Saturday, February 23, 2013
FOGUEIRAS DA INQUISIÇÃO
Não, não é só a comunicação social ( a revista Visão deve ter vendido muito bem. É desonesto)
As fogueiras da Inquisição existem.
Para calcar.
Para destruir.
Para matar.
E o senhor, D. Carlos Azevedo, lembra-me Galileu.
Com dor.
Thursday, February 21, 2013
D. Carlos Azevedo
Sempre admirei D Carlos Azevedo.
E admiro.
Não há sensacionalismo mediático que possa destruir a pessoa de D. Carlos, creio.
Em que inferno deixamos que nos lance a comunicação social?
Monday, February 18, 2013
PRÓS E CONTRAS
Ontem, João César das Neves, exaltou-se e prestou um muito mau serviço à Igreja.
Na verdade, cada vez mais tenho a certeza de que a Igreja só precisa procurar ser mais e mais semelhante ao seu Senhor, Jesus Cristo.
João César das Neves queria impor a sua razão. Porquê?
Queria ganhar o quê?
Sunday, February 17, 2013
de Clarice Lispector
«Corro perigo
Como toda pessoa que vive
E a única coisa que me espera
É exatamente o inesperado»
Thursday, February 14, 2013
UM SOL SOBRE AS NOITES
Senhor, dá a todos nós,
o dom do sol e da paz
sobre as dores tantas,
que sufocam a vida.
QUARTA-FEIRA DE CINZAS de T S ELIOT
Havia de ter postado ontem.Sempre alguns atrasos na condição humana...E que importa?
QUARTA-FEIRA DE CINZAS
(...)
Porque sei que o tempo é sempre o tempo
E que o espaço é sempre o espaço apenas
E que o real somente o é dentro de um tempo
E apenas para o espaço que o contém
Alegro-me de serem as coisas o que são
E renuncio à face abençoada
E renuncio à voz
Porque esperar não posso mais
E assim me alegro, por ter de alguma coisa edificar
De que me possa depois rejubilar
Porque estas asas de voar já se esqueceram
E no ar apenas são andrajos que se arqueiam
No ar agora cabalmente exíguo e seco
Mais exíguo e mais seco que o desejo
Ensinai-nos o desvelo e o menosprezo
Ensinai-nos a estar postos em sossego.
Rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte
Rogai por nós agora e na hora de nossa morte.
Wednesday, February 06, 2013
CAMPO DE OURIQUE. FIM DA TARDE
Saio quase noite.
Perto do Pingo Doce, uma senhora que encontro no café.
Cabelo preto. Pintado. Corte moderno.
Traz até hoje a vida que talvez tenha tido e que queria.
Exageradamente zangada, mesmo irritada, fala-me de «uma amiga tão teimosa» que nem queria ir ao médico das varizes.
Bem precisamos de uma razão para os dias. De uma amiga «teimosa que não vai ao médico das varizes.
E eu «não convencemos ninguém».
E logo a seguir também eu«Até amanhâ» . Porque consumimos a curta vida em tanta pressa?
O bairro é assim. Sempre a Esperança de um amanhã.
Monday, February 04, 2013
APONTAMENTO
Ontem a dor no sobressalto de um gesto.
É que quando à noite entramos na casa de Tibaldinho, tiramos para dentro as chaves que penduramos naquele fecho do vidro.
Há quanto tempo?
Há todo o tempo.
Todo o tempo, linha infinitamente horizontal.
No dia seguinte, olhei todos os caminhos, percorri todos os caminhos.
E verdade que «te não vi em Babilónia».
Mais parece que não vi ninguém em Babilónia.
Está lá,sim, o prato com a Branca de Neve e os sete anões. E as birras p´ra comer.
E as cantigas da Tota até que a Ni e eu acabássemos a sopa.
E a colcha da cama.
E outra colcha da cama.
E até está a televisão que não condiz.
E todos os medos do corredor comprido.
E o meu Anjo da Guarda.
Está lá a bicicleta do André que logo lhe diz o sorriso e os olhos grandes.
Está lá um armarinho de miniaturas da Maria. E um peixe de pano que ela fez,
As oliveiras que entram p´las janelas e que têm sapatos pendurados.
E a Ursa Maior apontada p´lo meu Pai.
E a Estrada de Santiago apontada p´lo Manel.
Mas tu não.
Saturday, February 02, 2013
O ESPELHO
Gostei sempre de chamar «Mãe» à Mãe do Manel.
Gostei, sim. Muito.
Não é que eu tenha sido fácil,... Feitiozinho
Chamar-lhe «Mãe» foi tão natural. Nem vagamente me passou pela cabeça «que a minha Mãe sentisse isto ou aquilo».
Estávamos as três de acordo e tranquilas.
E era giro. A minha Mãe sempre «Teresinha devias assim, devias ...». A senhora «Oh Alice, ela tem pouco tempo, ela ...». E eu a respingar.
Faz-me falta. E muita. A ver se aprendia de si essa sabedoria milenar que as famílias vão acumulando.
Tenho cá a sua cómoda do quarto. Pedi aos meus cunhados se me podiam dar o espelho. E está ali, em cima da cómoda como dantes. Esse espelho onde tanta vez a vi ajeitar o bâton sempre discreto.
Às vezes, olho-me no espelho e dou um toque ao cabelo. Não é bem a mesma coisa. Mas vá lá.
É assim.
De geração em geração.
Thursday, January 31, 2013
PALAVRAS
Gosto das palavras.
Gosto muito.
Fui aprendendo a gostar.
Quero não ouvir aquelas que me ferem.
Exercício difícil.
Tão difícil.
Vamos lá tentar.
Tuesday, January 29, 2013
FUNDO SEM POÇO?
Esta manhã, ouvi a Miguel Relvas
«Não há fundo sem poço.»
Realmente,
nem curso,
nem primeira classe,
nem cabeça.
Que ouvi, ouvi.
Saturday, January 26, 2013
APONTAMENTO P´RA PARAR COM O SILÊNCIO
Fez hoje anos.
Telefonei-lhe.
Disse-me que devia estar contente e bem disposta, mas não estava.
Disse «isto» como se de um pecado se tratasse.
Como é que ainda «se deve» ou «se não deve» isto ou aquilo????
Que forças nos espartilham, sem porquê?
Thursday, December 06, 2012
MEU PAÍS DESGRAÇADO Sebastião da Gama
Meu país desgraçado!...
E no entanto há Sol a cada canto
e não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas …
Meu país desgraçado!...
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?
Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé
-- busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.
E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.
Levanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclama filhos mais robustos!
Povo anémico e triste,
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
-- olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!
Sebastião da Gama
Friday, November 30, 2012
30 de NOVEMBRO, DIA DE SANTO ANDRÉ
Bem contente por este dia.
Vou aos anos de um amigo. Bem gentil em me ter convidado.
Importante, importante também é que é o dia de santo André, nome que o Manel quis dar ao nosso filho.
Certinho.
O rapaz, melhor, o senhor gosta. Parece que sempre gostou.
E que toda a gente gosta.
ANDRÉ.
Thursday, November 29, 2012
A VANTAGEM ECONÓMICA, O BEM MAIOR. SURPREENDO-ME, NÃO QUERO ACREDITAR. MAS É TAL QUAL
Do Arcebispo de S. Paulo, Brasil, transcrevo
«Eu teria preferido escrever sobre outro assunto nesta semana, mas o leilão da virgindade de uma jovem brasileira, amplamente divulgado pela imprensa, requer uma reflexão. É um facto chocante e, ao mesmo tempo, parece tão banal que, talvez, só chamou a atenção porque o leilão aconteceu de maneira aberta, pela internet, e porque o valor da licitação foi alto. (...)
Chocar, por quê?
O novo é que, sem nos darmos conta, estamos a assimilar uma cultura do mercado, na qual o factor económico passou a ser o referencial maior: de uma cultura de valores éticos e morais, para uma cultura do valor económico; o bem maior parece ser a vantagem económica, que tudo permite e legitima, amolecendo qualquer resistência do senso moral. Tudo fica justificado se há vantagem económica.
Onde vamos parar?»
Temos tantas razões para pensar.
Urge fazê-lo.
Friday, November 02, 2012
«OS AMANTES DE NOVEMBRO» de O´Neill
Ruas e ruas dos amantes
Sem um quarto para o amor
Amantes são sempre extravagantes
E ao frio também faz calor
Pobres amantes escorraçados
Dum tempo sem amor nenhum
Coitados tão engalfinhados
Que sendo dois parecem um
De pé imóveis transportados
Como uma estátua erguida num
Jardim votado ao abandono
De amor juncado e de outono.
Wednesday, October 31, 2012
Saturday, October 27, 2012
«A PORTA» poema de Miroslav Holub (poeta checo)
Gosto tanto deste poema que li em «Notícias de Santa Isabel»
Aí vai
«Vai e abre a porta
Talvez lá fora haja
Uma árvore, ou um bosque,
Um jardim,
Ou uma cidade mágica.
Vai e abre a porta.
Talvez haja um cão a vasculhar.
Talvez haja uma cara,
Ou um olho
Ou a imagem
de uma imagem.
Vai e abre a porta.
Se houver nevoeiro
Dissipar-se-á.
Vai e abre a porta.
Mesmo que nada mais haja
que o tiquetaque da escuridão,
Mesmo que nada mais haja
Que o vento surdo,
Mesmo que
nada
haja,Vai a abre a porta.
Pelo menos
Haverá
Uma corrente de ar.»
Wednesday, October 24, 2012
Monday, October 22, 2012
MANUEL MARIA
Começaram os meus netos a fazer anos.
Uma dinastia de seis rapazes.
Hoje o Manuel. O loiro de caracóis.
Mau feitio, dizem.( Os avós tem óculos que não vêem os defeitos. São óculos que se vendem só aos avós na «Loja do avô». São grátis desde que provado o parentesco.)
O Manuel tem um coração do tamanho do mundo.
E um sorriso ainda maior que há-de resolver-lhe a vida toda.
Um beijo grande de PARABÈNS, Manuel Maria
Saturday, October 20, 2012
«COISAS» NA FEIRA DO JARDIM DA ESTRELA
Hoje, a manhã inteirinha no Jardim da Estrela à conta de um sereno sol de Outono.
Havia uma Feira, de «tralhas». Imensas «coisas» iguais às de cá de casa.
Atrevi-me a perguntar alguns preços. Nada vale nada.
Que bom que o que vale é a «história» e o «afecto»
As nossas coisas valem MUITO.
MUITO
Friday, October 19, 2012
MANUEL ANTÓNIO PINA
Só para o escrever
com palavras suas,
um poema escolhido ao acaso
AS COISAS
Há em todas as coisas uma mais-que-coisa
fitando-nos como se dissesse: «Sou eu»,
algo que já lá não está ou se perdeu
antes da coisa, e essa perda é que é a coisa.
Em certa tardes altas, absolutas,
quando o mundo por fim nos recebe
como se também nós fôssemos mundo,
a nossa própria ausência é uma coisa.
Então acorda a casa e os livros iamginam-nos
do tamanho da sua solidão.
Também nós tivemos um nome
mas, se alguma vez o ouvimos, não o reconhecemos.
NOITE
No fim do dia, a noite.
Esta e as outras noites.
Vazio ou pesadelo.
Não é uma queixa.
É que tem sido assim.
E talvez que seja para sempre assim.
Thursday, October 18, 2012
SILVÉRIO
Bem cedo, a notícia de que tinhas partido.
E logo, a lembrança do teu sorriso escancarado.
Quase as lágrimas. Um quase e um ainda não.
Um vazio ali numa igreja cheia.
Essa frase do Mário Teixeira, imperativa e firme Canta Aleluia.
A Paz da Comunhão dos Santos.
Sempre.
A Paz.
A Liberdade.
Monday, October 01, 2012
UMA MÃE GALINHA PENSANTE
Frase do dia
"Pior do que uma mãe galinha, é uma mãe galinha pensante."
Autor desconhecido
Saturday, September 29, 2012
APONTAMENTO - A DIFICULDADE DA LÍNGUA PORTUGUESA
Será que chegámos tão baixo que se julgue que racionar é mesmo parecido com racionalizar?
Sim, chegámos.
Pobre gente!
Pobre país!
NOVO VISUAL
À conta do meu analfabetismo no que respeita a gerenciar o meu blog,
o André teve por aqui um trabalhinho e ... cá está o meu blog com novo visual.
Ainda disse «é pretencioso, parece que tenho imensos livros.» Ao que a Ana replicou « E
tem mesmo»
Portanto cá estou eu com novo visual.
Saturday, September 22, 2012
SAÚDO E APLAUDO D MANUEL CLEMENTE
Sim,
saúdo e aplaudo a lucidez certeira das palavras proferidas ontem por D.Manuel Clemente no IPO do Porto
a propósito desta forma desumana a que o povo português tem estado sujeito
de se imporem restrições e mais restrições
sem que lhe seja explicado «o porquê» e «o para quê».
Friday, September 21, 2012
COLADA À TELEVISÃO
Estou mesmo chateada comigo.
Colada à televisão para "ver" e "ouvir" o que acontece (acontece?) no Conselho de Estado.
Rendo-me assim e tão irracionalmente às técnicas de marketing dos meios de comunicação social.
Entretanto vejo sim a concentração junto ao Palácio de Belém.
E acho que devia lá estar.
Colada à televisão para "ver" e "ouvir" o que acontece (acontece?) no Conselho de Estado.
Rendo-me assim e tão irracionalmente às técnicas de marketing dos meios de comunicação social.
Entretanto vejo sim a concentração junto ao Palácio de Belém.
E acho que devia lá estar.
Thursday, September 20, 2012
Comunicado do PSD à meia noite do dia 19.09
Estes senhores estão no governo para servir o povo português
Ou
Para "ganharem",
Para que o CDS se lhes submeta
E enfim lhes preste vassalagem,
Arrependido?
Saberão o que significa "Diálogo"?
Pobre país o nosso!
Ou
Para "ganharem",
Para que o CDS se lhes submeta
E enfim lhes preste vassalagem,
Arrependido?
Saberão o que significa "Diálogo"?
Pobre país o nosso!
Wednesday, September 19, 2012
DE PÉ
Pois tenho persistido.
Ou tenho tentado persistir.
Como posso.
Tal qual.
Outros passos, sim.
E tanto tempo calada! Enquanto o meu país crescia em caos. E está um caos. E é um caos.
A gente do meu país calcada. No meio da rua. Sem protecção nenhuma. Atirada p'ráli. Como se estivéssemos a mais. Como se todos estivessem a mais. Moeda de troca enquanto ...
Mas a gente do meu país nasceu no sábado. Saíu. Disse. Gritou a dor. Gritou a falta. A indigência.
Gritou a uma só voz.
Comungou a míngua.
Mas comungou.
E renasceu.
Ou tenho tentado persistir.
Como posso.
Tal qual.
Outros passos, sim.
E tanto tempo calada! Enquanto o meu país crescia em caos. E está um caos. E é um caos.
A gente do meu país calcada. No meio da rua. Sem protecção nenhuma. Atirada p'ráli. Como se estivéssemos a mais. Como se todos estivessem a mais. Moeda de troca enquanto ...
Mas a gente do meu país nasceu no sábado. Saíu. Disse. Gritou a dor. Gritou a falta. A indigência.
Gritou a uma só voz.
Comungou a míngua.
Mas comungou.
E renasceu.
Saturday, August 25, 2012
JÁ NÃO TENHO PAÍS. PRIVATIZAÇÃO DA RADIOTELEVISÃO ?
.

Parece que já não tenho país.
Como se não acreditasse...
Porquê?
Dá prejuízo. Reorçamentar, talvez. Sei lá...
Mas privatizar?
E é verdade.
Já não tenho televisão pública.
Já não tenho País.
Já não temos País.
Postei uma imagem de Maria Armanda Falcão, que mais tarde adoptou o nome de Vera Lagoa.
Em casa da bela e primeira apresentadora da TV, à conta da enorme e comum amizade pelo Armando Fiúza, conheci o Manel.
E dansámos as primeiras voltas.
Da vida toda.
Saturday, August 18, 2012
DE CLARICE LISPECTOR
Este é o texto de Clarice Lispector (de que recomendo toda a obra) citado pelo p Tolentino Mendonça na Pastoral da Cultura de 17.08. e que deu origem à escrita rápida da postagem seguinte. Só esta transcrição nos deixa compreender «o táxi», «o jardim» e a mensagem que procurei passar.
Aí vai:
Aí vai:
«Eram 2 horas da tarde de verão.
Interrompi meu trabalho, mudei rapidamente de roupa, desci, tomei um táxi que
passava e disse ao chofer: vamos ao Jardim Botânico. "Que rua?", perguntou ele.
"O senhor não está entendendo", expliquei-lhe, "não quero ir ao bairro e sim ao
Jardim do bairro." Não sei porquê, olhou-me um instante com atenção.
Deixei abertas as vidraças do carro, que corria muito, e eu já
começara minha liberdade deixando que um vento fortíssimo me desalinhasse os
cabelos e me batesse no rosto grato de felicidade. Eu ia ao Jardim Botânico para
quê? Só para olhar.
Só para ver.
Só para sentir.
Só para viver».
Só para ver.
Só para sentir.
Só para viver».
Friday, August 17, 2012
P´RA VIVER
17.08.2012
Li hoje na «Pastoral da Cultura» um artigo do p.Tolentino sobre «O acto gratuito».
Gosto de escrever a seguir à página que leio, ao filme que vejo, à situação que observo.
Hoje escrevi «isto»:
Aos
setenta e dois anos, a vida é toda assim gratuita.
Vou-me
dando conta de limites. E aceito.
É
então que me deslumbro, feliz e livre, para a beleza do
gratuito.
A
gente faz qualquer coisa porque quer, porque apetece, porque pode.
E
quantas vezes um buraco, uma pedra escura nos barra o caminho ou faz
parar
o táxi para o Jardim Botânico.
Ou
talvez não.
Posso
levar comigo o buraco, a pedra escura. Assim não barram o
caminho.
E
continuo.
No
táxi.
Para
o mesmo destino.
Sunday, August 12, 2012
PARA GUARDAR «COISAS» POSITIVAS
O amor é a ausência do Juízo ... Citações de Dalai
Não estou nada «chateada».
E resolvi coleccionar/guardar/... tudo quanto há de positivo.
1. Hoje de manhã, eu na esplanada do «Estrelas Brilhantes».
Aproxima-se um carrinho de bebé.
A moça que o transporta sorri-me.
É a Cristina, a mulher do Gonçalo.
E eu já a espreitar o Tomaz, o precioso Mello Barreto.
O cachopo ri, sorri, sei lá. Uma babadice.
Verdade mesmo, a cara do meu primo-irmão, o Victor.
Notícia MUITO POSITIVA.
Saturday, August 11, 2012
O MAIOR ABRAÇO FRATERNO DO MUNDO
Ontem, dois dos meus netos, o Francisco e o Pedro, voltaram a Évora, onde vivem, depois de terem estado no acampamento de escuteiros.
Antes de regressarem e em gesto de despedida, 17000 escuteiros deram o maior abraço fraterno do mundo.
Eu, que tenho andado tão zangada com o mundo, voltei a acreditar que o tal mundo com que me zango, há-de saber escolher «a melhor parte» -
um abraço fraterno, um inclusivo abraço fraterno.
Como o fizeram estes escuteiros.
E havemos de saborear a confiança.
05 de Agosto de 2012, 00:00
Uma semana a Escuteirar
1/8
Sunday, July 08, 2012
JOANA, OBRIGADA
Obrigada, Joana, por ter voltado a ler este quase nada que às vezes me diz.
Hoje quero elogiar O SILÊNCIO
neste caos com muita gritaria em que vivemos.
Tanta gritaria que às vezes chego a casa e carrego o botão da TV.
Desafio-me a «escutar o silêncio».
Sem mais.
Hoje quero elogiar O SILÊNCIO
neste caos com muita gritaria em que vivemos.
Tanta gritaria que às vezes chego a casa e carrego o botão da TV.
Desafio-me a «escutar o silêncio».
Sem mais.
Monday, June 11, 2012
VOLTAR
Não tem sido fácil habituar-me a esta outra forma de vida.
Hoje, sei que caminho. Mas é como um forceps.
O fim-de-semana foi bom.
Aquele encontro/almoço/palavras/sorrisos e abraços na Casa Comprida do António e da Ninah, não tem como agradecer. Não tem adjectivo. É o ponto alto de todos os encontros.
Mas voltei.
Cheguei quase à noite. Isso foi bom.
Já sei que a casa está vazia. Silenciosa.
Saber, ajuda.
«Entender», vou entendendo.
Cada dia, um pouco mais.
Mas voltar, há-de ser sempre assim. Este vazio.
Friday, June 08, 2012
TERRORISMO EM MENSAGENS E MAIL
Hoje de manhã recebi via e mail esta mensagem:
« O Presidente da XXX recebeu esta imagem e a chamou de "lixo eletrônico".
8 dias mais tarde seu filho faleceu.
Um homem recebeu esta imagem e imediatamente enviou cópias... sua surpresa foi ganhar na loteria!
XXX recebeu esta imagem, deu-a a sua secretária para fazer cópias, mas eles esqueceram de distribuí-las:
ela perdeu o emprego e ele perdeu a família.
Esta imagem é milagrosa e sagrada, não esqueça de enviá-la dentro de 13 dias a pelo menos 10 pessoas . *
Zango-me com muitos sinais como este e tantos outos do mundo em que vivo.
Isto é terrorismo puro.
Deus aparece como um ser poderoso e tirano.
O Deus da minha infância e de toda a minha vida é Deus que é Pai de bondade e de misericórdia.
Jesus Cristo é o seu Filho, homem e Deus, a viver connosco esta condição humana.
Há muitos sinais de terrorismo nos nossos dias.
E numa época de crise, de fragilidade não é difícil fazer passar esta ideia de que fazes e recebes oou não fazes e tens um castigo enorme.
Até quando o Manuel estava tão doente, eu recebia estas mensagens.
Não tenho nada a ver com isto.
Ou tenho?
No meu país, na minha cidade cidade, entre os meus amigos...
Pensar, seria bem melhor.
Seria ...
« O Presidente da XXX recebeu esta imagem e a chamou de "lixo eletrônico".
8 dias mais tarde seu filho faleceu.
Um homem recebeu esta imagem e imediatamente enviou cópias... sua surpresa foi ganhar na loteria!
XXX recebeu esta imagem, deu-a a sua secretária para fazer cópias, mas eles esqueceram de distribuí-las:
ela perdeu o emprego e ele perdeu a família.
Esta imagem é milagrosa e sagrada, não esqueça de enviá-la dentro de 13 dias a pelo menos 10 pessoas . *
Zango-me com muitos sinais como este e tantos outos do mundo em que vivo.
Isto é terrorismo puro.
Deus aparece como um ser poderoso e tirano.
O Deus da minha infância e de toda a minha vida é Deus que é Pai de bondade e de misericórdia.
Jesus Cristo é o seu Filho, homem e Deus, a viver connosco esta condição humana.
Há muitos sinais de terrorismo nos nossos dias.
E numa época de crise, de fragilidade não é difícil fazer passar esta ideia de que fazes e recebes oou não fazes e tens um castigo enorme.
Até quando o Manuel estava tão doente, eu recebia estas mensagens.
Não tenho nada a ver com isto.
Ou tenho?
No meu país, na minha cidade cidade, entre os meus amigos...
Pensar, seria bem melhor.
Seria ...
Saturday, May 05, 2012
À ESPERA, O DOCE DE MORANGO
Antes de pôr ao lume o doce de morango para ver o sorriso e o espanto do meu neto Manuel
(foi mesmo a avó que fez?),
deixo aqui o que há pouco escrevi a um amigo
- Estou mesmo quase a comprar um iPad. O André recomendou-me A mãe experimente primeiro.
Ouvi esta frase desde a infância que é preciso aprender, é preciso experimentar.
E foi assim que sozinha, muito criança, prendi a coser à máquina
e aprendi a patinar nas botas de hóquei do vizinho.
Teimosa? Sim.
Determinada? Também.
Já não tenho as botas de patins...
e coser à máquina não é nada de especial
Ainda assim, gosto do que eu gosto.
Determinada.
Sem modas
Sem «agora é assim»
Antes
«Aqui ao leme sou mais do que eu.»
(foi mesmo a avó que fez?),
deixo aqui o que há pouco escrevi a um amigo
- Estou mesmo quase a comprar um iPad. O André recomendou-me A mãe experimente primeiro.
Ouvi esta frase desde a infância que é preciso aprender, é preciso experimentar.
E foi assim que sozinha, muito criança, prendi a coser à máquina
e aprendi a patinar nas botas de hóquei do vizinho.
Teimosa? Sim.
Determinada? Também.
Já não tenho as botas de patins...
e coser à máquina não é nada de especial
Ainda assim, gosto do que eu gosto.
Determinada.
Sem modas
Sem «agora é assim»
Antes
«Aqui ao leme sou mais do que eu.»
Wednesday, May 02, 2012
Fernando Lopes
Morreu hoje
Companheiro do Manel, este senhor, estava por cá a toda a hora.
Melhor,
dele se falava,
com as suas imagens se sonhava,
os filmes vistos,
comentados,
conversados.
Custa-me o que perdemos, quem perdemos.
Como é que esta casa não tem mais o debate, a crítica, as bocas fantásticas, os serões animados
de quem está vivo?
Falta-nos o Manel. De que modo nos falta o Manel!
Mas sinceramente é terrível, dói mesmo, que falte, melhor que tenha desaparecido o gosto pela conversa sã e discutida.
O gosto dizer «assim» e o outro «assado».
Agora deparo-me com uma só ideia, uma só pessoa, uma só ....
Há muito tempo que ouvi isto.
Passado.
Indesejado.
Companheiro do Manel, este senhor, estava por cá a toda a hora.
Melhor,
dele se falava,
com as suas imagens se sonhava,
os filmes vistos,
comentados,
conversados.
Custa-me o que perdemos, quem perdemos.
Como é que esta casa não tem mais o debate, a crítica, as bocas fantásticas, os serões animados
de quem está vivo?
Falta-nos o Manel. De que modo nos falta o Manel!
Mas sinceramente é terrível, dói mesmo, que falte, melhor que tenha desaparecido o gosto pela conversa sã e discutida.
O gosto dizer «assim» e o outro «assado».
Agora deparo-me com uma só ideia, uma só pessoa, uma só ....
Há muito tempo que ouvi isto.
Passado.
Indesejado.
Tuesday, May 01, 2012
GRITADAS AS PALAVRAS
Aquelas palavras gritadas para todos, e que a tornavam o centro, o círculo (de repente Maria do Céu Guerra, o círculo de giz caucasiano...)
Aquelas palavras sobre a última notícia, a única notícia, a notícia que todos tinham que ouvir e ficar a saber
o melhor pastel de nata de Lisboa
a Aloma
aquelas palavras sem afecto sobre a Aloma,
as que tinham aparecido na televisão (a televisão no seu pior)
aquelas palavras que não diziam sobre a Aloma senão o que tinha sido dito nas televisões
a certa altura que a Aloma tinha já sessenta anos
e eu, que conhecia e me enternecia pelo sr Barreto e pelo sr Rodrigues
eu, ainda que procurasse que me ouvissem, não conseguia
eu só queria dizer a Aloma tem menos quatro anos do que eu, sessenta e sete
só para dizer a outra Aloma, a Aloma de sempre,
mas não conseguia gritar
É que não fico nada bem em notícia de abertura, em gritaria de abertura,
soui uma contadora de histórias, mesmo de histórias,
histórias entrelaçadas com afectos, com saudades, nos meus dias
histórias com coisas pequeninas,
coisas,
gestos,
palavras ou silêncios,
histórias que não dão para me fazer ouvir
não dão nem para começar
que a Aloma tenha sessenta e sete anos,
não dá.
Calei-me e em pano de fundo lembrei-me de quase tudo sobre a Aloma.
Caladinha.
lembrei-me da Aloma como também da casa de Tibaldinho
e de que afinal D. Afonso Henriques tinha nascido em Viseu e não em Guimarães,
quiça tão perto da nossa casa,
sabe-se lá, na nossa casa
Parece também que cada um só ouve o que quer ouvir
só vê o que quer ver
naquela noite eu queria mesmo ver
o meu pai apontava-me a Ursa Maior
Ali, Teresinha, ali
eu tentava e não via
até que vi
como a Maria e o André haviam de ver a mesma constelação apontada pelos dedos do Manel (tão belos os dedos do Manel)
eu a dizer noite dentro à minha mãe que tinha pesadelos
os novelos de trapo para as mantas, os novelos que pareciam sufocar-me
Hoje teço muitos novelos
fios cheio de ternura
todos os novelos
a vida cheia de novelos à espera de um sonho
de um sorriso
da laçada de ternura
a vida sempre á espera
Tuesday, April 24, 2012
A VER SE FESTEJAMOS
Há datas que doem.
Julgo que não fui a nada género lembrar, género «onde está» ou «como está» a propósito dos cinquenta anos do Concílio Vaticano II?
Custa.me não ir. E havia de custar-me ir.
Palavras Palavras E que fizemos este tempo todo? Deixámos...
Agora o 25 de Abril. Que temos nós hoje dessa grande esperança? Vozes que se revoltam. Vozes guardadas. Por mim, vou comprar os cravos. Os «tais cravos» de que o meu neto João perguntou «Estes é que são os tais cravos»?
E que venha o André pôr a tocar «Grândola» em todas as varandas.
Para mudar o bairro.
Para mudar o mundo
Para mudar a vida.
Julgo que não fui a nada género lembrar, género «onde está» ou «como está» a propósito dos cinquenta anos do Concílio Vaticano II?
Custa.me não ir. E havia de custar-me ir.
Palavras Palavras E que fizemos este tempo todo? Deixámos...
Agora o 25 de Abril. Que temos nós hoje dessa grande esperança? Vozes que se revoltam. Vozes guardadas. Por mim, vou comprar os cravos. Os «tais cravos» de que o meu neto João perguntou «Estes é que são os tais cravos»?
E que venha o André pôr a tocar «Grândola» em todas as varandas.
Para mudar o bairro.
Para mudar o mundo
Para mudar a vida.
Saturday, March 31, 2012
PALAVRAS
UMA LEITURA IMEDIATA DAS PALAVRAS,
OU
RÁPIDA, SEI LÁ
FORMA CERTA DE NINGUÉM SE ENTENDER
DE FERIR
DE SE DEIXAR FERIR.
FICA DIFÍCIL
MAS HAVEMOS DE PROCURAR
HAVEMOS DE ENCONTRAR «COMO».
OU
RÁPIDA, SEI LÁ
FORMA CERTA DE NINGUÉM SE ENTENDER
DE FERIR
DE SE DEIXAR FERIR.
FICA DIFÍCIL
MAS HAVEMOS DE PROCURAR
HAVEMOS DE ENCONTRAR «COMO».
Friday, March 23, 2012
LUTO ACADÉMICO
Há cinquenta anos, lá estávamos todos.
Julgo que todos, não, quase todos.
Eu, claro,com a anuência do meu pai, o Jorge Montez, a Isabel, a Luisa,o Manel, o Armando Fiúza,o Chico, o Beja da Costa, não sei bem, o Zé Manel Tavares de Moura, a Ni,...
Todos.
Sonhámos que tudo era possível.
E sonhamos.
Julgo que todos, não, quase todos.
Eu, claro,com a anuência do meu pai, o Jorge Montez, a Isabel, a Luisa,o Manel, o Armando Fiúza,o Chico, o Beja da Costa, não sei bem, o Zé Manel Tavares de Moura, a Ni,...
Todos.
Sonhámos que tudo era possível.
E sonhamos.
Sunday, February 26, 2012
TOMAZ DE MELLO BARRETO
Surpreendentemente
a Vida,
a Alegria,
o Espanto.
Nasceu-nos hoje, 26 de Fevereiro, o nosso querido Tomaz de Mello Barreto.
Que Deus te abençoe e proteja.
Estamos cá todos para te dar também uma mãozinha.
a Vida,
a Alegria,
o Espanto.
Nasceu-nos hoje, 26 de Fevereiro, o nosso querido Tomaz de Mello Barreto.
Que Deus te abençoe e proteja.
Estamos cá todos para te dar também uma mãozinha.
Sunday, February 19, 2012
IGREJAS CAEIRO, A VOZ , A PRESENÇA
Eu já nem sabia se o senhor ainda estava vivo.
Li em nota de rodapé, depois procurei na net.
E encontrei. Regresso à infância. Aos tempos da Radio. Essas vozes tão perto. Sabe-se lá, até parecia atrás do aparelho.
OS COMPANHEIROS DA ALEGRIA
O COMBÓIO DAS SEIS E MEIA
Pois. Morreu assim em Domingo de Carnaval. Certo com ele.
Quem é que mandou calar o Carnaval?
Ele é notícia, pois ...
Este jeito de mandarem calar pessoas, gerações, ideais, vozes ...
Fora de prazo.
Quase fria parece, a notícia. Sem memória, sem afectos.
Em casa dos meus pais, não. Parava tudo para ouvir.
Diz assim:
Morreu Igrejas Caeiro. Francisco Igrejas Caiero era um dos nomes mais marcantes da rádio, do cinema e também da televisão em Portugal. Foi afastado da antena pela ditadura do Estado Novo, por causa de declarações sobre a ocupação militar portuguesa de territórios na Índia. O regresso aos microfones só aconteceu depois do 25 de Abril. Era também actor, encenador e locutor. Igrejas Caeiro foi militante do PS, deputado à Assembleia da República e vereador da Câmara Municipal de Cascais. Igrejas Caeiro era natural de Castanheira do Ribatejo e morreu aos 94 anos.
Li em nota de rodapé, depois procurei na net.
E encontrei. Regresso à infância. Aos tempos da Radio. Essas vozes tão perto. Sabe-se lá, até parecia atrás do aparelho.
OS COMPANHEIROS DA ALEGRIA
O COMBÓIO DAS SEIS E MEIA
Pois. Morreu assim em Domingo de Carnaval. Certo com ele.
Quem é que mandou calar o Carnaval?
Ele é notícia, pois ...
Este jeito de mandarem calar pessoas, gerações, ideais, vozes ...
Fora de prazo.
Quase fria parece, a notícia. Sem memória, sem afectos.
Em casa dos meus pais, não. Parava tudo para ouvir.
Diz assim:
Morreu Igrejas Caeiro. Francisco Igrejas Caiero era um dos nomes mais marcantes da rádio, do cinema e também da televisão em Portugal. Foi afastado da antena pela ditadura do Estado Novo, por causa de declarações sobre a ocupação militar portuguesa de territórios na Índia. O regresso aos microfones só aconteceu depois do 25 de Abril. Era também actor, encenador e locutor. Igrejas Caeiro foi militante do PS, deputado à Assembleia da República e vereador da Câmara Municipal de Cascais. Igrejas Caeiro era natural de Castanheira do Ribatejo e morreu aos 94 anos.
Tuesday, February 14, 2012
14 de Fevereiro DIA DOS NAMORADOS
A MF enviou-me este texto.
Fresco.
Como tudo que começa e sempre recomeça.
A vida vale.
Também os afectos nos sustêm.
Sempre
Sentimentos Olhares Afectos
Verdade, verdade é que os sentimentos são um atraso de vida.
Paralisam ou põem tudo em rodopio.
Estremecem.
Tiram de órbita.
Afundam e ressuscitam.
Fazem rodar as quatro estações.
Na mesma tarde.
Acreditam?
Verdade, verdade é que os sentimentos atrasam. Deixam o trabalho para depois.
Despistam.
Aproximam o pó das estrelas e distanciam o pó das sebentas.
Que fazer?
Suspiros. Olhares. Olhinhos.
A linguagem passa perigosamente ao estado diminutivo sempre que os sentimentos perigosamente se expandem.
O pior é que nem pela ironia se dá.
Mas a verdade, a grande verdade é que os sentimentos interessam.
Tornam-nos gente.
Ensinam-nos a ser.
Pedem de nós o que trazemos de único e de irrepetível.
E preparam-nos para querer, para desejar receber o mesmo.
Do outro. Da outra.
Um comércio puro, gratuito.
Tão diferente, tão distante
dos rotineiros comércios.
A qualidade do nosso estar, aqui ou noutro lado, as coisas que temos ou que gostamos mesmo de aprender, os outros com que vamos tecendo o quotidiano, o sentido mais profundo que buscamos emprestar à nossa vida
dão-nos estofo. Firmeza interior.
Capacidade de construir.
Não aconteça sermos nós
uns atrasos de vida que fazem emperrar
os essenciais sentimentos.
Tolentino Mendonça
Fresco.
Como tudo que começa e sempre recomeça.
A vida vale.
Também os afectos nos sustêm.
Sempre
Sentimentos Olhares Afectos
Verdade, verdade é que os sentimentos são um atraso de vida.
Paralisam ou põem tudo em rodopio.
Estremecem.
Tiram de órbita.
Afundam e ressuscitam.
Fazem rodar as quatro estações.
Na mesma tarde.
Acreditam?
Verdade, verdade é que os sentimentos atrasam. Deixam o trabalho para depois.
Despistam.
Aproximam o pó das estrelas e distanciam o pó das sebentas.
Que fazer?
Suspiros. Olhares. Olhinhos.
A linguagem passa perigosamente ao estado diminutivo sempre que os sentimentos perigosamente se expandem.
O pior é que nem pela ironia se dá.
Mas a verdade, a grande verdade é que os sentimentos interessam.
Tornam-nos gente.
Ensinam-nos a ser.
Pedem de nós o que trazemos de único e de irrepetível.
E preparam-nos para querer, para desejar receber o mesmo.
Do outro. Da outra.
Um comércio puro, gratuito.
Tão diferente, tão distante
dos rotineiros comércios.
A qualidade do nosso estar, aqui ou noutro lado, as coisas que temos ou que gostamos mesmo de aprender, os outros com que vamos tecendo o quotidiano, o sentido mais profundo que buscamos emprestar à nossa vida
dão-nos estofo. Firmeza interior.
Capacidade de construir.
Não aconteça sermos nós
uns atrasos de vida que fazem emperrar
os essenciais sentimentos.
Tolentino Mendonça
Friday, January 13, 2012
MANHÃ
Fez anos a FF. Bom é ir fiando as linhas dos afectos. E encontrar também aí serenidade. Muita.
Tenho uns postais para enviar...
Encontrei a A tão fragilizada.Oitenta e tal anos, o marido a seu cargo e tão doente. Desafiei-a a um chá de limão só para nos sentarmos, trocar uma palavra.
«A vida é feita de nadas.»
A minha vida é mesmo feita de nadas.
A atracção que tenho pelas malhas passa por tudo isto. De fora, é mania ou é inexplicável.
Compra-se muito mais bonito e a preço acessível.
Mas vou tecendo tudo.
Abri a Pastoral da Cultura.
Leio devagar um poema de Nuno Júdice «O som dos silêncios».
Belíssimo.
De quantos silêncios nasce uma palavra?
Tenho uns postais para enviar...
Encontrei a A tão fragilizada.Oitenta e tal anos, o marido a seu cargo e tão doente. Desafiei-a a um chá de limão só para nos sentarmos, trocar uma palavra.
«A vida é feita de nadas.»
A minha vida é mesmo feita de nadas.
A atracção que tenho pelas malhas passa por tudo isto. De fora, é mania ou é inexplicável.
Compra-se muito mais bonito e a preço acessível.
Mas vou tecendo tudo.
Abri a Pastoral da Cultura.
Leio devagar um poema de Nuno Júdice «O som dos silêncios».
Belíssimo.
De quantos silêncios nasce uma palavra?
Tuesday, January 10, 2012
CONTINUAÇÃO «A CRISE»
Hoje, nem tenho grande coisa para apontar.
Mas é importante dizer aonde foi aplicada a taxa de 23º/º na minha factura de supermercado.
Assim:
Açúcar de marca branca
Pacote pequeno de Bolacha Maria tb de marca branca
Creme de soja género margarina
Enfim, e embora uns amigos me tenham oferecido o bilhete de cinema, também aí deve ter sido aplicado 23º/º. A cultura é um luxo ... Isso não mesmo
Mas é importante dizer aonde foi aplicada a taxa de 23º/º na minha factura de supermercado.
Assim:
Açúcar de marca branca
Pacote pequeno de Bolacha Maria tb de marca branca
Creme de soja género margarina
Enfim, e embora uns amigos me tenham oferecido o bilhete de cinema, também aí deve ter sido aplicado 23º/º. A cultura é um luxo ... Isso não mesmo
A CRISE
A este texto segui-se-á a listagem do que vai mudando cá por casa por causa da crise:
1 - Não tenho paciência para ser desgraçadinha e ter má cara. A ver se se conserva o sorriso e se aumenta.
2 - Levo a máquina de calcular para o Pingo Doce e vou somando até ...
3 - Mais ou menos mudo o orçamento cada dia.
(continuo amanhã)
1 - Não tenho paciência para ser desgraçadinha e ter má cara. A ver se se conserva o sorriso e se aumenta.
2 - Levo a máquina de calcular para o Pingo Doce e vou somando até ...
3 - Mais ou menos mudo o orçamento cada dia.
(continuo amanhã)
Thursday, January 05, 2012
O QUE A VIDA MUDA
EDP - ELETLECIDADE DE POLTUGAL
A paltil de Janeilo pala sua maiol comodidade pague as fatulas da EDP num dos muitos milhales
de postos de coblança existentes no Pais .... A LOJA DO CHINÊS MAIS PLÓXIMA !!!!
A paltil de Janeilo pala sua maiol comodidade pague as fatulas da EDP num dos muitos milhales
de postos de coblança existentes no Pais .... A LOJA DO CHINÊS MAIS PLÓXIMA !!!!
Thursday, December 29, 2011
29 DEZEMBRO
Os gestos de cuidado, a ternura
em mensagens, telefonemos, um chá quentinho, uma canja talvez
tudo me devolve tudo
sorrio e louvo
e que assim seja
sempre
em mensagens, telefonemos, um chá quentinho, uma canja talvez
tudo me devolve tudo
sorrio e louvo
e que assim seja
sempre
Saturday, December 24, 2011
NATAL de 2011
Mesmo agora respondi a um sms de Natal assim:
Esta noite de Natal é também um nadinha confusa.
Procuro a Paz
E louvo.
Esta noite de Natal é também um nadinha confusa.
Procuro a Paz
E louvo.
Friday, December 23, 2011
AGORA
Agora é assim.
Sem ti.
E os amigos, os filhos, os netos a telefonarem,
só por Amor.
Sementes.
Em casa, eu sem que me sufoque esta aparente solidão.
Sustem-me a nossa vida
procuro sustentar-me
Por graça, às vezes sou capaz.
Sem ti.
E os amigos, os filhos, os netos a telefonarem,
só por Amor.
Sementes.
Em casa, eu sem que me sufoque esta aparente solidão.
Sustem-me a nossa vida
procuro sustentar-me
Por graça, às vezes sou capaz.
Sunday, December 18, 2011
LEIO E APLAUDO
Eduardo Lourenço
A demanda no mundo da incerteza
É uma constatação que na nossa época, depois de tantos séculos de vida, vivida globalmente sob o signo da certeza ou das certezas, a partir de uma certeza que as englobava todas e lhes dava sentido, deparámos com algo a que nós abreviadamente ou não abreviadamente chamámos modernidade. Entrámos num período em que muitos pensadores, no interior mesmo dessa esfera que tinha sido a esfera da certeza por excelência, se puseram a discutir a natureza de verdades, sobretudo da verdade que engloba essas verdades. Abriu-se assim a porta a uma época de crise. Agora fala-se muito em crise como se acabássemos de descobrir uma novidade, quando afinal toda a modernidade é já uma época de crise e da crise como uma evidência primeira. Registe-se em todo o caso a obsessão primeira e a prática primeira daqueles que por diversos motivos se desinscrevem em relação a esses discursos que eram discursos de evidência, não só de evidência na ordem racional mas também na ordem existencial, que condicionavam tudo o que nós chamamos as atitudes em todas as ordens, desde a ordem ética à ordem cultural, num sentido geral, e mesmo à ordem social. Todos tinham alguma relação com essa época que nós podemos chamar uma época de organicidade. E de repente, particularmente no Ocidente, dá-se uma viragem. Esta crise poderá também ter existido noutras culturas que conhecemos menos bem, pelo menos eu; é possível que no interior dessas culturas tenha havido movimentos de contestação, de discussão interna. Mas eu creio que não há nenhuma História que nós conhecemos até hoje em que isso se tenha dado com tal profundidade como naquela que nós chamamos a história do Ocidente, em todo este conjunto de verdades, de referências, de valores durante tanto tempo associados ao que designamos de civilização europeia. Não só na sua fase fundadora, aquela que releva do pensamento grego, depois na sua retradução em termos ligeiramente diferentes (até mais diferentes do que as pessoas imaginam) no que nós chamamos a versão romana desses mesmos valores, que condicionam sobretudo a visão e o destino político do que nós chamamos Europa, mas também na sua fase de confrontação com o cristianismo.
E preciso ver que provavelmente a maior de todas as crises não será esta a que nós chamamos a crise da modernidade. Nós, que, entre outras, temos a herança da cultura romana, podemos imaginar a rutura no seio do Império Romano provocada pelo abalo da chegada do que chamamos o cristianismo. O advento do cristianismo foi também um momento de crise, uma crise na perspetiva do futuro. Quer dizer, o cristianismo vai triunfar historicamente, vai impor-se como um conjunto de crenças que são vividas como sendo não só como uma verdade, à maneira grega, da ordem do inteligível, uma verdade filosófica, mas como uma novidade absoluta que punha em causa toda a visão grega e vai ser ela própria, quando triunfar na ordem histórica, na sequência da institucionalização do cristianismo com a vitória de Constantino, o código cultural, religioso, dentro do qual a nossa Europa vai a pouco e pouco entrar.
Estes anos de civilização cristã são ao mesmo tempo um diálogo contínuo com o antigo mundo. Podia não ter acontecido isso. Tenho em mente outras grandes afirmações de crenças orgânicas, como seja o caso do Islão. No Islão nós não encontramos (exceto numa certa fase, induzida por aquilo que se passava no Ocidente) essa espécie de um diálogo contínuo de ter de se confrontar com a ideia de uma verdade que não é exatamente aquela que condiciona e que é a visão própria daquilo que nós chamamos a civilização cristã. Diálogo impossível no tempo anterior a Santo Agostinho. Santo Agostinho teve um papel fantástico na cultura do Ocidente porque ele viveu nos dois mundos. Conheceu os dois mundos.
Mas este diálogo não foi fácil. Que a verdade tenha sido definida por alguém em termos de "Eu sou a verdade, o caminho", é algo impossível de conceber na mente de um grego. Nenhum grego podia conceber isto. A verdade é qualquer coisa que diz respeito a uma evidência, ao conhecimento que nós temos dos objetos naturais, a começar naturalmente pelo físico. Quer dizer, em toda a filosofia antiga, aquilo a que os gregos chamam o divino é sempre uma realidade da ordem natural, aquela que obriga os homens a repensar-se diante desse espírito que é fornecido pelo cosmos e pela admiração e espanto que ele causa, donde nasce a filosofia. Penso que isso vai entrar mais tarde dentro da visão cristã. Mas a visão cristã não é dessa ordem, por mais platónica que ela se torne mais tarde. Santo Agostinho não tem essa preocupação. Ressalvando no entanto que em Santo Agostinho temos o diálogo fundamental que vai condicionar todo um pensamento ocidental, que vai tentar reconciliar com o pensamento filosófico essa certeza. Se bem que essa certeza não é uma certeza da ordem do conhecimento propriamente dito mas que é aquilo que mais tarde os grandes pensadores dessa nova visão, já em época de crise, vão apresentar como sendo da ordem do coração, e não da ordem do Cosmos, da Natureza.
Estou aqui, pois, a falar de certezas diferentes: a certeza antiga e a certeza tal como o cristianismo a vai apresentar, que é uma certeza existencial, que vai ser definida na ótica cultural do Ocidente como sendo do domínio da fé. A fé é um conceito paradoxal. Porque a fé é a mais violenta das certezas ou das evidências.
E por outro lado a fé é igualmente a consciência de que não é evidente segundo a ordem da razão, a consciência de que essas coisas em que se crê, em que, mais do que se crê, se investe a totalidade da vida, constituem a substância das coisas esperadas, esperadas segundo aquela esperança, que está inscrita em qualquer palavra das fundamentais ditas por Jesus Cristo. Pode-se falar de outra fé, a fé budista ou outras, mas não podemos misturar todos os conceitos; a fé é um fenómeno que só tem leitura no interior da nossa vivência religiosa. Pode-se falar de fé num sentido lato, mas então a fé passa a ser uma realidade de ordem psicológica que tenha em conta que qualquer manifestação humana se reporta realmente ao futuro em que nós pomos mais esperança ou menos esperança, em que acreditamos que algo se vai realizar... Mas a fé, tanto quanto penso em função da vivência cristã, é qualquer coisa de outra ordem. A fé, penso eu, é uma graça particular. Não há possibilidade de tratar da fé em termos que não sejam aqueles que são definidos pela mesma vivência e afirmação de fé. Dir-me-ão que será a mesma coisa para um muçulmano. Se eu fosse muçulmano provavelmente eu também acreditava, mas tenho a impressão de que o Alcorão me dá uma visão do que é Deus, mas na verdade essa visão de Deus no Alcorão parece-me ser mais próxima de algum modo da ideia de Deus na antiguidade.
O Deus do Alcorão não dialoga com os homens. Não se faz carne. Não incarnou. Está mais próximo de algum modo da ideia que dele faziam os antigos, desde Aristóteles, do que propriamente da experiência que funda a religião cristã. Eu penso que tudo isto se situa, se vive menos na ordem teórica que na ordem prática. Traduz uma certa maneira de um certo comportamento que unifica todos aqueles que têm essa prática. E não precisam de grandes razões de ordem teológica para justificar aquilo que lhes parece uma evidência fundamental. É mais fácil aceitar um Deus criador e senhor do mundo, que tem uma unidade, que é totalmente transcendente, que tem da parte do mundo que criou, particularmente da humanidade, uma relação de obediência, mas que não é um Deus que veicule a ideia de um amor especial em relação àquilo que criou. Parece um pouco como o Deus bíblico que tem uma proteção especial para com um povo em particular. Há uma ideia de etnicidade nesse tipo de religião. Não é o caso do cristianismo que afirma claramente que Deus incarnou. E isto não é crível humanamente falando. Isto é a notícia mais incrível que se pode imaginar. E é em função dela que se pode dizer "creio", "não creio". E crer nisto é qualquer coisa que responde aos anseios mais profundos da humanidade, mas não é suscetível de demonstração, nem sequer de mostração. É uma coisa que se transmite, como um segredo de família, de uma família nova, que aparece na Terra, de uma nova maneira de ser humano, em que os homens estão sob uma proteção especial de um Deus que cuida efetivamente deles, que não é indiferente ao destino da humanidade. De uma humanidade de cujo destino não estamos afastados, sendo de uma certa maneira, responsáveis pelo próprio destino de Deus.
De maneira que a incerteza faz parte integrante do coração da crença que exige por outro lado que nós tenhamos aquilo que nós chamamos Deus como a coisa mais evidente, mais evidente do que qualquer outra verdade humana mas de um outro género; porque se fosse do mesmo tipo das outras verdades, das verdades que nós podemos efetivamente construir ou desejar ou demonstrar, então nós estaríamos noutro tipo de atitude. Numa atitude diferente desta que nos põe a viver diante de uma crença, de uma religião que é fundada fundamentalmente sobre a confiança na palavra de alguém, de uma palavra diferente de todas as palavras. E é essa palavra e o teor dessa palavra que fundou a sua própria realidade, que a construiu.
Eu sei que Jesus dialoga sobre um fundo, não direi de conceitos, mas de evidências que são aquelas que estão realmente na Bíblia, e que de algum modo ele vai revisitar essas mensagens que estão escritas na Bíblia e dar-lhes uma outra tonalidade. São as mesmas e não são as mesmas. Não são as mesmas porque não desenham atrás dela uma voz, que é uma espécie de comando superior, uma voz de poder infinito.
Desenham uma voz contrária e essa me parece ser a novidade do cristianismo, a voz de um Deus que é não poder, que é contrária àquilo que conceptualmente nós imaginamos como seja esse poder, porque nós próprios humanos desejaríamos ter essa varinha de condão, como uma coisa mágica, que nos permitisse dominar o mundo, construir totalmente a nossa vida, etc. E o que há de espantoso em Jesus, tal como leio o Evangelho, é a visão de um Deus indigente, um Deus que não é só pai dos homens, mas que de algum modo precisa dos homens para por esses mesmos homens ser visto verdadeiramente como um Deus e não como uma força que tem o poder, como nós imaginamos, de converter os objetos, que não dá espaço possível para que o homem se viva como liberdade.
E provavelmente o que há de mais extraordinário no cristianismo é essa coincidência de uma ideia do divino como omnipotente, como todo poderoso, como nós dizemos, e o facto de que a «ação», de Deus é uma «ação» de ter concebido o homem livre, totalmente livre. Parece-me que Deus é o espaço de liberdade que os homens são capazes de conceber como sendo o espaço da única liberdade que merece esse nome. E não o contrário. O Deus cristão não é um ser que manda, que instaurou uma série de imperativos que os homens têm forçosamente que cumprir. A ideia de Deus, tal como o evangelho no-la mostra, é a ideia de um Deus que está, de uma certa maneira, à mercê daquilo mesmo que ele criou, porque somos livres para o poder recusar. Mas provavelmente não era isto que eu queria dizer (risos).
Há dois dias li um texto muito interessante do nosso caríssimo Bento Domingues intitulado assim: "Deus não sabe como se chama". Bem... nós provavelmente é que precisamos de saber como chamá-lo.
A autodefinição que vem no texto sagrado, que se dá como se fosse uma ficção, é a de uma entidade que na ordem linguística, na ordem lógica, se define como uma espécie de tautologia sublime, porque não há outra maneira de se definir. Nós não nos podemos definir assim. Se alguma vez um homem se apresentar como "eu sou quem sou", realmente já está muito próximo do internamento... (risos). Porque a experiência humana que nós temos, quer pessoal quer coletiva, não corresponde a essa autoafirmação.
Mas está escrito na Bíblia: "Eu sou quem sou", o que nos permite subentender um recado: "agora explorai essa revelação". É uma autoafirmação que não é da ordem lógica. Mas nem para essa autoafirmação é necessário recorrer a um conceito que nós chamamos fé. A fé aparece e tem razão de ser num contexto daquilo que para a experiência humana parece totalmente inaceitável. E é totalmente inaceitável numa ordem da razão que nós conhecemos, aquela que é fundadora do Ocidente e nos permite assumir o tipo de evidências a que nós acedemos, a partir daquilo que mais tarde se chamará a ciência, no sentido próprio do termo, lógica na ordem formal. Aparentemente esta afirmação "Eu sou quem sou" que me parece uma afirmação de tipo psicológico, metafísico, se quiserem, parece à primeira vista não ser diferente das visões filosóficas de um Platão, de um Aristóteles, do que é o ser, do que é o não ser.
Estamos aqui dentro daquilo que não é da ordem da fé. Por mais extraordinárias que sejam as reflexões da metafísica ocidental elas não pertencem a esse domínio. Quando S. Paulo, desejoso de ter um público que compreendesse a novidade dessa nova visão que ele tinha tido do que é o santo, o sagrado, o divino propriamente dito, mas um divino de outra ordem, tentando em Atenas criar estratégias face a um ceticismo grego de uma humanidade que, na pluralidade de deuses (algo que não é da ordem do racional mas uma forma de racionalidade que permitia domesticar a experiência humana dessa época) vê numa inscrição dedicada a todos os deuses uma inscrição pequena dedicada "ao Deus desconhecido". E S. Paulo, que é um grande retórico, diz:
"Eu venho pregar esse Deus, que vós desconheceis, vós tendes todos os deuses, mas não tendes esse Deus".
Aos gregos que representavam a razão humana mais subtil da cultura do Ocidente diz-lhes: «Vós conheceis tudo mas não tendes esse Deus».
E começa naturalmente a falar dessa nova referência, dessa nova incarnação do divino, de um Deus humano, de um Deus humano em si próprio. Os gregos estavam habituados a lidar com o pensamento de grandes filósofos mas quando S. Paulo anunciou que Jesus ressuscitou, o areópago não se riu, mas os presentes afastaram-se e foram-se embora. O que ele estava dizendo era para eles incrível.
Mas é tão incrível na hora em que ele o disse em Atenas como hoje é incrível. Não temos (e neste aspeto Wittgenstein tinha razão) nem mais meios nem mais espaço do que a linguagem, ela mesma. Porque a linguagem não está à nossa disposição. Nós somos a linguagem que dispõe de nós. Podemos sempre fazer uma inversão na linguagem como fez Tertuliano que disse: "Creio porque é absurdo". Bem... isto é considerado como o máximo da cegueira do ponto de vista humano, ou uma espécie de provocação máxima ou ainda de um mau comportamento do discurso humano. Naquela altura ainda ninguém conhecia uma experiência em termos poético-culturais chamada surrealismo. Dizer "creio porque é absurdo" não era uma graça cultural de que os intelectuais e os poetas têm o segredo. Era qualquer coisa séria. Em última análise nós também não somos os senhores daquilo que nos define no campo da razão. Aquilo que nos distingue na ordem meramente profana de todos os seres que nós conhecemos é o sermos criados assim ou de nos terem inventado assim através da História, mas a razão não está no lugar do Deus que contestamos porque é tão difícil de apreender o que se não pode nomear. A razão é o esforço máximo da inteligência humana de que é capaz para compreender o cosmos em todas as suas dimensões, de compreender o que nós somos e, na medida do possível, tentar desvendar ou antecipar o que nos espera, o nosso destino. Simplesmente, todos nós sabemos (e mesmo se não o soubéssemos, os antigos já o sabiam) que a razão é também outra coisa e que mesmo o homem antigo que vive numa espécie de luminosidade de fundo está confrontado com uma opacidade relativamente ao seu destino.
Impelido pela mais luminosa das suas intenções, o mais sábio dos homens para os gregos, Édipo, o que interrogou a Esfinge, o que se propôs decifrar o mistério sem o qual o homem não é senhor do seu destino, não percebe exatamente qual o seu destino; ele é o decifrador do enigma mas por sua vez, como se fosse realmente personagem de um conto inventado por um Kafka, que ainda não existia, ele cai na armadilha de sua própria luz, da sua própria luminosidade.
Estamos todos nesta condição. Deus está fora dessa ordem, dessa perspetiva, particular e única que é aquela que é criada. E como dizia Kierkegaard, a fé cria o seu próprio objeto. A esse título ela não se pode discutir. Não se pode discutir aquilo que é discutível. Kierkegaard diz que os homens primitivos (qualificativo hoje já um tanto rejeitado), se pedem qualquer coisa ao fetiche ou se querem que esse fetiche intervenha, e se isso faz parte da sua própria pulsão, eles estão a rezar ao Deus verdadeiro. Toda a dificuldade dos incertos do meu género é saber como se distingue o "fetiche" do Deus verdadeiro. E ainda não consegui resolver este problema mas penso que na minha maneira de encarar isto, o único fetiche de que eu me fui desprendendo chama-se efetivamente o "fetiche" da razão. Não cultivando com tanto fervor como devia esse fetiche, só me resta esperar que o não fetiche por excelência, uma outra coisa, de outra ordem, seja mais verdadeiro do que o conjunto das verdades puramente racionais, que são as minhas, de que não abdico, mas que não bastam para aquilo que ele próprio é, em certas horas de todos nós, como algo de propriamente indescritível, incompreensível, quando nós estamos diante de obstáculos que não podem sequer ser nomeados, porque nós não somos capazes de os nomear. Então aparece uma outra nomeação, uma espécie de antinomeação que seria a nomeação verdadeira.
E nessa nomeação verdadeira inscreve-se aquilo que por via racional está mais perto daqueles que vivem essa relação com a verdade em que a fé tradicional realmente é vivida. E esta é por enquanto a "prière" dum incerto e não a "antiprière" dum autor que foi para nós no Ocidente, nomeadamente para a cultura portuguesa, na 2a metade do séc. XIX, um autor que perturbou o discurso católico tradicional chamado Ernesto Renan, "A oração da Acrópole".
Eu não tenho categoria para estar na acrópole e entre as duas acrópoles, a de S. Paulo e a de Renan, ainda me inclino hoje mais para a de S. Paulo que para a de Renan.
Eduardo Lourenço
In Reflexão Cristã, nn 37-38-39 (2011) (Revista do Centro de Reflexão Cristã)
A demanda no mundo da incerteza
É uma constatação que na nossa época, depois de tantos séculos de vida, vivida globalmente sob o signo da certeza ou das certezas, a partir de uma certeza que as englobava todas e lhes dava sentido, deparámos com algo a que nós abreviadamente ou não abreviadamente chamámos modernidade. Entrámos num período em que muitos pensadores, no interior mesmo dessa esfera que tinha sido a esfera da certeza por excelência, se puseram a discutir a natureza de verdades, sobretudo da verdade que engloba essas verdades. Abriu-se assim a porta a uma época de crise. Agora fala-se muito em crise como se acabássemos de descobrir uma novidade, quando afinal toda a modernidade é já uma época de crise e da crise como uma evidência primeira. Registe-se em todo o caso a obsessão primeira e a prática primeira daqueles que por diversos motivos se desinscrevem em relação a esses discursos que eram discursos de evidência, não só de evidência na ordem racional mas também na ordem existencial, que condicionavam tudo o que nós chamamos as atitudes em todas as ordens, desde a ordem ética à ordem cultural, num sentido geral, e mesmo à ordem social. Todos tinham alguma relação com essa época que nós podemos chamar uma época de organicidade. E de repente, particularmente no Ocidente, dá-se uma viragem. Esta crise poderá também ter existido noutras culturas que conhecemos menos bem, pelo menos eu; é possível que no interior dessas culturas tenha havido movimentos de contestação, de discussão interna. Mas eu creio que não há nenhuma História que nós conhecemos até hoje em que isso se tenha dado com tal profundidade como naquela que nós chamamos a história do Ocidente, em todo este conjunto de verdades, de referências, de valores durante tanto tempo associados ao que designamos de civilização europeia. Não só na sua fase fundadora, aquela que releva do pensamento grego, depois na sua retradução em termos ligeiramente diferentes (até mais diferentes do que as pessoas imaginam) no que nós chamamos a versão romana desses mesmos valores, que condicionam sobretudo a visão e o destino político do que nós chamamos Europa, mas também na sua fase de confrontação com o cristianismo.
E preciso ver que provavelmente a maior de todas as crises não será esta a que nós chamamos a crise da modernidade. Nós, que, entre outras, temos a herança da cultura romana, podemos imaginar a rutura no seio do Império Romano provocada pelo abalo da chegada do que chamamos o cristianismo. O advento do cristianismo foi também um momento de crise, uma crise na perspetiva do futuro. Quer dizer, o cristianismo vai triunfar historicamente, vai impor-se como um conjunto de crenças que são vividas como sendo não só como uma verdade, à maneira grega, da ordem do inteligível, uma verdade filosófica, mas como uma novidade absoluta que punha em causa toda a visão grega e vai ser ela própria, quando triunfar na ordem histórica, na sequência da institucionalização do cristianismo com a vitória de Constantino, o código cultural, religioso, dentro do qual a nossa Europa vai a pouco e pouco entrar.
Estes anos de civilização cristã são ao mesmo tempo um diálogo contínuo com o antigo mundo. Podia não ter acontecido isso. Tenho em mente outras grandes afirmações de crenças orgânicas, como seja o caso do Islão. No Islão nós não encontramos (exceto numa certa fase, induzida por aquilo que se passava no Ocidente) essa espécie de um diálogo contínuo de ter de se confrontar com a ideia de uma verdade que não é exatamente aquela que condiciona e que é a visão própria daquilo que nós chamamos a civilização cristã. Diálogo impossível no tempo anterior a Santo Agostinho. Santo Agostinho teve um papel fantástico na cultura do Ocidente porque ele viveu nos dois mundos. Conheceu os dois mundos.
Mas este diálogo não foi fácil. Que a verdade tenha sido definida por alguém em termos de "Eu sou a verdade, o caminho", é algo impossível de conceber na mente de um grego. Nenhum grego podia conceber isto. A verdade é qualquer coisa que diz respeito a uma evidência, ao conhecimento que nós temos dos objetos naturais, a começar naturalmente pelo físico. Quer dizer, em toda a filosofia antiga, aquilo a que os gregos chamam o divino é sempre uma realidade da ordem natural, aquela que obriga os homens a repensar-se diante desse espírito que é fornecido pelo cosmos e pela admiração e espanto que ele causa, donde nasce a filosofia. Penso que isso vai entrar mais tarde dentro da visão cristã. Mas a visão cristã não é dessa ordem, por mais platónica que ela se torne mais tarde. Santo Agostinho não tem essa preocupação. Ressalvando no entanto que em Santo Agostinho temos o diálogo fundamental que vai condicionar todo um pensamento ocidental, que vai tentar reconciliar com o pensamento filosófico essa certeza. Se bem que essa certeza não é uma certeza da ordem do conhecimento propriamente dito mas que é aquilo que mais tarde os grandes pensadores dessa nova visão, já em época de crise, vão apresentar como sendo da ordem do coração, e não da ordem do Cosmos, da Natureza.
Estou aqui, pois, a falar de certezas diferentes: a certeza antiga e a certeza tal como o cristianismo a vai apresentar, que é uma certeza existencial, que vai ser definida na ótica cultural do Ocidente como sendo do domínio da fé. A fé é um conceito paradoxal. Porque a fé é a mais violenta das certezas ou das evidências.
E por outro lado a fé é igualmente a consciência de que não é evidente segundo a ordem da razão, a consciência de que essas coisas em que se crê, em que, mais do que se crê, se investe a totalidade da vida, constituem a substância das coisas esperadas, esperadas segundo aquela esperança, que está inscrita em qualquer palavra das fundamentais ditas por Jesus Cristo. Pode-se falar de outra fé, a fé budista ou outras, mas não podemos misturar todos os conceitos; a fé é um fenómeno que só tem leitura no interior da nossa vivência religiosa. Pode-se falar de fé num sentido lato, mas então a fé passa a ser uma realidade de ordem psicológica que tenha em conta que qualquer manifestação humana se reporta realmente ao futuro em que nós pomos mais esperança ou menos esperança, em que acreditamos que algo se vai realizar... Mas a fé, tanto quanto penso em função da vivência cristã, é qualquer coisa de outra ordem. A fé, penso eu, é uma graça particular. Não há possibilidade de tratar da fé em termos que não sejam aqueles que são definidos pela mesma vivência e afirmação de fé. Dir-me-ão que será a mesma coisa para um muçulmano. Se eu fosse muçulmano provavelmente eu também acreditava, mas tenho a impressão de que o Alcorão me dá uma visão do que é Deus, mas na verdade essa visão de Deus no Alcorão parece-me ser mais próxima de algum modo da ideia de Deus na antiguidade.
O Deus do Alcorão não dialoga com os homens. Não se faz carne. Não incarnou. Está mais próximo de algum modo da ideia que dele faziam os antigos, desde Aristóteles, do que propriamente da experiência que funda a religião cristã. Eu penso que tudo isto se situa, se vive menos na ordem teórica que na ordem prática. Traduz uma certa maneira de um certo comportamento que unifica todos aqueles que têm essa prática. E não precisam de grandes razões de ordem teológica para justificar aquilo que lhes parece uma evidência fundamental. É mais fácil aceitar um Deus criador e senhor do mundo, que tem uma unidade, que é totalmente transcendente, que tem da parte do mundo que criou, particularmente da humanidade, uma relação de obediência, mas que não é um Deus que veicule a ideia de um amor especial em relação àquilo que criou. Parece um pouco como o Deus bíblico que tem uma proteção especial para com um povo em particular. Há uma ideia de etnicidade nesse tipo de religião. Não é o caso do cristianismo que afirma claramente que Deus incarnou. E isto não é crível humanamente falando. Isto é a notícia mais incrível que se pode imaginar. E é em função dela que se pode dizer "creio", "não creio". E crer nisto é qualquer coisa que responde aos anseios mais profundos da humanidade, mas não é suscetível de demonstração, nem sequer de mostração. É uma coisa que se transmite, como um segredo de família, de uma família nova, que aparece na Terra, de uma nova maneira de ser humano, em que os homens estão sob uma proteção especial de um Deus que cuida efetivamente deles, que não é indiferente ao destino da humanidade. De uma humanidade de cujo destino não estamos afastados, sendo de uma certa maneira, responsáveis pelo próprio destino de Deus.
De maneira que a incerteza faz parte integrante do coração da crença que exige por outro lado que nós tenhamos aquilo que nós chamamos Deus como a coisa mais evidente, mais evidente do que qualquer outra verdade humana mas de um outro género; porque se fosse do mesmo tipo das outras verdades, das verdades que nós podemos efetivamente construir ou desejar ou demonstrar, então nós estaríamos noutro tipo de atitude. Numa atitude diferente desta que nos põe a viver diante de uma crença, de uma religião que é fundada fundamentalmente sobre a confiança na palavra de alguém, de uma palavra diferente de todas as palavras. E é essa palavra e o teor dessa palavra que fundou a sua própria realidade, que a construiu.
Eu sei que Jesus dialoga sobre um fundo, não direi de conceitos, mas de evidências que são aquelas que estão realmente na Bíblia, e que de algum modo ele vai revisitar essas mensagens que estão escritas na Bíblia e dar-lhes uma outra tonalidade. São as mesmas e não são as mesmas. Não são as mesmas porque não desenham atrás dela uma voz, que é uma espécie de comando superior, uma voz de poder infinito.
Desenham uma voz contrária e essa me parece ser a novidade do cristianismo, a voz de um Deus que é não poder, que é contrária àquilo que conceptualmente nós imaginamos como seja esse poder, porque nós próprios humanos desejaríamos ter essa varinha de condão, como uma coisa mágica, que nos permitisse dominar o mundo, construir totalmente a nossa vida, etc. E o que há de espantoso em Jesus, tal como leio o Evangelho, é a visão de um Deus indigente, um Deus que não é só pai dos homens, mas que de algum modo precisa dos homens para por esses mesmos homens ser visto verdadeiramente como um Deus e não como uma força que tem o poder, como nós imaginamos, de converter os objetos, que não dá espaço possível para que o homem se viva como liberdade.
E provavelmente o que há de mais extraordinário no cristianismo é essa coincidência de uma ideia do divino como omnipotente, como todo poderoso, como nós dizemos, e o facto de que a «ação», de Deus é uma «ação» de ter concebido o homem livre, totalmente livre. Parece-me que Deus é o espaço de liberdade que os homens são capazes de conceber como sendo o espaço da única liberdade que merece esse nome. E não o contrário. O Deus cristão não é um ser que manda, que instaurou uma série de imperativos que os homens têm forçosamente que cumprir. A ideia de Deus, tal como o evangelho no-la mostra, é a ideia de um Deus que está, de uma certa maneira, à mercê daquilo mesmo que ele criou, porque somos livres para o poder recusar. Mas provavelmente não era isto que eu queria dizer (risos).
Há dois dias li um texto muito interessante do nosso caríssimo Bento Domingues intitulado assim: "Deus não sabe como se chama". Bem... nós provavelmente é que precisamos de saber como chamá-lo.
A autodefinição que vem no texto sagrado, que se dá como se fosse uma ficção, é a de uma entidade que na ordem linguística, na ordem lógica, se define como uma espécie de tautologia sublime, porque não há outra maneira de se definir. Nós não nos podemos definir assim. Se alguma vez um homem se apresentar como "eu sou quem sou", realmente já está muito próximo do internamento... (risos). Porque a experiência humana que nós temos, quer pessoal quer coletiva, não corresponde a essa autoafirmação.
Mas está escrito na Bíblia: "Eu sou quem sou", o que nos permite subentender um recado: "agora explorai essa revelação". É uma autoafirmação que não é da ordem lógica. Mas nem para essa autoafirmação é necessário recorrer a um conceito que nós chamamos fé. A fé aparece e tem razão de ser num contexto daquilo que para a experiência humana parece totalmente inaceitável. E é totalmente inaceitável numa ordem da razão que nós conhecemos, aquela que é fundadora do Ocidente e nos permite assumir o tipo de evidências a que nós acedemos, a partir daquilo que mais tarde se chamará a ciência, no sentido próprio do termo, lógica na ordem formal. Aparentemente esta afirmação "Eu sou quem sou" que me parece uma afirmação de tipo psicológico, metafísico, se quiserem, parece à primeira vista não ser diferente das visões filosóficas de um Platão, de um Aristóteles, do que é o ser, do que é o não ser.
Estamos aqui dentro daquilo que não é da ordem da fé. Por mais extraordinárias que sejam as reflexões da metafísica ocidental elas não pertencem a esse domínio. Quando S. Paulo, desejoso de ter um público que compreendesse a novidade dessa nova visão que ele tinha tido do que é o santo, o sagrado, o divino propriamente dito, mas um divino de outra ordem, tentando em Atenas criar estratégias face a um ceticismo grego de uma humanidade que, na pluralidade de deuses (algo que não é da ordem do racional mas uma forma de racionalidade que permitia domesticar a experiência humana dessa época) vê numa inscrição dedicada a todos os deuses uma inscrição pequena dedicada "ao Deus desconhecido". E S. Paulo, que é um grande retórico, diz:
"Eu venho pregar esse Deus, que vós desconheceis, vós tendes todos os deuses, mas não tendes esse Deus".
Aos gregos que representavam a razão humana mais subtil da cultura do Ocidente diz-lhes: «Vós conheceis tudo mas não tendes esse Deus».
E começa naturalmente a falar dessa nova referência, dessa nova incarnação do divino, de um Deus humano, de um Deus humano em si próprio. Os gregos estavam habituados a lidar com o pensamento de grandes filósofos mas quando S. Paulo anunciou que Jesus ressuscitou, o areópago não se riu, mas os presentes afastaram-se e foram-se embora. O que ele estava dizendo era para eles incrível.
Mas é tão incrível na hora em que ele o disse em Atenas como hoje é incrível. Não temos (e neste aspeto Wittgenstein tinha razão) nem mais meios nem mais espaço do que a linguagem, ela mesma. Porque a linguagem não está à nossa disposição. Nós somos a linguagem que dispõe de nós. Podemos sempre fazer uma inversão na linguagem como fez Tertuliano que disse: "Creio porque é absurdo". Bem... isto é considerado como o máximo da cegueira do ponto de vista humano, ou uma espécie de provocação máxima ou ainda de um mau comportamento do discurso humano. Naquela altura ainda ninguém conhecia uma experiência em termos poético-culturais chamada surrealismo. Dizer "creio porque é absurdo" não era uma graça cultural de que os intelectuais e os poetas têm o segredo. Era qualquer coisa séria. Em última análise nós também não somos os senhores daquilo que nos define no campo da razão. Aquilo que nos distingue na ordem meramente profana de todos os seres que nós conhecemos é o sermos criados assim ou de nos terem inventado assim através da História, mas a razão não está no lugar do Deus que contestamos porque é tão difícil de apreender o que se não pode nomear. A razão é o esforço máximo da inteligência humana de que é capaz para compreender o cosmos em todas as suas dimensões, de compreender o que nós somos e, na medida do possível, tentar desvendar ou antecipar o que nos espera, o nosso destino. Simplesmente, todos nós sabemos (e mesmo se não o soubéssemos, os antigos já o sabiam) que a razão é também outra coisa e que mesmo o homem antigo que vive numa espécie de luminosidade de fundo está confrontado com uma opacidade relativamente ao seu destino.
Impelido pela mais luminosa das suas intenções, o mais sábio dos homens para os gregos, Édipo, o que interrogou a Esfinge, o que se propôs decifrar o mistério sem o qual o homem não é senhor do seu destino, não percebe exatamente qual o seu destino; ele é o decifrador do enigma mas por sua vez, como se fosse realmente personagem de um conto inventado por um Kafka, que ainda não existia, ele cai na armadilha de sua própria luz, da sua própria luminosidade.
Estamos todos nesta condição. Deus está fora dessa ordem, dessa perspetiva, particular e única que é aquela que é criada. E como dizia Kierkegaard, a fé cria o seu próprio objeto. A esse título ela não se pode discutir. Não se pode discutir aquilo que é discutível. Kierkegaard diz que os homens primitivos (qualificativo hoje já um tanto rejeitado), se pedem qualquer coisa ao fetiche ou se querem que esse fetiche intervenha, e se isso faz parte da sua própria pulsão, eles estão a rezar ao Deus verdadeiro. Toda a dificuldade dos incertos do meu género é saber como se distingue o "fetiche" do Deus verdadeiro. E ainda não consegui resolver este problema mas penso que na minha maneira de encarar isto, o único fetiche de que eu me fui desprendendo chama-se efetivamente o "fetiche" da razão. Não cultivando com tanto fervor como devia esse fetiche, só me resta esperar que o não fetiche por excelência, uma outra coisa, de outra ordem, seja mais verdadeiro do que o conjunto das verdades puramente racionais, que são as minhas, de que não abdico, mas que não bastam para aquilo que ele próprio é, em certas horas de todos nós, como algo de propriamente indescritível, incompreensível, quando nós estamos diante de obstáculos que não podem sequer ser nomeados, porque nós não somos capazes de os nomear. Então aparece uma outra nomeação, uma espécie de antinomeação que seria a nomeação verdadeira.
E nessa nomeação verdadeira inscreve-se aquilo que por via racional está mais perto daqueles que vivem essa relação com a verdade em que a fé tradicional realmente é vivida. E esta é por enquanto a "prière" dum incerto e não a "antiprière" dum autor que foi para nós no Ocidente, nomeadamente para a cultura portuguesa, na 2a metade do séc. XIX, um autor que perturbou o discurso católico tradicional chamado Ernesto Renan, "A oração da Acrópole".
Eu não tenho categoria para estar na acrópole e entre as duas acrópoles, a de S. Paulo e a de Renan, ainda me inclino hoje mais para a de S. Paulo que para a de Renan.
Eduardo Lourenço
In Reflexão Cristã, nn 37-38-39 (2011) (Revista do Centro de Reflexão Cristã)
PELA PAZ
Seja Portador da Luz e Mensageiro da Justiça da Solidariedade e da Paz.
Apoie a Operação 10 Milhões de Estrelas- Um Gesto Pela Paz 2011 da Cáritas Portuguesa.
“10 Milhões de Estrelas- Um Gesto Pela Paz” teve a sua origem em Annecy (França) em 1984, durante o tempo do Advento. Em 1991, a campanha tornou-se nacional e passou para o período do Natal.
No ano de 2002, “10 Milhões de Estrelas” atinge dimensão europeia quando cerca de 60 Cáritas, por toda a Europa, levam por diante acções conjuntas de iluminação de diversos espaços públicos. Em 2003, a operação ganha expressão mundial, dando visibilidade ao empenho da rede Cáritas a favor da paz e da solidariedade. Portugal adere pela primeira vez.
Por proposta da Cáritas Portuguesa, várias Cáritas Diocesanas portuguesas responderam ao desafio de implementar esta operação, cujo principal propósito é sensibilizar toda a população para a importância dos valores da justiça, da solidariedade e da paz.
Em 2011, pelo nono ano consecutivo, a Cáritas Portuguesa organiza, em parceria com todas as Cáritas Diocesanas de Portugal Continental, Madeira e Açores, a Operação “10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz e, contrariando uma visão meramente consumista do Natal, quer relembrar o seu verdadeiro sentido. O nascimento de Jesus Cristo, o Príncipe da Paz.
Com esta operação, a Cáritas, quer motivar cada português a adquirir uma vela que, quando acesa, quer em manifestações públicas, em cada uma das Dioceses de Portugal, quer na noite de 24 de Dezembro, por iniciativa de cada pessoa ou família, simbolize a adesão de toda a população portuguesa à causa da Paz.
Cada vela da Operação “10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz” , constitui um sinal e o meio, através do qual prestamos a nossa ajuda àqueles que mais precisam. A subscrição desta aplicação, pelo valor de 1,60€, bem como a sua partilha e divulgação, permitirá, não só apoiar os projectos da Cáritas mas, também, motivar cada cidadão para os valores da Paz, da Justiça e da Solidariedade.
Só unidos e com gestos concretos teremos capacidade para nos opormos à violência, à injustiça e à exclusão.
Dos lucros obtidos com esta campanha, 65% reverterão para cada uma das Cáritas Diocesanas, sendo canalizados para projectos destinados a apoiar as famílias portuguesas em situação de carência. Os restantes 35% reverterão para a Cáritas Portuguesa e destinam-se a apoiar as vítimas dos conflitos na Somália.
VAMOS, JUNTOS, ACENDER UMA VELA,
SÍMBOLO DO NOSSO DESEJO DE JUSTIÇA, SOLIDARIEDADE E PAZ PARA O MUNDO
Colabore com a Cáritas Portuguesa e, no dia 24 de Dezembro, acenda uma vela pela PAZ.
Informações
www.caritas.pt/estrelas
e.mail: caritas@caritas.pt
Apoie a Operação 10 Milhões de Estrelas- Um Gesto Pela Paz 2011 da Cáritas Portuguesa.
“10 Milhões de Estrelas- Um Gesto Pela Paz” teve a sua origem em Annecy (França) em 1984, durante o tempo do Advento. Em 1991, a campanha tornou-se nacional e passou para o período do Natal.
No ano de 2002, “10 Milhões de Estrelas” atinge dimensão europeia quando cerca de 60 Cáritas, por toda a Europa, levam por diante acções conjuntas de iluminação de diversos espaços públicos. Em 2003, a operação ganha expressão mundial, dando visibilidade ao empenho da rede Cáritas a favor da paz e da solidariedade. Portugal adere pela primeira vez.
Por proposta da Cáritas Portuguesa, várias Cáritas Diocesanas portuguesas responderam ao desafio de implementar esta operação, cujo principal propósito é sensibilizar toda a população para a importância dos valores da justiça, da solidariedade e da paz.
Em 2011, pelo nono ano consecutivo, a Cáritas Portuguesa organiza, em parceria com todas as Cáritas Diocesanas de Portugal Continental, Madeira e Açores, a Operação “10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz e, contrariando uma visão meramente consumista do Natal, quer relembrar o seu verdadeiro sentido. O nascimento de Jesus Cristo, o Príncipe da Paz.
Com esta operação, a Cáritas, quer motivar cada português a adquirir uma vela que, quando acesa, quer em manifestações públicas, em cada uma das Dioceses de Portugal, quer na noite de 24 de Dezembro, por iniciativa de cada pessoa ou família, simbolize a adesão de toda a população portuguesa à causa da Paz.
Cada vela da Operação “10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz” , constitui um sinal e o meio, através do qual prestamos a nossa ajuda àqueles que mais precisam. A subscrição desta aplicação, pelo valor de 1,60€, bem como a sua partilha e divulgação, permitirá, não só apoiar os projectos da Cáritas mas, também, motivar cada cidadão para os valores da Paz, da Justiça e da Solidariedade.
Só unidos e com gestos concretos teremos capacidade para nos opormos à violência, à injustiça e à exclusão.
Dos lucros obtidos com esta campanha, 65% reverterão para cada uma das Cáritas Diocesanas, sendo canalizados para projectos destinados a apoiar as famílias portuguesas em situação de carência. Os restantes 35% reverterão para a Cáritas Portuguesa e destinam-se a apoiar as vítimas dos conflitos na Somália.
VAMOS, JUNTOS, ACENDER UMA VELA,
SÍMBOLO DO NOSSO DESEJO DE JUSTIÇA, SOLIDARIEDADE E PAZ PARA O MUNDO
Colabore com a Cáritas Portuguesa e, no dia 24 de Dezembro, acenda uma vela pela PAZ.
Informações
www.caritas.pt/estrelas
e.mail: caritas@caritas.pt
Friday, December 16, 2011
ORAÇÃO de S.João da Cruz, nossa também
Bem eu sei a fonte que mana e corre
Embora seja noite.
Aquela eterna fonte está escondida
mas sei bem d’onde é suprida
embora seja noite.
Sua origem desconheço, pois não a tem
mas sei que toda origem dela vem,
embora seja noite.
Sei que não pode haver coisa tão bela
e que céus e terra bebem dela,
embora seja noite.
Sei bem que fundo nela não se acha,
e que ninguém pode atravessá-la,
embora seja noite.
Sua claridade não é nunca escurecida
e sei que sua luz toda já é vinda,
embora seja noite.
Sei ser tão caudalosas suas correntes
que regam céus, infernos e as gentes,
embora seja noite.
A corrente que nasce desta fonte
sei que é forte e onipotente,
embora seja noite.
E das duas a corrente que procede
sei que nenhuma delas a precede,
embora seja noite.
E esta eterna fonte está escondida
neste vivo Pão pra dar-nos vida,
embora seja noite.
Aqui ela está chamando as criaturas
e se fartam desta água, ainda que às escuras
porque é de noite.
Esta viva fonte que desejo
neste Pão de vida a vejo,
embora seja noite.
São João da Cruz (1542-1591)
o frade espanhol que dizia que somos aquilo que amamos
Embora seja noite.
Aquela eterna fonte está escondida
mas sei bem d’onde é suprida
embora seja noite.
Sua origem desconheço, pois não a tem
mas sei que toda origem dela vem,
embora seja noite.
Sei que não pode haver coisa tão bela
e que céus e terra bebem dela,
embora seja noite.
Sei bem que fundo nela não se acha,
e que ninguém pode atravessá-la,
embora seja noite.
Sua claridade não é nunca escurecida
e sei que sua luz toda já é vinda,
embora seja noite.
Sei ser tão caudalosas suas correntes
que regam céus, infernos e as gentes,
embora seja noite.
A corrente que nasce desta fonte
sei que é forte e onipotente,
embora seja noite.
E das duas a corrente que procede
sei que nenhuma delas a precede,
embora seja noite.
E esta eterna fonte está escondida
neste vivo Pão pra dar-nos vida,
embora seja noite.
Aqui ela está chamando as criaturas
e se fartam desta água, ainda que às escuras
porque é de noite.
Esta viva fonte que desejo
neste Pão de vida a vejo,
embora seja noite.
São João da Cruz (1542-1591)
o frade espanhol que dizia que somos aquilo que amamos
Tuesday, December 13, 2011
PASSOS VAGAROSOS
Realmente, não tenho estado sem fazer nada.
Só que procuro mais habituar-me a mim, a viajar em mim.
Muito devagar bem sei. O meu estilo de vida, sempre ocupado, não se sente lá muito bem «sem tantas tarefas», que afinal muitas vezes me enchem de ruídos e de nadas.
Antes encontrar-me,
descobrir-me.
Sempre.
Só que procuro mais habituar-me a mim, a viajar em mim.
Muito devagar bem sei. O meu estilo de vida, sempre ocupado, não se sente lá muito bem «sem tantas tarefas», que afinal muitas vezes me enchem de ruídos e de nadas.
Antes encontrar-me,
descobrir-me.
Sempre.
Friday, December 02, 2011
«OUVIMOS, LEMOS E VEMOS....»
Que bom, o meu blog reabriu.
Hoje não queria deixar de apontar uma conversa que ouvi no café,
na Aloma.
Percebi que se referiam ao livro de José Rodrigues dos Santos ( livro, mercadoria para vender, sei lá....)
O empregado - Então, as vendas têm diminuído?
Uma senhora nova - Pelo contrário. Vendemos muito bem, cada vez melhor.
o empregado - As opiniões, as críticas são muitas. Mas não interessa nada. Desde que venda ...
«Isto» passa-se no meu bairro.
Em Dezembro
2911
Que digo, «o meu bairro»?.
É.
E é o povo português.
Salva-me essa grande senhora que vi e ouvi na televião: Eunice.
E outras.
E outros.
Estrelas?
Na noite
Hoje não queria deixar de apontar uma conversa que ouvi no café,
na Aloma.
Percebi que se referiam ao livro de José Rodrigues dos Santos ( livro, mercadoria para vender, sei lá....)
O empregado - Então, as vendas têm diminuído?
Uma senhora nova - Pelo contrário. Vendemos muito bem, cada vez melhor.
o empregado - As opiniões, as críticas são muitas. Mas não interessa nada. Desde que venda ...
«Isto» passa-se no meu bairro.
Em Dezembro
2911
Que digo, «o meu bairro»?.
É.
E é o povo português.
Salva-me essa grande senhora que vi e ouvi na televião: Eunice.
E outras.
E outros.
Estrelas?
Na noite
Tuesday, September 27, 2011
TESOUROS
Não gosto nada de arrumar, mas lá arrumo qualquer coisa
de vez em quando, muito de vez em quando.
Agora que o Manel não está há quase um ano, tenho mesmo que arrumar.
Ontem, foram as duas gavetas,onde toda a vida guardámos pequenos tesouros de papel, folhas cortadas ao meio com afectos escritos nas letras dos meus pais, do pai e da mãe do Manel, de cada um dos nossos filhos, desenhos como presentes dos Marias, uma ou outra carta de um amigo.
Não quero fazer da vida só passado.
Mas quando o passado é assim coluna que me suporta e cada dia me incita a «um outro salto para a frente», é muito bom.
Dizem também a nossa vida
São tesouros.
de vez em quando, muito de vez em quando.
Agora que o Manel não está há quase um ano, tenho mesmo que arrumar.
Ontem, foram as duas gavetas,onde toda a vida guardámos pequenos tesouros de papel, folhas cortadas ao meio com afectos escritos nas letras dos meus pais, do pai e da mãe do Manel, de cada um dos nossos filhos, desenhos como presentes dos Marias, uma ou outra carta de um amigo.
Não quero fazer da vida só passado.
Mas quando o passado é assim coluna que me suporta e cada dia me incita a «um outro salto para a frente», é muito bom.
Dizem também a nossa vida
São tesouros.
Friday, September 16, 2011
LIVRO DE RECLAMAÇÕES
Um dia, um amigo deu-me um livro de reclamações.
Não me orgulho nada de reclamar muitas vezes. Faz subir a tensão e de pacífico não tem nada.
Julgo que páro para pensar mesmo e qualquer coisa está menos bem, reclamo.
A primeira vez deve ter sido em Tibaldinho quando, com seis anos, fugi da escola e vim até casa.
Aquela professora batia nos meninos.
A minha avó perguntou-me se a senhora me tinha batido. Eu que não, mas batia nos outros.
A D.Augusta bem que foi lá a casa, mas eu não voltei.
Um destes dias, ao chegar ao prédio onde habito, vi uns canos enfiados na canalização que abastece a água
O resto da história está no texto abaixo.
É cansativo e talvez não se mude nada.
Parece-me bem que as pessoas de hoje talvez pensem, mas calam-se.
E isso não dá bem comigo.
Esta mensagem é apenas um exemplo.
Sou assim e verdade que não me orgulho, mas acredito que alguém tem de falar.
Exmos Senhores
Cheguei ontem ao prédio onde moro, constato que há uma canalização ligada à minha rede de abastecimento sem que eu tenha recebido qualquer aviso nem nenhum dos outos moradores
Como a Epal tem sido sempre um serviço muito cordeal, estranhei e liguei comunicando o assunto à linha de apoio ao cliente tendo-me sido dito por quem me atendeu que «estavam a fazer reparações nesta zona e que as cartas de aviso seguiriam para a próxima semana».
Estranhei bastante, por isso vos escrevo esta mensagem que é também uma reclamação.
Peço que me respondam para o meu único mail que é
xxxxxx
e não o que segue onde se indica De.
O meu contrato está em nome de xxx
e o meu número de cliente é xxxxxx
Antecipadamente agradecida
Não me orgulho nada de reclamar muitas vezes. Faz subir a tensão e de pacífico não tem nada.
Julgo que páro para pensar mesmo e qualquer coisa está menos bem, reclamo.
A primeira vez deve ter sido em Tibaldinho quando, com seis anos, fugi da escola e vim até casa.
Aquela professora batia nos meninos.
A minha avó perguntou-me se a senhora me tinha batido. Eu que não, mas batia nos outros.
A D.Augusta bem que foi lá a casa, mas eu não voltei.
Um destes dias, ao chegar ao prédio onde habito, vi uns canos enfiados na canalização que abastece a água
O resto da história está no texto abaixo.
É cansativo e talvez não se mude nada.
Parece-me bem que as pessoas de hoje talvez pensem, mas calam-se.
E isso não dá bem comigo.
Esta mensagem é apenas um exemplo.
Sou assim e verdade que não me orgulho, mas acredito que alguém tem de falar.
Exmos Senhores
Cheguei ontem ao prédio onde moro, constato que há uma canalização ligada à minha rede de abastecimento sem que eu tenha recebido qualquer aviso nem nenhum dos outos moradores
Como a Epal tem sido sempre um serviço muito cordeal, estranhei e liguei comunicando o assunto à linha de apoio ao cliente tendo-me sido dito por quem me atendeu que «estavam a fazer reparações nesta zona e que as cartas de aviso seguiriam para a próxima semana».
Estranhei bastante, por isso vos escrevo esta mensagem que é também uma reclamação.
Peço que me respondam para o meu único mail que é
xxxxxx
e não o que segue onde se indica De.
O meu contrato está em nome de xxx
e o meu número de cliente é xxxxxx
Antecipadamente agradecida
Monday, August 15, 2011
SENHORA DA ASSUNÇÃO 15 DE AGOSTO
ORAÇÃO DE HOJE
DE SEMPRE
« Mostrai-vos a Mãe da esperança!
Velai sobre a estrada que ainda nos espera.
Velai sobre a humanidade e as novas situações de povos ainda ameaçados por riscos de guerra e de fome.
Velai sobre os responsáveis das Nações e sobre a Igreja, sempre tentada pelo espírito do mundo…»
SOBRE A MORTE DE MARIA
O mesmo grande Anjo que outrora
lhe trouxera a mensagem da conceção,
ali estava, aguardando a sua atenção,
e disse: o tempo do teu aparecimento é agora.
E ela perturbou-se como antes e mostrou
ser de novo a serva, assentindo profundamente. (..)
Quem poderia pensar que até à sua chegada
o vasto Céu imperfeito era?
O Ressuscitado ocupara a sua morada,
porém a seu lado, havia vinte e quatro anos, estivera
um trono vazio. E todos já começavam
a habituar-se à pura ausência
que estava como que fechada, pois a ofuscavam
os raios de luz do Filho em permanência.
(Rainer Maria Rilke)
DE SEMPRE
« Mostrai-vos a Mãe da esperança!
Velai sobre a estrada que ainda nos espera.
Velai sobre a humanidade e as novas situações de povos ainda ameaçados por riscos de guerra e de fome.
Velai sobre os responsáveis das Nações e sobre a Igreja, sempre tentada pelo espírito do mundo…»
SOBRE A MORTE DE MARIA
O mesmo grande Anjo que outrora
lhe trouxera a mensagem da conceção,
ali estava, aguardando a sua atenção,
e disse: o tempo do teu aparecimento é agora.
E ela perturbou-se como antes e mostrou
ser de novo a serva, assentindo profundamente. (..)
Quem poderia pensar que até à sua chegada
o vasto Céu imperfeito era?
O Ressuscitado ocupara a sua morada,
porém a seu lado, havia vinte e quatro anos, estivera
um trono vazio. E todos já começavam
a habituar-se à pura ausência
que estava como que fechada, pois a ofuscavam
os raios de luz do Filho em permanência.
(Rainer Maria Rilke)
Sunday, August 07, 2011
ANTES QUE SEJA MEIA-NOITE, A GRATIDÃO
Li, e já não sei aonde:
«posso viver com as duas pernas mas faz-me falta a terceira».
E nem sei ainda bem quanto me faz falta.
Nunca sei mesmo nada, ainda que me pareça que sei qualquer coisita.
Mas
mais do que tudo.
antes que seja Meia Noite,
o que aqui quero dizer é A GRATIDÃO
A TODOS
quantos me tentam ajudar a encontrar «estes passos outros»
com muitas saudades,
muitas,
procurando a firmeza de continuar.
E dizer SEMPRE.
Não é fácil.
Mas é Vida. E vale sempre a Vida.
«posso viver com as duas pernas mas faz-me falta a terceira».
E nem sei ainda bem quanto me faz falta.
Nunca sei mesmo nada, ainda que me pareça que sei qualquer coisita.
Mas
mais do que tudo.
antes que seja Meia Noite,
o que aqui quero dizer é A GRATIDÃO
A TODOS
quantos me tentam ajudar a encontrar «estes passos outros»
com muitas saudades,
muitas,
procurando a firmeza de continuar.
E dizer SEMPRE.
Não é fácil.
Mas é Vida. E vale sempre a Vida.
Friday, June 17, 2011
A CASA
Que dizemos da casa?
Da nossa?
De qualquer outra,
que olhamos «de fora,
onde entramos a convite?
(texto a terminar)
Da nossa?
De qualquer outra,
que olhamos «de fora,
onde entramos a convite?
(texto a terminar)
Saturday, June 04, 2011
REFLEXÃO ?
Noite.
Certo que da noite nasce o dia.
Mas do vazio ...
Eu hei-de dar-lha a volta.
Havemos de dar-lhe a volta.
«Amanhã
de manhã....»
Qualquer modinha serve para dizer uma réstea de esperança
para a manhã.
réstea
pequenina
Certo que da noite nasce o dia.
Mas do vazio ...
Eu hei-de dar-lha a volta.
Havemos de dar-lhe a volta.
«Amanhã
de manhã....»
Qualquer modinha serve para dizer uma réstea de esperança
para a manhã.
réstea
pequenina
Monday, May 30, 2011
FORA DE PRAZO
NÃO É UMA QUEIXA
É SÓ UMA CONSTATAÇÃO DO QUE NÃO ENTENDO
Talvez há vinte anos (talvez «mais» que «menos») eu tenha pela primeira vez tomado contacto com o mundo daquilo que está «dentro do prazo» ou «fora de prazo».
Como tenho quase setenta e um anos, até aqui estive sempre «dentro de prazo».
Por mim, continuo.
Só que, contrariada, comecei a ver o prazo dos iogurtes, do leite, dos sumos, dos pacotes de batatas fritas ...
É que em casa dos meus pais, dos meus sogros, dos meus avós, dos meus amigos, em Tibaldinho, na quinta, neste quintal pequenino cá de casa onde nascem e renascem os jarros plantados pelos inquilinos anteriores (há mais de 50 anos), em S.Pedro do Estoril em casa da Ni e do avô Leitão, «prazo» era palavra desconhecida.
O meu neto mais velho, simpaticamente procura que eu aceite que «os tempos são outros»
Serão talvez. Mas nunca aceitei nada sem perceber.
O «espaço» é outra complicação. «Não tenho espaço».
E estou a falar de tudo o que tem entrelaçada uma imensa ternura, um gesto realmente místico, trabalho feito com grande alegria e fora de horas. Quer dizer, tudo aquilo que não é descartável.
Deparo-me portanto com um mundo «vazio».
Mesmo vazio.
Ocupam espaço os afectos ou estão fora de prazo?
Onde estão as memórias, boas ou más? Não têm lugar ou estão fora de prazo?
E por aí fora...de tanta coisa se diz «fora de prazo»
ou «para aquilo não encontro espaço».
E das pessoas? Não há espaço ou ocupam o espaço que lhes é devido, o da vida?
Ou estão «fora de prazo»?
É SÓ UMA CONSTATAÇÃO DO QUE NÃO ENTENDO
Talvez há vinte anos (talvez «mais» que «menos») eu tenha pela primeira vez tomado contacto com o mundo daquilo que está «dentro do prazo» ou «fora de prazo».
Como tenho quase setenta e um anos, até aqui estive sempre «dentro de prazo».
Por mim, continuo.
Só que, contrariada, comecei a ver o prazo dos iogurtes, do leite, dos sumos, dos pacotes de batatas fritas ...
É que em casa dos meus pais, dos meus sogros, dos meus avós, dos meus amigos, em Tibaldinho, na quinta, neste quintal pequenino cá de casa onde nascem e renascem os jarros plantados pelos inquilinos anteriores (há mais de 50 anos), em S.Pedro do Estoril em casa da Ni e do avô Leitão, «prazo» era palavra desconhecida.
O meu neto mais velho, simpaticamente procura que eu aceite que «os tempos são outros»
Serão talvez. Mas nunca aceitei nada sem perceber.
O «espaço» é outra complicação. «Não tenho espaço».
E estou a falar de tudo o que tem entrelaçada uma imensa ternura, um gesto realmente místico, trabalho feito com grande alegria e fora de horas. Quer dizer, tudo aquilo que não é descartável.
Deparo-me portanto com um mundo «vazio».
Mesmo vazio.
Ocupam espaço os afectos ou estão fora de prazo?
Onde estão as memórias, boas ou más? Não têm lugar ou estão fora de prazo?
E por aí fora...de tanta coisa se diz «fora de prazo»
ou «para aquilo não encontro espaço».
E das pessoas? Não há espaço ou ocupam o espaço que lhes é devido, o da vida?
Ou estão «fora de prazo»?
Sunday, May 08, 2011
ASSIM. SEM MAIS
À conta dos papéis do IRS, tenho que arrumar a secretária.
Encontrei um «papelzito de apontamento» que dizia «arrumar a secretária do Manel».
Assim
Sem mais
Encontrei um «papelzito de apontamento» que dizia «arrumar a secretária do Manel».
Assim
Sem mais
Friday, April 15, 2011
ESPONTANEIDADE ????
Assaltam-me com espanto e alguma dor frases, afirmações que justificam qualquer coisa estranha a que hoje parece chamar-se «espontaneidade».
Não sei bem o que é.
Tantas vezes, porque espontâneamente «isto» ou «aquilo»,
devagar vamos entendendo que esse tal «espontâneo», se o queremos, requer a a construção da fidelidade.
Transcrevo, porque ela o diz tão bem, de Etty Hillesum, a jovem judia morta no campo de concentração de Auschwitz a 30 de Novembro de 1943:
“Ser fiel a tudo o que uma pessoa iniciou num momento espontâneo, demasiado espontâneo, por vezes
Ser fiel a cada sentimento, cada pensamento que começou a germinar.
Fiel no sentido mais lato da palavra.
Fiel a si mesmo, a Deus,
fiel aos seus próprios melhores momentos.
E onde uma pessoa está, ser totalmente, cem por cento SER
Não sei bem o que é.
Tantas vezes, porque espontâneamente «isto» ou «aquilo»,
devagar vamos entendendo que esse tal «espontâneo», se o queremos, requer a a construção da fidelidade.
Transcrevo, porque ela o diz tão bem, de Etty Hillesum, a jovem judia morta no campo de concentração de Auschwitz a 30 de Novembro de 1943:
“Ser fiel a tudo o que uma pessoa iniciou num momento espontâneo, demasiado espontâneo, por vezes
Ser fiel a cada sentimento, cada pensamento que começou a germinar.
Fiel no sentido mais lato da palavra.
Fiel a si mesmo, a Deus,
fiel aos seus próprios melhores momentos.
E onde uma pessoa está, ser totalmente, cem por cento SER
Saturday, April 09, 2011
PASSEAR NUMA AVENIDA DE LIVROS NA «LER DEVAGAR»
Era mais para dizer que o meu telemóvel não funciona.
Sabe.se lá porquê.
Agora só por mail
Felizmente a Ana e o André tinham-me desafiado para jantar fora com os Marias. Lá para Alcântara. Tesouros escondidos em edifícios que ao primeiro olhar mais parecem ruinas. Depois um espanto total E uma festa. Tudo.
E a alegria de entrar na «Ler devagar»! Mesmo devagar. Paredes, andares cheios de livros. Novos. Velhos. Capas de que me lembrava nas poucas estantes do meu pai. Outros tão recentes. Magia grande.
Eu tinha lido a «Odisseia» adapada para jovens.
Hoje trouxe-a para casa uma bela edição.
E grande.
O meu neto Manel perguntou-me «que livro é esse?»
«Este livro, Manel, tem todas as histórias»
Foi assim que o trouxe.
Apaziguada.
Por este livro.
Pela noite com os rapazes.
Pela noite de Lisboa.
Tantos são os espaços em que revisitamos a Vida.
Sabe.se lá porquê.
Agora só por mail
Felizmente a Ana e o André tinham-me desafiado para jantar fora com os Marias. Lá para Alcântara. Tesouros escondidos em edifícios que ao primeiro olhar mais parecem ruinas. Depois um espanto total E uma festa. Tudo.
E a alegria de entrar na «Ler devagar»! Mesmo devagar. Paredes, andares cheios de livros. Novos. Velhos. Capas de que me lembrava nas poucas estantes do meu pai. Outros tão recentes. Magia grande.
Eu tinha lido a «Odisseia» adapada para jovens.
Hoje trouxe-a para casa uma bela edição.
E grande.
O meu neto Manel perguntou-me «que livro é esse?»
«Este livro, Manel, tem todas as histórias»
Foi assim que o trouxe.
Apaziguada.
Por este livro.
Pela noite com os rapazes.
Pela noite de Lisboa.
Tantos são os espaços em que revisitamos a Vida.
Thursday, March 31, 2011
CASA DE FERNANDO PESSOA
Hoje fui à CASA DE FRENANDO PESSOA.
Que lufada de ar fresco!!!
Eu estava não «chateada», nem queria sair.
Que lufada de ar fresco!!!
Eu estava não «chateada», nem queria sair.
Tuesday, March 15, 2011
MEMÓRIAS POR UM «OLÁ»
Estava eu a abrir este blog e a pensar que queria deixar uma nota ou o que quer que fosse sobre uns pacotes de açúcar que acompanham manhãzinha o meu café, quando me lembrei que a A fazia anos.
Tentei o telemóvel. A A é afilhada do Manuel, mas o contacto não era frequente.
As minhas agendas marcavam este dia, cada ano. Eu lembrava o Manel. Ele ligava e à distância de alguns números, eu percebia as cumplicidades e a ternura expressas assim, de ano a ano.
E depois, era pr'ó ano.
Morreu o Manuel em Novembro.
Sendo esperado, foi tão inesperado.
Vi a dor da A.
Quando hoje atendeu, não reconheceu o número do meu telemóvel.
Disse-lhe «Sou a Teresa Frazão e quero muito dar-lhe os parabéns».
Entre a emoção e a alegria disse-me que queria muito vir cá a casa.
Queria saber e guardar tudo sobre o padrinho. A casa. Os livros. O sofá.
E queria ouvir-me.
Queria tudo aquilo a que tinha tido direito - a vida partilhada, o afecto, as fotografias, imagens certeiras, ali, reais.
Tinha sido assim trinta e tal anos, vida calada, vida escondida.
Mas era a vida do Manuel entrelaçada com a vida da A.
- Venha depressa, A. Não cozinho muito bem, mas à volta de uma mesa vamos falando.
Eu vou fazendo a narrativa e a A vai perguntando e vai guardando. Parece-me que vamos falar de tesouros escondidos.
Esses são os mais verdadeiros. Verdade.
Tentei o telemóvel. A A é afilhada do Manuel, mas o contacto não era frequente.
As minhas agendas marcavam este dia, cada ano. Eu lembrava o Manel. Ele ligava e à distância de alguns números, eu percebia as cumplicidades e a ternura expressas assim, de ano a ano.
E depois, era pr'ó ano.
Morreu o Manuel em Novembro.
Sendo esperado, foi tão inesperado.
Vi a dor da A.
Quando hoje atendeu, não reconheceu o número do meu telemóvel.
Disse-lhe «Sou a Teresa Frazão e quero muito dar-lhe os parabéns».
Entre a emoção e a alegria disse-me que queria muito vir cá a casa.
Queria saber e guardar tudo sobre o padrinho. A casa. Os livros. O sofá.
E queria ouvir-me.
Queria tudo aquilo a que tinha tido direito - a vida partilhada, o afecto, as fotografias, imagens certeiras, ali, reais.
Tinha sido assim trinta e tal anos, vida calada, vida escondida.
Mas era a vida do Manuel entrelaçada com a vida da A.
- Venha depressa, A. Não cozinho muito bem, mas à volta de uma mesa vamos falando.
Eu vou fazendo a narrativa e a A vai perguntando e vai guardando. Parece-me que vamos falar de tesouros escondidos.
Esses são os mais verdadeiros. Verdade.
Sunday, February 27, 2011
OS ÓSCARES
Nem que seja só um nadinha.
Viamo-lo sempre. Uma liturgia a vida toda.
Continuamos.
Agora eu.
Procuro - com dificuldade - que o vazio não seja maior.
Viamo-lo sempre. Uma liturgia a vida toda.
Continuamos.
Agora eu.
Procuro - com dificuldade - que o vazio não seja maior.
Monday, February 21, 2011
HÁ PALAVRAS ... HÁ ESTIGMAS...
Agora
procuro reencontrar-me noutro passo, numa vida minha, que nunca se confrontrou nem antes nem depois de casar com uma espécie de protecção ou coitadinha, o que pressupõe de certo modo que se não tem em conta o respeito pela dignidade.
Está a ser difícil. Há palavras e há estigmas.
Vou transcrever um pouco do que escrevi ontem, que talvez dê para entender melhor esta busca dura e persistente.
Assim:
«Primeiro que eu interorize e perceba bem (ou quase bem) o q quer q seja leva sempre imenso tempo.
Não é do meu jeito a viúva coitadinha, não vamos ferir.Vivi sempre com respeito por mim. Com defeitos e qualidades. E isso peço ou quase exijo .
Desistir de mim, não.
Não é altivez. É consciência.
Sim, sou viúva de um casamento inteiro, de igual para igual (não falo de virtudes nem de sabedoria, em que não quis nunca «chegar» um bocadinho que fosse ao ponto do Manel).
O nosso casamento não passou nunca por aí, qualquer coisa que seria mais um concurso do que um casamento. Nunca medimos nada «em balanças».
Nunca nos passou pela cabeça ou pela vida se não a dignidade de existir amando.
Talvez mais do que tudo louvo e espanto-me na vida do Manuel com atitudes como o nascimento do André, sete meses difíceis (a Maria tinha tido rubéola e o Manel impôs com firmeza e amor a vontade de que ele nascesse, disse sempre «essa criança é tão nosso filho como a Maria) e a dignidade com que viveu a morte.
Espanto-me sim.
Os dias difíceis e que desejo às vezes mais silenciosos hão-de conduzir os meus passos de forma mais tranquila.»
Mas é que são difíceis mesmo e eu não posso perguntar ao Manel «Olha lá, que dizes disto?»
Tenho mesmo que clarificar umas agulhitas que me têm parecido pouco claras. Entretanto vou andando e não quero nenhum caos.
Gosto e gostei sempre de gostar das pessoas.
É a minha respiração. E não me é difícil.
O que é mais difícil é que o outro entenda mesmo «este de igual para igual».
Realmente há palavras e há estigmas. Mulher. Viúva.... Sei lá que mais
a
procuro reencontrar-me noutro passo, numa vida minha, que nunca se confrontrou nem antes nem depois de casar com uma espécie de protecção ou coitadinha, o que pressupõe de certo modo que se não tem em conta o respeito pela dignidade.
Está a ser difícil. Há palavras e há estigmas.
Vou transcrever um pouco do que escrevi ontem, que talvez dê para entender melhor esta busca dura e persistente.
Assim:
«Primeiro que eu interorize e perceba bem (ou quase bem) o q quer q seja leva sempre imenso tempo.
Não é do meu jeito a viúva coitadinha, não vamos ferir.Vivi sempre com respeito por mim. Com defeitos e qualidades. E isso peço ou quase exijo .
Desistir de mim, não.
Não é altivez. É consciência.
Sim, sou viúva de um casamento inteiro, de igual para igual (não falo de virtudes nem de sabedoria, em que não quis nunca «chegar» um bocadinho que fosse ao ponto do Manel).
O nosso casamento não passou nunca por aí, qualquer coisa que seria mais um concurso do que um casamento. Nunca medimos nada «em balanças».
Nunca nos passou pela cabeça ou pela vida se não a dignidade de existir amando.
Talvez mais do que tudo louvo e espanto-me na vida do Manuel com atitudes como o nascimento do André, sete meses difíceis (a Maria tinha tido rubéola e o Manel impôs com firmeza e amor a vontade de que ele nascesse, disse sempre «essa criança é tão nosso filho como a Maria) e a dignidade com que viveu a morte.
Espanto-me sim.
Os dias difíceis e que desejo às vezes mais silenciosos hão-de conduzir os meus passos de forma mais tranquila.»
Mas é que são difíceis mesmo e eu não posso perguntar ao Manel «Olha lá, que dizes disto?»
Tenho mesmo que clarificar umas agulhitas que me têm parecido pouco claras. Entretanto vou andando e não quero nenhum caos.
Gosto e gostei sempre de gostar das pessoas.
É a minha respiração. E não me é difícil.
O que é mais difícil é que o outro entenda mesmo «este de igual para igual».
Realmente há palavras e há estigmas. Mulher. Viúva.... Sei lá que mais
a
Sunday, February 13, 2011
DIAS!!! DIFERENÇAS! TANTAS DIFERENÇAS!
Irrito-me também com «dias especiais» Parecem-me todos importados. Espantam-me.
Ámanhã «Dia dos namorados».
Não sei o que é. Dantes, HÁ IMENSO TEMPO, UM TEMPO JÁ PERDIDO, o Dia dos Namorados, o Dia dos Namoros era o dia de Santo António. Fazia sentido. Não era preciso explicar, não era preciso comprar nada, nem flores, nem jantar fora. Nada. Tudo normalzinho. Talvez uma ida até à Igreja de Santo António e de volta um pãozinho que há-de estar bom p´ró ano.
E o Dia das Mulheres!!!
Muito pior.
Quero dizer a todas as Mulheres que se não deixem enganar. Nem flores, nem almoços ou jantares. Delas são todos os dias.
Toda a vida. De igual para igual
Se criássemos o DIA DO HOMEM ?
Veriam então «o que é ser diferente».
E quanto dói.
Ámanhã «Dia dos namorados».
Não sei o que é. Dantes, HÁ IMENSO TEMPO, UM TEMPO JÁ PERDIDO, o Dia dos Namorados, o Dia dos Namoros era o dia de Santo António. Fazia sentido. Não era preciso explicar, não era preciso comprar nada, nem flores, nem jantar fora. Nada. Tudo normalzinho. Talvez uma ida até à Igreja de Santo António e de volta um pãozinho que há-de estar bom p´ró ano.
E o Dia das Mulheres!!!
Muito pior.
Quero dizer a todas as Mulheres que se não deixem enganar. Nem flores, nem almoços ou jantares. Delas são todos os dias.
Toda a vida. De igual para igual
Se criássemos o DIA DO HOMEM ?
Veriam então «o que é ser diferente».
E quanto dói.
Thursday, February 10, 2011
QUERO/QUEREMOS SONHO/SONHÁMOS SEMPRE UMA IGREJA ASSIM ...
Li ontem no jornal on line «Página Um»
“Sonho com uma Igreja em que qualquer fi el possa dizer o que quiser a um
bispo e onde um bispo possa dizer o que quer também”, explicou o Bispo
de Down and Conner.
“Sonho com uma Igreja em que qualquer fi el possa dizer o que quiser a um
bispo e onde um bispo possa dizer o que quer também”, explicou o Bispo
de Down and Conner.
Monday, January 31, 2011
«DOMINGO AO FIM DO DIA. . . . .»
Comecei esta postagem no domingo e ao fim de dia.
Estava uma confusão. E acrescentei «Não leiam. Hei-de dar forma e conteúdo a esta mensagem.
Aí vai
Não me lembro de gostar muito de domingos. Tinha sempre esta pergunta
o que faço hoje?
O domingo trazia consigo esta pergunta/esta prisão.
Era preciso fazer qualquer coisa de diferente.
Também não gosto quase nada de distracções. Gosto mais de razões.
Portanto há tanta coisa de que eu gosto de fazer ao domingo. Sobretudo «coisas de nada».
Nesta nova situação tem sido mais difícil.
No domingo passado, entrei em casa e «nesta dificuldade» lembrei-me da canção, no poema que tinha oferecido ao Manuel quando fizemos dez anos de casados ( «vinte» passou a «dez»).
Estas palavras são tão certas.
Aí vão uns excertos:
"Veinte anos de estar juntos,
esta tarde se han cumplido,
para ti flores, perfumes
para mi... Algunos libros!
No te he dicho grandes cosas, !
ya sabes cosas de viejos!
Hace tiempo que intentamos
bonar nuestro Destino,
Tú bajabas la persiana.
Yo apuraba mi ultimo vino.
Hoy En esta noche fría
casi como ignorando
el sabor de soledad compartida,
quise hacerte una canción,
para cantar despacito,
como se duerme a los ninos.
Y ya ves solo palabras,
sobre notas me han salido.
Que al igual que tú y que yo,
se soportan amistosas,
ni se importan ni se estorban,
mas non son una canción. ...
Qué helaba está esta casa. ...
Será que está cerca del Rio. ...
O es que entramos en invierno. ...
Y están llegando... ...
Están llegando los fríos".
Patxi Andion
Nós fomos,
nós somos «uma canção»
Sempre
Estava uma confusão. E acrescentei «Não leiam. Hei-de dar forma e conteúdo a esta mensagem.
Aí vai
Não me lembro de gostar muito de domingos. Tinha sempre esta pergunta
o que faço hoje?
O domingo trazia consigo esta pergunta/esta prisão.
Era preciso fazer qualquer coisa de diferente.
Também não gosto quase nada de distracções. Gosto mais de razões.
Portanto há tanta coisa de que eu gosto de fazer ao domingo. Sobretudo «coisas de nada».
Nesta nova situação tem sido mais difícil.
No domingo passado, entrei em casa e «nesta dificuldade» lembrei-me da canção, no poema que tinha oferecido ao Manuel quando fizemos dez anos de casados ( «vinte» passou a «dez»).
Estas palavras são tão certas.
Aí vão uns excertos:
"Veinte anos de estar juntos,
esta tarde se han cumplido,
para ti flores, perfumes
para mi... Algunos libros!
No te he dicho grandes cosas, !
ya sabes cosas de viejos!
Hace tiempo que intentamos
bonar nuestro Destino,
Tú bajabas la persiana.
Yo apuraba mi ultimo vino.
Hoy En esta noche fría
casi como ignorando
el sabor de soledad compartida,
quise hacerte una canción,
para cantar despacito,
como se duerme a los ninos.
Y ya ves solo palabras,
sobre notas me han salido.
Que al igual que tú y que yo,
se soportan amistosas,
ni se importan ni se estorban,
mas non son una canción. ...
Qué helaba está esta casa. ...
Será que está cerca del Rio. ...
O es que entramos en invierno. ...
Y están llegando... ...
Están llegando los fríos".
Patxi Andion
Nós fomos,
nós somos «uma canção»
Sempre
Thursday, January 27, 2011
À PROCURA DE TESOUROS PERDIDOS
Acordei, vi um sol mesmo amarelinho, disse para mim «Vou escrever no meu blog Está sol.
Depois, seguidinhos, uma chuva. Um frio.
E esta chuva, este frio falavam-me da televisão que temos, dos programas até à 1 da manhã.
Telenovelas cujo objectivo me parece «quanto mais alienarmos os telespectadores MELHOR».
Depois Bibi ... Quem pagou E COMO SE PERMITE? Fala-se, palavras que não ouvimos e não nos inquitam.
Depois hão-de encher-se os écrans com imagens, velas, flores, figuras cheias de visibilidade na «metade» do enterro de Carlos...
Procurámos a vida toda viver cumprindo ideais,
procurámos trabalhar cumprindo.
Procurámpos SER.
E agora?
Quero para mim a dinâmica de procurar estes tesouros.
Até ao fim.
Onde se guarda esta procura?
Depois, seguidinhos, uma chuva. Um frio.
E esta chuva, este frio falavam-me da televisão que temos, dos programas até à 1 da manhã.
Telenovelas cujo objectivo me parece «quanto mais alienarmos os telespectadores MELHOR».
Depois Bibi ... Quem pagou E COMO SE PERMITE? Fala-se, palavras que não ouvimos e não nos inquitam.
Depois hão-de encher-se os écrans com imagens, velas, flores, figuras cheias de visibilidade na «metade» do enterro de Carlos...
Procurámos a vida toda viver cumprindo ideais,
procurámos trabalhar cumprindo.
Procurámpos SER.
E agora?
Quero para mim a dinâmica de procurar estes tesouros.
Até ao fim.
Onde se guarda esta procura?
Monday, January 24, 2011
CADA DIA ... UM POUCO MAIS
Afinal, e depois das presidenciais ( eu tão zangada com o painel...), ontem é verdade que senti tanto a tua falta.Valeu-me o André que me telefonou e perguntou «Mãe, amanhã vamos à escola?»
E fomos. E foi muito bom.
Com quase trinta aninhos de diferença, encontrámos muita gente conhecida, não eram sempre os mesmos, claro.
E foi uma festa. (Campo de Ourique é assim ...).
Lembras-te de quando fui votar pela primeira vez no tempo de Marcelo. Até aí, mulheres a votar, nunca. A paciência com que estiveste numa fila enorme até que chegasse a minha vez.
As lutas académicas.
Os ideais.
Ir votar foi sempre um acto de liberdade. De consciência. De alegria.
Mas sei-te sempre tão entrelaçado e digo quase sempre «nós», enquanto procuro um outro jeito. Um outro passo.
Isto tudo para dizer também que a postagem anterior não faz muito sentido. Não é bom desejar que o tempo que pare.
Hoje, assim.
Amanhã outro dia.
Sempre vida.
E vida sempre nova.
E fomos. E foi muito bom.
Com quase trinta aninhos de diferença, encontrámos muita gente conhecida, não eram sempre os mesmos, claro.
E foi uma festa. (Campo de Ourique é assim ...).
Lembras-te de quando fui votar pela primeira vez no tempo de Marcelo. Até aí, mulheres a votar, nunca. A paciência com que estiveste numa fila enorme até que chegasse a minha vez.
As lutas académicas.
Os ideais.
Ir votar foi sempre um acto de liberdade. De consciência. De alegria.
Mas sei-te sempre tão entrelaçado e digo quase sempre «nós», enquanto procuro um outro jeito. Um outro passo.
Isto tudo para dizer também que a postagem anterior não faz muito sentido. Não é bom desejar que o tempo que pare.
Hoje, assim.
Amanhã outro dia.
Sempre vida.
E vida sempre nova.
Monday, January 03, 2011
DO TEMPO ...
Estava eu a tentar escrever sobre o Ano Novo e uma agenda nova,
quando da memória da juventude surgiam as palavras de Lamartine
«Ainsi, toujours poussés vers de nouveaux rivages,
Dans la nuit éternelle emportés sans retour,
Ne pourrons-nous jamais sur l'océan des âges
Jeter l'ancre un seul jour ?
Et la voix qui m'est chère
Laissa tomber ces mots :
« Ô temps, suspends ton vol ! et vous, heures propices,
Suspendez votre cours !
Laissez-nous savourer les rapides délices
Des plus beaux de nos jours !
« Assez de malheureux ici-bas vous implorent ;
Coulez, coulez pour eux ;
Prenez avec leurs jours les soins qui les dévorent ;
Oubliez les heureux.
(...)
L'homme n'a point de port, le temps n'a point de rive ;
Il coule, et nous passons ! »
Não sei se é «demasiado francês», mas vale.
Talvez porque sempre o senti forte em mim, me lembre tão bem
palavra por palavra.
quando da memória da juventude surgiam as palavras de Lamartine
«Ainsi, toujours poussés vers de nouveaux rivages,
Dans la nuit éternelle emportés sans retour,
Ne pourrons-nous jamais sur l'océan des âges
Jeter l'ancre un seul jour ?
Et la voix qui m'est chère
Laissa tomber ces mots :
« Ô temps, suspends ton vol ! et vous, heures propices,
Suspendez votre cours !
Laissez-nous savourer les rapides délices
Des plus beaux de nos jours !
« Assez de malheureux ici-bas vous implorent ;
Coulez, coulez pour eux ;
Prenez avec leurs jours les soins qui les dévorent ;
Oubliez les heureux.
(...)
L'homme n'a point de port, le temps n'a point de rive ;
Il coule, et nous passons ! »
Não sei se é «demasiado francês», mas vale.
Talvez porque sempre o senti forte em mim, me lembre tão bem
palavra por palavra.
Saturday, January 01, 2011
Desbloqueou o Blog. Ano Novo, deve ser isso ...
Só para dizer «Bom Ano»
E pedir-vos que não deixem que esta crise seja o centro da vida.
Só a vida é a razão da vida.
Cada dia serenamente,
aprendendo sempre.
E pedir-vos que não deixem que esta crise seja o centro da vida.
Só a vida é a razão da vida.
Cada dia serenamente,
aprendendo sempre.
Sunday, December 19, 2010
ENFIM NATAL
Parece que estou um bocado ou muito zangada com o Natal
Mas encontrei o meu professsor,
e foi assim que me reconciliei,
porque é neste Natal que me reconheço.
Diz assim:
NATAL CHIQUE
Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na minha pressa e pouco amor.
Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.
Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado...
Só esse pobre me pareceu Cristo.
VITORINO NEMÉSIO
E quero estar muito atenta a tudo e a todos que me parecem Cristo.
Mas encontrei o meu professsor,
e foi assim que me reconciliei,
porque é neste Natal que me reconheço.
Diz assim:
NATAL CHIQUE
Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na minha pressa e pouco amor.
Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.
Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado...
Só esse pobre me pareceu Cristo.
VITORINO NEMÉSIO
E quero estar muito atenta a tudo e a todos que me parecem Cristo.
Sunday, November 21, 2010
Porque é domingo
Cheguei a casa de tomar um café.
Procuro devagar os gestos novos.
Tão desordenada que nem tinha café.
Quis tanto procurar este poema e deixá-lo aqui.
Aívai:
Um dia
Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.
O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nosso membros lassos
A leve rapidez dos animais.
Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.
Sophia de Mello Breyner
Procuro devagar os gestos novos.
Tão desordenada que nem tinha café.
Quis tanto procurar este poema e deixá-lo aqui.
Aívai:
Um dia
Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.
O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nosso membros lassos
A leve rapidez dos animais.
Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.
Sophia de Mello Breyner
Tuesday, November 02, 2010
AGORA
Chegámos aqui,
Os dois.
Diremos cada dia palavras como
Sempre
Amarelo
Sorriso
Na mesa mais um prato, dois...
Rezamos? Que dizes?
Sabemos que tudo é oração.
Os dois.
Diremos cada dia palavras como
Sempre
Amarelo
Sorriso
Na mesa mais um prato, dois...
Rezamos? Que dizes?
Sabemos que tudo é oração.
Friday, September 10, 2010
VAI VALER A PENA
Para que não seja só a dor a ensombrar o dia,
socorro-me de Simone. Bem alto.
Aqui vai:
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Ter amanhecido
Ter me rebelado
Ter me debatido
Ter me machucado
Ter sobrevivido
Ter virado a mesa
Ter me conhecido
Ter virado o barco
Ter me socorrido
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Ter amanhecido
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Ter amanhecido
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
socorro-me de Simone. Bem alto.
Aqui vai:
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Ter amanhecido
Ter me rebelado
Ter me debatido
Ter me machucado
Ter sobrevivido
Ter virado a mesa
Ter me conhecido
Ter virado o barco
Ter me socorrido
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Ter amanhecido
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Ter amanhecido
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Monday, September 06, 2010
«OS VELHOS» de A O'Neil
Antes que todas as tarefas me atropelem o dia
antes de terminar (?) palavras que hão-de dizer a dor da morte do Tomaz,
enquanto apenas velo o sono doloroso do Manuel,
assalta-me a vontade de transcrever os versos de O'Neil,
cuja morte também dói.
Antes de tudo
Aí vão:
OS VELHOS
«Velhinhas de gargantilha
visitam o neto, a filha,
levam bombons de creme
ou palitos de la reine.
(...)
Um velho tira dos dedos
profecias e enredos.
Outros fazem esgares,
têm poses e vagares.
E a velha que se desleixa
e morre sem uma queixa?
Venha a cidade ajudar a abotoar o casaco
que não faz nada demais.
Velhos, meus queridos velhos,
saltem-me para os joelhos.»
Que fiquem para a dureza dos dias
acutilantes como O'Neil
tão cheias de ternura como O'Neil.
antes de terminar (?) palavras que hão-de dizer a dor da morte do Tomaz,
enquanto apenas velo o sono doloroso do Manuel,
assalta-me a vontade de transcrever os versos de O'Neil,
cuja morte também dói.
Antes de tudo
Aí vão:
OS VELHOS
«Velhinhas de gargantilha
visitam o neto, a filha,
levam bombons de creme
ou palitos de la reine.
(...)
Um velho tira dos dedos
profecias e enredos.
Outros fazem esgares,
têm poses e vagares.
E a velha que se desleixa
e morre sem uma queixa?
Venha a cidade ajudar a abotoar o casaco
que não faz nada demais.
Velhos, meus queridos velhos,
saltem-me para os joelhos.»
Que fiquem para a dureza dos dias
acutilantes como O'Neil
tão cheias de ternura como O'Neil.
Friday, September 03, 2010
D TOMAZ DA SILVA NUNES, O COMPANHEIRO AMIGO
Nunca nos habituámos a chamar-te senhor D. Tomaz.
Foste,
és o pe Tomaz ou apenas o Tomaz.(bem me lembro de quantas vezes te dizia de cor - com alguma zanga do Manel – o poema de Daniel Felipe «Tomasinho-Cara-Feia vai p'rá pesca da baleia. Quem sabe se tornará?»
e tu foste sempre o amigo,
o camarada,
o companheiro também dos nossos filhos,
tu foste,
tu és
um entre nós.
Quando te vi, não há muito, disseste «Lembrei-me tanto de ti. Por causa de um bom documentário sobre Tibaldinho.» E eu, sem qualquer censura, bem sabias, bem sabes como sou «Prometido. Hei-de dar-te um paninho de Tibaldinho.»
O Manel abriu-me os olhos, está-se a ver. Estávamos mesmo ao lado do Patriarca.
(texto interrompido com muita pena e obviamente a continuar, Vou pôr na mesa o jantar)
Foste,
és o pe Tomaz ou apenas o Tomaz.(bem me lembro de quantas vezes te dizia de cor - com alguma zanga do Manel – o poema de Daniel Felipe «Tomasinho-Cara-Feia vai p'rá pesca da baleia. Quem sabe se tornará?»
e tu foste sempre o amigo,
o camarada,
o companheiro também dos nossos filhos,
tu foste,
tu és
um entre nós.
Quando te vi, não há muito, disseste «Lembrei-me tanto de ti. Por causa de um bom documentário sobre Tibaldinho.» E eu, sem qualquer censura, bem sabias, bem sabes como sou «Prometido. Hei-de dar-te um paninho de Tibaldinho.»
O Manel abriu-me os olhos, está-se a ver. Estávamos mesmo ao lado do Patriarca.
(texto interrompido com muita pena e obviamente a continuar, Vou pôr na mesa o jantar)
Tuesday, August 17, 2010
MARIA ALIETE GALHOZ
Pois eu era aprendiz de estudante em 56 no 6ºano do liceu Pedro Nunes (hoje 10ºano).
Tinha notáveis professores estagiários em Românicas - Mário Dionísio, Maria José Salema, Maria Aliete Galhoz e outros cujos nomes já não sei.
Comprei o JL - alguns artigos elogiavam o trabalho de Maria Aliete Galhoz.
Julgo que nunca troquei uma palavra com esta Senhora.
Admirava-a.
Deixava «escorrer» algumas frases conhecedoras de Pessoa, que se não estudava nem na faculdade, à excepção da «Mensagem».
Talvez por ela me fui aproximando de Pessoa.
Na altura, uma aproximação rasteira e fascinante.
Por ela admirei aquela seriedade de trabalho exigente e incansável.
De vez em quando lia-lhe um poema.
Até que a «reencontrei» reconhecida nas páginas do JL de 11 de Setembro.
Peço-vos que leiam.
P'ra mim, Maria Aliete Galhoz é o nome presente de uma seriedade intelectual sem imagem que se tem vindo a perder.
A perder.
«Sobeja-lhe uma certa solidão mas também uma vida de exigência que testemunhará aos vindouros» (de Ivo Cruz9 e que nunca a assutou.
Tinha notáveis professores estagiários em Românicas - Mário Dionísio, Maria José Salema, Maria Aliete Galhoz e outros cujos nomes já não sei.
Comprei o JL - alguns artigos elogiavam o trabalho de Maria Aliete Galhoz.
Julgo que nunca troquei uma palavra com esta Senhora.
Admirava-a.
Deixava «escorrer» algumas frases conhecedoras de Pessoa, que se não estudava nem na faculdade, à excepção da «Mensagem».
Talvez por ela me fui aproximando de Pessoa.
Na altura, uma aproximação rasteira e fascinante.
Por ela admirei aquela seriedade de trabalho exigente e incansável.
De vez em quando lia-lhe um poema.
Até que a «reencontrei» reconhecida nas páginas do JL de 11 de Setembro.
Peço-vos que leiam.
P'ra mim, Maria Aliete Galhoz é o nome presente de uma seriedade intelectual sem imagem que se tem vindo a perder.
A perder.
«Sobeja-lhe uma certa solidão mas também uma vida de exigência que testemunhará aos vindouros» (de Ivo Cruz9 e que nunca a assutou.
COMPREENSÃO
Alexandre, obrigada pela compreensão
e paciência de aqui pôr uma postagem.
AMANHÃ DIA GRANDE
também para nós, amigos...
e paciência de aqui pôr uma postagem.
AMANHÃ DIA GRANDE
também para nós, amigos...
SÓ A IMAGEM DESTE NAVIO-PRISÃO FANTASMA
Signufica que estou aqui há imenso tempo a tentar pôr a fotografia daquilo que chamam de hotel e que eu chamo navio, prisão (não se pode sair daqui senão de carro, não há ruas, não há uma lojazinha com postais, jornais, pensos higiénicos, acetona, sei lá...) e não cconsigo.
NÂO QUERO ESCREVER O NOME DO HOTEL, mas ... está difícil.
Teimosa como sou vou continuar, mas a ver.
Para viver, leio «coração andarilho» que me deu a Élia (certinho p'ra mim),
escrevo,
tricoto os casacos de uns gémeos p'ra nascer.
E ainda tenho imensas brigas com o Manel, que estúpida.
Ai.
Mas não desisto.
Até logo.
NÂO QUERO ESCREVER O NOME DO HOTEL, mas ... está difícil.
Teimosa como sou vou continuar, mas a ver.
Para viver, leio «coração andarilho» que me deu a Élia (certinho p'ra mim),
escrevo,
tricoto os casacos de uns gémeos p'ra nascer.
E ainda tenho imensas brigas com o Manel, que estúpida.
Ai.
Mas não desisto.
Até logo.
Thursday, August 12, 2010
INESQUECÍVEL
A propósito da tal festa de anos, eu disse ao Manel:
- Dá mesmo muito trabalho. E é caro.
Resposta do Manel:
- É MUITO MAIS CARO NÃO FAZER FESTAS.
É mesmo, acreditem. Às vezes parece que o Manel sabe mesmo tudo.
- Dá mesmo muito trabalho. E é caro.
Resposta do Manel:
- É MUITO MAIS CARO NÃO FAZER FESTAS.
É mesmo, acreditem. Às vezes parece que o Manel sabe mesmo tudo.
A TODOS OS MEUS AMIGOS
No tal oito de Agosto de 2010, dei a cada um dos amigos que estavam, este poema de Sophia.
Fica aqui
dado também
a todos os que não estavam
com alegria
com gratidão:
«Voltar ali onde
A verde rebentação da vaga
A espuma o nevoeiro o horizonte a praia
Guardam intacta e impetuosa
Juventude antiga
Mas como sem os amigos
Sem a partilha o abraço a comunhão
Respirar o cheiro a alga da maresia
E colher a estrela do mar em minha mão»
Sophia de Mello Breyner Andresen
Fica aqui
dado também
a todos os que não estavam
com alegria
com gratidão:
«Voltar ali onde
A verde rebentação da vaga
A espuma o nevoeiro o horizonte a praia
Guardam intacta e impetuosa
Juventude antiga
Mas como sem os amigos
Sem a partilha o abraço a comunhão
Respirar o cheiro a alga da maresia
E colher a estrela do mar em minha mão»
Sophia de Mello Breyner Andresen
Wednesday, August 11, 2010
NASCER
Fiz setenta anos no domingo.
Sei e quero saber sempre o que é nascer.
Como disse nessa fantástica festa,
lembrando as fantásticas lições com a Filipa
lembrando Eça
lembrando todos
a surpresa e o entusaiasmo de correr para o americano que ali vem.
Para um passo novo.
reinventado.
Conto comigo
Com todos
Sei e quero saber sempre o que é nascer.
Como disse nessa fantástica festa,
lembrando as fantásticas lições com a Filipa
lembrando Eça
lembrando todos
a surpresa e o entusaiasmo de correr para o americano que ali vem.
Para um passo novo.
reinventado.
Conto comigo
Com todos
Thursday, August 05, 2010
TEMPO
Nunca quis saber a medida do tempo
e nem se o tempo passa
ou ficamos presos e livres num ponto qualquer
Nunca quis
e não quero
Da minha vida
até agora guardo tudo e todos
(duro é que a tal memória tanta vez me faz guardar a palavra, a notícia, o gesto que não quis, mas é genético)
«Amarelo e solar» é assim que te vejo - disse-me o Manuel.
Até ao fim Manel
Qual fim ?
e nem se o tempo passa
ou ficamos presos e livres num ponto qualquer
Nunca quis
e não quero
Da minha vida
até agora guardo tudo e todos
(duro é que a tal memória tanta vez me faz guardar a palavra, a notícia, o gesto que não quis, mas é genético)
«Amarelo e solar» é assim que te vejo - disse-me o Manuel.
Até ao fim Manel
Qual fim ?
Monday, July 12, 2010
INCOMUNICABILIDADE CONTINUADA
É verdade que tenho tanta coisa p'ra fazer ( eu julgava que o Manuel não fazia mesmo quase nada. Agora é só entrar na nossa sala...)
Mas gosto tanto do meu blog que realmente «empancou» que acabadinha de ler uma crónica de Bento Domingues, aqui transcrevo o final que julgo não poder deixar passar:
«É indispensável olhar para o passado e para o futuro, mas as urgências do presente não se resolvem só com memória e sonho.»
Mas gosto tanto do meu blog que realmente «empancou» que acabadinha de ler uma crónica de Bento Domingues, aqui transcrevo o final que julgo não poder deixar passar:
«É indispensável olhar para o passado e para o futuro, mas as urgências do presente não se resolvem só com memória e sonho.»
Sunday, June 20, 2010
CEGUEIRA
Para não classificar
para não julgar (ou melhor, calar porque quero calar)
dói-me
envergonha-me
a ausência de Cavaco Silva
presidente de todos os portugueses (será?)
nas cerimónias fúnebres de José Saramago.
Que «batalhas»
se escondem
fundo?
para não julgar (ou melhor, calar porque quero calar)
dói-me
envergonha-me
a ausência de Cavaco Silva
presidente de todos os portugueses (será?)
nas cerimónias fúnebres de José Saramago.
Que «batalhas»
se escondem
fundo?
Sunday, June 13, 2010
BLOG INCOMUNICÁVEL
Não sei o que se passa.
Desapareceram todos os comentários.
Desespero um bocado e todos vocês devem desesperar.
Mas o que quero é mesmo agradecer «as visitas» e as tentativas de aqui escreverem qualquer coisa quando querem. Impossível. Inabilidade minha e parece que também do computador que é um VISTA e vou sabendo que este sistema não dá.
Resistimos. Verdade. Na incerteza de tudo. Na noite da certeza que nos envolve.
Já nem sei se um dia novo é «sempre bom», como aprendemos.
Mas é.
Com dificuldades e com dor, um dia novo é sempre «mais um dia».
Para quem suspeite desta situação - aí vão notícias: neste momento o Manel está bem.
E dizem que giro assim careca, cada dia um chapéu mais dandy.
A vida tem mesmo um tempo para tudo.
Agora assim
Desapareceram todos os comentários.
Desespero um bocado e todos vocês devem desesperar.
Mas o que quero é mesmo agradecer «as visitas» e as tentativas de aqui escreverem qualquer coisa quando querem. Impossível. Inabilidade minha e parece que também do computador que é um VISTA e vou sabendo que este sistema não dá.
Resistimos. Verdade. Na incerteza de tudo. Na noite da certeza que nos envolve.
Já nem sei se um dia novo é «sempre bom», como aprendemos.
Mas é.
Com dificuldades e com dor, um dia novo é sempre «mais um dia».
Para quem suspeite desta situação - aí vão notícias: neste momento o Manel está bem.
E dizem que giro assim careca, cada dia um chapéu mais dandy.
A vida tem mesmo um tempo para tudo.
Agora assim
Friday, May 21, 2010
Talvez não tenha sido senão falta de tempo,
talvez um difícil ajuste.
Hoje recebi num mail estas palavras do irmão Roger
e venci todas as inércias
e esta espécie de desorganização.
Aqui vão elas. Valem. Muito.
“«Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, rezai pelos que falam mal de vós». Compreender estas palavras de Cristo supõe ter atravessado desertos interiores”. (Ir. Roger, de Taizé)
talvez um difícil ajuste.
Hoje recebi num mail estas palavras do irmão Roger
e venci todas as inércias
e esta espécie de desorganização.
Aqui vão elas. Valem. Muito.
“«Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, rezai pelos que falam mal de vós». Compreender estas palavras de Cristo supõe ter atravessado desertos interiores”. (Ir. Roger, de Taizé)
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