Saturday, October 12, 2013
BLUE JASMINE
Uma coisa tão boa deste dia. fui ver «Blue Jasmine». Sempre atraída por Woody Allen. E gostei tanto. Tudo para pensar. Tudo para reflectir. Revi-me em muitas situações. Revi-me e «colei-me» a tantas situações.E bom, mesmo bom foi a companhia. Amiga que como eu gosta de se sentar para dar dois dedos de conversa. Trocar impressões. Sentámo-nos e o filme ficou dentro.
Tuesday, October 08, 2013
ESTOU AQUI À ESPERA DE NADA
Ouvi esta frase/oração que me parece tranquilizar a vida, os dias, todos os sobressaltos, as tantas tarefas que julgo sempre que me cumpre realizar(!!!). Esta frase/oração que há-de ajudar-me a uma entrega enfim confiante. Por fim confiante. "ESTOU AQUI À ESPERA DE NADA." Quero dizê-lá. E voltar a dizê-la. E voltar a dizê-lá.
Sunday, September 29, 2013
RESISTENTES
Às vezes, muitas vezes, a chuva é a serenidade por fim poisada nos dias. Hoje, dia de votações autárquicas, a chuva é mais uma razão inventada para não ir votar.
Bem ao contrário, um casal muito idoso, talvez com poucas posses e muitas despesas de saúde, afirmou-me ontem convicto no supermercado "Vamos votar. Vamos, claro. Não ficamos mais pobres por ir de taxi". E de certeza, vão.
Que indiferença, que inércia deixa p'raí tanta gente sentada e adormecida no sofá da sala? A televisão serve. Prende-nos numa gaiola QUE NÃO É A VIDA.
A vida hoje está na rua. Ainda que com muita abstenção. MAS RESISTENTE.
Saturday, September 28, 2013
VOU VOTAR, MAS NÃO É UMA FESTA
Vou votar. Vou votar mesmo. Luto académico de 62. Desde sempre a Vida se teceu em causas. Em valores. Em muita teimosia. E muita convicção. Hoje ir votar é uma consciência. Mas não é uma Esperança. Não é uma Alegria. Como estarão amanhã as ruas do meu bairro?
Wednesday, September 25, 2013
GOSTAR DE FRANCÊS
Não é difícil encontrar uma boa notícia em cada dia. No sábado, foi tão inesperado. A Mãe tinha-me dito que o Manuel estava a gostar de Francês. Com sorrisos, o do rapaz é mesmo lindo, provoquei-lhe duas frases. Boa pronúncia mesmo.
E na segunda-feira lá estava eu no Instituto Francês a subir uma escada, com a minha linda bengala e o entusiasmo dos meus dezasseis, dezassete anos para comprar um livrito ao Manuel.Nesse dia e no outro e no outro talvez, tu foste, no és também o meu alento. UMA BOA NOTÍCIA.
Sunday, September 22, 2013
OUTONO
Estamos tão cansados deste calor. Estamos mesmo tão cansados. De viver assim. Amanhã ou hoje mesmo é sempre um dia tão incerto e tão difícil. Cansam-me até as ruas do meu bairro. Os rostos sem sorriso. Espelho dos meus. A vida sem Esperança. Ou quase. A vida sufocada. E chega assim o Outono. Quase certa é a alegria de poder pisar as folhas secas.
E agarrar a serenidade de um qualquer vento fresco. Que há-de vir.
POR UM QUILO DE CENOURAS
No fim de semana passado fui ao encontro do Pedro Nunes - o euro, Portugal, a Europa. E o meu liceu. Aí fui aluna. Uma década depois fui professora. "Estou em casa". Mas, o assunto desta postagem é o euro. Foi para mi uma aprendizagem muito básica. Eu tinha ido à praça na véspera. As cenouras custavam 80 escudos. O euro passa a ser a nossa moeda. Volto à praça. As cenouras custam 80 cêntimos. Insurjo-me. A resposta que recebo é "Mas é muito barato. Nem custa 1euro."Não sei se esta é a razão por que estamos neste estado. Mas é também uma razão. Pensar não é coisa muito complicada. Parece-me. Não, tenho a certeza.
Tuesday, September 10, 2013
Sunday, September 01, 2013
NO FUNDO DA GAVETA, UM POEMA
Em Tibaldinho, entre tarefas bem pouco agradáveis, tarefas que me passavam ao lado porque alguém as fazia por mim, há pequenos/grandes milagres em gestos de nada como por exemplo abrir uma gaveta. Foi naquela da mesa da televisão que encontrei, como recordação do casamento da Cláudia e do Luís, este poema de Eugénio de Andrade. Deixo-o aqui. O meu sustento de poesia. Hoje.
"Aqui e estão as mãos./ São os mais belos sinais da terra./Os anjos nascem aqui:/frescos, matinais, quase de orvalho,/ de coração alegre e povoado.(...)/Alguns pensam que são as mãos de deus,/ - eu sei que são as mãos de um homem,/trémulas barcaćas onde a água,/a tristeza e as quatro estações/penetram, indiferentemente./
Não lhes toquem:são amor e bondade./Mais ainda:cheiram a madressilva./São o primeiro homem, a primeira mulher./E amanhece."
Thursday, August 29, 2013
ANDRÉ
Esperámos-te na noite. Há quarenta e seis anos. Ansiosos. Felizes. O Pai e a Avó Alice ali comigo. Não foi um parto só da Mãe. Também no nascimento da tua irmã lá estavam os dois. Sem falar nos Avós. No Tio João. MEU AMOR. E inconscientes sonhávamos, supúnhamos que nascias para uma Vida sem dor. E que te havíamos de dar a eternidade. Demos-te a Vida. A tua Vida. A condição humana. E em tudo o que podemos, partilhada.
Nesta noite teço os teus dias em contas de oração. E de louvor. E onde quer que o Pai esteja, ele está perto.
PUDÉSSEMOS NÓS INVERTER A CORRENTE
Ontem recebi um mail que dizia "O dia que Albert Einstein tanto temia chegou". A seguir seis imagens com situações várias em que cada pessoa tinha um telemóvel e, ainda que rodeada de outras pessoas ou de paisagens, só o telemóvel era o seu comunicador. Fala-se com o telemóvel, ainda que ao lado esteja o amigo, o namorado, quem quer que seja, ou se esteja à mesa, na praia, num museu! Sim, chegou o dia. O mail enviava também o texto de Eintein "Tenho medo do dia em que a tecnologia se vai sobrepor à interação humana. O mundo terá uma geração de idiotas." Sei o que é a dependência do telemóvel. Faço uma ligação, envio um SMS, trago-o na carteira. Se o esqueço em qualquer lado, fico inquieta. Realmente ...que cadeias prendem a vida! Estou em Tibaldinho, a aldeia da vida toda. Sempre escrevi postais. É um impulso quase obsessivo ou mesmo obsessivo. Dantes algumas senhoras de Campo de Ourique, quando eu voltava de férias, diziam-me "Sabe, tenho os seus postais numa gaveta com uma fitinha."Isto era muito bom. Agora ainda escrevo alguns. Poucos. Vou a Mangualde ou a Viseu, entro no Museu de Grão Vasco ou numa papelaria, pergunto por postais, é quase estranho. Espero. E lá aparecem alguns. Neste pequeno gesto, julgo que rumo contra a maré. Com palavras escritas p'lo meu punho, um postal procurado, um sêlo que é preciso comprar. Tempo. De ser pessoa. Para outra pessoa. E acho que vale.
Thursday, August 22, 2013
DE COMBÓIO
Volto a Tibaldinho. De combóio. Já não é "o pouca-terra, pouca-terra", nem tem fagulhas que
nos sujem. Mas tem a mesma serenidade, suspeita dos pinhais, do verde que sempre procuramos.
Que nos hão-de suportar em todos os ruídos. Em todos os gêlos. Suportar? Não, "que hão-de ser antes a essência dos dias." De todos os dias.
Monday, August 19, 2013
8 837, 09 euros de IRS
Acabei de pagar. Aí há duas horas. Alguém é capaz de fazer umas apostas sobre quanto é que eu recebo em cada mês, ainda que "para o mês que vem, nunca se saiba"?
Sabia o que me esperava e fui juntando ao cêntimo. Lá paguei, ainda que tenha feito uma reclamação. Gosta de perceber o que é que realmente eu estou a pagar. E a quem?
Friday, August 16, 2013
"SABEMOS PARA ONDE QUEREMOS IR" Pedro Passos Coelho
Já ouvi "isto".
Tenho idade. Tenho memória. Sei quando é que ouvi. A quem ouvi. Em que situação ouvi. E é uma muito má memória. Senhor primeiro ministro, tenha idade e vida para lhe pedir que tenha respeito pelos portugueses.
Thursday, August 15, 2013
UMA FOTOGRAFIA
A força das palavras do Manuel, lembradas e escritas tantas vezes pelo André julgo que como metáfora da sabedoria, têm sido, para mim, palavras presentes, palavras reflectidas, palavras fortes pela vida dentro. «Ver a imagem para lá da imagem».
Mas foi no dia 8 (73 anos, graças a Deus), que sabendo que por cá havia de aparecer alguma família, alguns amigos, desdobrei-me em mesas e loiças, e de repente, à procura de uma fotografia dos meus sobrinhos e dos meus filhos para mostrar «como cresceram», encontrei uma lindíssima em que o André está no quintal de Tibaldinho, coberto de mal-me-queres rasteirinhos, pela Páscoa, 7, 8 anos, um sorriso enorme, feliz, agarrado a um cão de sonho, talvez um serra da estrela. Mostrei-a. Feliz também. E o André «Mãe, esse foi um dia muito triste para mim.Chorei tanto, mãe» E eu sem perceber nada. Explicou «Vocês proibiram-me de andar com aquele cão».
Como é que palavras tantas vezes impensadas podem matar a felicidade? Raramente temos consciência «do que está nas nossas mãos» quando somos pais, professores, amigos ....É importante deixarmo-nos surpreender mesmo que seja aos setenta e três anos (confesso que me tenho surpreendido muito mais nestes últimos anos).
«Ver para lá da imagem» não é sempre possível. Bem que o Manuel o dizia com dor quando falava da sua arte de realizador a que se referia como sendo «aprendiz de feiticeiro».
Bom que eu tenha encontrado a fotografia. Bom que tenha percebido ou tenha começado a perceber (aprendizagem longa) que tantas vezes uma fotografia não diz a vida. A dor não costuma ser fotografada quando se trata de um album de família.
FILME DE TERROR - REALIDADE DE TERROR
Chego a casa. Ligo a televisão. Notícia - UM ÚNICO SERVIÇO DE URGÊNCIA EM LISBOA. E não é um filme. É no meu país.
Na minha cidade. E no meu país, na minha cidade, há homens e mulheres?
ESPLANADAS SEM ABRIGO
Vou muitas vezes a uma esplanada. Obrigo-me com gosto a estar numa esplanada. É-me mais fácil ler, escrever. Vivo também e respiro de ler e de escrever. Numa esplanada só sou interrompida se quiser ou se deixar. Posso "fazer o meu horário" (sempre a Escola ... ).
Às vezes, muitas vezes, interrompo tudo para trocar palavras. E oiço vidas. Narro a vida. Trocamos um sorriso. Um endereço de mail.
E cada vez mais amiúde decido p'lo silêncio. É então que procuro esse jeito difícil de ver para lá de todas as imagens, de ouvir para lá de todas as palavras, de todos os gritos. De todos os silêncios.
E vai-me parecendo que tantos de nós, homens e mulheres ali na esplanada, me parecem homens e mulheres sem-abrigo.
Ou não será que não somos todos sem-abrigo?
Sim, sem-abrigo.
A condição humana.
Assim
Sunday, July 28, 2013
O QUE NÃO ALCANÇAMOS
Voltar a Tibaldinho, voltar a um qualquer lugar ou apenas ir a um qualquer lugar, pode parecer e tantas vezes parece que "há-de estar lá" tal móvel, tal jardim, tal árvore, tal janela, quiçá o prato e o talher da infância ou o que resta da trave do baloiço. E pode acontecer que o móvel ainda é "aquele móvel", que o jardim lá continua e também a árvore, mais seca ou mais frondosa. Assim como a janela. E o prato e o talher e até a trave do baloiço.
Mas as pessoas não. A vida. A liberdade. O pensamento. O querer tão só de cada um. As pessoas são todas o mistério. O inesperado. O insondável. As pessoas são tudo o que não cabe no móvel, não cabe no jardim, nem na árvore. Nem na janela, nem no prato ou na colher. As pessoas não cabem na trave do baloiço. As pessoas são o que não alcançamos. E que havemos de amar. Assim. Tal qual. Na aceitação do que sempre há-de ser desconhecido.
Saturday, July 27, 2013
TIBALDINHO
Estou em Tibaldinho.
Mais um dia talvez.
A intenção é voltar breve.
Aproveitando as pausas que só tenho aqui, reli alguns textos do início deste blog.
A certa altura, a propósito de um amigo que ia para Roma, escrevi qualquer coisa como "Tenho saudades de Roma. (...)
De certo modo estamos sempre nos lugares que amamos."
Estamos.
Sempre nos lugares que amamos.
Thursday, July 25, 2013
VAMOS À NOSSA MERENDA, PRIMO FERNANDO ESTEVES?
Esta foi a última pergunta/convite que me fez, primo Fernando.
E suspeitávamos os dois que era a última.
Engano enorme.
Nenhuma das suas palavras, nenhuma das suas causas, dos seus afectos, dos seus sorrisos será último.
Bem-haja, como sempre disse.
Bem-haja por tudo.
Parece que vou amanhà ao seu enterro em Tibaldinho.
Só parece.
Da janela do escritório, suspeito sempre a vida da sua casa.
Ao alcance do abraço.
Do sorriso tranquilo.
Da novidade de todas as manhãs de Tibaldinho.
Sempre
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