Tuesday, March 19, 2013
TESOUROS
Hoje, Dia do Pai, quero dizer o meu Pai, o meu sogro, realmente um Pai e o Manuel.
Entre papéis pequeninos, encontro um poema que um dos nossos filhos escreveu ao Pai.
E partilho-o:
« O pano cai,/
ao fundo o sonho,/
ao lado alguém/
com ele caminho/
o sonho mais perto/
com ele pressinto/
o fundo decerto/
não pode fugir,/
não pode sair/
e não sai./
No sonho entrámos./
E ao lado? Meu Pai.»
Tuesday, March 12, 2013
O INÍCIO DO CONCLAVE
Sim, emocionei-me ao ver e ouvir o colégio dos cardeais quando cantaram a Ladainha de Todos-os-Santos mesmo antes de iniciarem o Conclave.
Aí somos muitos. Somos todos.
Tanto o Manuel e eu gostávamos e gosto de festejar a Festa de Todos-os-Santos.
Sim. Acrescentei «S Manuel Frazão, rogai por nós».
E tantos.
Tantos
Wednesday, February 27, 2013
POEMA A GALILEU
Tão actual.
Sempre a distracção parece sedutora.
Pensar, procurar, buscar a verdade parece incómodo, irritante.
A ver se consigo postar um vídeo de António Gedeão (Rómulo de Carvalho) que diz o poema
E não consigo ....
CORAÇÃO DE MISERICÓRDIA
Transcrevo a Oração da RR do pe António Rego.
Aplaudo-a.
Bem preciso, bem precisamos que se faça nossa.
«Prontos para apanhar as pedras
foram cercando a pecadora
A morte era o castigo justo pelo pecado
Condenar, condenar à morte mesmo antes
de qualquer sentença
ou melhor, a sentença foi dada
antes da confirmação de qualquer transgressão.
É réu. E basta isso para condenar à morte.
Em boa verdade, o que falta aqui
é apenas um coração de misericórdia.
E quem sabe em verdade o que é a misericórdia
és tu. Apenas tu.
Todos os nossos corações estão viciados pela justiça estreita
que acaba por não ser justiça
por lhe faltar a medida da misericórdia.
Tem piedade de todos.
Sobretudo dos que não se aceitam como pecadores...»
Pe. António Rego
Monday, February 25, 2013
A NOITE DOS ÓSCARES
Sempre esta noite assim.
Faz-me falta o teu entusiasmo.
Só que o cravaste em mim.
E, é claro, fico.
Sei que antes do final, eu hei-de adormecer. Foi sempre assim.
De manhã, carrego no comando se tiver apagado a televisão.
Num relâmpago, a imagem.
E como disseste ao André e hás-de dizer-lhe sempre e hás- de dizer-nos sempre "vê para lá da imagem".
É bom que o nosso neto Francisco fique a ver!
Todo o passado e todo o presente nos diz a eternidade.
Sunday, February 24, 2013
A VIDA
"A maravilha que é estarmos entre os vivos, na vida" David Mourão Ferreira"
Oiço-o, vejo-o, leio-o, digo-o verso a verso,
cheiro-lhe o cachimbo e a voz.
E quanto aplaudo!
Saturday, February 23, 2013
FOGUEIRAS DA INQUISIÇÃO
Não, não é só a comunicação social ( a revista Visão deve ter vendido muito bem. É desonesto)
As fogueiras da Inquisição existem.
Para calcar.
Para destruir.
Para matar.
E o senhor, D. Carlos Azevedo, lembra-me Galileu.
Com dor.
Thursday, February 21, 2013
D. Carlos Azevedo
Sempre admirei D Carlos Azevedo.
E admiro.
Não há sensacionalismo mediático que possa destruir a pessoa de D. Carlos, creio.
Em que inferno deixamos que nos lance a comunicação social?
Monday, February 18, 2013
PRÓS E CONTRAS
Ontem, João César das Neves, exaltou-se e prestou um muito mau serviço à Igreja.
Na verdade, cada vez mais tenho a certeza de que a Igreja só precisa procurar ser mais e mais semelhante ao seu Senhor, Jesus Cristo.
João César das Neves queria impor a sua razão. Porquê?
Queria ganhar o quê?
Sunday, February 17, 2013
de Clarice Lispector
«Corro perigo
Como toda pessoa que vive
E a única coisa que me espera
É exatamente o inesperado»
Thursday, February 14, 2013
UM SOL SOBRE AS NOITES
Senhor, dá a todos nós,
o dom do sol e da paz
sobre as dores tantas,
que sufocam a vida.
QUARTA-FEIRA DE CINZAS de T S ELIOT
Havia de ter postado ontem.Sempre alguns atrasos na condição humana...E que importa?
QUARTA-FEIRA DE CINZAS
(...)
Porque sei que o tempo é sempre o tempo
E que o espaço é sempre o espaço apenas
E que o real somente o é dentro de um tempo
E apenas para o espaço que o contém
Alegro-me de serem as coisas o que são
E renuncio à face abençoada
E renuncio à voz
Porque esperar não posso mais
E assim me alegro, por ter de alguma coisa edificar
De que me possa depois rejubilar
Porque estas asas de voar já se esqueceram
E no ar apenas são andrajos que se arqueiam
No ar agora cabalmente exíguo e seco
Mais exíguo e mais seco que o desejo
Ensinai-nos o desvelo e o menosprezo
Ensinai-nos a estar postos em sossego.
Rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte
Rogai por nós agora e na hora de nossa morte.
Wednesday, February 06, 2013
CAMPO DE OURIQUE. FIM DA TARDE
Saio quase noite.
Perto do Pingo Doce, uma senhora que encontro no café.
Cabelo preto. Pintado. Corte moderno.
Traz até hoje a vida que talvez tenha tido e que queria.
Exageradamente zangada, mesmo irritada, fala-me de «uma amiga tão teimosa» que nem queria ir ao médico das varizes.
Bem precisamos de uma razão para os dias. De uma amiga «teimosa que não vai ao médico das varizes.
E eu «não convencemos ninguém».
E logo a seguir também eu«Até amanhâ» . Porque consumimos a curta vida em tanta pressa?
O bairro é assim. Sempre a Esperança de um amanhã.
Monday, February 04, 2013
APONTAMENTO
Ontem a dor no sobressalto de um gesto.
É que quando à noite entramos na casa de Tibaldinho, tiramos para dentro as chaves que penduramos naquele fecho do vidro.
Há quanto tempo?
Há todo o tempo.
Todo o tempo, linha infinitamente horizontal.
No dia seguinte, olhei todos os caminhos, percorri todos os caminhos.
E verdade que «te não vi em Babilónia».
Mais parece que não vi ninguém em Babilónia.
Está lá,sim, o prato com a Branca de Neve e os sete anões. E as birras p´ra comer.
E as cantigas da Tota até que a Ni e eu acabássemos a sopa.
E a colcha da cama.
E outra colcha da cama.
E até está a televisão que não condiz.
E todos os medos do corredor comprido.
E o meu Anjo da Guarda.
Está lá a bicicleta do André que logo lhe diz o sorriso e os olhos grandes.
Está lá um armarinho de miniaturas da Maria. E um peixe de pano que ela fez,
As oliveiras que entram p´las janelas e que têm sapatos pendurados.
E a Ursa Maior apontada p´lo meu Pai.
E a Estrada de Santiago apontada p´lo Manel.
Mas tu não.
Saturday, February 02, 2013
O ESPELHO
Gostei sempre de chamar «Mãe» à Mãe do Manel.
Gostei, sim. Muito.
Não é que eu tenha sido fácil,... Feitiozinho
Chamar-lhe «Mãe» foi tão natural. Nem vagamente me passou pela cabeça «que a minha Mãe sentisse isto ou aquilo».
Estávamos as três de acordo e tranquilas.
E era giro. A minha Mãe sempre «Teresinha devias assim, devias ...». A senhora «Oh Alice, ela tem pouco tempo, ela ...». E eu a respingar.
Faz-me falta. E muita. A ver se aprendia de si essa sabedoria milenar que as famílias vão acumulando.
Tenho cá a sua cómoda do quarto. Pedi aos meus cunhados se me podiam dar o espelho. E está ali, em cima da cómoda como dantes. Esse espelho onde tanta vez a vi ajeitar o bâton sempre discreto.
Às vezes, olho-me no espelho e dou um toque ao cabelo. Não é bem a mesma coisa. Mas vá lá.
É assim.
De geração em geração.
Thursday, January 31, 2013
PALAVRAS
Gosto das palavras.
Gosto muito.
Fui aprendendo a gostar.
Quero não ouvir aquelas que me ferem.
Exercício difícil.
Tão difícil.
Vamos lá tentar.
Tuesday, January 29, 2013
FUNDO SEM POÇO?
Esta manhã, ouvi a Miguel Relvas
«Não há fundo sem poço.»
Realmente,
nem curso,
nem primeira classe,
nem cabeça.
Que ouvi, ouvi.
Saturday, January 26, 2013
APONTAMENTO P´RA PARAR COM O SILÊNCIO
Fez hoje anos.
Telefonei-lhe.
Disse-me que devia estar contente e bem disposta, mas não estava.
Disse «isto» como se de um pecado se tratasse.
Como é que ainda «se deve» ou «se não deve» isto ou aquilo????
Que forças nos espartilham, sem porquê?
Thursday, December 06, 2012
MEU PAÍS DESGRAÇADO Sebastião da Gama
Meu país desgraçado!...
E no entanto há Sol a cada canto
e não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas …
Meu país desgraçado!...
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?
Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé
-- busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.
E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.
Levanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclama filhos mais robustos!
Povo anémico e triste,
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
-- olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!
Sebastião da Gama
Subscribe to:
Posts (Atom)