referencial maior: de uma cultura de valores éticos e morais, para uma cultura do valor económico; o bem maior parece ser a vantagem económica, que tudo permite e legitima, amolecendo qualquer resistência do senso moral. Tudo fica justificado se há vantagem económica.
Onde vamos parar?»
Temos tantas razões para pensar.
Urge fazê-lo.
Friday, November 02, 2012
«OS AMANTES DE NOVEMBRO» de O´Neill
Ruas e ruas dos amantes
Sem um quarto para o amor
Amantes são sempre extravagantes
E ao frio também faz calor
Pobres amantes escorraçados
Dum tempo sem amor nenhum
Coitados tão engalfinhados
Que sendo dois parecem um
De pé imóveis transportados
Como uma estátua erguida num
Jardim votado ao abandono
De amor juncado e de outono.
Wednesday, October 31, 2012
Saturday, October 27, 2012
«A PORTA» poema de Miroslav Holub (poeta checo)
Gosto tanto deste poema que li em «Notícias de Santa Isabel»
Aí vai
«Vai e abre a porta
Talvez lá fora haja
Uma árvore, ou um bosque,
Um jardim,
Ou uma cidade mágica.
Vai e abre a porta.
Talvez haja um cão a vasculhar.
Talvez haja uma cara,
Ou um olho
Ou a imagem
de uma imagem.
Vai e abre a porta.
Se houver nevoeiro
Dissipar-se-á.
Vai e abre a porta.
Mesmo que nada mais haja
que o tiquetaque da escuridão,
Mesmo que nada mais haja
Que o vento surdo,
Mesmo que
nada
haja,Vai a abre a porta.
Pelo menos
Haverá
Uma corrente de ar.»
Wednesday, October 24, 2012
Monday, October 22, 2012
MANUEL MARIA
Começaram os meus netos a fazer anos.
Uma dinastia de seis rapazes.
Hoje o Manuel. O loiro de caracóis.
Mau feitio, dizem.( Os avós tem óculos que não vêem os defeitos. São óculos que se vendem só aos avós na «Loja do avô». São grátis desde que provado o parentesco.)
O Manuel tem um coração do tamanho do mundo.
E um sorriso ainda maior que há-de resolver-lhe a vida toda.
Um beijo grande de PARABÈNS, Manuel Maria
Saturday, October 20, 2012
«COISAS» NA FEIRA DO JARDIM DA ESTRELA
Hoje, a manhã inteirinha no Jardim da Estrela à conta de um sereno sol de Outono.
Havia uma Feira, de «tralhas». Imensas «coisas» iguais às de cá de casa.
Atrevi-me a perguntar alguns preços. Nada vale nada.
Que bom que o que vale é a «história» e o «afecto»
As nossas coisas valem MUITO.
MUITO
Friday, October 19, 2012
MANUEL ANTÓNIO PINA
Só para o escrever
com palavras suas,
um poema escolhido ao acaso
AS COISAS
Há em todas as coisas uma mais-que-coisa
fitando-nos como se dissesse: «Sou eu»,
algo que já lá não está ou se perdeu
antes da coisa, e essa perda é que é a coisa.
Em certa tardes altas, absolutas,
quando o mundo por fim nos recebe
como se também nós fôssemos mundo,
a nossa própria ausência é uma coisa.
Então acorda a casa e os livros iamginam-nos
do tamanho da sua solidão.
Também nós tivemos um nome
mas, se alguma vez o ouvimos, não o reconhecemos.
NOITE
No fim do dia, a noite.
Esta e as outras noites.
Vazio ou pesadelo.
Não é uma queixa.
É que tem sido assim.
E talvez que seja para sempre assim.
Thursday, October 18, 2012
SILVÉRIO
Bem cedo, a notícia de que tinhas partido.
E logo, a lembrança do teu sorriso escancarado.
Quase as lágrimas. Um quase e um ainda não.
Um vazio ali numa igreja cheia.
Essa frase do Mário Teixeira, imperativa e firme Canta Aleluia.
A Paz da Comunhão dos Santos.
Sempre.
A Paz.
A Liberdade.
Monday, October 01, 2012
UMA MÃE GALINHA PENSANTE
Frase do dia
"Pior do que uma mãe galinha, é uma mãe galinha pensante."
Autor desconhecido
Saturday, September 29, 2012
APONTAMENTO - A DIFICULDADE DA LÍNGUA PORTUGUESA
Será que chegámos tão baixo que se julgue que racionar é mesmo parecido com racionalizar?
Sim, chegámos.
Pobre gente!
Pobre país!
NOVO VISUAL
À conta do meu analfabetismo no que respeita a gerenciar o meu blog,
o André teve por aqui um trabalhinho e ... cá está o meu blog com novo visual.
Ainda disse «é pretencioso, parece que tenho imensos livros.» Ao que a Ana replicou « E
tem mesmo»
Portanto cá estou eu com novo visual.
Saturday, September 22, 2012
SAÚDO E APLAUDO D MANUEL CLEMENTE
Sim,
saúdo e aplaudo a lucidez certeira das palavras proferidas ontem por D.Manuel Clemente no IPO do Porto
a propósito desta forma desumana a que o povo português tem estado sujeito
de se imporem restrições e mais restrições
sem que lhe seja explicado «o porquê» e «o para quê».
Friday, September 21, 2012
COLADA À TELEVISÃO
Estou mesmo chateada comigo.
Colada à televisão para "ver" e "ouvir" o que acontece (acontece?) no Conselho de Estado.
Rendo-me assim e tão irracionalmente às técnicas de marketing dos meios de comunicação social.
Entretanto vejo sim a concentração junto ao Palácio de Belém.
E acho que devia lá estar.
Colada à televisão para "ver" e "ouvir" o que acontece (acontece?) no Conselho de Estado.
Rendo-me assim e tão irracionalmente às técnicas de marketing dos meios de comunicação social.
Entretanto vejo sim a concentração junto ao Palácio de Belém.
E acho que devia lá estar.
Thursday, September 20, 2012
Comunicado do PSD à meia noite do dia 19.09
Estes senhores estão no governo para servir o povo português
Ou
Para "ganharem",
Para que o CDS se lhes submeta
E enfim lhes preste vassalagem,
Arrependido?
Saberão o que significa "Diálogo"?
Pobre país o nosso!
Ou
Para "ganharem",
Para que o CDS se lhes submeta
E enfim lhes preste vassalagem,
Arrependido?
Saberão o que significa "Diálogo"?
Pobre país o nosso!
Wednesday, September 19, 2012
DE PÉ
Pois tenho persistido.
Ou tenho tentado persistir.
Como posso.
Tal qual.
Outros passos, sim.
E tanto tempo calada! Enquanto o meu país crescia em caos. E está um caos. E é um caos.
A gente do meu país calcada. No meio da rua. Sem protecção nenhuma. Atirada p'ráli. Como se estivéssemos a mais. Como se todos estivessem a mais. Moeda de troca enquanto ...
Mas a gente do meu país nasceu no sábado. Saíu. Disse. Gritou a dor. Gritou a falta. A indigência.
Gritou a uma só voz.
Comungou a míngua.
Mas comungou.
E renasceu.
Ou tenho tentado persistir.
Como posso.
Tal qual.
Outros passos, sim.
E tanto tempo calada! Enquanto o meu país crescia em caos. E está um caos. E é um caos.
A gente do meu país calcada. No meio da rua. Sem protecção nenhuma. Atirada p'ráli. Como se estivéssemos a mais. Como se todos estivessem a mais. Moeda de troca enquanto ...
Mas a gente do meu país nasceu no sábado. Saíu. Disse. Gritou a dor. Gritou a falta. A indigência.
Gritou a uma só voz.
Comungou a míngua.
Mas comungou.
E renasceu.
Saturday, August 25, 2012
JÁ NÃO TENHO PAÍS. PRIVATIZAÇÃO DA RADIOTELEVISÃO ?
.

Parece que já não tenho país.
Como se não acreditasse...
Porquê?
Dá prejuízo. Reorçamentar, talvez. Sei lá...
Mas privatizar?
E é verdade.
Já não tenho televisão pública.
Já não tenho País.
Já não temos País.
Postei uma imagem de Maria Armanda Falcão, que mais tarde adoptou o nome de Vera Lagoa.
Em casa da bela e primeira apresentadora da TV, à conta da enorme e comum amizade pelo Armando Fiúza, conheci o Manel.
E dansámos as primeiras voltas.
Da vida toda.
Saturday, August 18, 2012
DE CLARICE LISPECTOR
Este é o texto de Clarice Lispector (de que recomendo toda a obra) citado pelo p Tolentino Mendonça na Pastoral da Cultura de 17.08. e que deu origem à escrita rápida da postagem seguinte. Só esta transcrição nos deixa compreender «o táxi», «o jardim» e a mensagem que procurei passar.
Aí vai:
Aí vai:
«Eram 2 horas da tarde de verão.
Interrompi meu trabalho, mudei rapidamente de roupa, desci, tomei um táxi que
passava e disse ao chofer: vamos ao Jardim Botânico. "Que rua?", perguntou ele.
"O senhor não está entendendo", expliquei-lhe, "não quero ir ao bairro e sim ao
Jardim do bairro." Não sei porquê, olhou-me um instante com atenção.
Deixei abertas as vidraças do carro, que corria muito, e eu já
começara minha liberdade deixando que um vento fortíssimo me desalinhasse os
cabelos e me batesse no rosto grato de felicidade. Eu ia ao Jardim Botânico para
quê? Só para olhar.
Só para ver.
Só para sentir.
Só para viver».
Só para ver.
Só para sentir.
Só para viver».
Friday, August 17, 2012
P´RA VIVER
17.08.2012
Li hoje na «Pastoral da Cultura» um artigo do p.Tolentino sobre «O acto gratuito».
Gosto de escrever a seguir à página que leio, ao filme que vejo, à situação que observo.
Hoje escrevi «isto»:
Aos
setenta e dois anos, a vida é toda assim gratuita.
Vou-me
dando conta de limites. E aceito.
É
então que me deslumbro, feliz e livre, para a beleza do
gratuito.
A
gente faz qualquer coisa porque quer, porque apetece, porque pode.
E
quantas vezes um buraco, uma pedra escura nos barra o caminho ou faz
parar
o táxi para o Jardim Botânico.
Ou
talvez não.
Posso
levar comigo o buraco, a pedra escura. Assim não barram o
caminho.
E
continuo.
No
táxi.
Para
o mesmo destino.
Sunday, August 12, 2012
PARA GUARDAR «COISAS» POSITIVAS
O amor é a ausência do Juízo ... Citações de Dalai
Não estou nada «chateada».
E resolvi coleccionar/guardar/... tudo quanto há de positivo.
1. Hoje de manhã, eu na esplanada do «Estrelas Brilhantes».
Aproxima-se um carrinho de bebé.
A moça que o transporta sorri-me.
É a Cristina, a mulher do Gonçalo.
E eu já a espreitar o Tomaz, o precioso Mello Barreto.
O cachopo ri, sorri, sei lá. Uma babadice.
Verdade mesmo, a cara do meu primo-irmão, o Victor.
Notícia MUITO POSITIVA.
Saturday, August 11, 2012
O MAIOR ABRAÇO FRATERNO DO MUNDO
Ontem, dois dos meus netos, o Francisco e o Pedro, voltaram a Évora, onde vivem, depois de terem estado no acampamento de escuteiros.
Antes de regressarem e em gesto de despedida, 17000 escuteiros deram o maior abraço fraterno do mundo.
Eu, que tenho andado tão zangada com o mundo, voltei a acreditar que o tal mundo com que me zango, há-de saber escolher «a melhor parte» -
um abraço fraterno, um inclusivo abraço fraterno.
Como o fizeram estes escuteiros.
E havemos de saborear a confiança.
05 de Agosto de 2012, 00:00
Uma semana a Escuteirar
1/8
Sunday, July 08, 2012
JOANA, OBRIGADA
Obrigada, Joana, por ter voltado a ler este quase nada que às vezes me diz.
Hoje quero elogiar O SILÊNCIO
neste caos com muita gritaria em que vivemos.
Tanta gritaria que às vezes chego a casa e carrego o botão da TV.
Desafio-me a «escutar o silêncio».
Sem mais.
Hoje quero elogiar O SILÊNCIO
neste caos com muita gritaria em que vivemos.
Tanta gritaria que às vezes chego a casa e carrego o botão da TV.
Desafio-me a «escutar o silêncio».
Sem mais.
Monday, June 11, 2012
VOLTAR
Não tem sido fácil habituar-me a esta outra forma de vida.
Hoje, sei que caminho. Mas é como um forceps.
O fim-de-semana foi bom.
Aquele encontro/almoço/palavras/sorrisos e abraços na Casa Comprida do António e da Ninah, não tem como agradecer. Não tem adjectivo. É o ponto alto de todos os encontros.
Mas voltei.
Cheguei quase à noite. Isso foi bom.
Já sei que a casa está vazia. Silenciosa.
Saber, ajuda.
«Entender», vou entendendo.
Cada dia, um pouco mais.
Mas voltar, há-de ser sempre assim. Este vazio.
Friday, June 08, 2012
TERRORISMO EM MENSAGENS E MAIL
Hoje de manhã recebi via e mail esta mensagem:
« O Presidente da XXX recebeu esta imagem e a chamou de "lixo eletrônico".
8 dias mais tarde seu filho faleceu.
Um homem recebeu esta imagem e imediatamente enviou cópias... sua surpresa foi ganhar na loteria!
XXX recebeu esta imagem, deu-a a sua secretária para fazer cópias, mas eles esqueceram de distribuí-las:
ela perdeu o emprego e ele perdeu a família.
Esta imagem é milagrosa e sagrada, não esqueça de enviá-la dentro de 13 dias a pelo menos 10 pessoas . *
Zango-me com muitos sinais como este e tantos outos do mundo em que vivo.
Isto é terrorismo puro.
Deus aparece como um ser poderoso e tirano.
O Deus da minha infância e de toda a minha vida é Deus que é Pai de bondade e de misericórdia.
Jesus Cristo é o seu Filho, homem e Deus, a viver connosco esta condição humana.
Há muitos sinais de terrorismo nos nossos dias.
E numa época de crise, de fragilidade não é difícil fazer passar esta ideia de que fazes e recebes oou não fazes e tens um castigo enorme.
Até quando o Manuel estava tão doente, eu recebia estas mensagens.
Não tenho nada a ver com isto.
Ou tenho?
No meu país, na minha cidade cidade, entre os meus amigos...
Pensar, seria bem melhor.
Seria ...
« O Presidente da XXX recebeu esta imagem e a chamou de "lixo eletrônico".
8 dias mais tarde seu filho faleceu.
Um homem recebeu esta imagem e imediatamente enviou cópias... sua surpresa foi ganhar na loteria!
XXX recebeu esta imagem, deu-a a sua secretária para fazer cópias, mas eles esqueceram de distribuí-las:
ela perdeu o emprego e ele perdeu a família.
Esta imagem é milagrosa e sagrada, não esqueça de enviá-la dentro de 13 dias a pelo menos 10 pessoas . *
Zango-me com muitos sinais como este e tantos outos do mundo em que vivo.
Isto é terrorismo puro.
Deus aparece como um ser poderoso e tirano.
O Deus da minha infância e de toda a minha vida é Deus que é Pai de bondade e de misericórdia.
Jesus Cristo é o seu Filho, homem e Deus, a viver connosco esta condição humana.
Há muitos sinais de terrorismo nos nossos dias.
E numa época de crise, de fragilidade não é difícil fazer passar esta ideia de que fazes e recebes oou não fazes e tens um castigo enorme.
Até quando o Manuel estava tão doente, eu recebia estas mensagens.
Não tenho nada a ver com isto.
Ou tenho?
No meu país, na minha cidade cidade, entre os meus amigos...
Pensar, seria bem melhor.
Seria ...
Saturday, May 05, 2012
À ESPERA, O DOCE DE MORANGO
Antes de pôr ao lume o doce de morango para ver o sorriso e o espanto do meu neto Manuel
(foi mesmo a avó que fez?),
deixo aqui o que há pouco escrevi a um amigo
- Estou mesmo quase a comprar um iPad. O André recomendou-me A mãe experimente primeiro.
Ouvi esta frase desde a infância que é preciso aprender, é preciso experimentar.
E foi assim que sozinha, muito criança, prendi a coser à máquina
e aprendi a patinar nas botas de hóquei do vizinho.
Teimosa? Sim.
Determinada? Também.
Já não tenho as botas de patins...
e coser à máquina não é nada de especial
Ainda assim, gosto do que eu gosto.
Determinada.
Sem modas
Sem «agora é assim»
Antes
«Aqui ao leme sou mais do que eu.»
(foi mesmo a avó que fez?),
deixo aqui o que há pouco escrevi a um amigo
- Estou mesmo quase a comprar um iPad. O André recomendou-me A mãe experimente primeiro.
Ouvi esta frase desde a infância que é preciso aprender, é preciso experimentar.
E foi assim que sozinha, muito criança, prendi a coser à máquina
e aprendi a patinar nas botas de hóquei do vizinho.
Teimosa? Sim.
Determinada? Também.
Já não tenho as botas de patins...
e coser à máquina não é nada de especial
Ainda assim, gosto do que eu gosto.
Determinada.
Sem modas
Sem «agora é assim»
Antes
«Aqui ao leme sou mais do que eu.»
Wednesday, May 02, 2012
Fernando Lopes
Morreu hoje
Companheiro do Manel, este senhor, estava por cá a toda a hora.
Melhor,
dele se falava,
com as suas imagens se sonhava,
os filmes vistos,
comentados,
conversados.
Custa-me o que perdemos, quem perdemos.
Como é que esta casa não tem mais o debate, a crítica, as bocas fantásticas, os serões animados
de quem está vivo?
Falta-nos o Manel. De que modo nos falta o Manel!
Mas sinceramente é terrível, dói mesmo, que falte, melhor que tenha desaparecido o gosto pela conversa sã e discutida.
O gosto dizer «assim» e o outro «assado».
Agora deparo-me com uma só ideia, uma só pessoa, uma só ....
Há muito tempo que ouvi isto.
Passado.
Indesejado.
Companheiro do Manel, este senhor, estava por cá a toda a hora.
Melhor,
dele se falava,
com as suas imagens se sonhava,
os filmes vistos,
comentados,
conversados.
Custa-me o que perdemos, quem perdemos.
Como é que esta casa não tem mais o debate, a crítica, as bocas fantásticas, os serões animados
de quem está vivo?
Falta-nos o Manel. De que modo nos falta o Manel!
Mas sinceramente é terrível, dói mesmo, que falte, melhor que tenha desaparecido o gosto pela conversa sã e discutida.
O gosto dizer «assim» e o outro «assado».
Agora deparo-me com uma só ideia, uma só pessoa, uma só ....
Há muito tempo que ouvi isto.
Passado.
Indesejado.
Tuesday, May 01, 2012
GRITADAS AS PALAVRAS
Aquelas palavras gritadas para todos, e que a tornavam o centro, o círculo (de repente Maria do Céu Guerra, o círculo de giz caucasiano...)
Aquelas palavras sobre a última notícia, a única notícia, a notícia que todos tinham que ouvir e ficar a saber
o melhor pastel de nata de Lisboa
a Aloma
aquelas palavras sem afecto sobre a Aloma,
as que tinham aparecido na televisão (a televisão no seu pior)
aquelas palavras que não diziam sobre a Aloma senão o que tinha sido dito nas televisões
a certa altura que a Aloma tinha já sessenta anos
e eu, que conhecia e me enternecia pelo sr Barreto e pelo sr Rodrigues
eu, ainda que procurasse que me ouvissem, não conseguia
eu só queria dizer a Aloma tem menos quatro anos do que eu, sessenta e sete
só para dizer a outra Aloma, a Aloma de sempre,
mas não conseguia gritar
É que não fico nada bem em notícia de abertura, em gritaria de abertura,
soui uma contadora de histórias, mesmo de histórias,
histórias entrelaçadas com afectos, com saudades, nos meus dias
histórias com coisas pequeninas,
coisas,
gestos,
palavras ou silêncios,
histórias que não dão para me fazer ouvir
não dão nem para começar
que a Aloma tenha sessenta e sete anos,
não dá.
Calei-me e em pano de fundo lembrei-me de quase tudo sobre a Aloma.
Caladinha.
lembrei-me da Aloma como também da casa de Tibaldinho
e de que afinal D. Afonso Henriques tinha nascido em Viseu e não em Guimarães,
quiça tão perto da nossa casa,
sabe-se lá, na nossa casa
Parece também que cada um só ouve o que quer ouvir
só vê o que quer ver
naquela noite eu queria mesmo ver
o meu pai apontava-me a Ursa Maior
Ali, Teresinha, ali
eu tentava e não via
até que vi
como a Maria e o André haviam de ver a mesma constelação apontada pelos dedos do Manel (tão belos os dedos do Manel)
eu a dizer noite dentro à minha mãe que tinha pesadelos
os novelos de trapo para as mantas, os novelos que pareciam sufocar-me
Hoje teço muitos novelos
fios cheio de ternura
todos os novelos
a vida cheia de novelos à espera de um sonho
de um sorriso
da laçada de ternura
a vida sempre á espera
Tuesday, April 24, 2012
A VER SE FESTEJAMOS
Há datas que doem.
Julgo que não fui a nada género lembrar, género «onde está» ou «como está» a propósito dos cinquenta anos do Concílio Vaticano II?
Custa.me não ir. E havia de custar-me ir.
Palavras Palavras E que fizemos este tempo todo? Deixámos...
Agora o 25 de Abril. Que temos nós hoje dessa grande esperança? Vozes que se revoltam. Vozes guardadas. Por mim, vou comprar os cravos. Os «tais cravos» de que o meu neto João perguntou «Estes é que são os tais cravos»?
E que venha o André pôr a tocar «Grândola» em todas as varandas.
Para mudar o bairro.
Para mudar o mundo
Para mudar a vida.
Julgo que não fui a nada género lembrar, género «onde está» ou «como está» a propósito dos cinquenta anos do Concílio Vaticano II?
Custa.me não ir. E havia de custar-me ir.
Palavras Palavras E que fizemos este tempo todo? Deixámos...
Agora o 25 de Abril. Que temos nós hoje dessa grande esperança? Vozes que se revoltam. Vozes guardadas. Por mim, vou comprar os cravos. Os «tais cravos» de que o meu neto João perguntou «Estes é que são os tais cravos»?
E que venha o André pôr a tocar «Grândola» em todas as varandas.
Para mudar o bairro.
Para mudar o mundo
Para mudar a vida.
Saturday, March 31, 2012
PALAVRAS
UMA LEITURA IMEDIATA DAS PALAVRAS,
OU
RÁPIDA, SEI LÁ
FORMA CERTA DE NINGUÉM SE ENTENDER
DE FERIR
DE SE DEIXAR FERIR.
FICA DIFÍCIL
MAS HAVEMOS DE PROCURAR
HAVEMOS DE ENCONTRAR «COMO».
OU
RÁPIDA, SEI LÁ
FORMA CERTA DE NINGUÉM SE ENTENDER
DE FERIR
DE SE DEIXAR FERIR.
FICA DIFÍCIL
MAS HAVEMOS DE PROCURAR
HAVEMOS DE ENCONTRAR «COMO».
Friday, March 23, 2012
LUTO ACADÉMICO
Há cinquenta anos, lá estávamos todos.
Julgo que todos, não, quase todos.
Eu, claro,com a anuência do meu pai, o Jorge Montez, a Isabel, a Luisa,o Manel, o Armando Fiúza,o Chico, o Beja da Costa, não sei bem, o Zé Manel Tavares de Moura, a Ni,...
Todos.
Sonhámos que tudo era possível.
E sonhamos.
Julgo que todos, não, quase todos.
Eu, claro,com a anuência do meu pai, o Jorge Montez, a Isabel, a Luisa,o Manel, o Armando Fiúza,o Chico, o Beja da Costa, não sei bem, o Zé Manel Tavares de Moura, a Ni,...
Todos.
Sonhámos que tudo era possível.
E sonhamos.
Sunday, February 26, 2012
TOMAZ DE MELLO BARRETO
Surpreendentemente
a Vida,
a Alegria,
o Espanto.
Nasceu-nos hoje, 26 de Fevereiro, o nosso querido Tomaz de Mello Barreto.
Que Deus te abençoe e proteja.
Estamos cá todos para te dar também uma mãozinha.
a Vida,
a Alegria,
o Espanto.
Nasceu-nos hoje, 26 de Fevereiro, o nosso querido Tomaz de Mello Barreto.
Que Deus te abençoe e proteja.
Estamos cá todos para te dar também uma mãozinha.
Sunday, February 19, 2012
IGREJAS CAEIRO, A VOZ , A PRESENÇA
Eu já nem sabia se o senhor ainda estava vivo.
Li em nota de rodapé, depois procurei na net.
E encontrei. Regresso à infância. Aos tempos da Radio. Essas vozes tão perto. Sabe-se lá, até parecia atrás do aparelho.
OS COMPANHEIROS DA ALEGRIA
O COMBÓIO DAS SEIS E MEIA
Pois. Morreu assim em Domingo de Carnaval. Certo com ele.
Quem é que mandou calar o Carnaval?
Ele é notícia, pois ...
Este jeito de mandarem calar pessoas, gerações, ideais, vozes ...
Fora de prazo.
Quase fria parece, a notícia. Sem memória, sem afectos.
Em casa dos meus pais, não. Parava tudo para ouvir.
Diz assim:
Morreu Igrejas Caeiro. Francisco Igrejas Caiero era um dos nomes mais marcantes da rádio, do cinema e também da televisão em Portugal. Foi afastado da antena pela ditadura do Estado Novo, por causa de declarações sobre a ocupação militar portuguesa de territórios na Índia. O regresso aos microfones só aconteceu depois do 25 de Abril. Era também actor, encenador e locutor. Igrejas Caeiro foi militante do PS, deputado à Assembleia da República e vereador da Câmara Municipal de Cascais. Igrejas Caeiro era natural de Castanheira do Ribatejo e morreu aos 94 anos.
Li em nota de rodapé, depois procurei na net.
E encontrei. Regresso à infância. Aos tempos da Radio. Essas vozes tão perto. Sabe-se lá, até parecia atrás do aparelho.
OS COMPANHEIROS DA ALEGRIA
O COMBÓIO DAS SEIS E MEIA
Pois. Morreu assim em Domingo de Carnaval. Certo com ele.
Quem é que mandou calar o Carnaval?
Ele é notícia, pois ...
Este jeito de mandarem calar pessoas, gerações, ideais, vozes ...
Fora de prazo.
Quase fria parece, a notícia. Sem memória, sem afectos.
Em casa dos meus pais, não. Parava tudo para ouvir.
Diz assim:
Morreu Igrejas Caeiro. Francisco Igrejas Caiero era um dos nomes mais marcantes da rádio, do cinema e também da televisão em Portugal. Foi afastado da antena pela ditadura do Estado Novo, por causa de declarações sobre a ocupação militar portuguesa de territórios na Índia. O regresso aos microfones só aconteceu depois do 25 de Abril. Era também actor, encenador e locutor. Igrejas Caeiro foi militante do PS, deputado à Assembleia da República e vereador da Câmara Municipal de Cascais. Igrejas Caeiro era natural de Castanheira do Ribatejo e morreu aos 94 anos.
Tuesday, February 14, 2012
14 de Fevereiro DIA DOS NAMORADOS
A MF enviou-me este texto.
Fresco.
Como tudo que começa e sempre recomeça.
A vida vale.
Também os afectos nos sustêm.
Sempre
Sentimentos Olhares Afectos
Verdade, verdade é que os sentimentos são um atraso de vida.
Paralisam ou põem tudo em rodopio.
Estremecem.
Tiram de órbita.
Afundam e ressuscitam.
Fazem rodar as quatro estações.
Na mesma tarde.
Acreditam?
Verdade, verdade é que os sentimentos atrasam. Deixam o trabalho para depois.
Despistam.
Aproximam o pó das estrelas e distanciam o pó das sebentas.
Que fazer?
Suspiros. Olhares. Olhinhos.
A linguagem passa perigosamente ao estado diminutivo sempre que os sentimentos perigosamente se expandem.
O pior é que nem pela ironia se dá.
Mas a verdade, a grande verdade é que os sentimentos interessam.
Tornam-nos gente.
Ensinam-nos a ser.
Pedem de nós o que trazemos de único e de irrepetível.
E preparam-nos para querer, para desejar receber o mesmo.
Do outro. Da outra.
Um comércio puro, gratuito.
Tão diferente, tão distante
dos rotineiros comércios.
A qualidade do nosso estar, aqui ou noutro lado, as coisas que temos ou que gostamos mesmo de aprender, os outros com que vamos tecendo o quotidiano, o sentido mais profundo que buscamos emprestar à nossa vida
dão-nos estofo. Firmeza interior.
Capacidade de construir.
Não aconteça sermos nós
uns atrasos de vida que fazem emperrar
os essenciais sentimentos.
Tolentino Mendonça
Fresco.
Como tudo que começa e sempre recomeça.
A vida vale.
Também os afectos nos sustêm.
Sempre
Sentimentos Olhares Afectos
Verdade, verdade é que os sentimentos são um atraso de vida.
Paralisam ou põem tudo em rodopio.
Estremecem.
Tiram de órbita.
Afundam e ressuscitam.
Fazem rodar as quatro estações.
Na mesma tarde.
Acreditam?
Verdade, verdade é que os sentimentos atrasam. Deixam o trabalho para depois.
Despistam.
Aproximam o pó das estrelas e distanciam o pó das sebentas.
Que fazer?
Suspiros. Olhares. Olhinhos.
A linguagem passa perigosamente ao estado diminutivo sempre que os sentimentos perigosamente se expandem.
O pior é que nem pela ironia se dá.
Mas a verdade, a grande verdade é que os sentimentos interessam.
Tornam-nos gente.
Ensinam-nos a ser.
Pedem de nós o que trazemos de único e de irrepetível.
E preparam-nos para querer, para desejar receber o mesmo.
Do outro. Da outra.
Um comércio puro, gratuito.
Tão diferente, tão distante
dos rotineiros comércios.
A qualidade do nosso estar, aqui ou noutro lado, as coisas que temos ou que gostamos mesmo de aprender, os outros com que vamos tecendo o quotidiano, o sentido mais profundo que buscamos emprestar à nossa vida
dão-nos estofo. Firmeza interior.
Capacidade de construir.
Não aconteça sermos nós
uns atrasos de vida que fazem emperrar
os essenciais sentimentos.
Tolentino Mendonça
Friday, January 13, 2012
MANHÃ
Fez anos a FF. Bom é ir fiando as linhas dos afectos. E encontrar também aí serenidade. Muita.
Tenho uns postais para enviar...
Encontrei a A tão fragilizada.Oitenta e tal anos, o marido a seu cargo e tão doente. Desafiei-a a um chá de limão só para nos sentarmos, trocar uma palavra.
«A vida é feita de nadas.»
A minha vida é mesmo feita de nadas.
A atracção que tenho pelas malhas passa por tudo isto. De fora, é mania ou é inexplicável.
Compra-se muito mais bonito e a preço acessível.
Mas vou tecendo tudo.
Abri a Pastoral da Cultura.
Leio devagar um poema de Nuno Júdice «O som dos silêncios».
Belíssimo.
De quantos silêncios nasce uma palavra?
Tenho uns postais para enviar...
Encontrei a A tão fragilizada.Oitenta e tal anos, o marido a seu cargo e tão doente. Desafiei-a a um chá de limão só para nos sentarmos, trocar uma palavra.
«A vida é feita de nadas.»
A minha vida é mesmo feita de nadas.
A atracção que tenho pelas malhas passa por tudo isto. De fora, é mania ou é inexplicável.
Compra-se muito mais bonito e a preço acessível.
Mas vou tecendo tudo.
Abri a Pastoral da Cultura.
Leio devagar um poema de Nuno Júdice «O som dos silêncios».
Belíssimo.
De quantos silêncios nasce uma palavra?
Tuesday, January 10, 2012
CONTINUAÇÃO «A CRISE»
Hoje, nem tenho grande coisa para apontar.
Mas é importante dizer aonde foi aplicada a taxa de 23º/º na minha factura de supermercado.
Assim:
Açúcar de marca branca
Pacote pequeno de Bolacha Maria tb de marca branca
Creme de soja género margarina
Enfim, e embora uns amigos me tenham oferecido o bilhete de cinema, também aí deve ter sido aplicado 23º/º. A cultura é um luxo ... Isso não mesmo
Mas é importante dizer aonde foi aplicada a taxa de 23º/º na minha factura de supermercado.
Assim:
Açúcar de marca branca
Pacote pequeno de Bolacha Maria tb de marca branca
Creme de soja género margarina
Enfim, e embora uns amigos me tenham oferecido o bilhete de cinema, também aí deve ter sido aplicado 23º/º. A cultura é um luxo ... Isso não mesmo
A CRISE
A este texto segui-se-á a listagem do que vai mudando cá por casa por causa da crise:
1 - Não tenho paciência para ser desgraçadinha e ter má cara. A ver se se conserva o sorriso e se aumenta.
2 - Levo a máquina de calcular para o Pingo Doce e vou somando até ...
3 - Mais ou menos mudo o orçamento cada dia.
(continuo amanhã)
1 - Não tenho paciência para ser desgraçadinha e ter má cara. A ver se se conserva o sorriso e se aumenta.
2 - Levo a máquina de calcular para o Pingo Doce e vou somando até ...
3 - Mais ou menos mudo o orçamento cada dia.
(continuo amanhã)
Thursday, January 05, 2012
O QUE A VIDA MUDA
EDP - ELETLECIDADE DE POLTUGAL
A paltil de Janeilo pala sua maiol comodidade pague as fatulas da EDP num dos muitos milhales
de postos de coblança existentes no Pais .... A LOJA DO CHINÊS MAIS PLÓXIMA !!!!
A paltil de Janeilo pala sua maiol comodidade pague as fatulas da EDP num dos muitos milhales
de postos de coblança existentes no Pais .... A LOJA DO CHINÊS MAIS PLÓXIMA !!!!
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