O que é que neste país é honesto?
Verdade, qualquer coisinha serve.
Porque começa o Advento
E há-de vir o Natal.
Recebi uma proposta de encontro com o tema
«SOMOS NÓS QUE FAZEMOS O PRESÉPIO OU É O PRESÉPIO QUE NOS FAZ?»
«Isto» já vale. Pudéssemos nós passar esta pergunta pela cidade e talvez...
É que A DESONESTIDADE NÃO É UMA FATALIDADE.
Não é mesmo.
Saturday, November 28, 2009
Friday, November 20, 2009
MÃE
Amanhã é dia da Apresentação de Nossa Senhora.
E como calha bem que seja também o dia em que a minha mãe faria anos.
Para lhe louvar a vida.
A coragem.
Essa inteireza que, entendo hoje, lhe escondia o sofrimento.
A senhora nunca confessava. Dizia coisas como «não tem importância» ou «não é nada, vais ver».
Quando a dor foi mais forte porque o pai morreu, a mãe olhou-me, olhos nos olhos, sem fugas, sem mentiras. E disse «Acontece a todos».
Esse olhar, essa frase, essa dor partilhada comigo. E só assim. «Acontece a todos».
Hoje, que os meus filhos são homens e mulheres cujas vidas não devo controlar e os meus netos seguem o mesmo caminho, percebo-a bem melhor.
Olhe, deve lembrar-se daquele arroz doce que só a mãe fazia e nunca conseguiu ensinar-me. Não sabia ao certo a quantidade dos ovos, nem do leite.
Disse-me «Vais vendo».
Esse foi talvez o segredo maior que me ensinou «Vais vendo».
Tenho-o presente
e procuro aplicá-lo.
Dia a dia.
De situação em situação.
Sem regras.
E sem medida certa.
Calha tão bem esta festa.
É que foi com estas frases de aparência neutra que a minha mãe me apresentou à vida.
E como calha bem que seja também o dia em que a minha mãe faria anos.
Para lhe louvar a vida.
A coragem.
Essa inteireza que, entendo hoje, lhe escondia o sofrimento.
A senhora nunca confessava. Dizia coisas como «não tem importância» ou «não é nada, vais ver».
Quando a dor foi mais forte porque o pai morreu, a mãe olhou-me, olhos nos olhos, sem fugas, sem mentiras. E disse «Acontece a todos».
Esse olhar, essa frase, essa dor partilhada comigo. E só assim. «Acontece a todos».
Hoje, que os meus filhos são homens e mulheres cujas vidas não devo controlar e os meus netos seguem o mesmo caminho, percebo-a bem melhor.
Olhe, deve lembrar-se daquele arroz doce que só a mãe fazia e nunca conseguiu ensinar-me. Não sabia ao certo a quantidade dos ovos, nem do leite.
Disse-me «Vais vendo».
Esse foi talvez o segredo maior que me ensinou «Vais vendo».
Tenho-o presente
e procuro aplicá-lo.
Dia a dia.
De situação em situação.
Sem regras.
E sem medida certa.
Calha tão bem esta festa.
É que foi com estas frases de aparência neutra que a minha mãe me apresentou à vida.
Thursday, November 19, 2009
O ESPANTO E O FRACASSO
Bati-me a vida toda por causas.
Talvez muitas.
Causas pela justiça, por todas as formas de humanidade.
Hoje, numa conversa, no mínimo estranha,
pergunto
O QUE VALE?
A PALAVRA DADA?
OU O JOGO EM QUE
GANHA O MAIS NOVO e supostamente O MAIS FORTE?
Não gosto de dizer «que não estou neste mundo», mas é só ver
só ouvir.
ONDE ESTOU?
DÒI-ME A MINHA GERAÇÃO
PS - Ninguém há-de perceber nada desta postagem. E não dá para explicar.
Às vezes,
é assim.
Talvez muitas.
Causas pela justiça, por todas as formas de humanidade.
Hoje, numa conversa, no mínimo estranha,
pergunto
O QUE VALE?
A PALAVRA DADA?
OU O JOGO EM QUE
GANHA O MAIS NOVO e supostamente O MAIS FORTE?
Não gosto de dizer «que não estou neste mundo», mas é só ver
só ouvir.
ONDE ESTOU?
DÒI-ME A MINHA GERAÇÃO
PS - Ninguém há-de perceber nada desta postagem. E não dá para explicar.
Às vezes,
é assim.
Saturday, November 07, 2009
SEM LUGAR NA PARÓQUIA DO TEU BAIRRO
Nem sequer é teu «o espaço que te cabe neste latifúndio».
Para que não se confunda,
Sou católica e escolhi.
Por isso,
Por amor a esta Igreja que escolhi,
Devo dizer, devo denunciar sempre que me parece incorrecto o seu agir.
Foi o que aconteceu ontem.
Mesmo aqui.
No prédio ao lado.
Na paróquia do meu bairro.
Tinhas idade e estavas muito doente. Vi que por ti se multiplicavam os cuidados, por exemplo no café, pequeno e sem notícia, aqui em frente.
Esperávamos este desenlace.
Deu-se ontem. (em desabafo, fazes-nos falta, tanta falta...)
E a paróquia que é a tua,
ali onde sempre foste tantas vezes,
que provavelmente ajudaste a manter,
recusou a entrada e a vela do teu corpo sem vida.
É que era dia da festa do seu padroeiro.
Vinham muitas entidades.
Civis, militares e religiosas.
Pompa e muita circunstância.
O teu corpo não pode entrar na quase invisível porta lateral das capelas mortuárias.
Talvez um corpo morto não ficasse bem…
A ti já te não dói.
Mas doeu a tantos de nós, ao bairro quase todo e não condiz com cristianismo.
O que é isto?
E neste episódio lastimável, doloroso,
Não encontro o rosto de Jesus.
Quem devo responsabilizar?
A agência funerária?
Alguém que da igreja deu ousou tal insensata e cruel proibição?
Jesus Cristo que chorou a morte dos amigos
chorou ontem por ti
e chorou com grande dor pela Sua Igreja.
Para que não se confunda,
Sou católica e escolhi.
Por isso,
Por amor a esta Igreja que escolhi,
Devo dizer, devo denunciar sempre que me parece incorrecto o seu agir.
Foi o que aconteceu ontem.
Mesmo aqui.
No prédio ao lado.
Na paróquia do meu bairro.
Tinhas idade e estavas muito doente. Vi que por ti se multiplicavam os cuidados, por exemplo no café, pequeno e sem notícia, aqui em frente.
Esperávamos este desenlace.
Deu-se ontem. (em desabafo, fazes-nos falta, tanta falta...)
E a paróquia que é a tua,
ali onde sempre foste tantas vezes,
que provavelmente ajudaste a manter,
recusou a entrada e a vela do teu corpo sem vida.
É que era dia da festa do seu padroeiro.
Vinham muitas entidades.
Civis, militares e religiosas.
Pompa e muita circunstância.
O teu corpo não pode entrar na quase invisível porta lateral das capelas mortuárias.
Talvez um corpo morto não ficasse bem…
A ti já te não dói.
Mas doeu a tantos de nós, ao bairro quase todo e não condiz com cristianismo.
O que é isto?
E neste episódio lastimável, doloroso,
Não encontro o rosto de Jesus.
Quem devo responsabilizar?
A agência funerária?
Alguém que da igreja deu ousou tal insensata e cruel proibição?
Jesus Cristo que chorou a morte dos amigos
chorou ontem por ti
e chorou com grande dor pela Sua Igreja.
Monday, October 26, 2009
SALVOS PELA MEMÓRIA
Agora
é já pedir-te demais.
Nos teus olhos eu nunca tinha visto tanta dor.
Vi
mas também a disseste.
Talvez a memória nos possa salvar.
É um «talvez» tão esforçado e duvidoso.
Melhor seria aceitar
ou poder aceitar
que não é só de Caim que nós falamos
E uma notícia te dissesse, com verdade, que «somos mesmo muitos»,
que somos «uma multidão»
e que talvez «da dor o fogo nasça».
Sonho um outro brilho nesse olhar
Gostava de dizer-te a madrugada de tudo quanto nasce.
De qualquer jeito,
gostava,
de salvar-te.
Melhor do que gostava,
quero.
Deixa só a harmonia de tudo quanto é simples.
Deixa só
algumas palavras
Só algumas.
é já pedir-te demais.
Nos teus olhos eu nunca tinha visto tanta dor.
Vi
mas também a disseste.
Talvez a memória nos possa salvar.
É um «talvez» tão esforçado e duvidoso.
Melhor seria aceitar
ou poder aceitar
que não é só de Caim que nós falamos
E uma notícia te dissesse, com verdade, que «somos mesmo muitos»,
que somos «uma multidão»
e que talvez «da dor o fogo nasça».
Sonho um outro brilho nesse olhar
Gostava de dizer-te a madrugada de tudo quanto nasce.
De qualquer jeito,
gostava,
de salvar-te.
Melhor do que gostava,
quero.
Deixa só a harmonia de tudo quanto é simples.
Deixa só
algumas palavras
Só algumas.
Sunday, October 25, 2009
UMA HORA A MAIS
Hoje, à conta da mudança de hora, tivemos uma hora a mais.
Frigorífico descongelado e lavadinho
e tantas, tantas palavras por escrever.
Nem um pezinho na rua.
Lá encontrei Sebastião da Gama
certinho
hoje
Aqui vai com um nó na garganta,
um novelo talvez,
por tudo «o que fica por...»
Lá vai então:
«Poema da minha esperança
Que bom ter o relógio adiantado!...
A gente assim, por saber
que tem sempre tempo a mais,
não se rala nem se apressa.
O meu sorriso de troça,
Amigos!,
quando vejo o meu relógio
com três quartos de hora a mais!...
Tic-tac... Tic-tac...
(Lá pensa ele
que é já o fim dos meus dias.)
Tic-tac...
(Como eu rio, cá p'ra dentro,
de esta coisa divertida:
ele a julgar que é já o resto
e eu a saber que tenho sempre mais
três quartos de hora de vida.)
Serra-Mãe (1945)»
Mais três quartosd de hora...
Uma hora a mais...
Frigorífico descongelado e lavadinho
e tantas, tantas palavras por escrever.
Nem um pezinho na rua.
Lá encontrei Sebastião da Gama
certinho
hoje
Aqui vai com um nó na garganta,
um novelo talvez,
por tudo «o que fica por...»
Lá vai então:
«Poema da minha esperança
Que bom ter o relógio adiantado!...
A gente assim, por saber
que tem sempre tempo a mais,
não se rala nem se apressa.
O meu sorriso de troça,
Amigos!,
quando vejo o meu relógio
com três quartos de hora a mais!...
Tic-tac... Tic-tac...
(Lá pensa ele
que é já o fim dos meus dias.)
Tic-tac...
(Como eu rio, cá p'ra dentro,
de esta coisa divertida:
ele a julgar que é já o resto
e eu a saber que tenho sempre mais
três quartos de hora de vida.)
Serra-Mãe (1945)»
Mais três quartosd de hora...
Uma hora a mais...
Tuesday, October 20, 2009
SARAMAGO NÃO MERECE SARAMAGO
Toda a gente sabe,
diz,
deixa-se incomodar comigo «A teresa é tão atenta e tão crítica»
Sempre e em todo o lado assim.
Muito mais se amo aquilo que critico.
Pois sempre fui muito critica com a Igreja e só quando morrer é que hei-de parar esta tentativa de a tornar o rosto de Jesus Cristo.
Mais ou menos fico indiferente ou não me toca o que se diz «de fora»
Respondo «Falar de fora é fácil» e... natuuralmente não é, que a gente não sabe bem o que é «de fora».
Mas as afirmações de Saramago ultrapassam tudo.
Altivez
Ignorância que parece total
Orgulho
Arrogância
Que nos quer dizer «este senhor»?
Vender um livro que obviamente vende porque o tem como autor?
Ou será que é o grito de «quem não está de fora?»
Só não dá ser tão deseducado.
Parece que estou zangada.
E tenho muita pena.
Mesmo muita.
Saramago não merece Saramago.
diz,
deixa-se incomodar comigo «A teresa é tão atenta e tão crítica»
Sempre e em todo o lado assim.
Muito mais se amo aquilo que critico.
Pois sempre fui muito critica com a Igreja e só quando morrer é que hei-de parar esta tentativa de a tornar o rosto de Jesus Cristo.
Mais ou menos fico indiferente ou não me toca o que se diz «de fora»
Respondo «Falar de fora é fácil» e... natuuralmente não é, que a gente não sabe bem o que é «de fora».
Mas as afirmações de Saramago ultrapassam tudo.
Altivez
Ignorância que parece total
Orgulho
Arrogância
Que nos quer dizer «este senhor»?
Vender um livro que obviamente vende porque o tem como autor?
Ou será que é o grito de «quem não está de fora?»
Só não dá ser tão deseducado.
Parece que estou zangada.
E tenho muita pena.
Mesmo muita.
Saramago não merece Saramago.
SERENAMENTE OUTONO
Li este belo texto que deixo em jeito de partilha
serenamente
neste país e nesta «estranha forma de vida»
confusa
atribulada
que é a nossa.
Faz-nos falta escrever ou ler assim:
« O sol despede-se lentamente nos dias cada vez mais breves de finais de Setembro. Esmaecem os doirados cabelos de Apolo. E as vinhas, os milheirais, os grandes plátanos dos jardins das cidades amolecem em tons amarelados e sanguíneos.
É o tempo das colheitas. Das vindimas e da apanha da fruta. Arrancam-se as batatas dos lameiros. Debulham-se os cereais. Descasca-se a amêndoa e secam-se os figos. A terra entrega generosamente ao homem o resultado do seu trabalho. Chegam as primeiras chuvas e despedem-se as aves migratórias. Límpidos horizontes. O mar, desocupado, exprime agora toda a brancura das suas ondas. Um cão vadio que corre atrás das gaivotas. Um par de namorados sentados na areia da praia. Avança o outono por Outubro. Desprendem-se as primeiras folhas. Pelos campos queimam-se as ramas secas. E o fumo levanta-se numa liturgia final de um ciclo que se encerra. Terminaram as últimas romarias do ano. Depois de Nossa Senhora dos remédios de Lamego, é a Feira das Colheitas em Arouca e S. Mateus em Viseu. Vem aí Novembro com as castanhas e o vinho novo. As árvores cada vez mais despidas. Os insectos entontecidos. E os primeiros frios de uma noite que se torna mais longa e ávida.
Revolvemos os armários em busca de roupa quente. O sono aumenta. Depois das beladonas, florescem os crisântemos e acorremos ao cemitério para recordar os nossos mortos. Chove muito. E lembro-me muito de ti ao cair da tarde. Não consigo evita este roxo, esta ansiedade, este advento que me conduz a Dezembro e ao nascimento de uma luz que auguramos desde o princípio do mundo.
Deslizamos por outono docemente e na verdade esta convulsão meteorológica e natural parece afinar-nos a sensibilidade. Os amanheceres breves e límpidos, com fiapos de nuvens avermelhadas atravessados pelo primeiro sol, são inesquecíveis, como aquela árvore cor de fogo, hirta e soberana que parecia reunir toda a luz do entardecer e que eu te pedi que fotografasses, naquela viagem para o longínquo norte.»
Manuel Hermínio Monteiro (1952-2001)
serenamente
neste país e nesta «estranha forma de vida»
confusa
atribulada
que é a nossa.
Faz-nos falta escrever ou ler assim:
« O sol despede-se lentamente nos dias cada vez mais breves de finais de Setembro. Esmaecem os doirados cabelos de Apolo. E as vinhas, os milheirais, os grandes plátanos dos jardins das cidades amolecem em tons amarelados e sanguíneos.
É o tempo das colheitas. Das vindimas e da apanha da fruta. Arrancam-se as batatas dos lameiros. Debulham-se os cereais. Descasca-se a amêndoa e secam-se os figos. A terra entrega generosamente ao homem o resultado do seu trabalho. Chegam as primeiras chuvas e despedem-se as aves migratórias. Límpidos horizontes. O mar, desocupado, exprime agora toda a brancura das suas ondas. Um cão vadio que corre atrás das gaivotas. Um par de namorados sentados na areia da praia. Avança o outono por Outubro. Desprendem-se as primeiras folhas. Pelos campos queimam-se as ramas secas. E o fumo levanta-se numa liturgia final de um ciclo que se encerra. Terminaram as últimas romarias do ano. Depois de Nossa Senhora dos remédios de Lamego, é a Feira das Colheitas em Arouca e S. Mateus em Viseu. Vem aí Novembro com as castanhas e o vinho novo. As árvores cada vez mais despidas. Os insectos entontecidos. E os primeiros frios de uma noite que se torna mais longa e ávida.
Revolvemos os armários em busca de roupa quente. O sono aumenta. Depois das beladonas, florescem os crisântemos e acorremos ao cemitério para recordar os nossos mortos. Chove muito. E lembro-me muito de ti ao cair da tarde. Não consigo evita este roxo, esta ansiedade, este advento que me conduz a Dezembro e ao nascimento de uma luz que auguramos desde o princípio do mundo.
Deslizamos por outono docemente e na verdade esta convulsão meteorológica e natural parece afinar-nos a sensibilidade. Os amanheceres breves e límpidos, com fiapos de nuvens avermelhadas atravessados pelo primeiro sol, são inesquecíveis, como aquela árvore cor de fogo, hirta e soberana que parecia reunir toda a luz do entardecer e que eu te pedi que fotografasses, naquela viagem para o longínquo norte.»
Manuel Hermínio Monteiro (1952-2001)
Tuesday, October 13, 2009
NÃO SE PERCEBE NADA
A Joana comentou a postagem anterior e perguntou-me «o que é que aquilo dizer».
O Manel disse-me que realmente não se percebia nada.
Naturalmente, foi só um desabafo, depois dos resultados das legislativas.
Só um desabafo...
Talvez um alívio...
A ver...
O Manel disse-me que realmente não se percebia nada.
Naturalmente, foi só um desabafo, depois dos resultados das legislativas.
Só um desabafo...
Talvez um alívio...
A ver...
Monday, September 28, 2009
BOM SENSO... E TAMBÉM BOM GOSTO
Hoje
estou aliviada.
Louvo algum bom senso que superou tanta divagação pouco prudente.
estou aliviada.
Louvo algum bom senso que superou tanta divagação pouco prudente.
Sunday, August 30, 2009
É UM RAPAZ
«- É um rapaz.
Tá a ver, tem aqui o seu rapaz.»
Foi assim que o médico me pôs em cima da barriga agora insensível, um rapaz cooooooooooompridíssimo, um molho de líquidos que eu não percebia, misturados com uns que me pareciam sangue.
Um rapaz.
Levaste um tempozito que me pareceu enorme até que gritasses muito. MESMO MUITO.
(nunca foste de falar à primeira, era isso, talvez)
Depois vi-te as mãos muito abertas e enormes.
Os pés, a mesma coisa.
Esquisito. Parecias-te com o médico.
Foi quando desatei a chorar. Também estava certo comigo e não te deve ter surpreendido. Disseste mais tarde «A minha mãe até chora com anúncios».
Sei lá porque é que choramos. Vem de dentro.
Diz também a vida.
E a alegria tornada mais serena e mais conforme...
«Faz o favor de seres feliz.» (plágio que vale)
O pai quis chamar-te André. Hoje já gosto, mas levei um tempão. Sou sempre demorada.
O pai tinha razão.
André.
Tá a ver, tem aqui o seu rapaz.»
Foi assim que o médico me pôs em cima da barriga agora insensível, um rapaz cooooooooooompridíssimo, um molho de líquidos que eu não percebia, misturados com uns que me pareciam sangue.
Um rapaz.
Levaste um tempozito que me pareceu enorme até que gritasses muito. MESMO MUITO.
(nunca foste de falar à primeira, era isso, talvez)
Depois vi-te as mãos muito abertas e enormes.
Os pés, a mesma coisa.
Esquisito. Parecias-te com o médico.
Foi quando desatei a chorar. Também estava certo comigo e não te deve ter surpreendido. Disseste mais tarde «A minha mãe até chora com anúncios».
Sei lá porque é que choramos. Vem de dentro.
Diz também a vida.
E a alegria tornada mais serena e mais conforme...
«Faz o favor de seres feliz.» (plágio que vale)
O pai quis chamar-te André. Hoje já gosto, mas levei um tempão. Sou sempre demorada.
O pai tinha razão.
André.
Wednesday, August 19, 2009
NI, A BENÇÃO DOS AFECTOS
Recebi o seu cartão de parabéns.
Não somos amigas há muitos anos.
É há muito mais...
Ventre materno.
Laço paterno.
Sempre as mesmas casas.
Os mesmos avós.
Os mesmos...
Às vezes estamos anos sem nos vermos, sem falarmos...
E é sempre o dia inicial
Gémeas irmãs.
A vida diz-nos misteriosamente o invisível.
Agradecemos.
Não somos amigas há muitos anos.
É há muito mais...
Ventre materno.
Laço paterno.
Sempre as mesmas casas.
Os mesmos avós.
Os mesmos...
Às vezes estamos anos sem nos vermos, sem falarmos...
E é sempre o dia inicial
Gémeas irmãs.
A vida diz-nos misteriosamente o invisível.
Agradecemos.
Friday, August 14, 2009
SER
Um dia destes escrevi no «Realejo»
«Sem passado, não há presente
nem futuro«
Antes de voltar às minhas malhas ou às cartas da Etty, volto a escrever.
Com este jeito que tenho de afirmar.
«Sem passado, não existimos.
Não há vida.»
«Sem passado, não há presente
nem futuro«
Antes de voltar às minhas malhas ou às cartas da Etty, volto a escrever.
Com este jeito que tenho de afirmar.
«Sem passado, não existimos.
Não há vida.»
Sunday, August 09, 2009
VIDA, ISABEL CABRAL

Acabamos de receber uma mensagem
«Morreu a Bé Cabral»
A postagem que fiz há instantes falava mesmo da VIDA E DA MORTE.
Parece acaso, mas acredito que não há acasos.
Jamais direi o BEM PARA NÓS E PARA TANTA GENTE que foi toda a vida da Bé.
Em lágrimas e com o almoço para pôr na mesa,
deixo apenas a ACÇÃO DE GRAÇAS que escrevemos e dissemos quando a Bé fez 0itenta Anos, em 2001
«NOVEMBRO/2001
SENHOR, NÓS TE DAMOS GRAÇAS, PELA NOSSA AMIGA BÉ.
COMO CADA UM DE NÓS, AINDA HOJE, LEMBRA, COMO UMA BENÇÃO, O DIA EM QUE A CONHECEU!
FORAM CIRCUNSTÂNCIAS E DATAS DIFERENTES, MAS TÊM TODAS EM COMUM O ENCONTRO COM A SUA SIMPLICIDADE, O SEU SORRISO ACOLHEDOR E LOGO AMIGO, O JEITO DE QUEBRAR TODAS AS DISTÂNCIAS.
SENHOR, NÃO SOMOS SÓ NÓS, OS QUE AQUI ESTAMOS, QUEM TE AGRADECE.
É UMA MULTIDÃO DE AMIGOS, VIDAS QUE FORAM TOCADAS PELO SEU AMOR TÃO PRÓXIMO E DISCRETO.
E TANTA OUTRA GENTE SEM ROSTO, A QUEM TRATOU PELO NOME, A QUEM OUVIU A VIDA E AJUDOU A FAZER CAMINHO.
SENHOR, AINDA TE QUEREMOS AGRADECER AS TEIMOSIAS DA BÉ. NÃO POR SEREM TEIMOSIAS, MAS PORQUE DIZEM A FORÇA DO SEU QUERER E A SUA CERTEZA DE QUE, COM AMOR, TUDO SE PODE MUDAR.
E TAMBÉM, AQUELA SUA SIMPLICIDADE, QUANDO RI DE SI PRÓPRIA E, ASSIM, SEM PRETENSÕES, NOS ENSINA A ACEITAR, COM ALEGRIA, AS NOSSAS FRAGILIDADES.
SENHOR, NÓS TE BENDIZEMOS PELA VIDA DA BÉ.»
TE BENDIZEMOS
Quando morreu a minha Mãe, um amigo nosso disse-me «Teresa, canta, Aleluia».
Na altura não percebi.
Tenho vindo a perceber.
CANTAMOS HOJE ALELUIA PELA NOSSA QUERIDA BÉ
E SEM JEITO DEIXO-LHE UMA FLOR
COMO SE MORRE E TALVEZ SE NASÇA E RENASÇA CADA DIA
ESTE FOI O TEXTO QUE ESCREVI MESMO NO FINAL DO DIA 7, VÉSPERA DOS MEUS ANOS. NASCER EM AGOSTO...
DEPOIS, A NOTÍCIA DA MORTE DO SOLNADO
E DE TANTAS OUTRAS E DIVERSAS MORTES QUE NOS DÁ A VIDA.
E DE TANTAS VIDAS QUE PODE TER A MORTE.
TRANSCREVO O TEXTO, TENHAM PACIÊNCIA, NÃO SEM CITAR LOBO ANTUNES « AOS ???? ANOS A MORTE JÁ NÃO ESPERA MUITO POR MIM.»
E TAMBÉM A MARGARIDA QUE TANTA VEZ ME DIZ «NINGUÉM MORRE DE VÉSPERA».
E SEI QUE ISSO SÓ DE MIM DEPENDE.
Aí vai o texto:
«Faço anos
Agradeço a minha vida toda. Inteirinha.
Os bons momentos. E tantos outros difíceis, tão difíceis.
Agradeço todos os homens e mulheres, que por ela passaram. Aqueles com quem me entendi e partilhei projectos.
E também aqueles de quem discordei mas que foram a forma como fui aprendendo a respeitar outro ponto de vista, outra circunstância.
Agradeço a família, diferente como é.
Um lugar especial para os meus filhos que me têm ensinado que ninguém é pertença de ninguém.
Agradeço esta difícil condição humana de tantas vezes não poder aliviar o sofrimento do outro. Só conseguir estar a seu lado.
Um dia recebi no telemóvel uma mensagem sábia de alguém muito novo de quem sei o sofrimento. Dizia assim «Ninguém nos garante que a vida é fácil. Mas vale, porque é vida.»
DEPOIS, A NOTÍCIA DA MORTE DO SOLNADO
E DE TANTAS OUTRAS E DIVERSAS MORTES QUE NOS DÁ A VIDA.
E DE TANTAS VIDAS QUE PODE TER A MORTE.
TRANSCREVO O TEXTO, TENHAM PACIÊNCIA, NÃO SEM CITAR LOBO ANTUNES « AOS ???? ANOS A MORTE JÁ NÃO ESPERA MUITO POR MIM.»
E TAMBÉM A MARGARIDA QUE TANTA VEZ ME DIZ «NINGUÉM MORRE DE VÉSPERA».
E SEI QUE ISSO SÓ DE MIM DEPENDE.
Aí vai o texto:
«Faço anos
Agradeço a minha vida toda. Inteirinha.
Os bons momentos. E tantos outros difíceis, tão difíceis.
Agradeço todos os homens e mulheres, que por ela passaram. Aqueles com quem me entendi e partilhei projectos.
E também aqueles de quem discordei mas que foram a forma como fui aprendendo a respeitar outro ponto de vista, outra circunstância.
Agradeço a família, diferente como é.
Um lugar especial para os meus filhos que me têm ensinado que ninguém é pertença de ninguém.
Agradeço esta difícil condição humana de tantas vezes não poder aliviar o sofrimento do outro. Só conseguir estar a seu lado.
Um dia recebi no telemóvel uma mensagem sábia de alguém muito novo de quem sei o sofrimento. Dizia assim «Ninguém nos garante que a vida é fácil. Mas vale, porque é vida.»
Friday, August 07, 2009
TÃO ANTIGO O RITUAL
Thursday, July 30, 2009
COM A CLIX, PREJUDICADÍSSIMOS E ZANGADÍSSIMOS
Esta é a confirmação da reclamação que o meu marido acabou de fazer à Clix.
A reclamação vem imediatamente a seguir.
E só tem uma forma de ser adjectivada esta - INADMISSÍVEL.
Quem paga os prejuízos?
Quem paga ou repõe o tempo?
Numa crise
num país cheio de dificuldades,
O QUE SE FAZ A TANTO DESPERDÍCIO?
COMO NÃO SÃO OS RESPONSÁVEIS PENALIZADOS?
POR QUE É PENALIZADO O ÚNICO QUE PAGA, O CLIENTE?
VIVEMOS NUM MUNDO A QUE SE DIZ «NÃO VALE A PENA»...
ONDE ESTAMOS?
ONDE ESTOU?
Cá vai então:
«Caro(a) Cliente,
Confirmamos a recepção do seguinte pedido de esclarecimento:
Tipo de contacto: Reclamação
Assunto: Estado do Processo de Activação/Portabilidade»
RECLAMAÇÃO
«Nome: XXX
Contribuinte: XXX
Telemóvel de Contacto:XXX
Email: XXX
Tipo de Serviço contratado: Clix TV+NET+VOZ
Questão: Nº de Ident.:XXX
v/carta de 30/06/09
Anunciam-me transferência linha telefónica para o Clix a 10/07/09. Tradução: ficas sem telefone fixo nenhum (situação actual).
Anunciam-me que no prazo de 7 dias úteis serei contactado por um técnico Clix para agendar instalação do serviço TV. Tradução: silêncio absoluto até à data.
Continuo sem telefone fixo o que me faz uma imensa falta e me ocasiona uma incomportável despesa de telemóvel.
Tenho multiplicado os contactos telefónicos com o vosso Serviço ao Cliente. Para além de uma estranha informação inicial de que os serviços não me conseguiam contactar pelo telefone 21... (pois como seria tal possível se eu estava sem telefone fixo?!!) e não tinham forma de o fazer por falta de telemóvel. Respondi que para além duma morada onde fui contactado inicialmente por um vosso colaborador, tinha fornecido a este o meu telemóvel.
A todos os telefonemas para o vosso serviço, apenas encontrei a simpatia do vosso pessoal e apoio "moral" ao cliente.
Hoje informei o vosso colaborador Rúben Sabino que esperava até ao fim do dia um contacto responsável antes de iniciar os passos para agir através do meu advogado. Fiquei à espera, até agora em vão...
Assinatura
Horário preferencial de contacto: 10h às 12h»
Resposta:
«Obrigado pelo seu contacto. Daremos resposta no prazo máximo de 48h.
Com os melhores cumprimentos,
Serviço ao Cliente Clix»
_____________________________________________________
A reclamação vem imediatamente a seguir.
E só tem uma forma de ser adjectivada esta - INADMISSÍVEL.
Quem paga os prejuízos?
Quem paga ou repõe o tempo?
Numa crise
num país cheio de dificuldades,
O QUE SE FAZ A TANTO DESPERDÍCIO?
COMO NÃO SÃO OS RESPONSÁVEIS PENALIZADOS?
POR QUE É PENALIZADO O ÚNICO QUE PAGA, O CLIENTE?
VIVEMOS NUM MUNDO A QUE SE DIZ «NÃO VALE A PENA»...
ONDE ESTAMOS?
ONDE ESTOU?
Cá vai então:
«Caro(a) Cliente,
Confirmamos a recepção do seguinte pedido de esclarecimento:
Tipo de contacto: Reclamação
Assunto: Estado do Processo de Activação/Portabilidade»
RECLAMAÇÃO
«Nome: XXX
Contribuinte: XXX
Telemóvel de Contacto:XXX
Email: XXX
Tipo de Serviço contratado: Clix TV+NET+VOZ
Questão: Nº de Ident.:XXX
v/carta de 30/06/09
Anunciam-me transferência linha telefónica para o Clix a 10/07/09. Tradução: ficas sem telefone fixo nenhum (situação actual).
Anunciam-me que no prazo de 7 dias úteis serei contactado por um técnico Clix para agendar instalação do serviço TV. Tradução: silêncio absoluto até à data.
Continuo sem telefone fixo o que me faz uma imensa falta e me ocasiona uma incomportável despesa de telemóvel.
Tenho multiplicado os contactos telefónicos com o vosso Serviço ao Cliente. Para além de uma estranha informação inicial de que os serviços não me conseguiam contactar pelo telefone 21... (pois como seria tal possível se eu estava sem telefone fixo?!!) e não tinham forma de o fazer por falta de telemóvel. Respondi que para além duma morada onde fui contactado inicialmente por um vosso colaborador, tinha fornecido a este o meu telemóvel.
A todos os telefonemas para o vosso serviço, apenas encontrei a simpatia do vosso pessoal e apoio "moral" ao cliente.
Hoje informei o vosso colaborador Rúben Sabino que esperava até ao fim do dia um contacto responsável antes de iniciar os passos para agir através do meu advogado. Fiquei à espera, até agora em vão...
Assinatura
Horário preferencial de contacto: 10h às 12h»
Resposta:
«Obrigado pelo seu contacto. Daremos resposta no prazo máximo de 48h.
Com os melhores cumprimentos,
Serviço ao Cliente Clix»
_____________________________________________________
Sunday, July 26, 2009
CARTAS de Etty Hillesum

Leio as «Cartas» de Etty Hillesum.
Ainda que a tal vértebra partida me limite algumas actividades,
quero deixar aqui um nadinha de uma delas, que nem é um excerto. Mas julgo saber de cor e sei que no mínimo a ideia está certa.
Diz assim:
«Em mim a gratidão é sempre maior do que a tristeza».
Quero,
desejo muito apropriar-me desta sabedoria
A GRATIDÃO MAIOR DO QUE A TRISTEZA
Sabendo bem que «isto» não depende do que está fora de nós.
Há-de ir nascendo dentro,
criando raízes,
ser essência.
Sermos nós.
E ACONSELHO MUITO A LEITURA DESTAS «CARTAS». Podem mudar a vida toda.
Monday, July 20, 2009
ALCANÇADA A LUA EM VÉSPERAS DE PORTO COVO
Teve o sabor de um milagre.
O chão da nossa casa repleto de amigos.
Multiplicação do espaço.
Os pequenos ao colo do pai. A noite toda.
Incansável PAI neste assistir deste tão improvável alcançar da lua.
Veio a calhar uma avaria no Hilman Imp. Havíamos de partir mais tarde para Porto Covo.
Que era mesmo só aldeia.
De pescadores.
Uma rua, um largo.
Ao fundo, uma esplanada tímida, p'raí três cadeiras, onde bebíamos água tónica ao fim da tarde.
Aldeia
Crepúsculo
Milagre do que ainda hoje não é acreditável.
«Menina» de Ary dos santos no festival da canção.
E que saudades
e que presença de Ary.
O chão da nossa casa repleto de amigos.
Multiplicação do espaço.
Os pequenos ao colo do pai. A noite toda.
Incansável PAI neste assistir deste tão improvável alcançar da lua.
Veio a calhar uma avaria no Hilman Imp. Havíamos de partir mais tarde para Porto Covo.
Que era mesmo só aldeia.
De pescadores.
Uma rua, um largo.
Ao fundo, uma esplanada tímida, p'raí três cadeiras, onde bebíamos água tónica ao fim da tarde.
Aldeia
Crepúsculo
Milagre do que ainda hoje não é acreditável.
«Menina» de Ary dos santos no festival da canção.
E que saudades
e que presença de Ary.
Thursday, July 16, 2009
VOZ
Escrevo um texto para enviar ainda hoje.
Em frente a «Quadratura do Círculo» que o Manel quer ver (já adormeceu há imenso tempo e sabe-lhe muito bem)
Levanto-me.
Mudo de sala.
Esta trapalhada toda de abrir a Net noutro computador.
É QUE NÃO POSSO CALAR.
O que estou a ouvir a Lobo Xavier (com quem simpatizo muito) e a Pacheco Pereira julgo que não pode estar aacontecer.
Onde a memória?
Onde os ideais, esses da geração que sonhou e, ingenuidade, ainda sonham, QUE O MUNDO PODE MUDAR?
Defendem Alberto João Jardim. «O comunismo é inconstitucional» ou qualquer afirmação semelhante.
NÃO POSSO ACREDITAR.
MAS ESTOU MESMO A OUVIR.
Não concordo nada com aquele dogmatismo do Partido Comunista.
MAS O PAPEL QUE DESEMPENHOU ANTES DO VINTE E CINCO DE ABRIL?
Meu Deus, vou voltar ao meu texto.
TÃO CONFUSA!
O QUE É QUE ESTAMOS A OUVIR?
Nunca pertenci a partido político nennhum.
Mas a vida inteirinha me bati por mais justiça E apoiei com algumas consequências aqueles que o faziam e fazem.
Agora estou a ouvir isto. Se os mortos se erguessem das sepulturas, esta era a altura certa.
O meu texto, vá lá... E hei-de tomar uma porcaria qualquer para poder dormir.
Sem pesadelos
Em frente a «Quadratura do Círculo» que o Manel quer ver (já adormeceu há imenso tempo e sabe-lhe muito bem)
Levanto-me.
Mudo de sala.
Esta trapalhada toda de abrir a Net noutro computador.
É QUE NÃO POSSO CALAR.
O que estou a ouvir a Lobo Xavier (com quem simpatizo muito) e a Pacheco Pereira julgo que não pode estar aacontecer.
Onde a memória?
Onde os ideais, esses da geração que sonhou e, ingenuidade, ainda sonham, QUE O MUNDO PODE MUDAR?
Defendem Alberto João Jardim. «O comunismo é inconstitucional» ou qualquer afirmação semelhante.
NÃO POSSO ACREDITAR.
MAS ESTOU MESMO A OUVIR.
Não concordo nada com aquele dogmatismo do Partido Comunista.
MAS O PAPEL QUE DESEMPENHOU ANTES DO VINTE E CINCO DE ABRIL?
Meu Deus, vou voltar ao meu texto.
TÃO CONFUSA!
O QUE É QUE ESTAMOS A OUVIR?
Nunca pertenci a partido político nennhum.
Mas a vida inteirinha me bati por mais justiça E apoiei com algumas consequências aqueles que o faziam e fazem.
Agora estou a ouvir isto. Se os mortos se erguessem das sepulturas, esta era a altura certa.
O meu texto, vá lá... E hei-de tomar uma porcaria qualquer para poder dormir.
Sem pesadelos
Tuesday, July 14, 2009
SAPATOS NOVOS E MEMÓRIA
Hoje tive de comprar uns sapatos novos. A talvértebra partida já estava muito mal naquelas chancas de todos os dias, que comprei com o meu neto Francisco na Páscoa de 2008.
Pois lá pedi uma boleia ao Manel e fomos até às Amoreiras.
Já estão nos pés os sapatos.
Não é que me lembrei do príncipio de um poema que li no primeiro ano da faculdade e que não sei quem é o autor.
Dizia o primeiro verso:
«Sapatos rotos,
que dirão de mim as pedras da calçada?»
Substituo «rotos» por «novos»
e tomo para mim o mesmo verso
a mesma pergunta
«que dirão de mim as pedras da calçada?»
Pois lá pedi uma boleia ao Manel e fomos até às Amoreiras.
Já estão nos pés os sapatos.
Não é que me lembrei do príncipio de um poema que li no primeiro ano da faculdade e que não sei quem é o autor.
Dizia o primeiro verso:
«Sapatos rotos,
que dirão de mim as pedras da calçada?»
Substituo «rotos» por «novos»
e tomo para mim o mesmo verso
a mesma pergunta
«que dirão de mim as pedras da calçada?»
Monday, July 06, 2009
TAMBÉM A REFORMA DÁ O SABOR DE RILKE

Inesperadamente,
ou não,
comecei a descobrir um outro Rilke.
E transcrevo, porque gosto tanto
«Senhor, mais pobres do que os pobres animais somos,
que com sua morte acabam, mesmo com cegueira,
porque todos nós ainda não morremos.
Dá-nos «aquela» que a ciência conhece
de atar a vida a uma latada inteira
à volta da qual Maio mais cedo comece.
«(...)
Com a eternidade tivemos relação
e quando chega a hora do parto, nasce sem sorte
o aborto da nossa morte;
curvo e aflito o embrião
cobriu as infimas pupilas com a mão
(como se algo horrível o horrorizasse)
e na fronte (...) apareceu
sobretudo o medo do que não sofreu,
e como jovem mulher que passou sem danos
por dores de parto e cesariana, nos fechamos.»
Tão perto do meu sentir.
E quase nunca o sei dizer.
Nota - Dei hoje este livro de Rilke ao Manel
Como há tantos anos ele me deu os seus poemas.
Benção...
Wednesday, July 01, 2009
ALGUNS ASPECTOS DE UMA REFORMA ... TEXTO I
Tenho a intenção de continuar este texto noutro dia,
mas hoje,
tão pouco conformada que estou,
aí vão «alguns aspectos de uma reforma»:
Não há horários
só os dos médicos (cada vez mais numerosos...)
Não há tempo,
porque há todo o tempo
a vida tem muitas faltas
palavras, aulas, pessoas,
tantas!
parti uma vértebra e agora isto já é uma osteoperose
não lembra
imensas recomendações para que eu não caia
não caia nunca
férias em Lisboa,
nada de viagens,
ai
hei-de continuar,
se eu fosse mesmo a mulher «forte» que gostava de ser e quero ser
havia de enfrentar cada perca
como um recomeço
Hoje dói-me.
E tento dar-me uma ordem:
Vá lá, Maria Teresa, não exageres.
mas hoje,
tão pouco conformada que estou,
aí vão «alguns aspectos de uma reforma»:
Não há horários
só os dos médicos (cada vez mais numerosos...)
Não há tempo,
porque há todo o tempo
a vida tem muitas faltas
palavras, aulas, pessoas,
tantas!
parti uma vértebra e agora isto já é uma osteoperose
não lembra
imensas recomendações para que eu não caia
não caia nunca
férias em Lisboa,
nada de viagens,
ai
hei-de continuar,
se eu fosse mesmo a mulher «forte» que gostava de ser e quero ser
havia de enfrentar cada perca
como um recomeço
Hoje dói-me.
E tento dar-me uma ordem:
Vá lá, Maria Teresa, não exageres.
Sunday, June 14, 2009
EUNICE
Enquanto passo a ferro uma camisa, oiço na Antena Um as palavras de Eunice. Ainda as não encontrei no site. Se encontrar, hei-de procurar pôr aqui algumas.
P'ra já, não posso deixar de dizer quanto tudo o que ela diz é tão sagrado.
E agradecer.
Gente assim.
Vida muito para lá do visível.
P'ra já, não posso deixar de dizer quanto tudo o que ela diz é tão sagrado.
E agradecer.
Gente assim.
Vida muito para lá do visível.
Saturday, June 13, 2009
IGNORÂNCIA, DISTÂNCIA, AUSÊNCIA
Não sei dizer NADA do dinheiro da transferência do Ronaldo.
Eu quero ser deste mundo até ao fim.
Mas de que mundo?
Eu quero ser deste mundo até ao fim.
Mas de que mundo?
13 DE JUNHO, DIA DE SANTO ANTÓNIO

Em homenagem a todos os Antónios
Pelo menos aos da minha vida, sabendo já que vou omitir imensos só por pressa ou esquecimento
Em primeiro lugar o nosso neto António, também chamado o Sirenes.
O que os netos podem!
Surpreende-me que ele passe à frente do meu avô António, esse de Tibaldinho, da quinta no Campo Grande, da leitaria, esse que quase não dizia uma palavra, que quando eu nasci me comprou sem vontade um urso de peluche (homem da Beira sabe lá o que é um peluche), que assistia contrariado aos meus estudos e dizia «ai o teu pai, Teresinha, lá tiveste outro «merdiocre», esse que tinha pelo menos um filho de que a minha mãe nunca me falou não fosse eu dividir o quintal ou a casa, ela sabia das minha manias de igualdade, esse que todos os dias apanhava o primeiro eléctrico da manhã para a quinta porque era preciso distribuir aquelas hortaliças todas p’las praças de Lisboa. Esse de quem eu gostava TANTO. Um dia percebi que ele tinha morrido, sem perceber, claro, porque à hora da saída do Maria Amália não estava à minha espera o empregado que me havia de levar a visitá-lo ao hospital de S. Luís. Só lá estava o meu cão, o Faraó, um serra da estrela enorme. Viemos até à leitaria a pé. Quando cheguei disseram-me que telefonasse para o hospital e foi a Mariana Gouveia que ao telefone me disse «Teresinha, acontece a todos». Esperavam por mim para fechar a porta e pôr aqueles papéis, aquelas cruzes pretas. Choro hoje as mesmas lágrimas. Sei, tenho a certeza que era quinta-feira, porque fui lanchar e deixar cair as lágrimas em cima do suplemento juvenil do Século. E o Faraó deitadinho e terno, ao pé de mim. Ali os dois. Depois acho que não chorei mais. Se não hoje. Fui ao enterro, fui àquilo tudo. Mas o meu avô já tinha morrido.
Com ele perdi também o Faraó que teve de ir para o colégio do Dr. João Soares, ele era enorme e deitava os fregueses ao chão, só p’ra brincar.
Afinal já não devo escrever nada sobre outros Antónios. Está tudo dito, tudo entendido daqueles que perdi, não está?
E não é porque os perdi.
É porque eles eram mesmo muito bons. E ternos.
Gostavam de mim sem porquê.
Só porque sim.
E no entanto há hoje muitos Antónios na minha vida.E bem vivinhos. Nenhum faz a gritaria do Sirenes, mas que me lembre, parece que são mesmo muito bons (talvez não me vá arrepender, talvez…).
POIS VIVAM TODOS ANTÒNIOS:
E Sirenes, por favor, continua a gritar. Não para os pais, nem para os manos. Pode ser só para mim. Para dizeres essa vida toda. Essa vida que não se cansa nunca. Essa atenção que te faz saber tanta coisa, tanta.
E essa ternura com que, no fim do jantar, perguntas ao avô Manel «Pois é, avô?»
Ontem percebi ou julguei perceber a magia dos Antónios. É que a imagem deste santo transporta um menino ao colo. Com cuidado. Com zelo.
É uma imagem que diz o melhor da humanidade.
É mesmo. Vou tentar põ-la aqui.
E.. afinal consegui. Com ajuda do Manel.
Saturday, May 30, 2009
PARA O NOSSO NETO MANUEL
Agora já transmitida na rr, posso deixar aqui a oração que rezei hoje a propósito da primeira comunhão do nosso neto Manueel.
Pode ser que as palavras digam também a ternura, a surpresa, a alegria.
Aqui vão:
« Jesus, quero falar-Te do meu neto Manuel que faz hoje a primeira comunhão.
Pensando bem, o que quero pedir-Te é que eu seja capaz de fazer da sua primeira comunhão, a minha primeira comunhão.
Não para ser igual à da fotografia que está ali no álbum antigo, naquela cara tímida, envergonhada, cabide de um vestido branco com folhos e laços.
Não essa, Senhor Jesus.
A minha comunhão-hoje como a primeira comunhão do Manuel.
A graça de um coração semelhante ao dos mais pequeninos.
Esses que dizem convictos que Tu és o seu melhor amigo e que querem fazer da sua vida uma vida que se pareça com a Tua, vida dada por amor.
Parece enorme a distância que me separa da tal fotografia.
Mas é só aparência.
Tropeços, dúvidas, gestos que Te negaram e a falta de fé que tantas vezes afirmei; tudo me conduziu ao dia de hoje.
Nesse dia primeiro, disse Ámen ao tomar o Teu corpo que passou a ser também o meu corpo.
Pois vamos lá, Manel, fazer do dia da tua primeira comunhão, o dia da comunhão da tua avó.»
Pode ser que as palavras digam também a ternura, a surpresa, a alegria.
Aqui vão:
« Jesus, quero falar-Te do meu neto Manuel que faz hoje a primeira comunhão.
Pensando bem, o que quero pedir-Te é que eu seja capaz de fazer da sua primeira comunhão, a minha primeira comunhão.
Não para ser igual à da fotografia que está ali no álbum antigo, naquela cara tímida, envergonhada, cabide de um vestido branco com folhos e laços.
Não essa, Senhor Jesus.
A minha comunhão-hoje como a primeira comunhão do Manuel.
A graça de um coração semelhante ao dos mais pequeninos.
Esses que dizem convictos que Tu és o seu melhor amigo e que querem fazer da sua vida uma vida que se pareça com a Tua, vida dada por amor.
Parece enorme a distância que me separa da tal fotografia.
Mas é só aparência.
Tropeços, dúvidas, gestos que Te negaram e a falta de fé que tantas vezes afirmei; tudo me conduziu ao dia de hoje.
Nesse dia primeiro, disse Ámen ao tomar o Teu corpo que passou a ser também o meu corpo.
Pois vamos lá, Manel, fazer do dia da tua primeira comunhão, o dia da comunhão da tua avó.»
Thursday, May 28, 2009
NO PRÓXIMO DOMINGO, A FESTA DE PENTECOSTES
Recebi um mail com esta prece do Irmão Roger:
“Espírito Santo, mistério de uma presença, tu sopras sobre nós uma brisa ligeira, frescura da alma.
E aparece o inesperado: retomamos o caminho da dúvida para a caridade do teu rosto”.
“Espírito Santo, mistério de uma presença, tu sopras sobre nós uma brisa ligeira, frescura da alma.
E aparece o inesperado: retomamos o caminho da dúvida para a caridade do teu rosto”.
Wednesday, May 27, 2009
AUSÊNCIA DE PALAVRAS
Não, o meu blog não morreu.
Eu também não.
Às vezes estes espaços parecem «exigir» que se diga a coragem, a vida sempre enfrentada de pé, assim como « Aqui ao leme sou mais do que eu...»
Como não é sempre assim, acontecem «estas brancas».
Por hoje, quero deixar uma grande indignação pela comunicação social a que estamos sujeitos. Ou presos. Ou escravos.
Acabo então por desligar todos os canias.
E ler, que é um acto de escolha livre. Um acto meu.
Ou fazer as tais pegas. Acabar os casaquinhos para O Tiago Lousa que nasceu. E louvar de alegria.
Ainda - imaginem - não enfrentei a papelada do IRS. Tem que ser. E vai ser.
Não me enrede eu em «não sei quê».
Ou não volte a cair de costas, a saltar os degraus de pedra que esqueci e, graças a Deus, mesmo graças a Deus, não parti nada. A zona lombar doida de dores. Gritos a noite toda. Hoje ligeiramente melhor.
De novo aqui.
Ao leme.
Com ganas de ser «mais do que eu».
E nas mãos, ao leme, a VIDA.
Eu também não.
Às vezes estes espaços parecem «exigir» que se diga a coragem, a vida sempre enfrentada de pé, assim como « Aqui ao leme sou mais do que eu...»
Como não é sempre assim, acontecem «estas brancas».
Por hoje, quero deixar uma grande indignação pela comunicação social a que estamos sujeitos. Ou presos. Ou escravos.
Acabo então por desligar todos os canias.
E ler, que é um acto de escolha livre. Um acto meu.
Ou fazer as tais pegas. Acabar os casaquinhos para O Tiago Lousa que nasceu. E louvar de alegria.
Ainda - imaginem - não enfrentei a papelada do IRS. Tem que ser. E vai ser.
Não me enrede eu em «não sei quê».
Ou não volte a cair de costas, a saltar os degraus de pedra que esqueci e, graças a Deus, mesmo graças a Deus, não parti nada. A zona lombar doida de dores. Gritos a noite toda. Hoje ligeiramente melhor.
De novo aqui.
Ao leme.
Com ganas de ser «mais do que eu».
E nas mãos, ao leme, a VIDA.
Monday, May 04, 2009
FAZER CROCHÉ ENQUANTO ESPERO
A fila para o balcão do Montepio era um bocado grande.
Ocupei civilizadamente o meu lugar, ao fundo.
Percebi que ia esperar uns quinze minutos.
Peguei no meu croché e continuei um trabalhito que faço assim, sempre que espero o que quer que seja.
Um a senhora (acho que não devia ser bem uma senhora) disse altíssimo:
-Agora as filas já servem para fazer croché.
Tive uma vontade de desatinar!
Há tantos gestos que não estão na moda. E eu quero lá saber!
Ocupei civilizadamente o meu lugar, ao fundo.
Percebi que ia esperar uns quinze minutos.
Peguei no meu croché e continuei um trabalhito que faço assim, sempre que espero o que quer que seja.
Um a senhora (acho que não devia ser bem uma senhora) disse altíssimo:
-Agora as filas já servem para fazer croché.
Tive uma vontade de desatinar!
Há tantos gestos que não estão na moda. E eu quero lá saber!
Sunday, May 03, 2009
PARA OS MEUS FILHOS NO DIA DA MÃE
Peço aos meus filhos
que esqueçam o quanto sou desarrumada
os cozinhados sem jeito, as sopas queimadas, os bifes de cavalo e de coração,
a chatinha das contas e dos orçamentos apertados,
o precipício das palavras,
o feitio mais difícil aos sábados de manhã,
etc
etc
etc
etc
Lembrem antes a alegria de ser mãe de dois filhos absolutamente únicos,
repito,
dois filhos absolutamente únicos
E esta procura que há-de ser a vida toda de melhorar a performance já que não há manuais para mães e não sabemos mesmo nada quando vocês nascem
nem porque é que choram quando acabaram de mamar e têm a fralda mudada
e não queremos acreditar nas nossas mães que sempre souberam mais qualquer coisa, muito mais mesmo, mas são as nossas mães e sempre temos que as contrariar, porque parece-nos «que nós é que sabemos»
Lembrem a confusão e a alegria das vossas festas de anos
o entusiasmo dos presentes de Natal
as viagens intermináveis para Tibaldinho com os vossos amigos, histórias e cantigas
O como peguei ao colo em cada um para vos mostrar o mar, lembro-me bem!
e procurei que não tivessem medo e aconcheguei-vos ao peito para que não tremessem nem tivessem frio
E vocês nasceram para a vossa vida
cresceram
têm alegrias
e também sofrimentos.
Muitos.
Aí dói de que maneira e chego a dizer «que não é assim tão complicado»
e dói-me ainda mais
Coisas de mãe.
Nunca ninguém nos disse nem vos disse que a vida é fácil.
Mas vale muito e é boa, porque é VIDA.
Às mães gostavam de o dizer, mas não podem. E têm tanta pena.
Este texto é para os meus filhos, que são a maior benção da minha vida.
Por eles,
fiz muitas sopas,
muitas compras
talvez canseiras,
li pouco ou menos do que tinha querido
escrevi pouco
mas sei que é por eles que também eu continuo a obra da criação.
E pela vida dos meus filhos toco a eternidade.
E agora deixo este texto de Gibran em jeito de partilha.
Diz assim:
Dos Filhos
E uma mulher que carregava o filho nos braços disse ao profeta: “Fala-nos dos filhos.”
E ele disse:
Vossos filhos não são vossos filhos.
São filhos e filhas da vida .
Vêm através de vós, mas não de vós.
E, embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis dar-lhes o vosso amor, mas não os vossos pensamentos,
Pois eles têm os seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar os seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois o arco dos quais vossos filhos, quais setas vivas, são arremessados.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e dá-vos a Sua força para que as suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que o vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja a vossa alegria:
Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco, que permanece estável.
que esqueçam o quanto sou desarrumada
os cozinhados sem jeito, as sopas queimadas, os bifes de cavalo e de coração,
a chatinha das contas e dos orçamentos apertados,
o precipício das palavras,
o feitio mais difícil aos sábados de manhã,
etc
etc
etc
etc
Lembrem antes a alegria de ser mãe de dois filhos absolutamente únicos,
repito,
dois filhos absolutamente únicos
E esta procura que há-de ser a vida toda de melhorar a performance já que não há manuais para mães e não sabemos mesmo nada quando vocês nascem
nem porque é que choram quando acabaram de mamar e têm a fralda mudada
e não queremos acreditar nas nossas mães que sempre souberam mais qualquer coisa, muito mais mesmo, mas são as nossas mães e sempre temos que as contrariar, porque parece-nos «que nós é que sabemos»
Lembrem a confusão e a alegria das vossas festas de anos
o entusiasmo dos presentes de Natal
as viagens intermináveis para Tibaldinho com os vossos amigos, histórias e cantigas
O como peguei ao colo em cada um para vos mostrar o mar, lembro-me bem!
e procurei que não tivessem medo e aconcheguei-vos ao peito para que não tremessem nem tivessem frio
E vocês nasceram para a vossa vida
cresceram
têm alegrias
e também sofrimentos.
Muitos.
Aí dói de que maneira e chego a dizer «que não é assim tão complicado»
e dói-me ainda mais
Coisas de mãe.
Nunca ninguém nos disse nem vos disse que a vida é fácil.
Mas vale muito e é boa, porque é VIDA.
Às mães gostavam de o dizer, mas não podem. E têm tanta pena.
Este texto é para os meus filhos, que são a maior benção da minha vida.
Por eles,
fiz muitas sopas,
muitas compras
talvez canseiras,
li pouco ou menos do que tinha querido
escrevi pouco
mas sei que é por eles que também eu continuo a obra da criação.
E pela vida dos meus filhos toco a eternidade.
E agora deixo este texto de Gibran em jeito de partilha.
Diz assim:
Dos Filhos
E uma mulher que carregava o filho nos braços disse ao profeta: “Fala-nos dos filhos.”
E ele disse:
Vossos filhos não são vossos filhos.
São filhos e filhas da vida .
Vêm através de vós, mas não de vós.
E, embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis dar-lhes o vosso amor, mas não os vossos pensamentos,
Pois eles têm os seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar os seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois o arco dos quais vossos filhos, quais setas vivas, são arremessados.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e dá-vos a Sua força para que as suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que o vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja a vossa alegria:
Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco, que permanece estável.
Tuesday, April 28, 2009
«OS GLADIADORES», O 25 DE ABRIL E «MUITOS DIAS TEM O MÊS»
Há a tentação de dizer «o 25 de Abril» não era só isto, de lembrar que fiz as greves académicas, coisas meio tontas, saudosistas, que nem nos deixam ver quanto é bom o que mudou. Bem sabemos que a esperança é sempre maior. Sempre maior. Em tudo.
E é preciso escrever aqui, fazer notícia de como me surpreendi, e bem, primeiro com «Os Gladiadores» e a paixão na total entrega do grupo de teatro jovem e determinado «Hipócritas», onde, entre outros, vejo a Filipa Pais de Sousa, nossa super amiga, que começou tão contrariada por ser minha explicanda de Francês. Gosto muito de gente difícil. De gente capaz de me dizer «Teresa, não gosto nada».
Ontem foi a vez de ver o filme extraordinário na temática e na forma de Margarida Leitão «Muitos dias tem o mês». Dizia-me o pai «Deu muito trabalho». Como o sei bem,, quando o Manel fazia o «Setenta Vezes Sete» e eram noites inteiras, imenso tabaco na sala, uma magia... No fim um programa apenas de vinte e cinco minutos. Pois a Margarida fez durante dois anos esta longa metragem sobre as esparrelas do consumismo em que se vivia já esta crise. Pois fê-lo com uma mestria e uma sensibilidade social e humana notáveis.
O que é estranho é que me espante com os milagres desta gente nova que não é nada «uma geração rasca».
É que é natural
E também sobrenatural
Como aquela surpresa feliz que tive quando um dia destes fui com o Bernardo, o nosso neto mais velho (e neto ainda parece mais estranho), dar uma escapadinha à Mexicana. Não me senti nada a avó velhota. Uma conversa bem gira. E de igual para igual. Falámos de Cesário Verde. O rapaz sabia mesmo bastante.
É talvez o tempo que os faz crescer.
Mas não é só.
Crescem para algo que já é «mais além».
E é preciso escrever aqui, fazer notícia de como me surpreendi, e bem, primeiro com «Os Gladiadores» e a paixão na total entrega do grupo de teatro jovem e determinado «Hipócritas», onde, entre outros, vejo a Filipa Pais de Sousa, nossa super amiga, que começou tão contrariada por ser minha explicanda de Francês. Gosto muito de gente difícil. De gente capaz de me dizer «Teresa, não gosto nada».
Ontem foi a vez de ver o filme extraordinário na temática e na forma de Margarida Leitão «Muitos dias tem o mês». Dizia-me o pai «Deu muito trabalho». Como o sei bem,, quando o Manel fazia o «Setenta Vezes Sete» e eram noites inteiras, imenso tabaco na sala, uma magia... No fim um programa apenas de vinte e cinco minutos. Pois a Margarida fez durante dois anos esta longa metragem sobre as esparrelas do consumismo em que se vivia já esta crise. Pois fê-lo com uma mestria e uma sensibilidade social e humana notáveis.
O que é estranho é que me espante com os milagres desta gente nova que não é nada «uma geração rasca».
É que é natural
E também sobrenatural
Como aquela surpresa feliz que tive quando um dia destes fui com o Bernardo, o nosso neto mais velho (e neto ainda parece mais estranho), dar uma escapadinha à Mexicana. Não me senti nada a avó velhota. Uma conversa bem gira. E de igual para igual. Falámos de Cesário Verde. O rapaz sabia mesmo bastante.
É talvez o tempo que os faz crescer.
Mas não é só.
Crescem para algo que já é «mais além».
Wednesday, April 22, 2009
NUNO DE SANTA MARIA
De Condestável a santo.
Procuro compreender este caminho.
Sei que a vida de cada um é um percurso. Difícil. Com tropeços. Incoerências.
Passos. Sempre passos. Até «um pouco mais», ainda que o vocábulo «mais» fique muito mal neste contexto.
Mas procuro.
Em criança sabia de cor e recitava poemas ao Santo Condestável. E ainda os sei. Dos que me lembro, não gosto. São poemas com uma linguagem que me parece longe da santidade.
Vamos ver se descubro o caminho deste homem. Não o de santo Condestável.
Antes, o de Nuno de Santa Maria.
Com atenção e jeito.
Com boa fé. Vá lá...
Vou-me deitar com um «talvez».
Também não há que entender tudo.
Nem que aceitar tudo.
Procuro compreender este caminho.
Sei que a vida de cada um é um percurso. Difícil. Com tropeços. Incoerências.
Passos. Sempre passos. Até «um pouco mais», ainda que o vocábulo «mais» fique muito mal neste contexto.
Mas procuro.
Em criança sabia de cor e recitava poemas ao Santo Condestável. E ainda os sei. Dos que me lembro, não gosto. São poemas com uma linguagem que me parece longe da santidade.
Vamos ver se descubro o caminho deste homem. Não o de santo Condestável.
Antes, o de Nuno de Santa Maria.
Com atenção e jeito.
Com boa fé. Vá lá...
Vou-me deitar com um «talvez».
Também não há que entender tudo.
Nem que aceitar tudo.
Monday, April 20, 2009
Fomos a Madrid
Pois fomos.
Há tanto tempo que não dávamos assim uma escapadinha.
Fomos sem porquê. Só pelo gosto de tudo aquilo que nos uniu naquela festa em casa do Armando Fiúza (há cinquenta anos, verdade!). E este mesmo jeito que temos de nos sabermos seduzir com palavras. Sorrisos. Passeios a pé. Conversas. «À espera de Godot» e muito mais, tanto mais. Pouco depois oferecias-me «Toi et moi», lembraste?
Fomos a Madrid.
Para os museus. (Vi a Guernica pela primeira vez. E como é sempre tão diferente tudo aquilo que vimos «quando vimos»!)
Os cafés.
Os passeios.
Andar a pé.
Os sorrisos cúmplices.
Sempre a pensarmos nos cachopos, filhos, netos, todos...E nos amigos. Todos. Connosco.
Verdade que já não podíamos nem ver aqueles bocadillos todos iguais.
Que saudades de sopa.
Mas valeu.
Voltámos àquilo que nos uniu e atraiu.
Que nos une e nos atrai.
Sempre
Esquece lá que tenho o dobro do peso (melhor p'ra mim que não esqueças...)
E a dificuldade em descer escadas (muitas escadas tem Madrid!)
E aquela saliência no dedo do pé que me faz umas dores danadas.
Lembremos os sorrisos.
A cumplicidade.
A paciência com que me procuraste e escolheste uma mala (bem sei que detestas compras)
Lembremos o amor.
Agradecidos.
Há tanto tempo que não dávamos assim uma escapadinha.
Fomos sem porquê. Só pelo gosto de tudo aquilo que nos uniu naquela festa em casa do Armando Fiúza (há cinquenta anos, verdade!). E este mesmo jeito que temos de nos sabermos seduzir com palavras. Sorrisos. Passeios a pé. Conversas. «À espera de Godot» e muito mais, tanto mais. Pouco depois oferecias-me «Toi et moi», lembraste?
Fomos a Madrid.
Para os museus. (Vi a Guernica pela primeira vez. E como é sempre tão diferente tudo aquilo que vimos «quando vimos»!)
Os cafés.
Os passeios.
Andar a pé.
Os sorrisos cúmplices.
Sempre a pensarmos nos cachopos, filhos, netos, todos...E nos amigos. Todos. Connosco.
Verdade que já não podíamos nem ver aqueles bocadillos todos iguais.
Que saudades de sopa.
Mas valeu.
Voltámos àquilo que nos uniu e atraiu.
Que nos une e nos atrai.
Sempre
Esquece lá que tenho o dobro do peso (melhor p'ra mim que não esqueças...)
E a dificuldade em descer escadas (muitas escadas tem Madrid!)
E aquela saliência no dedo do pé que me faz umas dores danadas.
Lembremos os sorrisos.
A cumplicidade.
A paciência com que me procuraste e escolheste uma mala (bem sei que detestas compras)
Lembremos o amor.
Agradecidos.
Wednesday, April 15, 2009
UMA FLOR
Para te dar, como uma flor,
deixo-te o poema doutro amigo.
Que bem te calha!
Que bem nos calha!
De Alexandre O'neil:
«Mal nos conhecemos
iniciámos a palavra AMIGO.
...»
Não sei o resto de cor.
Vai longa a noite.
Hei-de continuar esta postagem amanhã.
E a vida toda
deixo-te o poema doutro amigo.
Que bem te calha!
Que bem nos calha!
De Alexandre O'neil:
«Mal nos conhecemos
iniciámos a palavra AMIGO.
...»
Não sei o resto de cor.
Vai longa a noite.
Hei-de continuar esta postagem amanhã.
E a vida toda
Wednesday, April 08, 2009
GRAN TORINO
O filme é imperdível.
Retirei este texto do site Pastoral da Cultura.
E aqui vai:
«Grand Torino: parábola sobre o mal, a culpa e a redenção
“O que é alguém pode saber da vida e da morte, da culpa e do perdão, da dor e da salvação?”, pergunta, irónico, o viúvo Kowalski ao jovem padre de 27 anos, recentemente ordenado, que preside à missa do funeral da esposa.
Com cara de poucos amigos, questionador dos costumes modernos, interpelador, quase grosseiro, solitário, amargo, e que passa o tempo a beber cerveja à entrada da sua casa, falando apenas com a sua cadela e comportando-se de forma racista para os seus vizinhos da etnia Hmong, provenientes do sudeste Asiático. O velho Walt observa com desprezo como a vizinhança onde sempre viveu, em Detroit, EUA, se degradou com a chegada de imigrantes orientais e de bandos de jovens latinos, afro-americanos e asiáticos.
O velho Kowalski vive descontente com o presente, preocupado com o futuro e amarrado a um passado de felicidade com a sua esposa e em que esteve na guerra da Coreia, no início dos anos cinquenta. Do passado resta agora a arma que usou em combate, a medalha que ganhou por matar soldados norte-coreanos e um automóvel Gran Torino, de 1972, da marca Ford, empresa onde trabalhou durante trinta anos. Os espetadores não deverão perder de vista a forte carga simbólica destas três referências.
Aos 78 anos, com uma maturidade pessoal e cinematográfica impressionante, Clint Eastwood é realizador e actor em Gran Torino, oferecendo-nos a sua resposta às perguntas fundamentais colocadas no início, ao narrar um momento da história do velho Kowalski. As respostas só poderão vir da realidade vivida, sofrida, enfrentada: com jovens dos bandos, violentos e prepotentes, com as famílias Hmong, que o desarmam com a sua generosidade e acolhimento, com o tímido jovem Thao, que não sabe como trabalhar e lutar por ele mesmo, com uns filhos casados, que só o procuram quando querem lucrar alguma coisa com ele. Na encruzilhada destas personagens, Kowalski terá de responder com os valores em que acredita, sem deixar de encarar a maldade e a violência do tempo actual, os demónios do passado, as culpas da guerra, a preocupação com um futuro sem esperança para as novas gerações, a defesa da sua dignidade ultrajada, assim como a sua própria vida, que vai chegando ao fim.
Com um pano de fundo que aponta explicitamente para a fé cristã, Gran Torino converte-se numa parábola cinematográfica sobre o mal, a culpa e a redenção, tendo subjacente a figura de Jesus que ensina, com a sua vida, como enfrentar as realidades últimas da existência. Mas o que é impressionante no filme é como o velho renegado Walt Kowalski se pode converter na figura do bom samaritano, do pai misericordioso e do Cordeiro de Deus que se entrega para redimir os oprimidos pelo mal. Quando Gran Torino termina, reconhecemos que o espírito da redenção o toma por inteiro.»
Retirei este texto do site Pastoral da Cultura.
E aqui vai:
«Grand Torino: parábola sobre o mal, a culpa e a redenção
“O que é alguém pode saber da vida e da morte, da culpa e do perdão, da dor e da salvação?”, pergunta, irónico, o viúvo Kowalski ao jovem padre de 27 anos, recentemente ordenado, que preside à missa do funeral da esposa.
Com cara de poucos amigos, questionador dos costumes modernos, interpelador, quase grosseiro, solitário, amargo, e que passa o tempo a beber cerveja à entrada da sua casa, falando apenas com a sua cadela e comportando-se de forma racista para os seus vizinhos da etnia Hmong, provenientes do sudeste Asiático. O velho Walt observa com desprezo como a vizinhança onde sempre viveu, em Detroit, EUA, se degradou com a chegada de imigrantes orientais e de bandos de jovens latinos, afro-americanos e asiáticos.
O velho Kowalski vive descontente com o presente, preocupado com o futuro e amarrado a um passado de felicidade com a sua esposa e em que esteve na guerra da Coreia, no início dos anos cinquenta. Do passado resta agora a arma que usou em combate, a medalha que ganhou por matar soldados norte-coreanos e um automóvel Gran Torino, de 1972, da marca Ford, empresa onde trabalhou durante trinta anos. Os espetadores não deverão perder de vista a forte carga simbólica destas três referências.
Aos 78 anos, com uma maturidade pessoal e cinematográfica impressionante, Clint Eastwood é realizador e actor em Gran Torino, oferecendo-nos a sua resposta às perguntas fundamentais colocadas no início, ao narrar um momento da história do velho Kowalski. As respostas só poderão vir da realidade vivida, sofrida, enfrentada: com jovens dos bandos, violentos e prepotentes, com as famílias Hmong, que o desarmam com a sua generosidade e acolhimento, com o tímido jovem Thao, que não sabe como trabalhar e lutar por ele mesmo, com uns filhos casados, que só o procuram quando querem lucrar alguma coisa com ele. Na encruzilhada destas personagens, Kowalski terá de responder com os valores em que acredita, sem deixar de encarar a maldade e a violência do tempo actual, os demónios do passado, as culpas da guerra, a preocupação com um futuro sem esperança para as novas gerações, a defesa da sua dignidade ultrajada, assim como a sua própria vida, que vai chegando ao fim.
Com um pano de fundo que aponta explicitamente para a fé cristã, Gran Torino converte-se numa parábola cinematográfica sobre o mal, a culpa e a redenção, tendo subjacente a figura de Jesus que ensina, com a sua vida, como enfrentar as realidades últimas da existência. Mas o que é impressionante no filme é como o velho renegado Walt Kowalski se pode converter na figura do bom samaritano, do pai misericordioso e do Cordeiro de Deus que se entrega para redimir os oprimidos pelo mal. Quando Gran Torino termina, reconhecemos que o espírito da redenção o toma por inteiro.»
Tuesday, April 07, 2009
PARA LÁ DO QUE OS OLHOS VÊEM
Deito-me com lágrimas.
E com uma ténue esperança.
A de conseguir um dia , essa capacidade que o Manel recomendou no cinema ao André, bem pequenito ainda
«Ver para lá das imagens»
Ou ver com o coração. E com todos os afectos.
E então poderemos inverter tempos e modos verbais.
Os condicionais, em futuros
E presentes.
Querida Ana, o que escreveste « Seria assim para todo o sempre» há-de ficar «Será assim para todo o sempre.»
Ou
«É assim para todo o sempre.»
É.
E com uma ténue esperança.
A de conseguir um dia , essa capacidade que o Manel recomendou no cinema ao André, bem pequenito ainda
«Ver para lá das imagens»
Ou ver com o coração. E com todos os afectos.
E então poderemos inverter tempos e modos verbais.
Os condicionais, em futuros
E presentes.
Querida Ana, o que escreveste « Seria assim para todo o sempre» há-de ficar «Será assim para todo o sempre.»
Ou
«É assim para todo o sempre.»
É.
Thursday, March 19, 2009
A PROPÓSITO DO DIA DO PAI ...
A propósito do «Dia do Pai»
desta sensação que me assalta de que o tempo passa mesmo
deste sabor de viver com tantas memórias,ainda que o futuro não deixe de falar,
desta irracional saudade dos meus filhos pequenitos,
ao escrever uma mensagem à nora de uma amiga, dei com a «resposta» que me serve.
Aí vai:
«Aproveite bem agora e namore imenso com o pai da criança.
Quando o vosso cachopo nascer, a vida muda mesmo.
Mas vale.
Porque é mais vida.»
Às vezes «a gente» surpreende-se com a verdade que está mesmo dentro de nós.
«Sempre mais vida.»
desta sensação que me assalta de que o tempo passa mesmo
deste sabor de viver com tantas memórias,ainda que o futuro não deixe de falar,
desta irracional saudade dos meus filhos pequenitos,
ao escrever uma mensagem à nora de uma amiga, dei com a «resposta» que me serve.
Aí vai:
«Aproveite bem agora e namore imenso com o pai da criança.
Quando o vosso cachopo nascer, a vida muda mesmo.
Mas vale.
Porque é mais vida.»
Às vezes «a gente» surpreende-se com a verdade que está mesmo dentro de nós.
«Sempre mais vida.»
Sunday, March 15, 2009
DE VOLTA
De volta, páro no Canas.
Fico ali enfim sentada na última mesa vaga da esplanada.
Tinha comprado o Público e falado com a senhora da banca (uma operação a um braço e tão preocupada com os netos, mas que «é bom estar ali, poder fazer qualquer coisa». Passei o jornal ao Manel quando ele chegou.
Eu teimosa comigo, leio, continuo a ler «Só o amor é digno de fé» de Hans von Balthasar de que o Manel já me tem falado tantas vezes.
O livro pede-me uma leitura muito vagarosa e reflectida.
Às vezes, muitas vezes volto atrás, não percebi.
Mas ainda que eu só entenda o título, sei convictamente que SÓ O AMOR É DIGNO DE FÉ.
E agora para me facilitar a «gestãozita» desta casa vou «atacar e bater umas pedras» no Execl.
Fico ali enfim sentada na última mesa vaga da esplanada.
Tinha comprado o Público e falado com a senhora da banca (uma operação a um braço e tão preocupada com os netos, mas que «é bom estar ali, poder fazer qualquer coisa». Passei o jornal ao Manel quando ele chegou.
Eu teimosa comigo, leio, continuo a ler «Só o amor é digno de fé» de Hans von Balthasar de que o Manel já me tem falado tantas vezes.
O livro pede-me uma leitura muito vagarosa e reflectida.
Às vezes, muitas vezes volto atrás, não percebi.
Mas ainda que eu só entenda o título, sei convictamente que SÓ O AMOR É DIGNO DE FÉ.
E agora para me facilitar a «gestãozita» desta casa vou «atacar e bater umas pedras» no Execl.
NÃO POSSO ADIAR O ENCONTRO
Está um SOL....
Tenho a tentação de deixar a cama feita
e «isto» ao menos aparentemente arrumado.
Mas não posso adiar o encontro comigo,
o encontro com quem quer que apareça
na cidade
assim
tão cheia de sol.
Tenho a tentação de deixar a cama feita
e «isto» ao menos aparentemente arrumado.
Mas não posso adiar o encontro comigo,
o encontro com quem quer que apareça
na cidade
assim
tão cheia de sol.
Tuesday, March 10, 2009
EM LOUVOR DOS GESTOS...
Ontem os Marias jantaram por cá.
Muitos risos, imensas histórias e chegámos àquele longe em que lhes contámos que o pai fazia muita batota com a avó Alice.
Surpresa - O pai, batota?
- A jogar «crapaud» em Tibaldinho.
Quiseram saber como era isso.
- As avós fazem tudo e deixam tudo...
Por impulso, levantei-me da mesa e fui depressa buscar a camisola branca e vermelha, quentinha e muito bem tricotada que a avó fizera para o pai, à conta do Benfica, claro.
- Bem, é vossa. Mas agoraa ainda é do pai. Está muito grande para vocês.
Quando ele veio à pressa buscar os rapazes, pressenti-lhe a ternura ou a saudade (não quero inventar) disfarçada em
- Mas só para quem for do Benfica!
Tantas, mas tantas «coisas» nos deixou a minha Mãe.
Muito sabem as mães.
Sabem tudo.
Muitos risos, imensas histórias e chegámos àquele longe em que lhes contámos que o pai fazia muita batota com a avó Alice.
Surpresa - O pai, batota?
- A jogar «crapaud» em Tibaldinho.
Quiseram saber como era isso.
- As avós fazem tudo e deixam tudo...
Por impulso, levantei-me da mesa e fui depressa buscar a camisola branca e vermelha, quentinha e muito bem tricotada que a avó fizera para o pai, à conta do Benfica, claro.
- Bem, é vossa. Mas agoraa ainda é do pai. Está muito grande para vocês.
Quando ele veio à pressa buscar os rapazes, pressenti-lhe a ternura ou a saudade (não quero inventar) disfarçada em
- Mas só para quem for do Benfica!
Tantas, mas tantas «coisas» nos deixou a minha Mãe.
Muito sabem as mães.
Sabem tudo.
Monday, March 09, 2009
RENDO-ME
Rendo-me ao Dia da Mulher
Sobretudo para agradecer à nossa filha Maria aquele «beijo especial para a mãe»,
vindo de Évora pelo telefone
e tão cheio de sol.
O sol em Lisboa ficou «ainda mais sol».
Sobretudo para agradecer à nossa filha Maria aquele «beijo especial para a mãe»,
vindo de Évora pelo telefone
e tão cheio de sol.
O sol em Lisboa ficou «ainda mais sol».
Sunday, March 08, 2009
8 de MARÇO
Não gosto mesmo do Dia da Mulher.
Sonho e às vezes, muitas vezes, acredito no «igual para igual».
Sou seguramente uma mulher cheia de sorte.
A começar pelo meu pai que, sendo um pai, não deixou de ser um companheiro.
O Manel é mesmo «esse com quem tudo partilho, esse outro eu». Na vida toda.
O André é um filho. E um amigo.
E tantos, tantos outros, gente capaz.
É verdade que ás vezes vêm ao de cima uns laivos de uma mentalidade medieval e entranhada. Em mim também. Isso é que é pena.
Mas realmente não gosto do Dia da Mulher.
Nem dos movimentos de mulheres.
Somos pessoas.
Por inteiro.
Sonho e às vezes, muitas vezes, acredito no «igual para igual».
Sou seguramente uma mulher cheia de sorte.
A começar pelo meu pai que, sendo um pai, não deixou de ser um companheiro.
O Manel é mesmo «esse com quem tudo partilho, esse outro eu». Na vida toda.
O André é um filho. E um amigo.
E tantos, tantos outros, gente capaz.
É verdade que ás vezes vêm ao de cima uns laivos de uma mentalidade medieval e entranhada. Em mim também. Isso é que é pena.
Mas realmente não gosto do Dia da Mulher.
Nem dos movimentos de mulheres.
Somos pessoas.
Por inteiro.
NO BARREIRO
Sim, dei aulas no Barreiro nos anos 80.
Na Mendonça Furtado.
E gostei tanto!
Hei-de falar por aqui desse tempo com mais tempo.
Agora, a urgência de uma outra postagem, já que «já é amanhã».
Na Mendonça Furtado.
E gostei tanto!
Hei-de falar por aqui desse tempo com mais tempo.
Agora, a urgência de uma outra postagem, já que «já é amanhã».
Monday, February 16, 2009
ENTRE A PRECE E O LOUVOR
É verdade que estou ainda com uma gripe ( as gripes atacam mais aos fins de semana, o que não se pode explicar)
É verdade que fiz duas sopas
lavei roupa
estendi roupa
apanhei roupa
experimentei uma receits de bolo de noz a ver se melhoro algumas competências culinárias
escrevi um texto pequeno (e o que me vinha à cabeça eram aquelas horas poucas, em que cheia de febre estava «para ali na cama» e só dormia ou não dormia e como isso me é desagradável)
Mas não vou para a cama sem escrever que há 45 anos levámos a Maria a baptizar.
Um embrulhinho branco, redondinho como ela
E como isso foi bom e tão bonito!
Quando levei os meus filhos a baptizar, sabendo que os quería cristãos, na verdade, não sabia nada ou quase nada.
Bem que logo ali rezámos com eles o Pai Nosso. Mas é tão tarde que a pouco e pouco vamos entendendo aquele «seja feita a Vossa vontade». Tão tarde e sempre de forma tão incompleta.
E reparo que escrevo sempre estas postasgens entre a prece e o louvor.
E assim me vou deitar.
Entre a prece e o louvor.
É verdade que fiz duas sopas
lavei roupa
estendi roupa
apanhei roupa
experimentei uma receits de bolo de noz a ver se melhoro algumas competências culinárias
escrevi um texto pequeno (e o que me vinha à cabeça eram aquelas horas poucas, em que cheia de febre estava «para ali na cama» e só dormia ou não dormia e como isso me é desagradável)
Mas não vou para a cama sem escrever que há 45 anos levámos a Maria a baptizar.
Um embrulhinho branco, redondinho como ela
E como isso foi bom e tão bonito!
Quando levei os meus filhos a baptizar, sabendo que os quería cristãos, na verdade, não sabia nada ou quase nada.
Bem que logo ali rezámos com eles o Pai Nosso. Mas é tão tarde que a pouco e pouco vamos entendendo aquele «seja feita a Vossa vontade». Tão tarde e sempre de forma tão incompleta.
E reparo que escrevo sempre estas postasgens entre a prece e o louvor.
E assim me vou deitar.
Entre a prece e o louvor.
Wednesday, February 11, 2009
PORQUE GOSTO TANTO DO UNÚTIL
Às vezes, muitas vezes, pergunto-me se tenho direito a tanta coisa inútil com que teço a vida e de que gosto muito.
Coisas como fazer pegas de cozinha, casaquinhos minúsculos de bebés, andar aí pelo bairro porque é bom, ser uma avó que mais ou menos só serve para brincar e ser feliz, ser a mulher do Manel sem lhe cozer as meias, nem arrumar a carteira, nem a secretária, viver esta relação como um tempo de namoro, gostar de ver com ele um filme (ou também sem ele), discutir ideias e raramente estar de acordo, surpreender-me e sorrir (sorriso bem aberto) quando o vejo ao longe,fazer um chá para as amigas, ainda que os meus bolos geralmente caiam no chão, mas depois dá-se-lhes uma voltinha, tenho prática, escrever postais, mesmo postais,
por toda este gosto pela inutilidade, não resisto a transcrever do Pe Tolentino Mendonça o artigo que hoje encontrei. E fiquei bem contente. como se ainda precisasse que alguém me dissesse que o inútil vale.
E qual é a utilidade de um abraço forte?
De um beijo?
De uma mensagem para dizer Bom Dia?
De uma boa relação?
E as bananas que a A. foi comprar para o Manel só porque ele disse que gostava?
E os afectos?
Sei, sei mesmo que somos salvos e libertos pelo inútil.
A propósito, este sol.
Vou ao Jardim da Estrela. Devagar.
E agora alguns o tal artigo:
«O elogio do inútil
Porque é o inútil tão importante? Porque o inútil é o subtrair-se à ditadura das finalidades que acabam por nos desviar de um viver autêntico. E a inutilidade é um viver perto do ser. Ela dá-nos acesso à polifonia da vida, na sua variedade, nos seus contrastes, na sua realidade densa. A polifonia da vida é a sua inteireza, a sua globalidade. A renúncia à exclusividade do útil para abraçar o inútil abre-nos a ela.
Jesus é o Mestre do inútil! Quando lemos os Evangelhos a partir desta chave, encontramos o seu desenho contínuo nas palavras de Jesus. Ele reconduzia cada um a fazer do obstáculo uma oportunidade para o encontro: e, no fundo, para uma abertura fundamental a uma vida segundo o próprio ser. Por isso em Lucas 12,22, Jesus desafia os discípulos:
“É por isso que vos digo: não vos preocupeis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer, nem quanto ao vosso corpo com o que haveis de vestir, pois a vida é mais que o alimento, e o corpo é mais que o vestuário. Reparai nos corvos, não semeiam nem colhem; não têm despensas nem celeiros, e Deus alimenta-os. Reparai nos lírios, como crescem. Não trabalham nem fiam, não são úteis; pois eu digo-vos: bem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles”.
Temos uma vida espiritual muito burocrática. Vivemos como funcionários e quando morremos passamos a defuntos, isto é, aqueles que já não tendo função continuam a ser descritos a partir de uma função. R
Revemo-nos nos versos que Alexandre O’Neill escreveu em «Adeus português»:
“... nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver”.
Muitas vezes a oração surge ainda como espaço útil, e não como o lugar da abertura gratuita e essencial, (...). Não escapamos ao calculismo. Vivemos também aí, a nível da vida espiritual, de pé atrás. Como Sara, a mulher de Abraão, ficamos escondidos atrás do pano da tenda a sorrir baixinho, ironicamente, porque não acreditamos que seja possível a promessa. Adaptamos, mesmo a nível espiritual, um pragmatismo cheio de utilidade. Há uma página no Diário de Sebastião da Gama que nos aponta o dedo:
“A gente tem vergonha de beijar tudo; de amar as flores; de dar um passeio. Se beija uma árvore, é parvo; se traz uma flor na mão é maricas; se se enternece é fraco; se vai a qualquer parte para passear e ver o mundo, faz constar que foi em viagem de estudo ou em viagem de negócios; temos vergonha de ser sinceros, de que nos creiam parvos, ou maricas ou fracos, ou lúdricos, ou estroinas; e então perdemos o melhor da nossa vida; as nossas intenções, as nossas intenções mais belas”.
É preciso perceber como a inutilidade abre clareiras ao próprio ser e como precisamos delas para poder experimentar a plenitude.»
José Tolentino Mendonça
in O elogio da inutilidade
30.05.2008
Coisas como fazer pegas de cozinha, casaquinhos minúsculos de bebés, andar aí pelo bairro porque é bom, ser uma avó que mais ou menos só serve para brincar e ser feliz, ser a mulher do Manel sem lhe cozer as meias, nem arrumar a carteira, nem a secretária, viver esta relação como um tempo de namoro, gostar de ver com ele um filme (ou também sem ele), discutir ideias e raramente estar de acordo, surpreender-me e sorrir (sorriso bem aberto) quando o vejo ao longe,fazer um chá para as amigas, ainda que os meus bolos geralmente caiam no chão, mas depois dá-se-lhes uma voltinha, tenho prática, escrever postais, mesmo postais,
por toda este gosto pela inutilidade, não resisto a transcrever do Pe Tolentino Mendonça o artigo que hoje encontrei. E fiquei bem contente. como se ainda precisasse que alguém me dissesse que o inútil vale.
E qual é a utilidade de um abraço forte?
De um beijo?
De uma mensagem para dizer Bom Dia?
De uma boa relação?
E as bananas que a A. foi comprar para o Manel só porque ele disse que gostava?
E os afectos?
Sei, sei mesmo que somos salvos e libertos pelo inútil.
A propósito, este sol.
Vou ao Jardim da Estrela. Devagar.
E agora alguns o tal artigo:
«O elogio do inútil
Porque é o inútil tão importante? Porque o inútil é o subtrair-se à ditadura das finalidades que acabam por nos desviar de um viver autêntico. E a inutilidade é um viver perto do ser. Ela dá-nos acesso à polifonia da vida, na sua variedade, nos seus contrastes, na sua realidade densa. A polifonia da vida é a sua inteireza, a sua globalidade. A renúncia à exclusividade do útil para abraçar o inútil abre-nos a ela.
Jesus é o Mestre do inútil! Quando lemos os Evangelhos a partir desta chave, encontramos o seu desenho contínuo nas palavras de Jesus. Ele reconduzia cada um a fazer do obstáculo uma oportunidade para o encontro: e, no fundo, para uma abertura fundamental a uma vida segundo o próprio ser. Por isso em Lucas 12,22, Jesus desafia os discípulos:
“É por isso que vos digo: não vos preocupeis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer, nem quanto ao vosso corpo com o que haveis de vestir, pois a vida é mais que o alimento, e o corpo é mais que o vestuário. Reparai nos corvos, não semeiam nem colhem; não têm despensas nem celeiros, e Deus alimenta-os. Reparai nos lírios, como crescem. Não trabalham nem fiam, não são úteis; pois eu digo-vos: bem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles”.
Temos uma vida espiritual muito burocrática. Vivemos como funcionários e quando morremos passamos a defuntos, isto é, aqueles que já não tendo função continuam a ser descritos a partir de uma função. R
Revemo-nos nos versos que Alexandre O’Neill escreveu em «Adeus português»:
“... nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver”.
Muitas vezes a oração surge ainda como espaço útil, e não como o lugar da abertura gratuita e essencial, (...). Não escapamos ao calculismo. Vivemos também aí, a nível da vida espiritual, de pé atrás. Como Sara, a mulher de Abraão, ficamos escondidos atrás do pano da tenda a sorrir baixinho, ironicamente, porque não acreditamos que seja possível a promessa. Adaptamos, mesmo a nível espiritual, um pragmatismo cheio de utilidade. Há uma página no Diário de Sebastião da Gama que nos aponta o dedo:
“A gente tem vergonha de beijar tudo; de amar as flores; de dar um passeio. Se beija uma árvore, é parvo; se traz uma flor na mão é maricas; se se enternece é fraco; se vai a qualquer parte para passear e ver o mundo, faz constar que foi em viagem de estudo ou em viagem de negócios; temos vergonha de ser sinceros, de que nos creiam parvos, ou maricas ou fracos, ou lúdricos, ou estroinas; e então perdemos o melhor da nossa vida; as nossas intenções, as nossas intenções mais belas”.
É preciso perceber como a inutilidade abre clareiras ao próprio ser e como precisamos delas para poder experimentar a plenitude.»
José Tolentino Mendonça
in O elogio da inutilidade
30.05.2008
Thursday, February 05, 2009
ENTRE TRINTA E UM DE JANEIRO E CINCO DE FEVEREIRO


Dia Trinta e Um -
O André em Sta Marta. Aquela horrível notícia já «postada». «Pai, disseram que tive um enfarte.»
Eu fui andar.
Acontece que quase sempre me encontro com alguém.
Desta vez, na retrosaria e a propósito de lãs, destes trabalhos «este fio melhor que aquele para bebés», a senhora começou e de repente, já era a vida. «Desculpe estar a falar-lhe destas coisas todas, mas sabe, às vezes com os meus amigos é mais difícil, não posso dar parte de fraca, nem chorar». E eu, sem resposta.
O que é que se responde ao sofrimendo?
À noite - Um telefonema amigo e cheio de sabedoria duma amiga da minha mãe.
Que idade terá?
E que importa?
Dia Um -
Missa pela manhã.
O envolvimento maior de ser um amigo a celebrar.
À tarde - No hospital. «E a Teté?»
Fim da tarde - Outra vez à missa com o Manel. Sermos dois é um grande bem.
E dei pessoalmente os parabéns à Élia, grande Mestra, que fez anos.
Dia Dois - Nossa Senhora das Candeias
Teria feito anos a minha sogra (detesto esta palavra, já disse eu e já disse a Ana). Sempre lhe chamei «Mãe». Com gosto.
À tarde levei os Marias à catequese e doía-me de cada vez que falavam do pai. No fim do jantar, «Vá vamos ter com a mãe?» «Então não é o pai que nos vem buscar?»
Rapazes...
Dia Três -
Aniversário do nosso querido neto mais velho. O Bernardo. Dezoito anos. Já é maior.
Viva Bernardo!
Parabéns
Agarra a tua vida. Toda, meu amor. (ainda te vejo tão bebé , coisas de avó, já sabes)
Também eu recebi mensagens de parabéns de muita gente (que reencaminhei para a tua também super Mãe). Destaco a da tia Ana «Viva o Bibas.Viva a avó Teté com um neto maior em todos os sentidos.»
Na reunião da Bíblia, na paróquia, toda a gente fez uma acção de graças por este rapaz e um pedido de saúde para o André. E isto ajuda muito! A querida Maria do Céu «que ia já acender uma vela e fazer uma novena a Nª srª das Candeias. Fantástica.
Dia Quatro-
O André fez o cateterismo. O Manel, experiente e cuidadoso, telefona-lhe manhã bem cedo. Faz-lhe serenamente algumas recomendações.
Tentei que o Manel achasse que devíamos ir logo, logo. E ele «Mas para quê se não podemos entrar antes do meio dia?». Sempre mais ajuizado o meu marido.
Antes de sairmos de casa já a Ana nos telefonava. «Que já tinha acabado. E parecia que tinha corrido bem.»
No autocarro 74, porta a porta, de Campo de Ourique a Santa Marta, telefona-me o pe Vítor Gonçalves, grande amigo. « Vamos tomar um café». E também o André «Se eu lhe levava folhados da Aloma». Já não ia a tempo. Lá arranjei uns maus substitutos na Smarta. E o André zangado. Bom sinal.
Realmente o cateterismo tinha corrido sem problemas.
Gastei todo o meu saldo de telemóvel em mensagens.
A amizade compensa e merece tudo. E ainda p'ra mais uma boa notícia.
Deitei-me para a «sesta» lá para as quatro. Dormi até ao jantar.
Dia Cinco - O André voltou para casa.
Foi com a Ana buscar os meninos.
Louvado seja Deus!
E TOMA JUIZO, RAPAZ.
A gente tem que colaborar.
Hás-de ensinar isto bem ensinadinho aos vossos Marias. De certeza.
E AGORA, AO MESMO TEMPO QUE AGRADEÇO A TODOS OS AMIGOS, VOU TENTAR PÔR UMA IMAGEM EM HONRA DO BERNARDO E OUTRA EM HONRA DO ANDRÉ
Sunday, February 01, 2009
PATRIMÓNIO
O melhor património, Mãe, (e já o tenho aqui dito) foi essa coragem,
Esse viver a vida de frente e de pé
Sem queixas.
Ontem, quando soube do problema do André e vi o Manel «voar» para o hospital, achei que talvez fosse melhor dar-me um tempo para me encontrar e me «reconstruir».
Pedi ao Manel «Dá-me notícias, que eu vou andar». Eu bem sabia que tinha medo duma lágrima, dum vacilar qualquer. Andei pelo bairro.
Mas falava forte a tal coragem da minha mãe. Ela havia de me ter dito. «Que disparate, Teresinha. Vais e vais já. E nem uma lágrima.»
Também a minha cunhada Gaby quando da primeira operação do Manel me falou assim. «Vai. Aguenta-te».
E o que eu lhes agradeço.
Afinal é com surpresa que reconhecemos que guardamos em nós um tesouro de coragem. E isso é vida. Vida sempre.
À tarde fui.
Que bom foi ouvir o André perguntar ao pai «E a Teté?»
E eu estava lá.
Esta postagem é qualquer coisa entre uma prece e uma acção de graças.
É mesmo.
Esse viver a vida de frente e de pé
Sem queixas.
Ontem, quando soube do problema do André e vi o Manel «voar» para o hospital, achei que talvez fosse melhor dar-me um tempo para me encontrar e me «reconstruir».
Pedi ao Manel «Dá-me notícias, que eu vou andar». Eu bem sabia que tinha medo duma lágrima, dum vacilar qualquer. Andei pelo bairro.
Mas falava forte a tal coragem da minha mãe. Ela havia de me ter dito. «Que disparate, Teresinha. Vais e vais já. E nem uma lágrima.»
Também a minha cunhada Gaby quando da primeira operação do Manel me falou assim. «Vai. Aguenta-te».
E o que eu lhes agradeço.
Afinal é com surpresa que reconhecemos que guardamos em nós um tesouro de coragem. E isso é vida. Vida sempre.
À tarde fui.
Que bom foi ouvir o André perguntar ao pai «E a Teté?»
E eu estava lá.
Esta postagem é qualquer coisa entre uma prece e uma acção de graças.
É mesmo.
Sunday, January 25, 2009
EM LOUVOR DA VIDA
Faz hoje anos a A e a L.
Hesito.
A A não gosta de fazer anos.
Ou diz que não gosta.
Mas ousei. Peguei no telefone, quase a medo e surpreendi-me.
Estava feliz. Voz aberta e franca.
E disse-me «Olha, até já dei graças por mais um ano».
Boa!
Parabéns redobrados.
Por causa destas coisas que fazem a vida e parecem coisas de nada, é para ela, é para todos que deixo o poema de Torga, de que sempre gostei tanto:
BUCÓLICA
A vida é feita de nadas
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;
De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;
De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.
S. Martinho de Anta, 30 de Abril de 1937
Hesito.
A A não gosta de fazer anos.
Ou diz que não gosta.
Mas ousei. Peguei no telefone, quase a medo e surpreendi-me.
Estava feliz. Voz aberta e franca.
E disse-me «Olha, até já dei graças por mais um ano».
Boa!
Parabéns redobrados.
Por causa destas coisas que fazem a vida e parecem coisas de nada, é para ela, é para todos que deixo o poema de Torga, de que sempre gostei tanto:
BUCÓLICA
A vida é feita de nadas
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;
De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;
De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.
S. Martinho de Anta, 30 de Abril de 1937
Friday, January 02, 2009
NATAL EM JEITO DE COMPAIXÃO
De Adília Lopes,
porque diz «Natal» em jeito de compaixão:
«Amar uma pedra, um cão, uma osga, uma barata.
Amar uma pessoa que não gosta de nós.
Amar uma pessoa de quem não gostamos.
O amor é mais difícil do que a mecânica quântica.
Fernando Pessoa, num poema em que caridade rima com electricidade,
diz que não tem caridade.
Às vezes, aquilo a que chamamos amor não é amor:
- é exigir em troca
- é dar para que dês
Amar alguém é confiar nessa pessoa, não estar de pé atrás,
Acreditar nessa pessoa. Gostamos pouco uns dos outros,
Disse Tonino guerrra.
Quero amar e ser amado, dizia Jorge Luís Borges, é muito
Ambicioso, não é humilde.
Acho que devemos pedir só para amar.
É fácil amar quando a vida nos corre bem.
Quando a vida nos corre mal, insultamos o mundo e, às
vezes, insultamos Deus. Acreditar então nas coisas mais queridas,
mais pequeninas:
- as medalhinhas do nosso Baptismo, que entretanto foram roubadas,
se perderam..
- a imagem de Nossa senhora de Fátima comprada na loja dos 300.
- dois versos de uma oração de que esquecemos o resto.
Às vezes, a vida corre-nos muito bem e esquecemo-nos da
compaixão. A compaixão é o amor. Só a compaixão salva. Só
a compaixão é eterna.
O sofrimento nem sempre se vê. E o sucesso, como o desespero,
pode cegar.
Às vezes, temos grandes amigos e não sabemos. A padeira do
nosso, o vizinho do nosso prédio. Anos e anos a dizer:
«Bom dia! Boa tarde!», mais nada, e essas palavras bastaram.
O amor nem precisa de palavras. Mas as palavras sabem bem.»
porque diz «Natal» em jeito de compaixão:
«Amar uma pedra, um cão, uma osga, uma barata.
Amar uma pessoa que não gosta de nós.
Amar uma pessoa de quem não gostamos.
O amor é mais difícil do que a mecânica quântica.
Fernando Pessoa, num poema em que caridade rima com electricidade,
diz que não tem caridade.
Às vezes, aquilo a que chamamos amor não é amor:
- é exigir em troca
- é dar para que dês
Amar alguém é confiar nessa pessoa, não estar de pé atrás,
Acreditar nessa pessoa. Gostamos pouco uns dos outros,
Disse Tonino guerrra.
Quero amar e ser amado, dizia Jorge Luís Borges, é muito
Ambicioso, não é humilde.
Acho que devemos pedir só para amar.
É fácil amar quando a vida nos corre bem.
Quando a vida nos corre mal, insultamos o mundo e, às
vezes, insultamos Deus. Acreditar então nas coisas mais queridas,
mais pequeninas:
- as medalhinhas do nosso Baptismo, que entretanto foram roubadas,
se perderam..
- a imagem de Nossa senhora de Fátima comprada na loja dos 300.
- dois versos de uma oração de que esquecemos o resto.
Às vezes, a vida corre-nos muito bem e esquecemo-nos da
compaixão. A compaixão é o amor. Só a compaixão salva. Só
a compaixão é eterna.
O sofrimento nem sempre se vê. E o sucesso, como o desespero,
pode cegar.
Às vezes, temos grandes amigos e não sabemos. A padeira do
nosso, o vizinho do nosso prédio. Anos e anos a dizer:
«Bom dia! Boa tarde!», mais nada, e essas palavras bastaram.
O amor nem precisa de palavras. Mas as palavras sabem bem.»
Sunday, December 28, 2008
COMO NESSA VÉSPERA DE 29 DE DEZ DE 1962....
A mesma alegria
O mesmo sol
O sorriso que nos vem de dentro e tudo invade
Esse não temer
Essa serenidade que permite o abadono
A comunhão do corpo para lá do corpo
Esse tocar a eternidade
Por cada um dos dias da vida partilhada
Com tudo
Tudo mesmo o que a vida tem dado
Esse sempre «de mãos dadas»
Hoje
como nessa véspera de 29 de Dezembro de 1962
Hás-de dar-me uma rosa numa porta a transpor
Louvado seja o dia.
O mesmo sol
O sorriso que nos vem de dentro e tudo invade
Esse não temer
Essa serenidade que permite o abadono
A comunhão do corpo para lá do corpo
Esse tocar a eternidade
Por cada um dos dias da vida partilhada
Com tudo
Tudo mesmo o que a vida tem dado
Esse sempre «de mãos dadas»
Hoje
como nessa véspera de 29 de Dezembro de 1962
Hás-de dar-me uma rosa numa porta a transpor
Louvado seja o dia.
Friday, December 26, 2008
ESTRELAS...
Hoje, entre idas e vindas, encontros, palavras e ausências, vim até aqui, quase culpabilizada «pelo tempo que nunca me chega». Mas é mais forte do que eu. Carrego primeiro na «Caixa de Costura» do André ( o André é meu filho ) e depois não resisto. Carrego na «leitaria».
Acontece que encontrei uma estrela. A Inês.
Bem haja, Inês.
Tomaremos o chá, qualquer coisa. Proponha. Havemos de conseguir.
Qualquer coisa há-de dar. Para tecer os laços, termos rosto e termos voz.
E esta boa surpresa que tive, faz-me contar como os gestos mais banais podem ser «estrelas».
No Natal ou na vida.
É uma senhora que só conheço do cabeleireiro.
Viúva muito cedo.
Depois uma ligação de que fala abertamente. «Com o engenheiro».
Há uns anos, «o engenheiro» morreu.
No sábado disse-me que no dia seguinte fazia anos. Pedi-lhe o telefone e «se não se importava que lhe telefonasse. Mas não queria incomodar»
Já eram dez da noite. Telefonei. Palavras rápidas. Quase circunstanciais.
Quando a voltei a encontrar, disse-me que costumava desligar o telefone para descansar, mas que tinha tido um pressentimento. E eu toquei.
Que quando desligámos,lhe tinham saltado umas lágrimas.
«É que bem vê, estou muito só. Passei a tarde no Estoril. Depois, p'ra casa...»
E a mim, que não me esforço mesmo nada em fazer um telefonema, doem-me as omissões.Tantas as omissões.
E uma estrela é tão fácil.
No Natal.
Em cada dia.
Pode dar ânimo.
Vida que nasce.
Como o Menino de Belém.
Como cada vida.
Como as palavras da Inês.
Acontece que encontrei uma estrela. A Inês.
Bem haja, Inês.
Tomaremos o chá, qualquer coisa. Proponha. Havemos de conseguir.
Qualquer coisa há-de dar. Para tecer os laços, termos rosto e termos voz.
E esta boa surpresa que tive, faz-me contar como os gestos mais banais podem ser «estrelas».
No Natal ou na vida.
É uma senhora que só conheço do cabeleireiro.
Viúva muito cedo.
Depois uma ligação de que fala abertamente. «Com o engenheiro».
Há uns anos, «o engenheiro» morreu.
No sábado disse-me que no dia seguinte fazia anos. Pedi-lhe o telefone e «se não se importava que lhe telefonasse. Mas não queria incomodar»
Já eram dez da noite. Telefonei. Palavras rápidas. Quase circunstanciais.
Quando a voltei a encontrar, disse-me que costumava desligar o telefone para descansar, mas que tinha tido um pressentimento. E eu toquei.
Que quando desligámos,lhe tinham saltado umas lágrimas.
«É que bem vê, estou muito só. Passei a tarde no Estoril. Depois, p'ra casa...»
E a mim, que não me esforço mesmo nada em fazer um telefonema, doem-me as omissões.Tantas as omissões.
E uma estrela é tão fácil.
No Natal.
Em cada dia.
Pode dar ânimo.
Vida que nasce.
Como o Menino de Belém.
Como cada vida.
Como as palavras da Inês.
Sunday, December 21, 2008
O NASCIMENTO
Aí vem a estrela! Aí vem, sobre a montanha,
Rompendo a sombra etérea do crepúsculo!
A paisagem tornou-se mais estranha,
Mais cheia de silêncio e de mistério!
Dormem ainda as árvores e os homens,
E dorme, em alto ramo, a cotovia…
E, se ergue já seu canto, é porque sonha
julga ver, sonhando, a luz do dia!
E, pelos negros píncaros, a estrela
É divino sorriso alumiante.
Oh, que esplendor! Que formosura aquela!
É lírio de oiro aberto! É rosa a arder!
Aí vem a estrela! Aí vem, sobre a montanha,
Tão virginal, tão nova, que parece
Sair das mãos de Deus, a vez primeira!
E como, sobre os montes, resplandece!
Persegue-a o sol amado… No oriente,
Alastra um nimbo anímico de luz.
E a antiga dor das trevas, suavemente,
Ondula, em transparência e palidez.
Aí vem a estrela, alumiando a serra!
E os olhos encantados dos pastores
Voltam-se para a estrela… E cá na terra
Há mágoas e penumbras, a fugir…
Como ela voa, cintilando e rindo
Aos penhascos agrestes e desnudos!
E os pastores, atentos, vão seguindo
A direcção etérea do seu voo…
E a quimérica estrela deslumbrante
Parou sobre a capela, onde a Saudade
Agasalhava o Deus recém-nascido,
Com seu manto de amor e claridade.
E, amparando-o nos braços, lhe estendia
Os seios maternais. A criancinha
Mamava. E a Saudade lhe sorria,
Num enlevo, num êxtase sagrado.
A primavera, errante no Marão,
Veio cobrir de lírios e de rosas
O berço do Menino. E veio o outono,
E vieram ermas sombras dolorosas.
Logo, o outono rezou a sua prece
De cinzas e de bruma. E o lindo sol,
Entrando pelos vidros, aparece,
Junto ao pequeno berço. E toda a luz
Do céu veio com ele! E veio a noite.
Vieram as avezinhas, que deixaram,
No recôndito ninho, abandonados,
Os filhos ainda implumes. E cantaram
Em louvor do Menino e da Saudade.
E Marânus sentia, mais alegre,
Tornar-se vida, amor, fecundidade,
A sua antiga e mística tristeza.
E, ao ver a própria alma da sua raça
Criar a Virgem Mãe dum novo Deus,
Eis que à flor dos seus lábios esvoaça
O sorriso supremo da vitória.
E a Saudade, num casto e luminoso
Gesto de amor, tomando, novamente,
O Menino nos braços, o embalava.
E sobre ele inclinava docemente
A fronte aureolada. E uma canção,
Que era feita de todas as cantigas,
Mais num murmúrio brando de oração
Que em voz alta, cantava. E o Deus menino,
Com os olhos abertos, num espanto,
Recebia do mundo a clara imagem
E o seu nubloso e misterioso encanto…
Também o bom pastor, a quem Marânus
Havia prometido o Nascimento,
Sentia em seu espírito surgir,
Envolto num astral deslumbramento,
Estranho e novo ser, que dissipava
O seu velho crepúsculo interior,
Onde um fantasma, trágico e nocturno,
Aparição do medo e do terror,
Furibundo, reinava, desde os séculos!
O Menino crescia, como a aurora
Que, sendo esparso vulto de mulher,
Na linha do horizonte, que descora,
Lembra a auréola dum Deus anunciado…
Em volta dele, as coisas se animavam
Dum sentido mais belo e verdadeiro;
E a sua alma oculta desvendavam,
Como na luz primeira da Existência.
Mundo transfigurado! Ó terra santa!
Ó terra já divina e toda erguida
Àquela altura ideal da Eternidade,
Mais uma vez, a morte foi vencida!
Alguns dias passaram. E Marânus
Disse que ia partir à sua Esposa,
E que se entregava ao casto amor, tão puro,
Desta leal paisagem montanhosa.
E, chorando, abraçava-a, e repetia
Que tinha de partir; mas, dentro em pouco,
Por uma clara noite, voltaria.
E a trágica Saudade, sufocada:
«Eu bem conheço a voz que te chamou!
Voz que ilumina as árvores e as nuvens,
E que meu ser antigo transformou
Neste meu ser anímico e perfeito.»
E, mais serena e resignada: «Vai!
Cumpre a sua vontade. É teu destino…»
E beijando-o nos lábios, e tomando
Em seus braços de imagem o Menino,
Subiu a um alto píncaro escarpado,
De onde ela, por mais tempo, contemplasse
O esposo e companheiro bem amado.
E, sozinha, de pé, sobre um rochedo,
Disse-lhe um longo adeus.
E, já distante,
Marânus, ansioso, para trás
Volvia a face triste, a cada instante.
E parava, cismando…
Mas, ao longe,
O corpo da Saudade, vago e incerto,
Perdia-se, no ar que se turbava…
Anoitecia. A serra era um deserto.
E Marânus seguia o seu caminho.
Teixeira de Pascoaes
Rompendo a sombra etérea do crepúsculo!
A paisagem tornou-se mais estranha,
Mais cheia de silêncio e de mistério!
Dormem ainda as árvores e os homens,
E dorme, em alto ramo, a cotovia…
E, se ergue já seu canto, é porque sonha
julga ver, sonhando, a luz do dia!
E, pelos negros píncaros, a estrela
É divino sorriso alumiante.
Oh, que esplendor! Que formosura aquela!
É lírio de oiro aberto! É rosa a arder!
Aí vem a estrela! Aí vem, sobre a montanha,
Tão virginal, tão nova, que parece
Sair das mãos de Deus, a vez primeira!
E como, sobre os montes, resplandece!
Persegue-a o sol amado… No oriente,
Alastra um nimbo anímico de luz.
E a antiga dor das trevas, suavemente,
Ondula, em transparência e palidez.
Aí vem a estrela, alumiando a serra!
E os olhos encantados dos pastores
Voltam-se para a estrela… E cá na terra
Há mágoas e penumbras, a fugir…
Como ela voa, cintilando e rindo
Aos penhascos agrestes e desnudos!
E os pastores, atentos, vão seguindo
A direcção etérea do seu voo…
E a quimérica estrela deslumbrante
Parou sobre a capela, onde a Saudade
Agasalhava o Deus recém-nascido,
Com seu manto de amor e claridade.
E, amparando-o nos braços, lhe estendia
Os seios maternais. A criancinha
Mamava. E a Saudade lhe sorria,
Num enlevo, num êxtase sagrado.
A primavera, errante no Marão,
Veio cobrir de lírios e de rosas
O berço do Menino. E veio o outono,
E vieram ermas sombras dolorosas.
Logo, o outono rezou a sua prece
De cinzas e de bruma. E o lindo sol,
Entrando pelos vidros, aparece,
Junto ao pequeno berço. E toda a luz
Do céu veio com ele! E veio a noite.
Vieram as avezinhas, que deixaram,
No recôndito ninho, abandonados,
Os filhos ainda implumes. E cantaram
Em louvor do Menino e da Saudade.
E Marânus sentia, mais alegre,
Tornar-se vida, amor, fecundidade,
A sua antiga e mística tristeza.
E, ao ver a própria alma da sua raça
Criar a Virgem Mãe dum novo Deus,
Eis que à flor dos seus lábios esvoaça
O sorriso supremo da vitória.
E a Saudade, num casto e luminoso
Gesto de amor, tomando, novamente,
O Menino nos braços, o embalava.
E sobre ele inclinava docemente
A fronte aureolada. E uma canção,
Que era feita de todas as cantigas,
Mais num murmúrio brando de oração
Que em voz alta, cantava. E o Deus menino,
Com os olhos abertos, num espanto,
Recebia do mundo a clara imagem
E o seu nubloso e misterioso encanto…
Também o bom pastor, a quem Marânus
Havia prometido o Nascimento,
Sentia em seu espírito surgir,
Envolto num astral deslumbramento,
Estranho e novo ser, que dissipava
O seu velho crepúsculo interior,
Onde um fantasma, trágico e nocturno,
Aparição do medo e do terror,
Furibundo, reinava, desde os séculos!
O Menino crescia, como a aurora
Que, sendo esparso vulto de mulher,
Na linha do horizonte, que descora,
Lembra a auréola dum Deus anunciado…
Em volta dele, as coisas se animavam
Dum sentido mais belo e verdadeiro;
E a sua alma oculta desvendavam,
Como na luz primeira da Existência.
Mundo transfigurado! Ó terra santa!
Ó terra já divina e toda erguida
Àquela altura ideal da Eternidade,
Mais uma vez, a morte foi vencida!
Alguns dias passaram. E Marânus
Disse que ia partir à sua Esposa,
E que se entregava ao casto amor, tão puro,
Desta leal paisagem montanhosa.
E, chorando, abraçava-a, e repetia
Que tinha de partir; mas, dentro em pouco,
Por uma clara noite, voltaria.
E a trágica Saudade, sufocada:
«Eu bem conheço a voz que te chamou!
Voz que ilumina as árvores e as nuvens,
E que meu ser antigo transformou
Neste meu ser anímico e perfeito.»
E, mais serena e resignada: «Vai!
Cumpre a sua vontade. É teu destino…»
E beijando-o nos lábios, e tomando
Em seus braços de imagem o Menino,
Subiu a um alto píncaro escarpado,
De onde ela, por mais tempo, contemplasse
O esposo e companheiro bem amado.
E, sozinha, de pé, sobre um rochedo,
Disse-lhe um longo adeus.
E, já distante,
Marânus, ansioso, para trás
Volvia a face triste, a cada instante.
E parava, cismando…
Mas, ao longe,
O corpo da Saudade, vago e incerto,
Perdia-se, no ar que se turbava…
Anoitecia. A serra era um deserto.
E Marânus seguia o seu caminho.
Teixeira de Pascoaes
Friday, December 19, 2008
Porque ontem nos lembrámos e dissemos de cor...
NATAL E NÃO DEZEMBRO
Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
David Mourão-Ferreira
Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
David Mourão-Ferreira
Sunday, December 14, 2008
NATAL
Faz amanhã anos o nosso neto Francisco.
O Francisco
O Quico
O nosso segundo neto
O segundo filho da Maria e do Paulo
Por causa da operação ao peito é o único a quem não fiz o casaquinho de nascer.
Comprei-lhe. E não ficou mal, que o rapaz era um lindo bebé.
Salvou-se a manta em malha grossa debruada a fita de xadrês. Ainda tenho ali um restinho dessa fita em seda de xadrez.
Com o Francisco aprendi o gosto pelas bruxas. Lembras-te, uma caixa com sseis bruxas que recebeste num Natal?
Os passeios exaustivos ao Chiado
os museus
o convento do Carmo
e...
e...
e...
Hei-de aprender muito mais com o Francisco.
Ele elogia as minhas malhas
e estou-lhe a dever uma manta para a cama (agora enorme, claro)
O Francisco é escuteiro
O Francisco é
e vai ser
muito mais
Faz treze anos.
Entra nos «teen»
Parabéns, rapaz.
Agarra a vida.
É amanhã o teu Natal.
O Francisco
O Quico
O nosso segundo neto
O segundo filho da Maria e do Paulo
Por causa da operação ao peito é o único a quem não fiz o casaquinho de nascer.
Comprei-lhe. E não ficou mal, que o rapaz era um lindo bebé.
Salvou-se a manta em malha grossa debruada a fita de xadrês. Ainda tenho ali um restinho dessa fita em seda de xadrez.
Com o Francisco aprendi o gosto pelas bruxas. Lembras-te, uma caixa com sseis bruxas que recebeste num Natal?
Os passeios exaustivos ao Chiado
os museus
o convento do Carmo
e...
e...
e...
Hei-de aprender muito mais com o Francisco.
Ele elogia as minhas malhas
e estou-lhe a dever uma manta para a cama (agora enorme, claro)
O Francisco é escuteiro
O Francisco é
e vai ser
muito mais
Faz treze anos.
Entra nos «teen»
Parabéns, rapaz.
Agarra a vida.
É amanhã o teu Natal.
E AINDA ASSIM, SERÁ NATAL
LADAINHA DOS PÓSTUMOS NATAIS
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito
David Mourão-Ferreira
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito
David Mourão-Ferreira
Thursday, December 11, 2008
NATAL
Velho Menino-Deus que me vens ver
Quando o ano passou e as dores passaram:
Sim, pedi-te o brinquedo, e queria-o ter,
Mas quando as minhas dores o desejaram...
Agora, outras quimeras me tentaram
Em reinos onde tu não tens poder...
Outras mãos mentirosas me acenaram
A chamar, a mostrar e a prometer...
Vem, apesar de tudo, se queres vir.
Vem com neve nos ombros, a sorrir
A quem nunca doiraste a solidão...
Mas o brinquedo... quebra-o no caminho.
O que eu chorei por ele! Era de arminho
E batia-lhe dentro um coração...
Miguel Torga
Velho Menino-Deus que me vens ver
Quando o ano passou e as dores passaram:
Sim, pedi-te o brinquedo, e queria-o ter,
Mas quando as minhas dores o desejaram...
Agora, outras quimeras me tentaram
Em reinos onde tu não tens poder...
Outras mãos mentirosas me acenaram
A chamar, a mostrar e a prometer...
Vem, apesar de tudo, se queres vir.
Vem com neve nos ombros, a sorrir
A quem nunca doiraste a solidão...
Mas o brinquedo... quebra-o no caminho.
O que eu chorei por ele! Era de arminho
E batia-lhe dentro um coração...
Miguel Torga
Wednesday, December 10, 2008
ENTRE PARÊNTESIS NOS POEMAS DE NATAL(e tão importante...)
Às vezes, poucas vezes,
percorro os blogs dos que me visitam e que visito.
Entre a alegria e a vergonha, li o comentário de eMe e eMe.
E lembrei-me de TEACHER SIMPLE PAST.
Encontrei, mas não consigo comentar.
ONDE/COMO ESTÁ Înês?
P'ra já, um beijo
com saudades.
Quem diria.
Tanta ausência!
Tanto mar!
percorro os blogs dos que me visitam e que visito.
Entre a alegria e a vergonha, li o comentário de eMe e eMe.
E lembrei-me de TEACHER SIMPLE PAST.
Encontrei, mas não consigo comentar.
ONDE/COMO ESTÁ Înês?
P'ra já, um beijo
com saudades.
Quem diria.
Tanta ausência!
Tanto mar!
NATAL À BEIRA RIO
É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?
David Mourão-Ferreira, Obra Poética 1948-1988
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?
David Mourão-Ferreira, Obra Poética 1948-1988
Tuesday, December 09, 2008
NATAL CHIQUE
Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na minha pressa e pouco amor.
Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.
Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado...
Só esse pobre me pareceu Cristo.
de Vitorino Nemésio
Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na minha pressa e pouco amor.
Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.
Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado...
Só esse pobre me pareceu Cristo.
de Vitorino Nemésio
Monday, December 08, 2008
A CADA DIA UM POEMA QUE TE DIGA
Hoje de Miguel Torga:
«Leio o teu nome na página da noite,
Menino Deus ...
E fico a meditar
No milagre dobrado
De ser Deus e menino.
Em Deus não acredito.
Mas de ti como posso duvidar?
Todos os dias nascem
Meninos pobres em currais de gado.
Crianças que são ânsias alargadas
De horizontes pequenos,
Humanas alvoradas ...
A divindade é o menos.»
«Leio o teu nome na página da noite,
Menino Deus ...
E fico a meditar
No milagre dobrado
De ser Deus e menino.
Em Deus não acredito.
Mas de ti como posso duvidar?
Todos os dias nascem
Meninos pobres em currais de gado.
Crianças que são ânsias alargadas
De horizontes pequenos,
Humanas alvoradas ...
A divindade é o menos.»
PARA O ANDRÉ E PARA TODOS OS QUE SE ZANGAM COM O NATAL
De Jacques Prévert
«Noël des ramasseurs de neige»
«Nos cheminées sont vides
nos poches retournées
ohé ohé ohé
nos cheminées sont vides
nos souliers sont percés
ohé ohé ohé
et nos enfants livides
dansent devant nos buffets
ohé ohé ohé
Et pourtant c’est Noël
Noël qu’il faut fêter
Fêtons fêtons Noël
ça se fait chaque année
Ohé la vie est belle
Ohé joyeux Noël
Mais v’là la neige qui tombe
qui tombe de tout en haut
Elle va se faire mal
en tombant de si haut
ohé ohé ého
Pauvre neige nouvelle
courons courons vers elle
courons avec nos pelles
courons la ramasser
puisque c’est notre métier.
ohé ohé ohé
jolie neige nouvelle
toi qu’arrives du ciel
dis-nous dis-nous la belle
ohé ohé ohé
Quand est-ce qu’à Noël
tomberont de là-haut
des dindes de Noël
avec leurs dindonneaux?
ohé ohé ého !»
E se se lembram, este poemaestá musicado.
Cantávamos.
Cantamos.
E faz pensar.
Que é preciso que o Natal não «seja só isto»ou «não seja isto».
Transportamos a pergunta final do poema:
«Quand est-ce qu'à Noël
tomberont de là-haut
des dindes de Noël
avec leurs dindonneaux»
E é só nossa a resposta.
De cada um.
Beijo para todos.
E «um outro Natal»
«Noël des ramasseurs de neige»
«Nos cheminées sont vides
nos poches retournées
ohé ohé ohé
nos cheminées sont vides
nos souliers sont percés
ohé ohé ohé
et nos enfants livides
dansent devant nos buffets
ohé ohé ohé
Et pourtant c’est Noël
Noël qu’il faut fêter
Fêtons fêtons Noël
ça se fait chaque année
Ohé la vie est belle
Ohé joyeux Noël
Mais v’là la neige qui tombe
qui tombe de tout en haut
Elle va se faire mal
en tombant de si haut
ohé ohé ého
Pauvre neige nouvelle
courons courons vers elle
courons avec nos pelles
courons la ramasser
puisque c’est notre métier.
ohé ohé ohé
jolie neige nouvelle
toi qu’arrives du ciel
dis-nous dis-nous la belle
ohé ohé ohé
Quand est-ce qu’à Noël
tomberont de là-haut
des dindes de Noël
avec leurs dindonneaux?
ohé ohé ého !»
E se se lembram, este poemaestá musicado.
Cantávamos.
Cantamos.
E faz pensar.
Que é preciso que o Natal não «seja só isto»ou «não seja isto».
Transportamos a pergunta final do poema:
«Quand est-ce qu'à Noël
tomberont de là-haut
des dindes de Noël
avec leurs dindonneaux»
E é só nossa a resposta.
De cada um.
Beijo para todos.
E «um outro Natal»
DIA DA MÃE
Sei que gostava de escrever uma postagem mais longa.
Mas, ainda que já tão tarde,
deixo estas palavras, memória e também vida
do dia de hoje
que sempre foi e é
o dia da Mãe.
Em 8 de Dezembro
Mas, ainda que já tão tarde,
deixo estas palavras, memória e também vida
do dia de hoje
que sempre foi e é
o dia da Mãe.
Em 8 de Dezembro
Thursday, December 04, 2008
DIZER A ESPERANÇA
Retirado do site da Pastoral da Cultura
com o aplauso de quem sabe que só a Esperança nos sustém.
Sabemo-lo todos, creio.
«A fé que mais amo, diz Deus, é a esperança
A pequena esperança avança no meio das duas irmãs mais velhas e nem sequer se repara nela.
No caminho da salvação, no caminho carnal, no caminho áspero da salvação, no percurso interminável, no percurso, entre as duas irmãs a pequena esperança
Avança.
No meio das irmãs mais velhas!
A que é casada.
E a que é mãe.
E só se dá atenção, o povo cristão só dá atenção às duas irmãs mais velhas.
A primeira e a última.
Que acodem ao urgente.
Ao tempo de agora.
Ao momentâneo instante que passa.
O povo cristão só vê as duas irmãs mais velhas, não tem olhos senão para as duas irmãs mais velhas.
A que está à direita e a que está à esquerda.
E a bem dizer não vê a que está no meio.
A pequena, a que ainda anda na escola.
E que caminha.
Perdida nas saias das irmãs.
E facilmente crê que são as duas grandes que levam a pequena pela mão.
No meio.
Entre elas duas.
Para a fazerem percorrer esse caminho áspero da salvação.
Cegos que pelo contrário não vêem
Que é ela que no meio arrasta as irmãs mais velhas!
E que sem ela elas nada seriam
Senão duas mulheres já idosas.
Duas mulheres de certa idade
Amachucadas pela vida.
É ela, essa miúda, que tudo arrasta.
Porque a Fé só vê o que é.
E ela, ela vê o que será.
A Caridade só ama o que é.
E ela, ela ama o que será.»
Charles Péguy (1873-1914)
com o aplauso de quem sabe que só a Esperança nos sustém.
Sabemo-lo todos, creio.
«A fé que mais amo, diz Deus, é a esperança
A pequena esperança avança no meio das duas irmãs mais velhas e nem sequer se repara nela.
No caminho da salvação, no caminho carnal, no caminho áspero da salvação, no percurso interminável, no percurso, entre as duas irmãs a pequena esperança
Avança.
No meio das irmãs mais velhas!
A que é casada.
E a que é mãe.
E só se dá atenção, o povo cristão só dá atenção às duas irmãs mais velhas.
A primeira e a última.
Que acodem ao urgente.
Ao tempo de agora.
Ao momentâneo instante que passa.
O povo cristão só vê as duas irmãs mais velhas, não tem olhos senão para as duas irmãs mais velhas.
A que está à direita e a que está à esquerda.
E a bem dizer não vê a que está no meio.
A pequena, a que ainda anda na escola.
E que caminha.
Perdida nas saias das irmãs.
E facilmente crê que são as duas grandes que levam a pequena pela mão.
No meio.
Entre elas duas.
Para a fazerem percorrer esse caminho áspero da salvação.
Cegos que pelo contrário não vêem
Que é ela que no meio arrasta as irmãs mais velhas!
E que sem ela elas nada seriam
Senão duas mulheres já idosas.
Duas mulheres de certa idade
Amachucadas pela vida.
É ela, essa miúda, que tudo arrasta.
Porque a Fé só vê o que é.
E ela, ela vê o que será.
A Caridade só ama o que é.
E ela, ela ama o que será.»
Charles Péguy (1873-1914)
Sunday, November 30, 2008
CHARADA
Tenho um amigo que vive num castelo.
Com esta idade toda eu nunca tinha visto um castelo a sério.
Fica no coração da cidade.
Tem uma infinidade de portas.
É preciso abri-las com chaves.
Todas diferentes.
Corredores
em muitos planos.
Pode parecer que uma pessoa se perde.
E não.
Este castelo,
estes corredores
dirigem-nos sempre, de forma estranhamente misteriosa e natural,
até a um encontro qualquer
que
- comigo aconteceu assim -
geralmente é o encontro connosco.
Com esta idade toda eu nunca tinha visto um castelo a sério.
Fica no coração da cidade.
Tem uma infinidade de portas.
É preciso abri-las com chaves.
Todas diferentes.
Corredores
em muitos planos.
Pode parecer que uma pessoa se perde.
E não.
Este castelo,
estes corredores
dirigem-nos sempre, de forma estranhamente misteriosa e natural,
até a um encontro qualquer
que
- comigo aconteceu assim -
geralmente é o encontro connosco.
COISAS SIMPLES...
Hoje, o Manel passou-me o telefone.
O meu neto mais velho. Dezóito anos quase. Mesmo quase.
Procuro as palavras adequadas.
- Diz lá, B.
- É só para dar um beijo à avó.
Coisa linda e boa.
Digo-lhe a surpresa e o bálsamo.
E ele:
- Um,não, avó. Muitos.
Noite abençada.
Vida grata.
Oração.
O meu neto mais velho. Dezóito anos quase. Mesmo quase.
Procuro as palavras adequadas.
- Diz lá, B.
- É só para dar um beijo à avó.
Coisa linda e boa.
Digo-lhe a surpresa e o bálsamo.
E ele:
- Um,não, avó. Muitos.
Noite abençada.
Vida grata.
Oração.
Tuesday, November 25, 2008
SAUDAR A INÊS DE CASTRO, A PAULA ROLÃO (? NÃO TENHO A CERTEZA DO NOME...)
Tenho estado calada, com uma série de ocupações.
Mas saltei de um texto que tenho ainda para enviar hoje.
Para dizer que neste «P'rós e Contras» tenho IMENSA VERGONHA da figura que tem feito a maioria dos professores.
E uma saudação à Inês (lembras-te que nem sempre concordámos nos anos que estive contigo no Monte da Caparica. Já tantos, não é? O meu afecto e saudades. A ver se vou a um almoço de Natal.)e à Paula Rolão.
Vou continuar o meu texto.
E a ver se volto com mais calma.
Mas saltei de um texto que tenho ainda para enviar hoje.
Para dizer que neste «P'rós e Contras» tenho IMENSA VERGONHA da figura que tem feito a maioria dos professores.
E uma saudação à Inês (lembras-te que nem sempre concordámos nos anos que estive contigo no Monte da Caparica. Já tantos, não é? O meu afecto e saudades. A ver se vou a um almoço de Natal.)e à Paula Rolão.
Vou continuar o meu texto.
E a ver se volto com mais calma.
Sunday, November 09, 2008
HOJE ...
Hoje estava um belo dia de sol.
O Manel, bem melhor.
Fomos ao fim da tarde ver «A Turma» (bem melhor o título francês «Entre murs»).
Nem eu nem o Manel gostamos de dar opiniões logo a seguir a ver um filme.
As imagens como as palavras digerem-se Comem-se.
Só a recomendação de que vale a pena.
É a visibilidade de um universo que se não conhece.
E dá para reflectir que não há por um lado «bons» e por outro «maus». Que nem tudo é «tal qual».
Como tudo.
Como a vida toda.
O Manel, bem melhor.
Fomos ao fim da tarde ver «A Turma» (bem melhor o título francês «Entre murs»).
Nem eu nem o Manel gostamos de dar opiniões logo a seguir a ver um filme.
As imagens como as palavras digerem-se Comem-se.
Só a recomendação de que vale a pena.
É a visibilidade de um universo que se não conhece.
E dá para reflectir que não há por um lado «bons» e por outro «maus». Que nem tudo é «tal qual».
Como tudo.
Como a vida toda.
Saturday, November 08, 2008
OUTONO, CASTANHAS E COMO É BOM PISAR AS FOLHAS SECAS
Ai, o Outono e a beleza das folhas secas na cidade!
E as castanhas! Esse cheirinho. E o fumo, suspeita de mistério em cada rosto.
Era quando eu escrevia um postal à minha mãe em Tibaldinho (ou era mais cedo?) a dizer «Mãe, venha, que já há castanhas.». Ela vinha. Por dois ou três dias a nossa vida era um paraíso. Depois, voltávamos àquele «cão e gato» de mãe e filha, que é como tanta vez se diz o amor.
Hoje quero pedir («pedir», mais para o lado de «ordenar») aos meus netos que se alegrem e pisem mesmo as folhas secas (Bernardo, lembras-te, uns primeiros passitos na Praça do Giraldo? Bem vês que «nada como o tempo para passar»…).
E também, mesmo com a crise, vá lá, arranjem maneira e também um eurozito para umas castanhitas assadas.
Aquele cheirinho… Aquele fumo…
Mistério a vida toda.
Em tudo.
E as castanhas! Esse cheirinho. E o fumo, suspeita de mistério em cada rosto.
Era quando eu escrevia um postal à minha mãe em Tibaldinho (ou era mais cedo?) a dizer «Mãe, venha, que já há castanhas.». Ela vinha. Por dois ou três dias a nossa vida era um paraíso. Depois, voltávamos àquele «cão e gato» de mãe e filha, que é como tanta vez se diz o amor.
Hoje quero pedir («pedir», mais para o lado de «ordenar») aos meus netos que se alegrem e pisem mesmo as folhas secas (Bernardo, lembras-te, uns primeiros passitos na Praça do Giraldo? Bem vês que «nada como o tempo para passar»…).
E também, mesmo com a crise, vá lá, arranjem maneira e também um eurozito para umas castanhitas assadas.
Aquele cheirinho… Aquele fumo…
Mistério a vida toda.
Em tudo.
INTERVALO
Mais parece um vazio.
Mas não.
Foi um tempo em que o Manel de novo se submeteu a uma intervenção. Aqueles desentupimentos de artérias. Tudo programado, mas… Pronto, correu bem. Graças a Deus e aos médicos. A todo o pessoal do hospital. E ao afecto dos filhos. Dos amigos. Dos vizinhos.
E também das presenças,das memórias. É nestas alturas que me lembro tanto da minha mãe. Dessa coragem a vida toda. Dessa capacidade de tudo enfrentar. De pé.
Mas não.
Foi um tempo em que o Manel de novo se submeteu a uma intervenção. Aqueles desentupimentos de artérias. Tudo programado, mas… Pronto, correu bem. Graças a Deus e aos médicos. A todo o pessoal do hospital. E ao afecto dos filhos. Dos amigos. Dos vizinhos.
E também das presenças,das memórias. É nestas alturas que me lembro tanto da minha mãe. Dessa coragem a vida toda. Dessa capacidade de tudo enfrentar. De pé.
Wednesday, October 22, 2008
MEMÓRIAS A PROPÓSITO DE ONTEM, 21 DE OUTUBRO
Friday, October 17, 2008
HORA DE ALMOÇO
Carrego em «iniciar sessão».
E continuo. «Nova postagem»
À procura de mim.
E à direita, em baixo, o computador aponta 13h11.
O almoço.
Reajo mal. E digo «É sempre assim»
Preparo-me para fechar tudo. Um bocado zangada.
Mas sei que é nas rotinas que tanta vez me encontro. Nestas e noutras.
E vem-me certinha a afirmaçÃO de Teresa de Ávila que admiro cada vez mais) «Deus está entre as caçarolas».
Hei-de encontrar-me, claro.
E continuo. «Nova postagem»
À procura de mim.
E à direita, em baixo, o computador aponta 13h11.
O almoço.
Reajo mal. E digo «É sempre assim»
Preparo-me para fechar tudo. Um bocado zangada.
Mas sei que é nas rotinas que tanta vez me encontro. Nestas e noutras.
E vem-me certinha a afirmaçÃO de Teresa de Ávila que admiro cada vez mais) «Deus está entre as caçarolas».
Hei-de encontrar-me, claro.
Sunday, October 12, 2008
PARABÉNS JOAQUIM FRANCO
Pela coragem da reportagem que hoje vi na Sic e que julgo se chamava «Os padres e a política».
Doeu-me e regozigei-me por estes homens.
O cristianismo tem consequências.
Às vezes duras.
Sempre proféticas.
Gostei muito da serenidade de Maria do Rosário Carneiro.
Cai a noite com um certo nó na garganta.
E a certeza de que «quando o Filho do homem vier encontrará a fé sobre a Terra».
Doeu-me e regozigei-me por estes homens.
O cristianismo tem consequências.
Às vezes duras.
Sempre proféticas.
Gostei muito da serenidade de Maria do Rosário Carneiro.
Cai a noite com um certo nó na garganta.
E a certeza de que «quando o Filho do homem vier encontrará a fé sobre a Terra».
Friday, October 10, 2008
DIANTE DE MIM
Ontem o Manel fez um cataterismo.
Eu sabia que ele estava cheio de medo.
Eu também.
Foi bom, ficar ali sozinha no quarto.
Esperar um tempo que pareceu imenso.
Tentei reler «O Diário de Etty». Sei que qualquer página serviria.
Mas não dava.
Peguei na malha.
No silêncio.
No medo.
No estar ali sozinha.
Nalgumas, poucas, lágrimas serenas
E tudo isto foi uma oração.
Talvez se comece a revelar o que escondem afinal os meus novelos.
Nota - O cataterismo correu bem.
Eu sabia que ele estava cheio de medo.
Eu também.
Foi bom, ficar ali sozinha no quarto.
Esperar um tempo que pareceu imenso.
Tentei reler «O Diário de Etty». Sei que qualquer página serviria.
Mas não dava.
Peguei na malha.
No silêncio.
No medo.
No estar ali sozinha.
Nalgumas, poucas, lágrimas serenas
E tudo isto foi uma oração.
Talvez se comece a revelar o que escondem afinal os meus novelos.
Nota - O cataterismo correu bem.
LOBO ANTUNES, UM COMEÇO
Não ouvi a entrevista de Mário Crespo a Lobo Antunes. Só um excerto.
Faz-me voltar aqui.
Partilhar as palavras e o que revelam.
Não as terei retido certinhas, mas arrisco
«A morte de um pai é terrível.
Um pai está entre nós e a morte.
(...)
Depois, quando a morte bater, somos nós a abrir-lhe a porta.»
E
«É como um fim de semana.
Durante a semana ainda vá que não vá. Horários. tarefas.
No fim de semana, estamos perante nós próprios.»
«Ou como a reforma.
Um casal passa a tropeçar no quotidiano de um outro.»
Tal qual.
E Mário Crespo
«É preciso dizer «ontem não te vi em Babilónia.»
Lobo Antunes - «E gostava de te ver»
Reinventar o dia.
Um começo.
Faz-me voltar aqui.
Partilhar as palavras e o que revelam.
Não as terei retido certinhas, mas arrisco
«A morte de um pai é terrível.
Um pai está entre nós e a morte.
(...)
Depois, quando a morte bater, somos nós a abrir-lhe a porta.»
E
«É como um fim de semana.
Durante a semana ainda vá que não vá. Horários. tarefas.
No fim de semana, estamos perante nós próprios.»
«Ou como a reforma.
Um casal passa a tropeçar no quotidiano de um outro.»
Tal qual.
E Mário Crespo
«É preciso dizer «ontem não te vi em Babilónia.»
Lobo Antunes - «E gostava de te ver»
Reinventar o dia.
Um começo.
Thursday, September 18, 2008
A CRISE FINANCEIRA E NOVELOS EMARANHADOS
Acabei de ouvir o dr. F. Ulrich que comparou a crise financeira com os novelos que uma avó trabalha e que são emaranhados pelos netos.
Conheço bem esta situação - novelos emaranhados pelos netos.
E quem vai lá por casa também a conhece.
A pergunta é quase sempre «A avó dá-nos um ou dois novelos?»
Das primeiiras vezes, dei. Achei piada.
Mas... tornou-se grave.
O visado era sempre o Avô.
«Vamos prender o Avô.»
E os fios percorriam toda a casa.
O Manel obrigatoriamente sossegadinho no maple, preso por fios.
Os novelos não ficavam só emaranhados. Todos completamente desmanchados.
(Sem concerto).
Perdão, perdão sobretudo aos meus alunos, que lhes fiz a vida negra com os erros de ortografia. Leia-se CONSERTO.
Os fios pela casa toda.
E o Avô só liberto quando eu os conseguia a custo cortar com a tesoura da cozinha.
De qualquer forma ligou bem comigo esta imagem usada por F. Ulrich.
Numa época em que parece que já ninguém tira prazer em tecer um casaco ou uma mantinha...
E sei que a paciência e a sabedoria de uma avó é mesmo capaz de voltar a dobar os novelos.
Direitinhos.
Conheço bem esta situação - novelos emaranhados pelos netos.
E quem vai lá por casa também a conhece.
A pergunta é quase sempre «A avó dá-nos um ou dois novelos?»
Das primeiiras vezes, dei. Achei piada.
Mas... tornou-se grave.
O visado era sempre o Avô.
«Vamos prender o Avô.»
E os fios percorriam toda a casa.
O Manel obrigatoriamente sossegadinho no maple, preso por fios.
Os novelos não ficavam só emaranhados. Todos completamente desmanchados.
(Sem concerto).
Perdão, perdão sobretudo aos meus alunos, que lhes fiz a vida negra com os erros de ortografia. Leia-se CONSERTO.
Os fios pela casa toda.
E o Avô só liberto quando eu os conseguia a custo cortar com a tesoura da cozinha.
De qualquer forma ligou bem comigo esta imagem usada por F. Ulrich.
Numa época em que parece que já ninguém tira prazer em tecer um casaco ou uma mantinha...
E sei que a paciência e a sabedoria de uma avó é mesmo capaz de voltar a dobar os novelos.
Direitinhos.
Wednesday, September 10, 2008
DE NOVO,O ALGARVE...
Chegámos
De novo.
Chegámos tão tarde. Lá fora já é noite.
Atravessámos de carro a famosa «rua de cima». Tantos mundos.
O Manel já se deitou «um bocadinho». Vestido. Adivinho o pior....
Amanhã, há-de ser o mar.A areia. Mal que chegue à varanda do terraço.
E é como se fossem as férias todas. As do liceu com a barraca alugada, onde só cabiam os sapatos. Depois os m meus filhos. Primeiro só a Maria e isso era tranquilo (claro, já me esqueci do eléctrico e eu cheia de sacos de Galamares até à Praia das Maçãs...). Depois, o André, os meus sobrinhos, uma confusão.
Depois Lagos. A Zezinha. O Manel um pai estremoso. Eu à conta de uns postais, dava umas escapadinhas para a esplanada.
A vida assim.
Com muitos nomes.Muitos lugares.
E muito mais afectos.
De novo.
Chegámos tão tarde. Lá fora já é noite.
Atravessámos de carro a famosa «rua de cima». Tantos mundos.
O Manel já se deitou «um bocadinho». Vestido. Adivinho o pior....
Amanhã, há-de ser o mar.A areia. Mal que chegue à varanda do terraço.
E é como se fossem as férias todas. As do liceu com a barraca alugada, onde só cabiam os sapatos. Depois os m meus filhos. Primeiro só a Maria e isso era tranquilo (claro, já me esqueci do eléctrico e eu cheia de sacos de Galamares até à Praia das Maçãs...). Depois, o André, os meus sobrinhos, uma confusão.
Depois Lagos. A Zezinha. O Manel um pai estremoso. Eu à conta de uns postais, dava umas escapadinhas para a esplanada.
A vida assim.
Com muitos nomes.Muitos lugares.
E muito mais afectos.
Saturday, September 06, 2008
MÃE, EU NÃO SEI NADA....

A G mandou-me uma daquelas mensagens com anexos, que não costumo abrir.
Chama-se «A cadeira».
Esta é uma palavra que sempre foi para mim muito especial (tão longe e tão belas «As cadeiras» de Ionesco!).
Curiosa abri o tal anexo que falava de uma cadeira vazia, ao lado da qual é preciso que nos sentemos para falar com Deus.
E como precisamos da cadeira vazia para falar com Deus
para falar connosco
para esperar alguém.
A cadeira.
Logo a seguir (sabe-se lá porquê) lembrei-me, isto é, não me lembrei de um poema que recitávamos nos pequenos/grandes teatros da escola. Só sei do que se tratava. Uma rapariguinha, que chegava junto da mãe, ao fim de um dia de aulas e dizia, feliz «Oh mãe, eu já sei tudo!»
Olhou então os olhos tranquilos e calados da mãe e, entendeu.
O poema terminava com ela a dizer
«Oh mãe, eu não sei nada!»
Gostava de ter dito isto à minha mãe.
Mas estou a tempo de o dizer hoje a todos.
Aos meus amigos
Aos meus filhos
Aos meus sobrinhos
Ao Manel
Aos meus alunos
A cada um dos que cruzam os meus dias
E depois, ter essa cadeira vazia. E só dizer o silêncio.
Obrigada, G, pela «cadeira».
Saturday, August 30, 2008
FAZER ANOS EM TIBALDINHO

Faz anos o nosso rapaz.
Quer dizer, o primeiro dos nossos rapazes. Os outros são netos…
Hoje, o nosso filho André.
Para quem anda por aqui, o André é o dono da «Caixa de Costura».
PARABÉNS, ANDRÉ.
Acordei em Tibaldinho. Cedinho, o meu costume. Lá fora o cantar de um galo.(de dia, onde estarão os galos? E os outros animais da tua infância?)
Na memória, o dia em que nasceste.
Na cama, a meu lado, o pai. Sossegadinho. De vez em quando inconsciente, pergunta-me pelos meninos.
Os cachopos dormem ainda.
Começo da manhã. Serenidade. No campo, que isto ainda é campo (da janela ainda é verde o que se avista. Mas até quando? pergunta que na verdade não interessa nada…).
Cedo demais para mim, no corredor uns passitos ainda leves. Simula um susto à porta do nosso quarto. O Manel Júnior. Um abraço terno. «Parabéns, Manel. O pai faz anos.». «Parabéns, avó. O pai é o seu filho.».
Tal qual.
E outros passitos. O António.
Pronto. Salto da cama.
E é já a grande confusão.
Posso jogar no seu computador?.
Vou ao sótão ver os morcegos.
A bola, no quintal.
Avó, quero ver o DVD.
Lembro-lhes que o João e o avô ainda dormem.
Nada.
E eu a querer escrever.
Rapazes.
Vocês dizem e são a vida. Garantem que ela «gira, como bola colorida».
E à falta de outro sossego, mergulhada na vida pelos teus filhos:
PARABÈNS ANDRÉ.
Hoje.
E todos os dias.
PS - Traduzindo: o André tem estado em Tibaldinho com os cachopos. Ontem foi ter com a Ana a Leiria. Voltam daqui a bocadinho. Almoço no Cortiço. Bolo do Patronato de Mangualde. Boa!
Quer dizer, o primeiro dos nossos rapazes. Os outros são netos…
Hoje, o nosso filho André.
Para quem anda por aqui, o André é o dono da «Caixa de Costura».
PARABÉNS, ANDRÉ.
Acordei em Tibaldinho. Cedinho, o meu costume. Lá fora o cantar de um galo.(de dia, onde estarão os galos? E os outros animais da tua infância?)
Na memória, o dia em que nasceste.
Na cama, a meu lado, o pai. Sossegadinho. De vez em quando inconsciente, pergunta-me pelos meninos.
Os cachopos dormem ainda.
Começo da manhã. Serenidade. No campo, que isto ainda é campo (da janela ainda é verde o que se avista. Mas até quando? pergunta que na verdade não interessa nada…).
Cedo demais para mim, no corredor uns passitos ainda leves. Simula um susto à porta do nosso quarto. O Manel Júnior. Um abraço terno. «Parabéns, Manel. O pai faz anos.». «Parabéns, avó. O pai é o seu filho.».
Tal qual.
E outros passitos. O António.
Pronto. Salto da cama.
E é já a grande confusão.
Posso jogar no seu computador?.
Vou ao sótão ver os morcegos.
A bola, no quintal.
Avó, quero ver o DVD.
Lembro-lhes que o João e o avô ainda dormem.
Nada.
E eu a querer escrever.
Rapazes.
Vocês dizem e são a vida. Garantem que ela «gira, como bola colorida».
E à falta de outro sossego, mergulhada na vida pelos teus filhos:
PARABÈNS ANDRÉ.
Hoje.
E todos os dias.
PS - Traduzindo: o André tem estado em Tibaldinho com os cachopos. Ontem foi ter com a Ana a Leiria. Voltam daqui a bocadinho. Almoço no Cortiço. Bolo do Patronato de Mangualde. Boa!
PS - A «foto» é do André, dois aninhos, de gato, muito chateado. Era o que havia. Meu rico menino... Mães!!!
Friday, August 22, 2008
PARA AGRADECER

Quando fiz os tais 68 em 8 do 8 de 2008, encontrei numa página da Net um texto de Vinicius de Morais ( que adaptei e escrevi num cartão e a que juntei a imagem de um abraço) para dar como agradecimento a alguns amigos que me deram os Parabéns.
Gosto muito do texto e aqui vai ele (pode ser que encontre a imagem, já sabem que não me ajeito, mas ... vamos ver):
«Procura-se um amigo (...), que se comova, quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples(...).
Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade(...).
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.
Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.
Um amigo que nos bata no ombro sorrindo ou chorando, mas que nos chame amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.»
Gosto muito do texto e aqui vai ele (pode ser que encontre a imagem, já sabem que não me ajeito, mas ... vamos ver):
«Procura-se um amigo (...), que se comova, quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples(...).
Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade(...).
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.
Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.
Um amigo que nos bata no ombro sorrindo ou chorando, mas que nos chame amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.»
Vinicius de Morais
E ainda nesse dia 8 do 8 de 2008, recebi um telefonema de um amigo a quem eu tinha dado o tal cartão. Não é pessoa de muitas falas. Mas quis telefonar-me. Disse:
«Teresa, melhor do que «precisar-se de um amigo», é «ter-se um amigo».
E é mesmo.
Mesmo.
Bem-haja. A todos.
DE VOLTA...
Em Tibaldinho há mais de uma semana.
Nem agradeci aqui os parabéns pelos anos. Escrevo agora a gratidão. E a alegria. Em 8 do 8 de 2008. 68 anos!
Bem-haja a cada um (na Beira não dizemos «obrigada» nem «obrigado»).
Não tem sido fácil o meu acesso à Net (o Manuel continua a trabalhar, vá lá... Concordo que pelo menos a cabeça resiste melhor).
Então, com pouco tempo (um nadinha enquanto ele faz uma sesta), lembrei-me que há cerca de um ano comecei a escrever sobre esta casa. Procurei o texto e aqui vai, porque as palavras desajeitadas estão envoltas em ternura e na nossa vida toda. Diz assim:
A CASA
A casa tem p’raí cem anos.
Não é de pedra como as casas da Beira.
É uma casa de emigrantes que vieram do Brasil, princípio do séc XX.
Sempre que voltamos quando o carro faz a última curva e a vimos ali, inteirinha e tudo, é um alívio.
«Ainda não caiu».
Lá está ela. Sempre de pé. A precisar de obras de fachada, com os portões numa desgraça, estragados e feios. Ainda abrem e fecham, mas às vezes precisam de uma trave para os aguentar.
A casa …
ESTE ANO
A casa continua a aguentar-se.
Já tem os portões todos novos, mas nenhum é de madeira. Sinais dos tempos...
A Maria e o Paulo pintaram a porta de cima.
Encomendámos outra porta para a cozinha.
As cadeiras tão antigas, de palhinha, cada ano mais esburacada pelos dedos dos meus netos, já estão arranjadinhas. E LINDAS MESMO.
Mas faltam sempre tantas coisas, tantas.
Pensando bem as casas parecem-se com a vida.
Julgamos que são fundo perdido.
E este é seguramente o maior legado.
Aquilo de que ninguém se vai esquecer.
E nem tenho uma fotografiazita... A ver se o Manel dá uma ajuda.
Nem agradeci aqui os parabéns pelos anos. Escrevo agora a gratidão. E a alegria. Em 8 do 8 de 2008. 68 anos!
Bem-haja a cada um (na Beira não dizemos «obrigada» nem «obrigado»).
Não tem sido fácil o meu acesso à Net (o Manuel continua a trabalhar, vá lá... Concordo que pelo menos a cabeça resiste melhor).
Então, com pouco tempo (um nadinha enquanto ele faz uma sesta), lembrei-me que há cerca de um ano comecei a escrever sobre esta casa. Procurei o texto e aqui vai, porque as palavras desajeitadas estão envoltas em ternura e na nossa vida toda. Diz assim:
A CASA
A casa tem p’raí cem anos.
Não é de pedra como as casas da Beira.
É uma casa de emigrantes que vieram do Brasil, princípio do séc XX.
Sempre que voltamos quando o carro faz a última curva e a vimos ali, inteirinha e tudo, é um alívio.
«Ainda não caiu».
Lá está ela. Sempre de pé. A precisar de obras de fachada, com os portões numa desgraça, estragados e feios. Ainda abrem e fecham, mas às vezes precisam de uma trave para os aguentar.
A casa …
ESTE ANO
A casa continua a aguentar-se.
Já tem os portões todos novos, mas nenhum é de madeira. Sinais dos tempos...
A Maria e o Paulo pintaram a porta de cima.
Encomendámos outra porta para a cozinha.
As cadeiras tão antigas, de palhinha, cada ano mais esburacada pelos dedos dos meus netos, já estão arranjadinhas. E LINDAS MESMO.
Mas faltam sempre tantas coisas, tantas.
Pensando bem as casas parecem-se com a vida.
Julgamos que são fundo perdido.
E este é seguramente o maior legado.
Aquilo de que ninguém se vai esquecer.
E nem tenho uma fotografiazita... A ver se o Manel dá uma ajuda.
Wednesday, August 06, 2008
GOSTO....
Quero ir ver «A Outra». Fazer malha. Sossegadinha ao pé do Manel.
E também quero escrever. Um nadinha que seja.
Quero dizer aquilo de que gosto. É uma lista enorme. Vou-a escrevendo aos poucos, cada dia.
Gosto de laranjas.
Gosto dos limoeiros do quintal.
Gosto de sítios de que ninguém gosta- centros de saúde, filas nos correios. Toda a espécie de filas.
Gosto de combóios.
De estações de comboio e de ver o comboio a ir, na curva.
Gosto de percorrer sozinha as ruas das cidades. Porque assim as torno minhas.
Sobretudo eu gosto muito de gostar. Preciso muito de gostar. Sei que é assim que vivo. Parece que só assim posso viver. Gostar.
A lista há-de amanhã continuar.
E também quero escrever. Um nadinha que seja.
Quero dizer aquilo de que gosto. É uma lista enorme. Vou-a escrevendo aos poucos, cada dia.
Gosto de laranjas.
Gosto dos limoeiros do quintal.
Gosto de sítios de que ninguém gosta- centros de saúde, filas nos correios. Toda a espécie de filas.
Gosto de combóios.
De estações de comboio e de ver o comboio a ir, na curva.
Gosto de percorrer sozinha as ruas das cidades. Porque assim as torno minhas.
Sobretudo eu gosto muito de gostar. Preciso muito de gostar. Sei que é assim que vivo. Parece que só assim posso viver. Gostar.
A lista há-de amanhã continuar.
Saturday, August 02, 2008
Do «Diário» de Etty Hillesum
Transcrevo um quase nnada, que hoje teve tanto a ver comigo:
«Algum tempo atrás, tinha dito para mim mesma:«Vou exercitar-me a ajoelhar.» Ainda tinha demasiada vergonha desse gesto que é tão íntimo como os gestos amorosos, acerca dos quais ninguém consegue falar a não ser que seja um poeta.»
«Algum tempo atrás, tinha dito para mim mesma:«Vou exercitar-me a ajoelhar.» Ainda tinha demasiada vergonha desse gesto que é tão íntimo como os gestos amorosos, acerca dos quais ninguém consegue falar a não ser que seja um poeta.»
Friday, July 25, 2008
UM DIA DESTES
Navegando ao acaso, aí pela Net, encontrei de Raúl Brandão:
«Um dia destes temos de nos separar, e é natural que seja eu, que sou mais velho, o primeiro a partir... Antes porém, quero dizer-te que te devo o melhor da vida. Foste tu que me desvendaste o amor, que eu desconhecia. A bondade e a ternura, que eu desconhecia. Não exerci talvez nenhuma influência na tua alma – tu apaziguaste-me. O amor era em mim um simples impulso: criaste-o, e pouco a pouco essa força nas tuas mãos se transformou em sentimento religioso.Olha para os meus cabelos todos brancos... Julgava que o amor ia diminuindo com o tempo – e o meu amor não cessa de aumentar até à morte e para além da morte.»
E transcrevo-o, porque, sei por mim, sei por nós que nada conta senão «o amor que não cessa de aumentar até à morte e para além da morte.»
«Um dia destes temos de nos separar, e é natural que seja eu, que sou mais velho, o primeiro a partir... Antes porém, quero dizer-te que te devo o melhor da vida. Foste tu que me desvendaste o amor, que eu desconhecia. A bondade e a ternura, que eu desconhecia. Não exerci talvez nenhuma influência na tua alma – tu apaziguaste-me. O amor era em mim um simples impulso: criaste-o, e pouco a pouco essa força nas tuas mãos se transformou em sentimento religioso.Olha para os meus cabelos todos brancos... Julgava que o amor ia diminuindo com o tempo – e o meu amor não cessa de aumentar até à morte e para além da morte.»
E transcrevo-o, porque, sei por mim, sei por nós que nada conta senão «o amor que não cessa de aumentar até à morte e para além da morte.»
Tuesday, July 15, 2008
A ESCOLA, SEMPRE
Desafiaram-me que fosse até lá. Um almoço partilhado, género festa de fim de ano à conta de quatro colegas que se reformavam.
Feliz pelo desafio, fui.
E foi tudo muito bom.
Os rostos que via todos os dias, à distância da separação, tornam-se cheios de novidade e brilham de sorrisos.
Realmente, tenho aprendido que a distância me dá um novo olhar.
Sem preconceitos.
Límpido.
Mais parecido com a primeira de todas as manhãs.
Feliz pelo desafio, fui.
E foi tudo muito bom.
Os rostos que via todos os dias, à distância da separação, tornam-se cheios de novidade e brilham de sorrisos.
Realmente, tenho aprendido que a distância me dá um novo olhar.
Sem preconceitos.
Límpido.
Mais parecido com a primeira de todas as manhãs.
ANTÓNIO JOSÉ ESTEVES

Pudéssemos esquecer que não estás aqui.
Pudéssemos esquecer que não saberás o sorriso nem o choro daquela criança, a tua primeira neta, p'ra nascer.
E que Tibaldinho não mais te encontrará pelos caminhos.
Nem em nenhum lugar.
Pudéssemos esquecer este «nunca mais» e talvez Fernando Pessoa nos confortasse. Talvez. Por isso, a medo, o transcrevo.
Ainda que cada um de nós dolorosamente saiba que a morte não tem qualquer consolo, nem justificação, nem nada.
Então, de Fernando Pessoa
«A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
existir como eu existo.
Pudéssemos esquecer que não saberás o sorriso nem o choro daquela criança, a tua primeira neta, p'ra nascer.
E que Tibaldinho não mais te encontrará pelos caminhos.
Nem em nenhum lugar.
Pudéssemos esquecer este «nunca mais» e talvez Fernando Pessoa nos confortasse. Talvez. Por isso, a medo, o transcrevo.
Ainda que cada um de nós dolorosamente saiba que a morte não tem qualquer consolo, nem justificação, nem nada.
Então, de Fernando Pessoa
«A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
existir como eu existo.
A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.»
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.»
E vou procurar uma qualquer imagem do teu tão amado Tibaldinho e ver se inabilmente a consigo aqui postar.
Saturday, July 05, 2008
EM LOUVOR DOS QUE HOJE DÃO PÃO COM CHEIRO A ROSAS
Escrevi ontem «isto» para o Meditando da RR. E deixo-vos aqui para continuar a homenagear alguns espaços e tanta gente do meu bairro. Gente que vale a pena. Diz assim:
«No dia em que festejamos Santa Isabel, Rainha de Portugal, quero lembrar-Te, Senhor, todos aqueles que fazem da vida, um regaço onde transportam pão como se fossem rosas.
Cruzam-se connosco.
Todos os dias e de forma anónima.
Falo-Te, Senhor, do comércio do meu bairro. Do cabeleireiro. Do mercado. Do café. Do restaurante onde às vezes posso ir.
Estão ali e ouvem-nos. Confortam as nossas dores. Olhe que vai tudo correr bem. E contam, inventando talvez, a história semelhante de outra vida com um final feliz.
Partilham as nossas alegrias como se fossem suas. Dão um conselho: Gostava de lhe fazer corte assim. Veja lá como é que vai aos anos do seu neto. Ele merece. E mostram o tal corte na revista.
Esforçam-se por encontrar o que está ao alcance das nossas bolsas. Hoje as cerejas estão mais baratas. E arredondam p’ra baixo.
Para os doentes, encontram qualquer coisa que lhes há-de saber bem.
Rainha Santa Isabel de Portugal intercede também por estes que como tu transportam pão. Cheiram a rosas.»
«No dia em que festejamos Santa Isabel, Rainha de Portugal, quero lembrar-Te, Senhor, todos aqueles que fazem da vida, um regaço onde transportam pão como se fossem rosas.
Cruzam-se connosco.
Todos os dias e de forma anónima.
Falo-Te, Senhor, do comércio do meu bairro. Do cabeleireiro. Do mercado. Do café. Do restaurante onde às vezes posso ir.
Estão ali e ouvem-nos. Confortam as nossas dores. Olhe que vai tudo correr bem. E contam, inventando talvez, a história semelhante de outra vida com um final feliz.
Partilham as nossas alegrias como se fossem suas. Dão um conselho: Gostava de lhe fazer corte assim. Veja lá como é que vai aos anos do seu neto. Ele merece. E mostram o tal corte na revista.
Esforçam-se por encontrar o que está ao alcance das nossas bolsas. Hoje as cerejas estão mais baratas. E arredondam p’ra baixo.
Para os doentes, encontram qualquer coisa que lhes há-de saber bem.
Rainha Santa Isabel de Portugal intercede também por estes que como tu transportam pão. Cheiram a rosas.»
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