«- É um rapaz.
Tá a ver, tem aqui o seu rapaz.»
Foi assim que o médico me pôs em cima da barriga agora insensível, um rapaz cooooooooooompridíssimo, um molho de líquidos que eu não percebia, misturados com uns que me pareciam sangue.
Um rapaz.
Levaste um tempozito que me pareceu enorme até que gritasses muito. MESMO MUITO.
(nunca foste de falar à primeira, era isso, talvez)
Depois vi-te as mãos muito abertas e enormes.
Os pés, a mesma coisa.
Esquisito. Parecias-te com o médico.
Foi quando desatei a chorar. Também estava certo comigo e não te deve ter surpreendido. Disseste mais tarde «A minha mãe até chora com anúncios».
Sei lá porque é que choramos. Vem de dentro.
Diz também a vida.
E a alegria tornada mais serena e mais conforme...
«Faz o favor de seres feliz.» (plágio que vale)
O pai quis chamar-te André. Hoje já gosto, mas levei um tempão. Sou sempre demorada.
O pai tinha razão.
André.
Sunday, August 30, 2009
Wednesday, August 19, 2009
NI, A BENÇÃO DOS AFECTOS
Recebi o seu cartão de parabéns.
Não somos amigas há muitos anos.
É há muito mais...
Ventre materno.
Laço paterno.
Sempre as mesmas casas.
Os mesmos avós.
Os mesmos...
Às vezes estamos anos sem nos vermos, sem falarmos...
E é sempre o dia inicial
Gémeas irmãs.
A vida diz-nos misteriosamente o invisível.
Agradecemos.
Não somos amigas há muitos anos.
É há muito mais...
Ventre materno.
Laço paterno.
Sempre as mesmas casas.
Os mesmos avós.
Os mesmos...
Às vezes estamos anos sem nos vermos, sem falarmos...
E é sempre o dia inicial
Gémeas irmãs.
A vida diz-nos misteriosamente o invisível.
Agradecemos.
Friday, August 14, 2009
SER
Um dia destes escrevi no «Realejo»
«Sem passado, não há presente
nem futuro«
Antes de voltar às minhas malhas ou às cartas da Etty, volto a escrever.
Com este jeito que tenho de afirmar.
«Sem passado, não existimos.
Não há vida.»
«Sem passado, não há presente
nem futuro«
Antes de voltar às minhas malhas ou às cartas da Etty, volto a escrever.
Com este jeito que tenho de afirmar.
«Sem passado, não existimos.
Não há vida.»
Sunday, August 09, 2009
VIDA, ISABEL CABRAL

Acabamos de receber uma mensagem
«Morreu a Bé Cabral»
A postagem que fiz há instantes falava mesmo da VIDA E DA MORTE.
Parece acaso, mas acredito que não há acasos.
Jamais direi o BEM PARA NÓS E PARA TANTA GENTE que foi toda a vida da Bé.
Em lágrimas e com o almoço para pôr na mesa,
deixo apenas a ACÇÃO DE GRAÇAS que escrevemos e dissemos quando a Bé fez 0itenta Anos, em 2001
«NOVEMBRO/2001
SENHOR, NÓS TE DAMOS GRAÇAS, PELA NOSSA AMIGA BÉ.
COMO CADA UM DE NÓS, AINDA HOJE, LEMBRA, COMO UMA BENÇÃO, O DIA EM QUE A CONHECEU!
FORAM CIRCUNSTÂNCIAS E DATAS DIFERENTES, MAS TÊM TODAS EM COMUM O ENCONTRO COM A SUA SIMPLICIDADE, O SEU SORRISO ACOLHEDOR E LOGO AMIGO, O JEITO DE QUEBRAR TODAS AS DISTÂNCIAS.
SENHOR, NÃO SOMOS SÓ NÓS, OS QUE AQUI ESTAMOS, QUEM TE AGRADECE.
É UMA MULTIDÃO DE AMIGOS, VIDAS QUE FORAM TOCADAS PELO SEU AMOR TÃO PRÓXIMO E DISCRETO.
E TANTA OUTRA GENTE SEM ROSTO, A QUEM TRATOU PELO NOME, A QUEM OUVIU A VIDA E AJUDOU A FAZER CAMINHO.
SENHOR, AINDA TE QUEREMOS AGRADECER AS TEIMOSIAS DA BÉ. NÃO POR SEREM TEIMOSIAS, MAS PORQUE DIZEM A FORÇA DO SEU QUERER E A SUA CERTEZA DE QUE, COM AMOR, TUDO SE PODE MUDAR.
E TAMBÉM, AQUELA SUA SIMPLICIDADE, QUANDO RI DE SI PRÓPRIA E, ASSIM, SEM PRETENSÕES, NOS ENSINA A ACEITAR, COM ALEGRIA, AS NOSSAS FRAGILIDADES.
SENHOR, NÓS TE BENDIZEMOS PELA VIDA DA BÉ.»
TE BENDIZEMOS
Quando morreu a minha Mãe, um amigo nosso disse-me «Teresa, canta, Aleluia».
Na altura não percebi.
Tenho vindo a perceber.
CANTAMOS HOJE ALELUIA PELA NOSSA QUERIDA BÉ
E SEM JEITO DEIXO-LHE UMA FLOR
COMO SE MORRE E TALVEZ SE NASÇA E RENASÇA CADA DIA
ESTE FOI O TEXTO QUE ESCREVI MESMO NO FINAL DO DIA 7, VÉSPERA DOS MEUS ANOS. NASCER EM AGOSTO...
DEPOIS, A NOTÍCIA DA MORTE DO SOLNADO
E DE TANTAS OUTRAS E DIVERSAS MORTES QUE NOS DÁ A VIDA.
E DE TANTAS VIDAS QUE PODE TER A MORTE.
TRANSCREVO O TEXTO, TENHAM PACIÊNCIA, NÃO SEM CITAR LOBO ANTUNES « AOS ???? ANOS A MORTE JÁ NÃO ESPERA MUITO POR MIM.»
E TAMBÉM A MARGARIDA QUE TANTA VEZ ME DIZ «NINGUÉM MORRE DE VÉSPERA».
E SEI QUE ISSO SÓ DE MIM DEPENDE.
Aí vai o texto:
«Faço anos
Agradeço a minha vida toda. Inteirinha.
Os bons momentos. E tantos outros difíceis, tão difíceis.
Agradeço todos os homens e mulheres, que por ela passaram. Aqueles com quem me entendi e partilhei projectos.
E também aqueles de quem discordei mas que foram a forma como fui aprendendo a respeitar outro ponto de vista, outra circunstância.
Agradeço a família, diferente como é.
Um lugar especial para os meus filhos que me têm ensinado que ninguém é pertença de ninguém.
Agradeço esta difícil condição humana de tantas vezes não poder aliviar o sofrimento do outro. Só conseguir estar a seu lado.
Um dia recebi no telemóvel uma mensagem sábia de alguém muito novo de quem sei o sofrimento. Dizia assim «Ninguém nos garante que a vida é fácil. Mas vale, porque é vida.»
DEPOIS, A NOTÍCIA DA MORTE DO SOLNADO
E DE TANTAS OUTRAS E DIVERSAS MORTES QUE NOS DÁ A VIDA.
E DE TANTAS VIDAS QUE PODE TER A MORTE.
TRANSCREVO O TEXTO, TENHAM PACIÊNCIA, NÃO SEM CITAR LOBO ANTUNES « AOS ???? ANOS A MORTE JÁ NÃO ESPERA MUITO POR MIM.»
E TAMBÉM A MARGARIDA QUE TANTA VEZ ME DIZ «NINGUÉM MORRE DE VÉSPERA».
E SEI QUE ISSO SÓ DE MIM DEPENDE.
Aí vai o texto:
«Faço anos
Agradeço a minha vida toda. Inteirinha.
Os bons momentos. E tantos outros difíceis, tão difíceis.
Agradeço todos os homens e mulheres, que por ela passaram. Aqueles com quem me entendi e partilhei projectos.
E também aqueles de quem discordei mas que foram a forma como fui aprendendo a respeitar outro ponto de vista, outra circunstância.
Agradeço a família, diferente como é.
Um lugar especial para os meus filhos que me têm ensinado que ninguém é pertença de ninguém.
Agradeço esta difícil condição humana de tantas vezes não poder aliviar o sofrimento do outro. Só conseguir estar a seu lado.
Um dia recebi no telemóvel uma mensagem sábia de alguém muito novo de quem sei o sofrimento. Dizia assim «Ninguém nos garante que a vida é fácil. Mas vale, porque é vida.»
Friday, August 07, 2009
TÃO ANTIGO O RITUAL
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