Aguardamos ...
E no quaro um televisor ligado...
Monday, February 26, 2007
Sunday, February 25, 2007
DAVID MOURÃO FERREIRA
Ontem o professor, o poeta teria feito oitenta anos.
Foi bom lembrá-lo.
É bom dizê-lo aqui.
Como me espantei, no primeiro ano da faculdade de ir ter uma cadeira, que ele ensinava, com o nome de «Teoria da Literatura». Eu, refilona sempre «Teoria da Literatura, não podia ser».
E com que arte ele nos conseguiu fazer perceber que tudo, tudo, se trabalha. Muito.
As palavras parecem «tão espontâneas».
Parecem.
E vamos sempre buscá-las muito fundo.
Muito fundo, professor.
Foi bom lembrá-lo.
É bom dizê-lo aqui.
Como me espantei, no primeiro ano da faculdade de ir ter uma cadeira, que ele ensinava, com o nome de «Teoria da Literatura». Eu, refilona sempre «Teoria da Literatura, não podia ser».
E com que arte ele nos conseguiu fazer perceber que tudo, tudo, se trabalha. Muito.
As palavras parecem «tão espontâneas».
Parecem.
E vamos sempre buscá-las muito fundo.
Muito fundo, professor.
DESABAFOS A PROPÓSITO DE «O GRANDE SILÊNCIO
Fomos ver «O grande silêncio». Tal qual esperávamos.
Tivemos saudades deste silêncio que por dentro nos povoa.
Tivemos saudades duns tempos de retiro, bons para nós, e que faziam felizes a Maria e o André com a casa toda enfim por sua conta.
E tivemos saudades do Mário. Amigo único. Monge eremita,
na cidade, numa capela ao pé da Sé, onde quando alguém entrava, estava sempre em primeiro lugar. Parava tudo. Mesmo as missas . E quem chegava, era acolhido de forma única.
Quando o Bernardo nasceu e a Maria e o Paulo o levaram lá, ele fez uma festa enorme. O Mário tocou os sinos. Tocou-os durante muito tempo. Tocou-os de forma que se ouvissem muito. Na cidade.
Quando a minha mãe morreu o Mário, de hábito branco, apareceu na basílica da Estrela para me dizer «Teresa, canta Aleluia». Talvez eu ainda hoje não tenha percebido. Mas o Mário afirmou o mistério. E eu não me esqueço.
Tivemos saudades deste silêncio que por dentro nos povoa.
Tivemos saudades duns tempos de retiro, bons para nós, e que faziam felizes a Maria e o André com a casa toda enfim por sua conta.
E tivemos saudades do Mário. Amigo único. Monge eremita,
na cidade, numa capela ao pé da Sé, onde quando alguém entrava, estava sempre em primeiro lugar. Parava tudo. Mesmo as missas . E quem chegava, era acolhido de forma única.
Quando o Bernardo nasceu e a Maria e o Paulo o levaram lá, ele fez uma festa enorme. O Mário tocou os sinos. Tocou-os durante muito tempo. Tocou-os de forma que se ouvissem muito. Na cidade.
Quando a minha mãe morreu o Mário, de hábito branco, apareceu na basílica da Estrela para me dizer «Teresa, canta Aleluia». Talvez eu ainda hoje não tenha percebido. Mas o Mário afirmou o mistério. E eu não me esqueço.
Monday, February 19, 2007
CEGO É O QUE NÃO VÊ O ROSTO DA POBREZA
A nossa empregada acaba de telefonar. Que não vem. Que tem gipe e está cheia de febre.
A X nasceu na Madeira. Por causa da extrema pobreza foi muito criança para a Venezuela. Aí casou.
E também por causa da pobreza veio para Portugal. Ela, o marido, três filhos e os sogros.
Trabalha numa limpeza desde as seis da manhã. Chega a casa às dez da noite.
Disse-nos há uns dias que nunca tinha estado doente.
É uma mulher alegre e cumpridora.
Às vezes, tantas vezes, somos cegos ao rosto da pobreza, que cruza as nossas vidas.
Que cruza a cada passo as nossas vidas.
A X nasceu na Madeira. Por causa da extrema pobreza foi muito criança para a Venezuela. Aí casou.
E também por causa da pobreza veio para Portugal. Ela, o marido, três filhos e os sogros.
Trabalha numa limpeza desde as seis da manhã. Chega a casa às dez da noite.
Disse-nos há uns dias que nunca tinha estado doente.
É uma mulher alegre e cumpridora.
Às vezes, tantas vezes, somos cegos ao rosto da pobreza, que cruza as nossas vidas.
Que cruza a cada passo as nossas vidas.
Monday, February 12, 2007
A ARCA DE CÂNFORA
Hoje abri a arca dos bordados. Toda a gente estava lá. Tudo e todos bem misturadinhos. Como a vida.
A «parure» de casamento da minha mãe («parure» é a roupa interior), o meu fato de primeira comunhão, a envolta que a avó Alice fez para a Laranjinnha e o seu fato de baptismo. Uma capa do André se mascarar, Zorro parece. A amostra de que fiz o xaile dos meus netos mais velhos.
Lençóis - só dois - ainda por estrear. Amarelitos, claro.
E eu a desdobrar cada peça devagarinho, deixando escorrer entre os dedos memórias e ternura. E a dizer cada nome. Também devagarinho.
Quando era nova, eu achava aquela arca horrível mesmo, pirosíssima. Tinha vindo de África. É difícil de limpar.
O que a gente muda!
E como é bom saber que a vida a tudo nos ensina a dar sentido.
Hoje, foi a vez da arca.
A «parure» de casamento da minha mãe («parure» é a roupa interior), o meu fato de primeira comunhão, a envolta que a avó Alice fez para a Laranjinnha e o seu fato de baptismo. Uma capa do André se mascarar, Zorro parece. A amostra de que fiz o xaile dos meus netos mais velhos.
Lençóis - só dois - ainda por estrear. Amarelitos, claro.
E eu a desdobrar cada peça devagarinho, deixando escorrer entre os dedos memórias e ternura. E a dizer cada nome. Também devagarinho.
Quando era nova, eu achava aquela arca horrível mesmo, pirosíssima. Tinha vindo de África. É difícil de limpar.
O que a gente muda!
E como é bom saber que a vida a tudo nos ensina a dar sentido.
Hoje, foi a vez da arca.
Sunday, February 11, 2007
O DOM DA MEMÓRIA
Lembro-me de muitas coisas, parece que às vezes vêm do fundo, uma espécie de arca mais arrumada do que a das roupas.
A minha avó paterna vivia com muitas dificuldades económicas, muitas mesmo. Como na época todas as avós.
Mas naquela visita que lhe fazíamos aos domingos, os meu primos e eu, lá estava SEMPRE, SEMPRE um bolo para os netos.
Outro dia, dei comigo a dizer para mim que estes tempos modernos nos trouxeram conquistas, mas quantas de nós, e é só por mim que falo, esquecemos este ritual do BOLO DOMINICAL PARA OS NETOS.
E cá estou eu, feliz nesta noite de sábado, bolinho pronto para os rapazes. Lindo, sobre um pano branco bordado à mão (de Tibaldinho, claro).
E à conta do referendo, os Marias vêm almoçar.
Boa!
Vivam os referendos!
E tudo o que é razão para a mesa posta, ainda que só um bolo.
A minha avó paterna vivia com muitas dificuldades económicas, muitas mesmo. Como na época todas as avós.
Mas naquela visita que lhe fazíamos aos domingos, os meu primos e eu, lá estava SEMPRE, SEMPRE um bolo para os netos.
Outro dia, dei comigo a dizer para mim que estes tempos modernos nos trouxeram conquistas, mas quantas de nós, e é só por mim que falo, esquecemos este ritual do BOLO DOMINICAL PARA OS NETOS.
E cá estou eu, feliz nesta noite de sábado, bolinho pronto para os rapazes. Lindo, sobre um pano branco bordado à mão (de Tibaldinho, claro).
E à conta do referendo, os Marias vêm almoçar.
Boa!
Vivam os referendos!
E tudo o que é razão para a mesa posta, ainda que só um bolo.
Wednesday, February 07, 2007
COMO SE TECE UMA ORAÇÃO
Vou tricotar uns casaquinhos pequenos que só costumam servir durante a primeira semana de vida das crianças, que o digam a Maria e a Aninhas.
É que três amigas minhas vão ter netos lá para o Verão.
Eu teço malhas. Coisa que me dá muita serenidade.
Gesto cheio de memória. Gesto cheio de história e de histórias.
Prece que se faz também p'las minhas mãos.
É que três amigas minhas vão ter netos lá para o Verão.
Eu teço malhas. Coisa que me dá muita serenidade.
Gesto cheio de memória. Gesto cheio de história e de histórias.
Prece que se faz também p'las minhas mãos.
Tuesday, February 06, 2007
IINTERMEZZO
Este tempo todo sem escrever, não é normal.
É verdade que o Manuel atacou a Net a tempo inteiro e que me levanto mais tarde.
Entre 18 de Janeiro (o dia dos anos da Maria) e hoje, 7 de Fevereiro, aconteceu muita coisa que ficou por anotar. E as coisas «invisíveis» vão ficar por dizer, esquecidas ou apenas por um tempo retidas entre a mente e as palavras.
O mais importante foi que NO DIA 3, O NOSSO NETO PRIMOGÉNITO, O BERNARDO, FEZ DEZASSEIS ANOS
Aquele rapaz fantástico que me escreve comentários no blog. O grande amigo do avô Manel. E meu, claro. Esta é a grande notícia deste intermezzo.
Para ti, toda a ternura da avó Teté. Que às vezes te chateia com verbos, cadernos passados a limpo, «se eu fosse tua professora, ...», «tira os cotovelos de cima da mesa», «não fales tão alto», «tudo desarrumado, Bernardo», «não me respondes assim»... e tu, super bom e generoso como és e como vais ser a vida toda, a perguntares se a avó está zangada. E eu a dizer-te UM AMOR DO TAMANHO DO MUNDO. E tu a saberes que é mesmo isso que eu te estou a dizer. SEMPRE.
É verdade que o Manuel atacou a Net a tempo inteiro e que me levanto mais tarde.
É verdade que tive uma gripe ou virose (que confusão!!! ) que me deixou mesmo tão down. Mas já estou boa. Ou bem melhor.
Entre 18 de Janeiro (o dia dos anos da Maria) e hoje, 7 de Fevereiro, aconteceu muita coisa que ficou por anotar. E as coisas «invisíveis» vão ficar por dizer, esquecidas ou apenas por um tempo retidas entre a mente e as palavras.
O mais importante foi que NO DIA 3, O NOSSO NETO PRIMOGÉNITO, O BERNARDO, FEZ DEZASSEIS ANOS
Aquele rapaz fantástico que me escreve comentários no blog. O grande amigo do avô Manel. E meu, claro. Esta é a grande notícia deste intermezzo.
Para ti, toda a ternura da avó Teté. Que às vezes te chateia com verbos, cadernos passados a limpo, «se eu fosse tua professora, ...», «tira os cotovelos de cima da mesa», «não fales tão alto», «tudo desarrumado, Bernardo», «não me respondes assim»... e tu, super bom e generoso como és e como vais ser a vida toda, a perguntares se a avó está zangada. E eu a dizer-te UM AMOR DO TAMANHO DO MUNDO. E tu a saberes que é mesmo isso que eu te estou a dizer. SEMPRE.
Wednesday, January 17, 2007
MARIA LARANJINHA

«Temos uma menina! Tão bonita e tão gordinha! Pesa um quilo e trezentos.»
Meia a dormir de uma anestesia (a nossa menina tirada a ferros, coisas doutros tempos… ), eu conseguia mesmo assim perceber que aquela conversa não batia certa.
Quando a avó Alice chegou como sempre antes do horário permitido, lá consegui pedir-lhe «Mãe, vá ver a menina, deve estar na estufa. Pesa um quilo e trezentos.»
E a minha mãe «Que não, tão linda, pesa três quilos e cem».
Meu querido Manuel a alegria da vida dita no primeiro choro da nossa Maria ao romper da manhã e as duas noites em branco não conseguiam deixar que dissesses as palavras certas.
Foi assim que mostraste a felicidade.
Foi então a vez da avó Céu «Tão redondinha! Parece uma laranjinha!»
E deste modo ficaste, querida filha, «a Maria Laranjinha».
Vou pedir ao pai que ponha aqui uma «fotografia histórica» que com estas palavras e outras, muitas, te hão-de dizer PARABÉNS no dia de hoje
e sempre.
Saturday, January 13, 2007
OS MAIORES PORTUGUESES
Quase choro.
Feliz.
Tocamos a eternidade.
VIEIRA DA SILVA
NATÁLIA CORREIA
MIGUEL TORGA
GIL VICENTE
LOBO ANTUNES
(estamos no intervalo. Vou deixar de os mencionar)
Dizemos assim a vida.
Feliz.
Tocamos a eternidade.
VIEIRA DA SILVA
NATÁLIA CORREIA
MIGUEL TORGA
GIL VICENTE
LOBO ANTUNES
(estamos no intervalo. Vou deixar de os mencionar)
Dizemos assim a vida.
Tuesday, January 09, 2007
O PRINCÍPIO E O FIM
Deixo-vos de e José de Mendonça, a Oração da Manhã emitida ontem na RR, de que gostei tanto, tanto::
«Estarás no princípio e no fim,à porta da nossa casa e à janela dos caminhos,
na partida e nos regressos.
A nosso lado, farás cada trilho,como companheiro que vai permanecendo até se tornar um de nós,
tornando suave a difícil pausa
e uma descoberta cada desvio.
Brilharás como a estrela da manhã
e serás o ponto mais silencioso da noite
quando mesmo o assobio do tempo se suspende.
Então pousarás sobre nós o teu imenso olhar,como uma mãe ou um pai
que se levantam na casa recolhidaapenas para vigiar o precioso filho que dorme.
E quando acordarmos já tu penteaste de verde os longos cabelos das árvores,
e ensinaste ao pássaro cantor a sua alegria.»
«Estarás no princípio e no fim,à porta da nossa casa e à janela dos caminhos,
na partida e nos regressos.
A nosso lado, farás cada trilho,como companheiro que vai permanecendo até se tornar um de nós,
tornando suave a difícil pausa
e uma descoberta cada desvio.
Brilharás como a estrela da manhã
e serás o ponto mais silencioso da noite
quando mesmo o assobio do tempo se suspende.
Então pousarás sobre nós o teu imenso olhar,como uma mãe ou um pai
que se levantam na casa recolhidaapenas para vigiar o precioso filho que dorme.
E quando acordarmos já tu penteaste de verde os longos cabelos das árvores,
e ensinaste ao pássaro cantor a sua alegria.»
Wednesday, January 03, 2007
AQUELA SENHORA QUE CONHEÇO DO CAFÉ
Pois fui com ela à consulta. E eu com os exames na mão, a lê-los. «Um cancro no esófago«.
Ela a dizer me que era muito corajosa. A repetir. Que faria tudo o que fosse preciso. Eu incomodada, estranha com aquela coragem dita, repetida.
Foi quando o médico com jeito (jeito como ??) esclareceu «que não tinha boas notícias, que seria melhor repetir ali no hospital todos os exames. E que só depois haviam de tomar uma decisão.»
E ela a insistir na coragem com o olhar, a dizer que o «senhor doutor é muito simpático. Sabe, foi tudo por causa da zona». E a contar-lhe como é que não conseguia comer. E «que aquele chá da ervanária é que ajudava ...»
Hoje veio cá a casa. »Que tinha que sair. que estava sol». E trazia um presente. Um embrulho enorme, cheio de pegas que fizera.
Amanhã lá vai repetir um dos exames.
E a ensinar-me, a ensinar-nos que os dias, que a vida só se faz de afectos.
Ela a dizer me que era muito corajosa. A repetir. Que faria tudo o que fosse preciso. Eu incomodada, estranha com aquela coragem dita, repetida.
Foi quando o médico com jeito (jeito como ??) esclareceu «que não tinha boas notícias, que seria melhor repetir ali no hospital todos os exames. E que só depois haviam de tomar uma decisão.»
E ela a insistir na coragem com o olhar, a dizer que o «senhor doutor é muito simpático. Sabe, foi tudo por causa da zona». E a contar-lhe como é que não conseguia comer. E «que aquele chá da ervanária é que ajudava ...»
Hoje veio cá a casa. »Que tinha que sair. que estava sol». E trazia um presente. Um embrulho enorme, cheio de pegas que fizera.
Amanhã lá vai repetir um dos exames.
E a ensinar-me, a ensinar-nos que os dias, que a vida só se faz de afectos.
Sunday, December 31, 2006
FOI ENFORCADO SADAM HUSSEIM
Pois, dói-me muito.
Assim a virar para 2007.
Gostava que não fosse verdade uma tal solução, gostava de dizer não a «esta humanidade».
E pertenço-lhe.
Esforço-me por acreditar. e por dizer e reinventar a ESPERANÇA.
Quando era muito pequena julgava que não ia já viver no ano 2000. Tão longe!!!
E acreditava, acreditava mesmo que toda e qualquer guerra ia obviamente acabar.
Quero de volta esse acreditar.
Para todos, um 2007 com muita ESPERANÇA, que nos salva os nossos dias.
Mãos juntas. Gestos de amor, pequeninos, sem notícia talvez. Gestos sempre criadores.
Assim a virar para 2007.
Gostava que não fosse verdade uma tal solução, gostava de dizer não a «esta humanidade».
E pertenço-lhe.
Esforço-me por acreditar. e por dizer e reinventar a ESPERANÇA.
Quando era muito pequena julgava que não ia já viver no ano 2000. Tão longe!!!
E acreditava, acreditava mesmo que toda e qualquer guerra ia obviamente acabar.
Quero de volta esse acreditar.
Para todos, um 2007 com muita ESPERANÇA, que nos salva os nossos dias.
Mãos juntas. Gestos de amor, pequeninos, sem notícia talvez. Gestos sempre criadores.
Thursday, December 28, 2006
PORQUE AMANHÃ SÃO 44
Friday, December 15, 2006
PELAS PALAVRAS DE DAVID MOURÃO FERREIRA
Entremos, apressados, friorentos,
num gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
num gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
Monday, December 11, 2006
SIDÓNIO PAIS FOI BOM TER-LHE BEIJADO AS MÃOS
Ontem fomos à missa de sétimo dia do Sidónio.
Julgo que sabem melhor quem era o Sidónio se eu escrever aqui que ele era o pai do Bernardo Sassetti e de mais sete filhos, julgo.
Dos talentos do Sidónio, não sei falar.
Dele guardo para sempre o sorriso acolhedor.
E a serenidade.
Quando morreu a sua neta, a Rita Wemans, eu encontrei-me sem palavras. Ali diante de um senhor que sorria e me agradecia.
Beijei-lhe as mãos. As dele e as da Lourdinhas.
Ontem naquela missa de sétimo dia, pairava a serenidade do Sidónio.
E eu, serena também, agradecida por aquele impulso que um dia me fez beijar-lhe as mãos.
Julgo que sabem melhor quem era o Sidónio se eu escrever aqui que ele era o pai do Bernardo Sassetti e de mais sete filhos, julgo.
Dos talentos do Sidónio, não sei falar.
Dele guardo para sempre o sorriso acolhedor.
E a serenidade.
Quando morreu a sua neta, a Rita Wemans, eu encontrei-me sem palavras. Ali diante de um senhor que sorria e me agradecia.
Beijei-lhe as mãos. As dele e as da Lourdinhas.
Ontem naquela missa de sétimo dia, pairava a serenidade do Sidónio.
E eu, serena também, agradecida por aquele impulso que um dia me fez beijar-lhe as mãos.
Saturday, December 09, 2006
SOL
Volta o sol.
Ainda que «os bocadinhos»
Não gosto de quebras. Não gosto de me vergar a esta vontade de às vezes, tantas vezes «ficar», porque «no maple da sala está-se bem». Geralmente a deixarmo-nos morrer em frente da televisão por demais alienante.
Eu precio do meu bairro.
Do mercado.
Dos cafés.
Dos encontros. Da vida que se ouve. Da vida que se diz.
Vá lá, Maria Teresa, uma volta no bairro dá mesmo vida à vida.
Bom dia para todos.
Com este sol, «aos bocadinhos».
Ainda que «os bocadinhos»
Não gosto de quebras. Não gosto de me vergar a esta vontade de às vezes, tantas vezes «ficar», porque «no maple da sala está-se bem». Geralmente a deixarmo-nos morrer em frente da televisão por demais alienante.
Eu precio do meu bairro.
Do mercado.
Dos cafés.
Dos encontros. Da vida que se ouve. Da vida que se diz.
Vá lá, Maria Teresa, uma volta no bairro dá mesmo vida à vida.
Bom dia para todos.
Com este sol, «aos bocadinhos».
Wednesday, December 06, 2006
PALAVRAS
Eu a fazer uma tradução há tantos dias...
Eu a saber «que não é isso que está no texto»
E «o que está no texto, não é bom Português»
«e que não passa a ideia».
Eu às voltas com palavras, palavras, sentido que não é ...
E o Manel a dar uma ajuda, e os dois já quase a discutirmos, antes assim, não vês...
Palavras...
E a noite a avançar num prazer imenso.
O serão dos dias todos da vida.
As palavras, procuradas, «arrancadas»
Como as malhas que toda a vida tenho vindo a tecer.
Com gosto.
Palavras que não encontro.
E de repente, encontro.
As palavras
Como as malhas
Como aquela estrela em Tibaldinho, apontada pelos dedos do meu pai. E eu a tanto custo a procurar ver. Até que por fim, a via.
Vou voltar ao tal texto, tentando
E sabendo,
desta vez sabendo,
que não é nunca possível traduzir palavras.
Eu a saber «que não é isso que está no texto»
E «o que está no texto, não é bom Português»
«e que não passa a ideia».
Eu às voltas com palavras, palavras, sentido que não é ...
E o Manel a dar uma ajuda, e os dois já quase a discutirmos, antes assim, não vês...
Palavras...
E a noite a avançar num prazer imenso.
O serão dos dias todos da vida.
As palavras, procuradas, «arrancadas»
Como as malhas que toda a vida tenho vindo a tecer.
Com gosto.
Palavras que não encontro.
E de repente, encontro.
As palavras
Como as malhas
Como aquela estrela em Tibaldinho, apontada pelos dedos do meu pai. E eu a tanto custo a procurar ver. Até que por fim, a via.
Vou voltar ao tal texto, tentando
E sabendo,
desta vez sabendo,
que não é nunca possível traduzir palavras.
Sunday, December 03, 2006
UM PEDIDO IMPORTANTE AO JOÃO MARIA
Olha, João Maria, hoje, no dia da tua primeira comunhão, tenho um pedido para te fazer. Um pedido importante.
Vê lá se dás uma ajudinha à tua avó Teté, que gosta muito da vida, mas é tão rezingona.
Talvez não tenhas dado muito por isso. As avós escondem estas coisas dos netos. Mas o avô Manel sabe-o muito bem e o teu pai e a tia Maria e uma data de gente. E sei eu. E é tão chata, João, esta rezinguice.
Tu tens esse sorriso fantástico. Que ri todo. E diz a alegria. E sabes dar aquele beijo «gordo» para as minhas noites.
João Maria, fica assim a tua vida toda.
E ensina-me, ensina-nos a todos a aprender contigo.
Vê lá se dás uma ajudinha à tua avó Teté, que gosta muito da vida, mas é tão rezingona.
Talvez não tenhas dado muito por isso. As avós escondem estas coisas dos netos. Mas o avô Manel sabe-o muito bem e o teu pai e a tia Maria e uma data de gente. E sei eu. E é tão chata, João, esta rezinguice.
Tu tens esse sorriso fantástico. Que ri todo. E diz a alegria. E sabes dar aquele beijo «gordo» para as minhas noites.
João Maria, fica assim a tua vida toda.
E ensina-me, ensina-nos a todos a aprender contigo.
Thursday, November 30, 2006
DIA DE SANTO ANDRÉ

Pois. Foi uma discussão grande cá em casa.
Que o rapaz se havia de chamar Pedro. Depois que não. Que já tinha um primo «Pedro».
Depois, o pai, que lhe chamássemos «Simão» e eu «que horror! Nome de macaco».
Depois, por mim o nome dos dois avós «Luis Pedro», mas não foi aceite, parecia uma pepineira.
Enfim o pai disse ANDRÉ e eu «que não gostava».
Vieram então as razões todas «nome grego que significa homem, nome de um grande apóstolo».
Lá aceitei.
Passado pouco tempo apareceu uma telenovela com uma personagem «André» e eu mesmo chateaada.
Mas ficou-lhe bem. Ficou-lhe mesmo muito bem.
E fiquei a saber desde essa altura em que o nosso rapaz nasceu que 30 de Novembro é o dia de santo André.
Viva!
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