Hoje
estou aliviada.
Louvo algum bom senso que superou tanta divagação pouco prudente.
Monday, September 28, 2009
Sunday, August 30, 2009
É UM RAPAZ
«- É um rapaz.
Tá a ver, tem aqui o seu rapaz.»
Foi assim que o médico me pôs em cima da barriga agora insensível, um rapaz cooooooooooompridíssimo, um molho de líquidos que eu não percebia, misturados com uns que me pareciam sangue.
Um rapaz.
Levaste um tempozito que me pareceu enorme até que gritasses muito. MESMO MUITO.
(nunca foste de falar à primeira, era isso, talvez)
Depois vi-te as mãos muito abertas e enormes.
Os pés, a mesma coisa.
Esquisito. Parecias-te com o médico.
Foi quando desatei a chorar. Também estava certo comigo e não te deve ter surpreendido. Disseste mais tarde «A minha mãe até chora com anúncios».
Sei lá porque é que choramos. Vem de dentro.
Diz também a vida.
E a alegria tornada mais serena e mais conforme...
«Faz o favor de seres feliz.» (plágio que vale)
O pai quis chamar-te André. Hoje já gosto, mas levei um tempão. Sou sempre demorada.
O pai tinha razão.
André.
Tá a ver, tem aqui o seu rapaz.»
Foi assim que o médico me pôs em cima da barriga agora insensível, um rapaz cooooooooooompridíssimo, um molho de líquidos que eu não percebia, misturados com uns que me pareciam sangue.
Um rapaz.
Levaste um tempozito que me pareceu enorme até que gritasses muito. MESMO MUITO.
(nunca foste de falar à primeira, era isso, talvez)
Depois vi-te as mãos muito abertas e enormes.
Os pés, a mesma coisa.
Esquisito. Parecias-te com o médico.
Foi quando desatei a chorar. Também estava certo comigo e não te deve ter surpreendido. Disseste mais tarde «A minha mãe até chora com anúncios».
Sei lá porque é que choramos. Vem de dentro.
Diz também a vida.
E a alegria tornada mais serena e mais conforme...
«Faz o favor de seres feliz.» (plágio que vale)
O pai quis chamar-te André. Hoje já gosto, mas levei um tempão. Sou sempre demorada.
O pai tinha razão.
André.
Wednesday, August 19, 2009
NI, A BENÇÃO DOS AFECTOS
Recebi o seu cartão de parabéns.
Não somos amigas há muitos anos.
É há muito mais...
Ventre materno.
Laço paterno.
Sempre as mesmas casas.
Os mesmos avós.
Os mesmos...
Às vezes estamos anos sem nos vermos, sem falarmos...
E é sempre o dia inicial
Gémeas irmãs.
A vida diz-nos misteriosamente o invisível.
Agradecemos.
Não somos amigas há muitos anos.
É há muito mais...
Ventre materno.
Laço paterno.
Sempre as mesmas casas.
Os mesmos avós.
Os mesmos...
Às vezes estamos anos sem nos vermos, sem falarmos...
E é sempre o dia inicial
Gémeas irmãs.
A vida diz-nos misteriosamente o invisível.
Agradecemos.
Friday, August 14, 2009
SER
Um dia destes escrevi no «Realejo»
«Sem passado, não há presente
nem futuro«
Antes de voltar às minhas malhas ou às cartas da Etty, volto a escrever.
Com este jeito que tenho de afirmar.
«Sem passado, não existimos.
Não há vida.»
«Sem passado, não há presente
nem futuro«
Antes de voltar às minhas malhas ou às cartas da Etty, volto a escrever.
Com este jeito que tenho de afirmar.
«Sem passado, não existimos.
Não há vida.»
Sunday, August 09, 2009
VIDA, ISABEL CABRAL

Acabamos de receber uma mensagem
«Morreu a Bé Cabral»
A postagem que fiz há instantes falava mesmo da VIDA E DA MORTE.
Parece acaso, mas acredito que não há acasos.
Jamais direi o BEM PARA NÓS E PARA TANTA GENTE que foi toda a vida da Bé.
Em lágrimas e com o almoço para pôr na mesa,
deixo apenas a ACÇÃO DE GRAÇAS que escrevemos e dissemos quando a Bé fez 0itenta Anos, em 2001
«NOVEMBRO/2001
SENHOR, NÓS TE DAMOS GRAÇAS, PELA NOSSA AMIGA BÉ.
COMO CADA UM DE NÓS, AINDA HOJE, LEMBRA, COMO UMA BENÇÃO, O DIA EM QUE A CONHECEU!
FORAM CIRCUNSTÂNCIAS E DATAS DIFERENTES, MAS TÊM TODAS EM COMUM O ENCONTRO COM A SUA SIMPLICIDADE, O SEU SORRISO ACOLHEDOR E LOGO AMIGO, O JEITO DE QUEBRAR TODAS AS DISTÂNCIAS.
SENHOR, NÃO SOMOS SÓ NÓS, OS QUE AQUI ESTAMOS, QUEM TE AGRADECE.
É UMA MULTIDÃO DE AMIGOS, VIDAS QUE FORAM TOCADAS PELO SEU AMOR TÃO PRÓXIMO E DISCRETO.
E TANTA OUTRA GENTE SEM ROSTO, A QUEM TRATOU PELO NOME, A QUEM OUVIU A VIDA E AJUDOU A FAZER CAMINHO.
SENHOR, AINDA TE QUEREMOS AGRADECER AS TEIMOSIAS DA BÉ. NÃO POR SEREM TEIMOSIAS, MAS PORQUE DIZEM A FORÇA DO SEU QUERER E A SUA CERTEZA DE QUE, COM AMOR, TUDO SE PODE MUDAR.
E TAMBÉM, AQUELA SUA SIMPLICIDADE, QUANDO RI DE SI PRÓPRIA E, ASSIM, SEM PRETENSÕES, NOS ENSINA A ACEITAR, COM ALEGRIA, AS NOSSAS FRAGILIDADES.
SENHOR, NÓS TE BENDIZEMOS PELA VIDA DA BÉ.»
TE BENDIZEMOS
Quando morreu a minha Mãe, um amigo nosso disse-me «Teresa, canta, Aleluia».
Na altura não percebi.
Tenho vindo a perceber.
CANTAMOS HOJE ALELUIA PELA NOSSA QUERIDA BÉ
E SEM JEITO DEIXO-LHE UMA FLOR
COMO SE MORRE E TALVEZ SE NASÇA E RENASÇA CADA DIA
ESTE FOI O TEXTO QUE ESCREVI MESMO NO FINAL DO DIA 7, VÉSPERA DOS MEUS ANOS. NASCER EM AGOSTO...
DEPOIS, A NOTÍCIA DA MORTE DO SOLNADO
E DE TANTAS OUTRAS E DIVERSAS MORTES QUE NOS DÁ A VIDA.
E DE TANTAS VIDAS QUE PODE TER A MORTE.
TRANSCREVO O TEXTO, TENHAM PACIÊNCIA, NÃO SEM CITAR LOBO ANTUNES « AOS ???? ANOS A MORTE JÁ NÃO ESPERA MUITO POR MIM.»
E TAMBÉM A MARGARIDA QUE TANTA VEZ ME DIZ «NINGUÉM MORRE DE VÉSPERA».
E SEI QUE ISSO SÓ DE MIM DEPENDE.
Aí vai o texto:
«Faço anos
Agradeço a minha vida toda. Inteirinha.
Os bons momentos. E tantos outros difíceis, tão difíceis.
Agradeço todos os homens e mulheres, que por ela passaram. Aqueles com quem me entendi e partilhei projectos.
E também aqueles de quem discordei mas que foram a forma como fui aprendendo a respeitar outro ponto de vista, outra circunstância.
Agradeço a família, diferente como é.
Um lugar especial para os meus filhos que me têm ensinado que ninguém é pertença de ninguém.
Agradeço esta difícil condição humana de tantas vezes não poder aliviar o sofrimento do outro. Só conseguir estar a seu lado.
Um dia recebi no telemóvel uma mensagem sábia de alguém muito novo de quem sei o sofrimento. Dizia assim «Ninguém nos garante que a vida é fácil. Mas vale, porque é vida.»
DEPOIS, A NOTÍCIA DA MORTE DO SOLNADO
E DE TANTAS OUTRAS E DIVERSAS MORTES QUE NOS DÁ A VIDA.
E DE TANTAS VIDAS QUE PODE TER A MORTE.
TRANSCREVO O TEXTO, TENHAM PACIÊNCIA, NÃO SEM CITAR LOBO ANTUNES « AOS ???? ANOS A MORTE JÁ NÃO ESPERA MUITO POR MIM.»
E TAMBÉM A MARGARIDA QUE TANTA VEZ ME DIZ «NINGUÉM MORRE DE VÉSPERA».
E SEI QUE ISSO SÓ DE MIM DEPENDE.
Aí vai o texto:
«Faço anos
Agradeço a minha vida toda. Inteirinha.
Os bons momentos. E tantos outros difíceis, tão difíceis.
Agradeço todos os homens e mulheres, que por ela passaram. Aqueles com quem me entendi e partilhei projectos.
E também aqueles de quem discordei mas que foram a forma como fui aprendendo a respeitar outro ponto de vista, outra circunstância.
Agradeço a família, diferente como é.
Um lugar especial para os meus filhos que me têm ensinado que ninguém é pertença de ninguém.
Agradeço esta difícil condição humana de tantas vezes não poder aliviar o sofrimento do outro. Só conseguir estar a seu lado.
Um dia recebi no telemóvel uma mensagem sábia de alguém muito novo de quem sei o sofrimento. Dizia assim «Ninguém nos garante que a vida é fácil. Mas vale, porque é vida.»
Friday, August 07, 2009
TÃO ANTIGO O RITUAL
Thursday, July 30, 2009
COM A CLIX, PREJUDICADÍSSIMOS E ZANGADÍSSIMOS
Esta é a confirmação da reclamação que o meu marido acabou de fazer à Clix.
A reclamação vem imediatamente a seguir.
E só tem uma forma de ser adjectivada esta - INADMISSÍVEL.
Quem paga os prejuízos?
Quem paga ou repõe o tempo?
Numa crise
num país cheio de dificuldades,
O QUE SE FAZ A TANTO DESPERDÍCIO?
COMO NÃO SÃO OS RESPONSÁVEIS PENALIZADOS?
POR QUE É PENALIZADO O ÚNICO QUE PAGA, O CLIENTE?
VIVEMOS NUM MUNDO A QUE SE DIZ «NÃO VALE A PENA»...
ONDE ESTAMOS?
ONDE ESTOU?
Cá vai então:
«Caro(a) Cliente,
Confirmamos a recepção do seguinte pedido de esclarecimento:
Tipo de contacto: Reclamação
Assunto: Estado do Processo de Activação/Portabilidade»
RECLAMAÇÃO
«Nome: XXX
Contribuinte: XXX
Telemóvel de Contacto:XXX
Email: XXX
Tipo de Serviço contratado: Clix TV+NET+VOZ
Questão: Nº de Ident.:XXX
v/carta de 30/06/09
Anunciam-me transferência linha telefónica para o Clix a 10/07/09. Tradução: ficas sem telefone fixo nenhum (situação actual).
Anunciam-me que no prazo de 7 dias úteis serei contactado por um técnico Clix para agendar instalação do serviço TV. Tradução: silêncio absoluto até à data.
Continuo sem telefone fixo o que me faz uma imensa falta e me ocasiona uma incomportável despesa de telemóvel.
Tenho multiplicado os contactos telefónicos com o vosso Serviço ao Cliente. Para além de uma estranha informação inicial de que os serviços não me conseguiam contactar pelo telefone 21... (pois como seria tal possível se eu estava sem telefone fixo?!!) e não tinham forma de o fazer por falta de telemóvel. Respondi que para além duma morada onde fui contactado inicialmente por um vosso colaborador, tinha fornecido a este o meu telemóvel.
A todos os telefonemas para o vosso serviço, apenas encontrei a simpatia do vosso pessoal e apoio "moral" ao cliente.
Hoje informei o vosso colaborador Rúben Sabino que esperava até ao fim do dia um contacto responsável antes de iniciar os passos para agir através do meu advogado. Fiquei à espera, até agora em vão...
Assinatura
Horário preferencial de contacto: 10h às 12h»
Resposta:
«Obrigado pelo seu contacto. Daremos resposta no prazo máximo de 48h.
Com os melhores cumprimentos,
Serviço ao Cliente Clix»
_____________________________________________________
A reclamação vem imediatamente a seguir.
E só tem uma forma de ser adjectivada esta - INADMISSÍVEL.
Quem paga os prejuízos?
Quem paga ou repõe o tempo?
Numa crise
num país cheio de dificuldades,
O QUE SE FAZ A TANTO DESPERDÍCIO?
COMO NÃO SÃO OS RESPONSÁVEIS PENALIZADOS?
POR QUE É PENALIZADO O ÚNICO QUE PAGA, O CLIENTE?
VIVEMOS NUM MUNDO A QUE SE DIZ «NÃO VALE A PENA»...
ONDE ESTAMOS?
ONDE ESTOU?
Cá vai então:
«Caro(a) Cliente,
Confirmamos a recepção do seguinte pedido de esclarecimento:
Tipo de contacto: Reclamação
Assunto: Estado do Processo de Activação/Portabilidade»
RECLAMAÇÃO
«Nome: XXX
Contribuinte: XXX
Telemóvel de Contacto:XXX
Email: XXX
Tipo de Serviço contratado: Clix TV+NET+VOZ
Questão: Nº de Ident.:XXX
v/carta de 30/06/09
Anunciam-me transferência linha telefónica para o Clix a 10/07/09. Tradução: ficas sem telefone fixo nenhum (situação actual).
Anunciam-me que no prazo de 7 dias úteis serei contactado por um técnico Clix para agendar instalação do serviço TV. Tradução: silêncio absoluto até à data.
Continuo sem telefone fixo o que me faz uma imensa falta e me ocasiona uma incomportável despesa de telemóvel.
Tenho multiplicado os contactos telefónicos com o vosso Serviço ao Cliente. Para além de uma estranha informação inicial de que os serviços não me conseguiam contactar pelo telefone 21... (pois como seria tal possível se eu estava sem telefone fixo?!!) e não tinham forma de o fazer por falta de telemóvel. Respondi que para além duma morada onde fui contactado inicialmente por um vosso colaborador, tinha fornecido a este o meu telemóvel.
A todos os telefonemas para o vosso serviço, apenas encontrei a simpatia do vosso pessoal e apoio "moral" ao cliente.
Hoje informei o vosso colaborador Rúben Sabino que esperava até ao fim do dia um contacto responsável antes de iniciar os passos para agir através do meu advogado. Fiquei à espera, até agora em vão...
Assinatura
Horário preferencial de contacto: 10h às 12h»
Resposta:
«Obrigado pelo seu contacto. Daremos resposta no prazo máximo de 48h.
Com os melhores cumprimentos,
Serviço ao Cliente Clix»
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Sunday, July 26, 2009
CARTAS de Etty Hillesum

Leio as «Cartas» de Etty Hillesum.
Ainda que a tal vértebra partida me limite algumas actividades,
quero deixar aqui um nadinha de uma delas, que nem é um excerto. Mas julgo saber de cor e sei que no mínimo a ideia está certa.
Diz assim:
«Em mim a gratidão é sempre maior do que a tristeza».
Quero,
desejo muito apropriar-me desta sabedoria
A GRATIDÃO MAIOR DO QUE A TRISTEZA
Sabendo bem que «isto» não depende do que está fora de nós.
Há-de ir nascendo dentro,
criando raízes,
ser essência.
Sermos nós.
E ACONSELHO MUITO A LEITURA DESTAS «CARTAS». Podem mudar a vida toda.
Monday, July 20, 2009
ALCANÇADA A LUA EM VÉSPERAS DE PORTO COVO
Teve o sabor de um milagre.
O chão da nossa casa repleto de amigos.
Multiplicação do espaço.
Os pequenos ao colo do pai. A noite toda.
Incansável PAI neste assistir deste tão improvável alcançar da lua.
Veio a calhar uma avaria no Hilman Imp. Havíamos de partir mais tarde para Porto Covo.
Que era mesmo só aldeia.
De pescadores.
Uma rua, um largo.
Ao fundo, uma esplanada tímida, p'raí três cadeiras, onde bebíamos água tónica ao fim da tarde.
Aldeia
Crepúsculo
Milagre do que ainda hoje não é acreditável.
«Menina» de Ary dos santos no festival da canção.
E que saudades
e que presença de Ary.
O chão da nossa casa repleto de amigos.
Multiplicação do espaço.
Os pequenos ao colo do pai. A noite toda.
Incansável PAI neste assistir deste tão improvável alcançar da lua.
Veio a calhar uma avaria no Hilman Imp. Havíamos de partir mais tarde para Porto Covo.
Que era mesmo só aldeia.
De pescadores.
Uma rua, um largo.
Ao fundo, uma esplanada tímida, p'raí três cadeiras, onde bebíamos água tónica ao fim da tarde.
Aldeia
Crepúsculo
Milagre do que ainda hoje não é acreditável.
«Menina» de Ary dos santos no festival da canção.
E que saudades
e que presença de Ary.
Thursday, July 16, 2009
VOZ
Escrevo um texto para enviar ainda hoje.
Em frente a «Quadratura do Círculo» que o Manel quer ver (já adormeceu há imenso tempo e sabe-lhe muito bem)
Levanto-me.
Mudo de sala.
Esta trapalhada toda de abrir a Net noutro computador.
É QUE NÃO POSSO CALAR.
O que estou a ouvir a Lobo Xavier (com quem simpatizo muito) e a Pacheco Pereira julgo que não pode estar aacontecer.
Onde a memória?
Onde os ideais, esses da geração que sonhou e, ingenuidade, ainda sonham, QUE O MUNDO PODE MUDAR?
Defendem Alberto João Jardim. «O comunismo é inconstitucional» ou qualquer afirmação semelhante.
NÃO POSSO ACREDITAR.
MAS ESTOU MESMO A OUVIR.
Não concordo nada com aquele dogmatismo do Partido Comunista.
MAS O PAPEL QUE DESEMPENHOU ANTES DO VINTE E CINCO DE ABRIL?
Meu Deus, vou voltar ao meu texto.
TÃO CONFUSA!
O QUE É QUE ESTAMOS A OUVIR?
Nunca pertenci a partido político nennhum.
Mas a vida inteirinha me bati por mais justiça E apoiei com algumas consequências aqueles que o faziam e fazem.
Agora estou a ouvir isto. Se os mortos se erguessem das sepulturas, esta era a altura certa.
O meu texto, vá lá... E hei-de tomar uma porcaria qualquer para poder dormir.
Sem pesadelos
Em frente a «Quadratura do Círculo» que o Manel quer ver (já adormeceu há imenso tempo e sabe-lhe muito bem)
Levanto-me.
Mudo de sala.
Esta trapalhada toda de abrir a Net noutro computador.
É QUE NÃO POSSO CALAR.
O que estou a ouvir a Lobo Xavier (com quem simpatizo muito) e a Pacheco Pereira julgo que não pode estar aacontecer.
Onde a memória?
Onde os ideais, esses da geração que sonhou e, ingenuidade, ainda sonham, QUE O MUNDO PODE MUDAR?
Defendem Alberto João Jardim. «O comunismo é inconstitucional» ou qualquer afirmação semelhante.
NÃO POSSO ACREDITAR.
MAS ESTOU MESMO A OUVIR.
Não concordo nada com aquele dogmatismo do Partido Comunista.
MAS O PAPEL QUE DESEMPENHOU ANTES DO VINTE E CINCO DE ABRIL?
Meu Deus, vou voltar ao meu texto.
TÃO CONFUSA!
O QUE É QUE ESTAMOS A OUVIR?
Nunca pertenci a partido político nennhum.
Mas a vida inteirinha me bati por mais justiça E apoiei com algumas consequências aqueles que o faziam e fazem.
Agora estou a ouvir isto. Se os mortos se erguessem das sepulturas, esta era a altura certa.
O meu texto, vá lá... E hei-de tomar uma porcaria qualquer para poder dormir.
Sem pesadelos
Tuesday, July 14, 2009
SAPATOS NOVOS E MEMÓRIA
Hoje tive de comprar uns sapatos novos. A talvértebra partida já estava muito mal naquelas chancas de todos os dias, que comprei com o meu neto Francisco na Páscoa de 2008.
Pois lá pedi uma boleia ao Manel e fomos até às Amoreiras.
Já estão nos pés os sapatos.
Não é que me lembrei do príncipio de um poema que li no primeiro ano da faculdade e que não sei quem é o autor.
Dizia o primeiro verso:
«Sapatos rotos,
que dirão de mim as pedras da calçada?»
Substituo «rotos» por «novos»
e tomo para mim o mesmo verso
a mesma pergunta
«que dirão de mim as pedras da calçada?»
Pois lá pedi uma boleia ao Manel e fomos até às Amoreiras.
Já estão nos pés os sapatos.
Não é que me lembrei do príncipio de um poema que li no primeiro ano da faculdade e que não sei quem é o autor.
Dizia o primeiro verso:
«Sapatos rotos,
que dirão de mim as pedras da calçada?»
Substituo «rotos» por «novos»
e tomo para mim o mesmo verso
a mesma pergunta
«que dirão de mim as pedras da calçada?»
Monday, July 06, 2009
TAMBÉM A REFORMA DÁ O SABOR DE RILKE

Inesperadamente,
ou não,
comecei a descobrir um outro Rilke.
E transcrevo, porque gosto tanto
«Senhor, mais pobres do que os pobres animais somos,
que com sua morte acabam, mesmo com cegueira,
porque todos nós ainda não morremos.
Dá-nos «aquela» que a ciência conhece
de atar a vida a uma latada inteira
à volta da qual Maio mais cedo comece.
«(...)
Com a eternidade tivemos relação
e quando chega a hora do parto, nasce sem sorte
o aborto da nossa morte;
curvo e aflito o embrião
cobriu as infimas pupilas com a mão
(como se algo horrível o horrorizasse)
e na fronte (...) apareceu
sobretudo o medo do que não sofreu,
e como jovem mulher que passou sem danos
por dores de parto e cesariana, nos fechamos.»
Tão perto do meu sentir.
E quase nunca o sei dizer.
Nota - Dei hoje este livro de Rilke ao Manel
Como há tantos anos ele me deu os seus poemas.
Benção...
Wednesday, July 01, 2009
ALGUNS ASPECTOS DE UMA REFORMA ... TEXTO I
Tenho a intenção de continuar este texto noutro dia,
mas hoje,
tão pouco conformada que estou,
aí vão «alguns aspectos de uma reforma»:
Não há horários
só os dos médicos (cada vez mais numerosos...)
Não há tempo,
porque há todo o tempo
a vida tem muitas faltas
palavras, aulas, pessoas,
tantas!
parti uma vértebra e agora isto já é uma osteoperose
não lembra
imensas recomendações para que eu não caia
não caia nunca
férias em Lisboa,
nada de viagens,
ai
hei-de continuar,
se eu fosse mesmo a mulher «forte» que gostava de ser e quero ser
havia de enfrentar cada perca
como um recomeço
Hoje dói-me.
E tento dar-me uma ordem:
Vá lá, Maria Teresa, não exageres.
mas hoje,
tão pouco conformada que estou,
aí vão «alguns aspectos de uma reforma»:
Não há horários
só os dos médicos (cada vez mais numerosos...)
Não há tempo,
porque há todo o tempo
a vida tem muitas faltas
palavras, aulas, pessoas,
tantas!
parti uma vértebra e agora isto já é uma osteoperose
não lembra
imensas recomendações para que eu não caia
não caia nunca
férias em Lisboa,
nada de viagens,
ai
hei-de continuar,
se eu fosse mesmo a mulher «forte» que gostava de ser e quero ser
havia de enfrentar cada perca
como um recomeço
Hoje dói-me.
E tento dar-me uma ordem:
Vá lá, Maria Teresa, não exageres.
Sunday, June 14, 2009
EUNICE
Enquanto passo a ferro uma camisa, oiço na Antena Um as palavras de Eunice. Ainda as não encontrei no site. Se encontrar, hei-de procurar pôr aqui algumas.
P'ra já, não posso deixar de dizer quanto tudo o que ela diz é tão sagrado.
E agradecer.
Gente assim.
Vida muito para lá do visível.
P'ra já, não posso deixar de dizer quanto tudo o que ela diz é tão sagrado.
E agradecer.
Gente assim.
Vida muito para lá do visível.
Saturday, June 13, 2009
IGNORÂNCIA, DISTÂNCIA, AUSÊNCIA
Não sei dizer NADA do dinheiro da transferência do Ronaldo.
Eu quero ser deste mundo até ao fim.
Mas de que mundo?
Eu quero ser deste mundo até ao fim.
Mas de que mundo?
13 DE JUNHO, DIA DE SANTO ANTÓNIO

Em homenagem a todos os Antónios
Pelo menos aos da minha vida, sabendo já que vou omitir imensos só por pressa ou esquecimento
Em primeiro lugar o nosso neto António, também chamado o Sirenes.
O que os netos podem!
Surpreende-me que ele passe à frente do meu avô António, esse de Tibaldinho, da quinta no Campo Grande, da leitaria, esse que quase não dizia uma palavra, que quando eu nasci me comprou sem vontade um urso de peluche (homem da Beira sabe lá o que é um peluche), que assistia contrariado aos meus estudos e dizia «ai o teu pai, Teresinha, lá tiveste outro «merdiocre», esse que tinha pelo menos um filho de que a minha mãe nunca me falou não fosse eu dividir o quintal ou a casa, ela sabia das minha manias de igualdade, esse que todos os dias apanhava o primeiro eléctrico da manhã para a quinta porque era preciso distribuir aquelas hortaliças todas p’las praças de Lisboa. Esse de quem eu gostava TANTO. Um dia percebi que ele tinha morrido, sem perceber, claro, porque à hora da saída do Maria Amália não estava à minha espera o empregado que me havia de levar a visitá-lo ao hospital de S. Luís. Só lá estava o meu cão, o Faraó, um serra da estrela enorme. Viemos até à leitaria a pé. Quando cheguei disseram-me que telefonasse para o hospital e foi a Mariana Gouveia que ao telefone me disse «Teresinha, acontece a todos». Esperavam por mim para fechar a porta e pôr aqueles papéis, aquelas cruzes pretas. Choro hoje as mesmas lágrimas. Sei, tenho a certeza que era quinta-feira, porque fui lanchar e deixar cair as lágrimas em cima do suplemento juvenil do Século. E o Faraó deitadinho e terno, ao pé de mim. Ali os dois. Depois acho que não chorei mais. Se não hoje. Fui ao enterro, fui àquilo tudo. Mas o meu avô já tinha morrido.
Com ele perdi também o Faraó que teve de ir para o colégio do Dr. João Soares, ele era enorme e deitava os fregueses ao chão, só p’ra brincar.
Afinal já não devo escrever nada sobre outros Antónios. Está tudo dito, tudo entendido daqueles que perdi, não está?
E não é porque os perdi.
É porque eles eram mesmo muito bons. E ternos.
Gostavam de mim sem porquê.
Só porque sim.
E no entanto há hoje muitos Antónios na minha vida.E bem vivinhos. Nenhum faz a gritaria do Sirenes, mas que me lembre, parece que são mesmo muito bons (talvez não me vá arrepender, talvez…).
POIS VIVAM TODOS ANTÒNIOS:
E Sirenes, por favor, continua a gritar. Não para os pais, nem para os manos. Pode ser só para mim. Para dizeres essa vida toda. Essa vida que não se cansa nunca. Essa atenção que te faz saber tanta coisa, tanta.
E essa ternura com que, no fim do jantar, perguntas ao avô Manel «Pois é, avô?»
Ontem percebi ou julguei perceber a magia dos Antónios. É que a imagem deste santo transporta um menino ao colo. Com cuidado. Com zelo.
É uma imagem que diz o melhor da humanidade.
É mesmo. Vou tentar põ-la aqui.
E.. afinal consegui. Com ajuda do Manel.
Saturday, May 30, 2009
PARA O NOSSO NETO MANUEL
Agora já transmitida na rr, posso deixar aqui a oração que rezei hoje a propósito da primeira comunhão do nosso neto Manueel.
Pode ser que as palavras digam também a ternura, a surpresa, a alegria.
Aqui vão:
« Jesus, quero falar-Te do meu neto Manuel que faz hoje a primeira comunhão.
Pensando bem, o que quero pedir-Te é que eu seja capaz de fazer da sua primeira comunhão, a minha primeira comunhão.
Não para ser igual à da fotografia que está ali no álbum antigo, naquela cara tímida, envergonhada, cabide de um vestido branco com folhos e laços.
Não essa, Senhor Jesus.
A minha comunhão-hoje como a primeira comunhão do Manuel.
A graça de um coração semelhante ao dos mais pequeninos.
Esses que dizem convictos que Tu és o seu melhor amigo e que querem fazer da sua vida uma vida que se pareça com a Tua, vida dada por amor.
Parece enorme a distância que me separa da tal fotografia.
Mas é só aparência.
Tropeços, dúvidas, gestos que Te negaram e a falta de fé que tantas vezes afirmei; tudo me conduziu ao dia de hoje.
Nesse dia primeiro, disse Ámen ao tomar o Teu corpo que passou a ser também o meu corpo.
Pois vamos lá, Manel, fazer do dia da tua primeira comunhão, o dia da comunhão da tua avó.»
Pode ser que as palavras digam também a ternura, a surpresa, a alegria.
Aqui vão:
« Jesus, quero falar-Te do meu neto Manuel que faz hoje a primeira comunhão.
Pensando bem, o que quero pedir-Te é que eu seja capaz de fazer da sua primeira comunhão, a minha primeira comunhão.
Não para ser igual à da fotografia que está ali no álbum antigo, naquela cara tímida, envergonhada, cabide de um vestido branco com folhos e laços.
Não essa, Senhor Jesus.
A minha comunhão-hoje como a primeira comunhão do Manuel.
A graça de um coração semelhante ao dos mais pequeninos.
Esses que dizem convictos que Tu és o seu melhor amigo e que querem fazer da sua vida uma vida que se pareça com a Tua, vida dada por amor.
Parece enorme a distância que me separa da tal fotografia.
Mas é só aparência.
Tropeços, dúvidas, gestos que Te negaram e a falta de fé que tantas vezes afirmei; tudo me conduziu ao dia de hoje.
Nesse dia primeiro, disse Ámen ao tomar o Teu corpo que passou a ser também o meu corpo.
Pois vamos lá, Manel, fazer do dia da tua primeira comunhão, o dia da comunhão da tua avó.»
Thursday, May 28, 2009
NO PRÓXIMO DOMINGO, A FESTA DE PENTECOSTES
Recebi um mail com esta prece do Irmão Roger:
“Espírito Santo, mistério de uma presença, tu sopras sobre nós uma brisa ligeira, frescura da alma.
E aparece o inesperado: retomamos o caminho da dúvida para a caridade do teu rosto”.
“Espírito Santo, mistério de uma presença, tu sopras sobre nós uma brisa ligeira, frescura da alma.
E aparece o inesperado: retomamos o caminho da dúvida para a caridade do teu rosto”.
Wednesday, May 27, 2009
AUSÊNCIA DE PALAVRAS
Não, o meu blog não morreu.
Eu também não.
Às vezes estes espaços parecem «exigir» que se diga a coragem, a vida sempre enfrentada de pé, assim como « Aqui ao leme sou mais do que eu...»
Como não é sempre assim, acontecem «estas brancas».
Por hoje, quero deixar uma grande indignação pela comunicação social a que estamos sujeitos. Ou presos. Ou escravos.
Acabo então por desligar todos os canias.
E ler, que é um acto de escolha livre. Um acto meu.
Ou fazer as tais pegas. Acabar os casaquinhos para O Tiago Lousa que nasceu. E louvar de alegria.
Ainda - imaginem - não enfrentei a papelada do IRS. Tem que ser. E vai ser.
Não me enrede eu em «não sei quê».
Ou não volte a cair de costas, a saltar os degraus de pedra que esqueci e, graças a Deus, mesmo graças a Deus, não parti nada. A zona lombar doida de dores. Gritos a noite toda. Hoje ligeiramente melhor.
De novo aqui.
Ao leme.
Com ganas de ser «mais do que eu».
E nas mãos, ao leme, a VIDA.
Eu também não.
Às vezes estes espaços parecem «exigir» que se diga a coragem, a vida sempre enfrentada de pé, assim como « Aqui ao leme sou mais do que eu...»
Como não é sempre assim, acontecem «estas brancas».
Por hoje, quero deixar uma grande indignação pela comunicação social a que estamos sujeitos. Ou presos. Ou escravos.
Acabo então por desligar todos os canias.
E ler, que é um acto de escolha livre. Um acto meu.
Ou fazer as tais pegas. Acabar os casaquinhos para O Tiago Lousa que nasceu. E louvar de alegria.
Ainda - imaginem - não enfrentei a papelada do IRS. Tem que ser. E vai ser.
Não me enrede eu em «não sei quê».
Ou não volte a cair de costas, a saltar os degraus de pedra que esqueci e, graças a Deus, mesmo graças a Deus, não parti nada. A zona lombar doida de dores. Gritos a noite toda. Hoje ligeiramente melhor.
De novo aqui.
Ao leme.
Com ganas de ser «mais do que eu».
E nas mãos, ao leme, a VIDA.
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