Navegando ao acaso, aí pela Net, encontrei de Raúl Brandão:
«Um dia destes temos de nos separar, e é natural que seja eu, que sou mais velho, o primeiro a partir... Antes porém, quero dizer-te que te devo o melhor da vida. Foste tu que me desvendaste o amor, que eu desconhecia. A bondade e a ternura, que eu desconhecia. Não exerci talvez nenhuma influência na tua alma – tu apaziguaste-me. O amor era em mim um simples impulso: criaste-o, e pouco a pouco essa força nas tuas mãos se transformou em sentimento religioso.Olha para os meus cabelos todos brancos... Julgava que o amor ia diminuindo com o tempo – e o meu amor não cessa de aumentar até à morte e para além da morte.»
E transcrevo-o, porque, sei por mim, sei por nós que nada conta senão «o amor que não cessa de aumentar até à morte e para além da morte.»
Friday, July 25, 2008
Tuesday, July 15, 2008
A ESCOLA, SEMPRE
Desafiaram-me que fosse até lá. Um almoço partilhado, género festa de fim de ano à conta de quatro colegas que se reformavam.
Feliz pelo desafio, fui.
E foi tudo muito bom.
Os rostos que via todos os dias, à distância da separação, tornam-se cheios de novidade e brilham de sorrisos.
Realmente, tenho aprendido que a distância me dá um novo olhar.
Sem preconceitos.
Límpido.
Mais parecido com a primeira de todas as manhãs.
Feliz pelo desafio, fui.
E foi tudo muito bom.
Os rostos que via todos os dias, à distância da separação, tornam-se cheios de novidade e brilham de sorrisos.
Realmente, tenho aprendido que a distância me dá um novo olhar.
Sem preconceitos.
Límpido.
Mais parecido com a primeira de todas as manhãs.
ANTÓNIO JOSÉ ESTEVES

Pudéssemos esquecer que não estás aqui.
Pudéssemos esquecer que não saberás o sorriso nem o choro daquela criança, a tua primeira neta, p'ra nascer.
E que Tibaldinho não mais te encontrará pelos caminhos.
Nem em nenhum lugar.
Pudéssemos esquecer este «nunca mais» e talvez Fernando Pessoa nos confortasse. Talvez. Por isso, a medo, o transcrevo.
Ainda que cada um de nós dolorosamente saiba que a morte não tem qualquer consolo, nem justificação, nem nada.
Então, de Fernando Pessoa
«A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
existir como eu existo.
Pudéssemos esquecer que não saberás o sorriso nem o choro daquela criança, a tua primeira neta, p'ra nascer.
E que Tibaldinho não mais te encontrará pelos caminhos.
Nem em nenhum lugar.
Pudéssemos esquecer este «nunca mais» e talvez Fernando Pessoa nos confortasse. Talvez. Por isso, a medo, o transcrevo.
Ainda que cada um de nós dolorosamente saiba que a morte não tem qualquer consolo, nem justificação, nem nada.
Então, de Fernando Pessoa
«A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
existir como eu existo.
A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.»
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.»
E vou procurar uma qualquer imagem do teu tão amado Tibaldinho e ver se inabilmente a consigo aqui postar.
Saturday, July 05, 2008
EM LOUVOR DOS QUE HOJE DÃO PÃO COM CHEIRO A ROSAS
Escrevi ontem «isto» para o Meditando da RR. E deixo-vos aqui para continuar a homenagear alguns espaços e tanta gente do meu bairro. Gente que vale a pena. Diz assim:
«No dia em que festejamos Santa Isabel, Rainha de Portugal, quero lembrar-Te, Senhor, todos aqueles que fazem da vida, um regaço onde transportam pão como se fossem rosas.
Cruzam-se connosco.
Todos os dias e de forma anónima.
Falo-Te, Senhor, do comércio do meu bairro. Do cabeleireiro. Do mercado. Do café. Do restaurante onde às vezes posso ir.
Estão ali e ouvem-nos. Confortam as nossas dores. Olhe que vai tudo correr bem. E contam, inventando talvez, a história semelhante de outra vida com um final feliz.
Partilham as nossas alegrias como se fossem suas. Dão um conselho: Gostava de lhe fazer corte assim. Veja lá como é que vai aos anos do seu neto. Ele merece. E mostram o tal corte na revista.
Esforçam-se por encontrar o que está ao alcance das nossas bolsas. Hoje as cerejas estão mais baratas. E arredondam p’ra baixo.
Para os doentes, encontram qualquer coisa que lhes há-de saber bem.
Rainha Santa Isabel de Portugal intercede também por estes que como tu transportam pão. Cheiram a rosas.»
«No dia em que festejamos Santa Isabel, Rainha de Portugal, quero lembrar-Te, Senhor, todos aqueles que fazem da vida, um regaço onde transportam pão como se fossem rosas.
Cruzam-se connosco.
Todos os dias e de forma anónima.
Falo-Te, Senhor, do comércio do meu bairro. Do cabeleireiro. Do mercado. Do café. Do restaurante onde às vezes posso ir.
Estão ali e ouvem-nos. Confortam as nossas dores. Olhe que vai tudo correr bem. E contam, inventando talvez, a história semelhante de outra vida com um final feliz.
Partilham as nossas alegrias como se fossem suas. Dão um conselho: Gostava de lhe fazer corte assim. Veja lá como é que vai aos anos do seu neto. Ele merece. E mostram o tal corte na revista.
Esforçam-se por encontrar o que está ao alcance das nossas bolsas. Hoje as cerejas estão mais baratas. E arredondam p’ra baixo.
Para os doentes, encontram qualquer coisa que lhes há-de saber bem.
Rainha Santa Isabel de Portugal intercede também por estes que como tu transportam pão. Cheiram a rosas.»
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