Gostei tanto,
que ouso copiar de «fiossoltos»
e transcrever
"Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós."
de Antoine de Saint-Exupéry
Sunday, December 06, 2009
Saturday, November 28, 2009
ADVENTO E HONESTIDADE
O que é que neste país é honesto?
Verdade, qualquer coisinha serve.
Porque começa o Advento
E há-de vir o Natal.
Recebi uma proposta de encontro com o tema
«SOMOS NÓS QUE FAZEMOS O PRESÉPIO OU É O PRESÉPIO QUE NOS FAZ?»
«Isto» já vale. Pudéssemos nós passar esta pergunta pela cidade e talvez...
É que A DESONESTIDADE NÃO É UMA FATALIDADE.
Não é mesmo.
Verdade, qualquer coisinha serve.
Porque começa o Advento
E há-de vir o Natal.
Recebi uma proposta de encontro com o tema
«SOMOS NÓS QUE FAZEMOS O PRESÉPIO OU É O PRESÉPIO QUE NOS FAZ?»
«Isto» já vale. Pudéssemos nós passar esta pergunta pela cidade e talvez...
É que A DESONESTIDADE NÃO É UMA FATALIDADE.
Não é mesmo.
Friday, November 20, 2009
MÃE
Amanhã é dia da Apresentação de Nossa Senhora.
E como calha bem que seja também o dia em que a minha mãe faria anos.
Para lhe louvar a vida.
A coragem.
Essa inteireza que, entendo hoje, lhe escondia o sofrimento.
A senhora nunca confessava. Dizia coisas como «não tem importância» ou «não é nada, vais ver».
Quando a dor foi mais forte porque o pai morreu, a mãe olhou-me, olhos nos olhos, sem fugas, sem mentiras. E disse «Acontece a todos».
Esse olhar, essa frase, essa dor partilhada comigo. E só assim. «Acontece a todos».
Hoje, que os meus filhos são homens e mulheres cujas vidas não devo controlar e os meus netos seguem o mesmo caminho, percebo-a bem melhor.
Olhe, deve lembrar-se daquele arroz doce que só a mãe fazia e nunca conseguiu ensinar-me. Não sabia ao certo a quantidade dos ovos, nem do leite.
Disse-me «Vais vendo».
Esse foi talvez o segredo maior que me ensinou «Vais vendo».
Tenho-o presente
e procuro aplicá-lo.
Dia a dia.
De situação em situação.
Sem regras.
E sem medida certa.
Calha tão bem esta festa.
É que foi com estas frases de aparência neutra que a minha mãe me apresentou à vida.
E como calha bem que seja também o dia em que a minha mãe faria anos.
Para lhe louvar a vida.
A coragem.
Essa inteireza que, entendo hoje, lhe escondia o sofrimento.
A senhora nunca confessava. Dizia coisas como «não tem importância» ou «não é nada, vais ver».
Quando a dor foi mais forte porque o pai morreu, a mãe olhou-me, olhos nos olhos, sem fugas, sem mentiras. E disse «Acontece a todos».
Esse olhar, essa frase, essa dor partilhada comigo. E só assim. «Acontece a todos».
Hoje, que os meus filhos são homens e mulheres cujas vidas não devo controlar e os meus netos seguem o mesmo caminho, percebo-a bem melhor.
Olhe, deve lembrar-se daquele arroz doce que só a mãe fazia e nunca conseguiu ensinar-me. Não sabia ao certo a quantidade dos ovos, nem do leite.
Disse-me «Vais vendo».
Esse foi talvez o segredo maior que me ensinou «Vais vendo».
Tenho-o presente
e procuro aplicá-lo.
Dia a dia.
De situação em situação.
Sem regras.
E sem medida certa.
Calha tão bem esta festa.
É que foi com estas frases de aparência neutra que a minha mãe me apresentou à vida.
Thursday, November 19, 2009
O ESPANTO E O FRACASSO
Bati-me a vida toda por causas.
Talvez muitas.
Causas pela justiça, por todas as formas de humanidade.
Hoje, numa conversa, no mínimo estranha,
pergunto
O QUE VALE?
A PALAVRA DADA?
OU O JOGO EM QUE
GANHA O MAIS NOVO e supostamente O MAIS FORTE?
Não gosto de dizer «que não estou neste mundo», mas é só ver
só ouvir.
ONDE ESTOU?
DÒI-ME A MINHA GERAÇÃO
PS - Ninguém há-de perceber nada desta postagem. E não dá para explicar.
Às vezes,
é assim.
Talvez muitas.
Causas pela justiça, por todas as formas de humanidade.
Hoje, numa conversa, no mínimo estranha,
pergunto
O QUE VALE?
A PALAVRA DADA?
OU O JOGO EM QUE
GANHA O MAIS NOVO e supostamente O MAIS FORTE?
Não gosto de dizer «que não estou neste mundo», mas é só ver
só ouvir.
ONDE ESTOU?
DÒI-ME A MINHA GERAÇÃO
PS - Ninguém há-de perceber nada desta postagem. E não dá para explicar.
Às vezes,
é assim.
Saturday, November 07, 2009
SEM LUGAR NA PARÓQUIA DO TEU BAIRRO
Nem sequer é teu «o espaço que te cabe neste latifúndio».
Para que não se confunda,
Sou católica e escolhi.
Por isso,
Por amor a esta Igreja que escolhi,
Devo dizer, devo denunciar sempre que me parece incorrecto o seu agir.
Foi o que aconteceu ontem.
Mesmo aqui.
No prédio ao lado.
Na paróquia do meu bairro.
Tinhas idade e estavas muito doente. Vi que por ti se multiplicavam os cuidados, por exemplo no café, pequeno e sem notícia, aqui em frente.
Esperávamos este desenlace.
Deu-se ontem. (em desabafo, fazes-nos falta, tanta falta...)
E a paróquia que é a tua,
ali onde sempre foste tantas vezes,
que provavelmente ajudaste a manter,
recusou a entrada e a vela do teu corpo sem vida.
É que era dia da festa do seu padroeiro.
Vinham muitas entidades.
Civis, militares e religiosas.
Pompa e muita circunstância.
O teu corpo não pode entrar na quase invisível porta lateral das capelas mortuárias.
Talvez um corpo morto não ficasse bem…
A ti já te não dói.
Mas doeu a tantos de nós, ao bairro quase todo e não condiz com cristianismo.
O que é isto?
E neste episódio lastimável, doloroso,
Não encontro o rosto de Jesus.
Quem devo responsabilizar?
A agência funerária?
Alguém que da igreja deu ousou tal insensata e cruel proibição?
Jesus Cristo que chorou a morte dos amigos
chorou ontem por ti
e chorou com grande dor pela Sua Igreja.
Para que não se confunda,
Sou católica e escolhi.
Por isso,
Por amor a esta Igreja que escolhi,
Devo dizer, devo denunciar sempre que me parece incorrecto o seu agir.
Foi o que aconteceu ontem.
Mesmo aqui.
No prédio ao lado.
Na paróquia do meu bairro.
Tinhas idade e estavas muito doente. Vi que por ti se multiplicavam os cuidados, por exemplo no café, pequeno e sem notícia, aqui em frente.
Esperávamos este desenlace.
Deu-se ontem. (em desabafo, fazes-nos falta, tanta falta...)
E a paróquia que é a tua,
ali onde sempre foste tantas vezes,
que provavelmente ajudaste a manter,
recusou a entrada e a vela do teu corpo sem vida.
É que era dia da festa do seu padroeiro.
Vinham muitas entidades.
Civis, militares e religiosas.
Pompa e muita circunstância.
O teu corpo não pode entrar na quase invisível porta lateral das capelas mortuárias.
Talvez um corpo morto não ficasse bem…
A ti já te não dói.
Mas doeu a tantos de nós, ao bairro quase todo e não condiz com cristianismo.
O que é isto?
E neste episódio lastimável, doloroso,
Não encontro o rosto de Jesus.
Quem devo responsabilizar?
A agência funerária?
Alguém que da igreja deu ousou tal insensata e cruel proibição?
Jesus Cristo que chorou a morte dos amigos
chorou ontem por ti
e chorou com grande dor pela Sua Igreja.
Monday, October 26, 2009
SALVOS PELA MEMÓRIA
Agora
é já pedir-te demais.
Nos teus olhos eu nunca tinha visto tanta dor.
Vi
mas também a disseste.
Talvez a memória nos possa salvar.
É um «talvez» tão esforçado e duvidoso.
Melhor seria aceitar
ou poder aceitar
que não é só de Caim que nós falamos
E uma notícia te dissesse, com verdade, que «somos mesmo muitos»,
que somos «uma multidão»
e que talvez «da dor o fogo nasça».
Sonho um outro brilho nesse olhar
Gostava de dizer-te a madrugada de tudo quanto nasce.
De qualquer jeito,
gostava,
de salvar-te.
Melhor do que gostava,
quero.
Deixa só a harmonia de tudo quanto é simples.
Deixa só
algumas palavras
Só algumas.
é já pedir-te demais.
Nos teus olhos eu nunca tinha visto tanta dor.
Vi
mas também a disseste.
Talvez a memória nos possa salvar.
É um «talvez» tão esforçado e duvidoso.
Melhor seria aceitar
ou poder aceitar
que não é só de Caim que nós falamos
E uma notícia te dissesse, com verdade, que «somos mesmo muitos»,
que somos «uma multidão»
e que talvez «da dor o fogo nasça».
Sonho um outro brilho nesse olhar
Gostava de dizer-te a madrugada de tudo quanto nasce.
De qualquer jeito,
gostava,
de salvar-te.
Melhor do que gostava,
quero.
Deixa só a harmonia de tudo quanto é simples.
Deixa só
algumas palavras
Só algumas.
Sunday, October 25, 2009
UMA HORA A MAIS
Hoje, à conta da mudança de hora, tivemos uma hora a mais.
Frigorífico descongelado e lavadinho
e tantas, tantas palavras por escrever.
Nem um pezinho na rua.
Lá encontrei Sebastião da Gama
certinho
hoje
Aqui vai com um nó na garganta,
um novelo talvez,
por tudo «o que fica por...»
Lá vai então:
«Poema da minha esperança
Que bom ter o relógio adiantado!...
A gente assim, por saber
que tem sempre tempo a mais,
não se rala nem se apressa.
O meu sorriso de troça,
Amigos!,
quando vejo o meu relógio
com três quartos de hora a mais!...
Tic-tac... Tic-tac...
(Lá pensa ele
que é já o fim dos meus dias.)
Tic-tac...
(Como eu rio, cá p'ra dentro,
de esta coisa divertida:
ele a julgar que é já o resto
e eu a saber que tenho sempre mais
três quartos de hora de vida.)
Serra-Mãe (1945)»
Mais três quartosd de hora...
Uma hora a mais...
Frigorífico descongelado e lavadinho
e tantas, tantas palavras por escrever.
Nem um pezinho na rua.
Lá encontrei Sebastião da Gama
certinho
hoje
Aqui vai com um nó na garganta,
um novelo talvez,
por tudo «o que fica por...»
Lá vai então:
«Poema da minha esperança
Que bom ter o relógio adiantado!...
A gente assim, por saber
que tem sempre tempo a mais,
não se rala nem se apressa.
O meu sorriso de troça,
Amigos!,
quando vejo o meu relógio
com três quartos de hora a mais!...
Tic-tac... Tic-tac...
(Lá pensa ele
que é já o fim dos meus dias.)
Tic-tac...
(Como eu rio, cá p'ra dentro,
de esta coisa divertida:
ele a julgar que é já o resto
e eu a saber que tenho sempre mais
três quartos de hora de vida.)
Serra-Mãe (1945)»
Mais três quartosd de hora...
Uma hora a mais...
Tuesday, October 20, 2009
SARAMAGO NÃO MERECE SARAMAGO
Toda a gente sabe,
diz,
deixa-se incomodar comigo «A teresa é tão atenta e tão crítica»
Sempre e em todo o lado assim.
Muito mais se amo aquilo que critico.
Pois sempre fui muito critica com a Igreja e só quando morrer é que hei-de parar esta tentativa de a tornar o rosto de Jesus Cristo.
Mais ou menos fico indiferente ou não me toca o que se diz «de fora»
Respondo «Falar de fora é fácil» e... natuuralmente não é, que a gente não sabe bem o que é «de fora».
Mas as afirmações de Saramago ultrapassam tudo.
Altivez
Ignorância que parece total
Orgulho
Arrogância
Que nos quer dizer «este senhor»?
Vender um livro que obviamente vende porque o tem como autor?
Ou será que é o grito de «quem não está de fora?»
Só não dá ser tão deseducado.
Parece que estou zangada.
E tenho muita pena.
Mesmo muita.
Saramago não merece Saramago.
diz,
deixa-se incomodar comigo «A teresa é tão atenta e tão crítica»
Sempre e em todo o lado assim.
Muito mais se amo aquilo que critico.
Pois sempre fui muito critica com a Igreja e só quando morrer é que hei-de parar esta tentativa de a tornar o rosto de Jesus Cristo.
Mais ou menos fico indiferente ou não me toca o que se diz «de fora»
Respondo «Falar de fora é fácil» e... natuuralmente não é, que a gente não sabe bem o que é «de fora».
Mas as afirmações de Saramago ultrapassam tudo.
Altivez
Ignorância que parece total
Orgulho
Arrogância
Que nos quer dizer «este senhor»?
Vender um livro que obviamente vende porque o tem como autor?
Ou será que é o grito de «quem não está de fora?»
Só não dá ser tão deseducado.
Parece que estou zangada.
E tenho muita pena.
Mesmo muita.
Saramago não merece Saramago.
SERENAMENTE OUTONO
Li este belo texto que deixo em jeito de partilha
serenamente
neste país e nesta «estranha forma de vida»
confusa
atribulada
que é a nossa.
Faz-nos falta escrever ou ler assim:
« O sol despede-se lentamente nos dias cada vez mais breves de finais de Setembro. Esmaecem os doirados cabelos de Apolo. E as vinhas, os milheirais, os grandes plátanos dos jardins das cidades amolecem em tons amarelados e sanguíneos.
É o tempo das colheitas. Das vindimas e da apanha da fruta. Arrancam-se as batatas dos lameiros. Debulham-se os cereais. Descasca-se a amêndoa e secam-se os figos. A terra entrega generosamente ao homem o resultado do seu trabalho. Chegam as primeiras chuvas e despedem-se as aves migratórias. Límpidos horizontes. O mar, desocupado, exprime agora toda a brancura das suas ondas. Um cão vadio que corre atrás das gaivotas. Um par de namorados sentados na areia da praia. Avança o outono por Outubro. Desprendem-se as primeiras folhas. Pelos campos queimam-se as ramas secas. E o fumo levanta-se numa liturgia final de um ciclo que se encerra. Terminaram as últimas romarias do ano. Depois de Nossa Senhora dos remédios de Lamego, é a Feira das Colheitas em Arouca e S. Mateus em Viseu. Vem aí Novembro com as castanhas e o vinho novo. As árvores cada vez mais despidas. Os insectos entontecidos. E os primeiros frios de uma noite que se torna mais longa e ávida.
Revolvemos os armários em busca de roupa quente. O sono aumenta. Depois das beladonas, florescem os crisântemos e acorremos ao cemitério para recordar os nossos mortos. Chove muito. E lembro-me muito de ti ao cair da tarde. Não consigo evita este roxo, esta ansiedade, este advento que me conduz a Dezembro e ao nascimento de uma luz que auguramos desde o princípio do mundo.
Deslizamos por outono docemente e na verdade esta convulsão meteorológica e natural parece afinar-nos a sensibilidade. Os amanheceres breves e límpidos, com fiapos de nuvens avermelhadas atravessados pelo primeiro sol, são inesquecíveis, como aquela árvore cor de fogo, hirta e soberana que parecia reunir toda a luz do entardecer e que eu te pedi que fotografasses, naquela viagem para o longínquo norte.»
Manuel Hermínio Monteiro (1952-2001)
serenamente
neste país e nesta «estranha forma de vida»
confusa
atribulada
que é a nossa.
Faz-nos falta escrever ou ler assim:
« O sol despede-se lentamente nos dias cada vez mais breves de finais de Setembro. Esmaecem os doirados cabelos de Apolo. E as vinhas, os milheirais, os grandes plátanos dos jardins das cidades amolecem em tons amarelados e sanguíneos.
É o tempo das colheitas. Das vindimas e da apanha da fruta. Arrancam-se as batatas dos lameiros. Debulham-se os cereais. Descasca-se a amêndoa e secam-se os figos. A terra entrega generosamente ao homem o resultado do seu trabalho. Chegam as primeiras chuvas e despedem-se as aves migratórias. Límpidos horizontes. O mar, desocupado, exprime agora toda a brancura das suas ondas. Um cão vadio que corre atrás das gaivotas. Um par de namorados sentados na areia da praia. Avança o outono por Outubro. Desprendem-se as primeiras folhas. Pelos campos queimam-se as ramas secas. E o fumo levanta-se numa liturgia final de um ciclo que se encerra. Terminaram as últimas romarias do ano. Depois de Nossa Senhora dos remédios de Lamego, é a Feira das Colheitas em Arouca e S. Mateus em Viseu. Vem aí Novembro com as castanhas e o vinho novo. As árvores cada vez mais despidas. Os insectos entontecidos. E os primeiros frios de uma noite que se torna mais longa e ávida.
Revolvemos os armários em busca de roupa quente. O sono aumenta. Depois das beladonas, florescem os crisântemos e acorremos ao cemitério para recordar os nossos mortos. Chove muito. E lembro-me muito de ti ao cair da tarde. Não consigo evita este roxo, esta ansiedade, este advento que me conduz a Dezembro e ao nascimento de uma luz que auguramos desde o princípio do mundo.
Deslizamos por outono docemente e na verdade esta convulsão meteorológica e natural parece afinar-nos a sensibilidade. Os amanheceres breves e límpidos, com fiapos de nuvens avermelhadas atravessados pelo primeiro sol, são inesquecíveis, como aquela árvore cor de fogo, hirta e soberana que parecia reunir toda a luz do entardecer e que eu te pedi que fotografasses, naquela viagem para o longínquo norte.»
Manuel Hermínio Monteiro (1952-2001)
Tuesday, October 13, 2009
NÃO SE PERCEBE NADA
A Joana comentou a postagem anterior e perguntou-me «o que é que aquilo dizer».
O Manel disse-me que realmente não se percebia nada.
Naturalmente, foi só um desabafo, depois dos resultados das legislativas.
Só um desabafo...
Talvez um alívio...
A ver...
O Manel disse-me que realmente não se percebia nada.
Naturalmente, foi só um desabafo, depois dos resultados das legislativas.
Só um desabafo...
Talvez um alívio...
A ver...
Monday, September 28, 2009
BOM SENSO... E TAMBÉM BOM GOSTO
Hoje
estou aliviada.
Louvo algum bom senso que superou tanta divagação pouco prudente.
estou aliviada.
Louvo algum bom senso que superou tanta divagação pouco prudente.
Sunday, August 30, 2009
É UM RAPAZ
«- É um rapaz.
Tá a ver, tem aqui o seu rapaz.»
Foi assim que o médico me pôs em cima da barriga agora insensível, um rapaz cooooooooooompridíssimo, um molho de líquidos que eu não percebia, misturados com uns que me pareciam sangue.
Um rapaz.
Levaste um tempozito que me pareceu enorme até que gritasses muito. MESMO MUITO.
(nunca foste de falar à primeira, era isso, talvez)
Depois vi-te as mãos muito abertas e enormes.
Os pés, a mesma coisa.
Esquisito. Parecias-te com o médico.
Foi quando desatei a chorar. Também estava certo comigo e não te deve ter surpreendido. Disseste mais tarde «A minha mãe até chora com anúncios».
Sei lá porque é que choramos. Vem de dentro.
Diz também a vida.
E a alegria tornada mais serena e mais conforme...
«Faz o favor de seres feliz.» (plágio que vale)
O pai quis chamar-te André. Hoje já gosto, mas levei um tempão. Sou sempre demorada.
O pai tinha razão.
André.
Tá a ver, tem aqui o seu rapaz.»
Foi assim que o médico me pôs em cima da barriga agora insensível, um rapaz cooooooooooompridíssimo, um molho de líquidos que eu não percebia, misturados com uns que me pareciam sangue.
Um rapaz.
Levaste um tempozito que me pareceu enorme até que gritasses muito. MESMO MUITO.
(nunca foste de falar à primeira, era isso, talvez)
Depois vi-te as mãos muito abertas e enormes.
Os pés, a mesma coisa.
Esquisito. Parecias-te com o médico.
Foi quando desatei a chorar. Também estava certo comigo e não te deve ter surpreendido. Disseste mais tarde «A minha mãe até chora com anúncios».
Sei lá porque é que choramos. Vem de dentro.
Diz também a vida.
E a alegria tornada mais serena e mais conforme...
«Faz o favor de seres feliz.» (plágio que vale)
O pai quis chamar-te André. Hoje já gosto, mas levei um tempão. Sou sempre demorada.
O pai tinha razão.
André.
Wednesday, August 19, 2009
NI, A BENÇÃO DOS AFECTOS
Recebi o seu cartão de parabéns.
Não somos amigas há muitos anos.
É há muito mais...
Ventre materno.
Laço paterno.
Sempre as mesmas casas.
Os mesmos avós.
Os mesmos...
Às vezes estamos anos sem nos vermos, sem falarmos...
E é sempre o dia inicial
Gémeas irmãs.
A vida diz-nos misteriosamente o invisível.
Agradecemos.
Não somos amigas há muitos anos.
É há muito mais...
Ventre materno.
Laço paterno.
Sempre as mesmas casas.
Os mesmos avós.
Os mesmos...
Às vezes estamos anos sem nos vermos, sem falarmos...
E é sempre o dia inicial
Gémeas irmãs.
A vida diz-nos misteriosamente o invisível.
Agradecemos.
Friday, August 14, 2009
SER
Um dia destes escrevi no «Realejo»
«Sem passado, não há presente
nem futuro«
Antes de voltar às minhas malhas ou às cartas da Etty, volto a escrever.
Com este jeito que tenho de afirmar.
«Sem passado, não existimos.
Não há vida.»
«Sem passado, não há presente
nem futuro«
Antes de voltar às minhas malhas ou às cartas da Etty, volto a escrever.
Com este jeito que tenho de afirmar.
«Sem passado, não existimos.
Não há vida.»
Sunday, August 09, 2009
VIDA, ISABEL CABRAL

Acabamos de receber uma mensagem
«Morreu a Bé Cabral»
A postagem que fiz há instantes falava mesmo da VIDA E DA MORTE.
Parece acaso, mas acredito que não há acasos.
Jamais direi o BEM PARA NÓS E PARA TANTA GENTE que foi toda a vida da Bé.
Em lágrimas e com o almoço para pôr na mesa,
deixo apenas a ACÇÃO DE GRAÇAS que escrevemos e dissemos quando a Bé fez 0itenta Anos, em 2001
«NOVEMBRO/2001
SENHOR, NÓS TE DAMOS GRAÇAS, PELA NOSSA AMIGA BÉ.
COMO CADA UM DE NÓS, AINDA HOJE, LEMBRA, COMO UMA BENÇÃO, O DIA EM QUE A CONHECEU!
FORAM CIRCUNSTÂNCIAS E DATAS DIFERENTES, MAS TÊM TODAS EM COMUM O ENCONTRO COM A SUA SIMPLICIDADE, O SEU SORRISO ACOLHEDOR E LOGO AMIGO, O JEITO DE QUEBRAR TODAS AS DISTÂNCIAS.
SENHOR, NÃO SOMOS SÓ NÓS, OS QUE AQUI ESTAMOS, QUEM TE AGRADECE.
É UMA MULTIDÃO DE AMIGOS, VIDAS QUE FORAM TOCADAS PELO SEU AMOR TÃO PRÓXIMO E DISCRETO.
E TANTA OUTRA GENTE SEM ROSTO, A QUEM TRATOU PELO NOME, A QUEM OUVIU A VIDA E AJUDOU A FAZER CAMINHO.
SENHOR, AINDA TE QUEREMOS AGRADECER AS TEIMOSIAS DA BÉ. NÃO POR SEREM TEIMOSIAS, MAS PORQUE DIZEM A FORÇA DO SEU QUERER E A SUA CERTEZA DE QUE, COM AMOR, TUDO SE PODE MUDAR.
E TAMBÉM, AQUELA SUA SIMPLICIDADE, QUANDO RI DE SI PRÓPRIA E, ASSIM, SEM PRETENSÕES, NOS ENSINA A ACEITAR, COM ALEGRIA, AS NOSSAS FRAGILIDADES.
SENHOR, NÓS TE BENDIZEMOS PELA VIDA DA BÉ.»
TE BENDIZEMOS
Quando morreu a minha Mãe, um amigo nosso disse-me «Teresa, canta, Aleluia».
Na altura não percebi.
Tenho vindo a perceber.
CANTAMOS HOJE ALELUIA PELA NOSSA QUERIDA BÉ
E SEM JEITO DEIXO-LHE UMA FLOR
COMO SE MORRE E TALVEZ SE NASÇA E RENASÇA CADA DIA
ESTE FOI O TEXTO QUE ESCREVI MESMO NO FINAL DO DIA 7, VÉSPERA DOS MEUS ANOS. NASCER EM AGOSTO...
DEPOIS, A NOTÍCIA DA MORTE DO SOLNADO
E DE TANTAS OUTRAS E DIVERSAS MORTES QUE NOS DÁ A VIDA.
E DE TANTAS VIDAS QUE PODE TER A MORTE.
TRANSCREVO O TEXTO, TENHAM PACIÊNCIA, NÃO SEM CITAR LOBO ANTUNES « AOS ???? ANOS A MORTE JÁ NÃO ESPERA MUITO POR MIM.»
E TAMBÉM A MARGARIDA QUE TANTA VEZ ME DIZ «NINGUÉM MORRE DE VÉSPERA».
E SEI QUE ISSO SÓ DE MIM DEPENDE.
Aí vai o texto:
«Faço anos
Agradeço a minha vida toda. Inteirinha.
Os bons momentos. E tantos outros difíceis, tão difíceis.
Agradeço todos os homens e mulheres, que por ela passaram. Aqueles com quem me entendi e partilhei projectos.
E também aqueles de quem discordei mas que foram a forma como fui aprendendo a respeitar outro ponto de vista, outra circunstância.
Agradeço a família, diferente como é.
Um lugar especial para os meus filhos que me têm ensinado que ninguém é pertença de ninguém.
Agradeço esta difícil condição humana de tantas vezes não poder aliviar o sofrimento do outro. Só conseguir estar a seu lado.
Um dia recebi no telemóvel uma mensagem sábia de alguém muito novo de quem sei o sofrimento. Dizia assim «Ninguém nos garante que a vida é fácil. Mas vale, porque é vida.»
DEPOIS, A NOTÍCIA DA MORTE DO SOLNADO
E DE TANTAS OUTRAS E DIVERSAS MORTES QUE NOS DÁ A VIDA.
E DE TANTAS VIDAS QUE PODE TER A MORTE.
TRANSCREVO O TEXTO, TENHAM PACIÊNCIA, NÃO SEM CITAR LOBO ANTUNES « AOS ???? ANOS A MORTE JÁ NÃO ESPERA MUITO POR MIM.»
E TAMBÉM A MARGARIDA QUE TANTA VEZ ME DIZ «NINGUÉM MORRE DE VÉSPERA».
E SEI QUE ISSO SÓ DE MIM DEPENDE.
Aí vai o texto:
«Faço anos
Agradeço a minha vida toda. Inteirinha.
Os bons momentos. E tantos outros difíceis, tão difíceis.
Agradeço todos os homens e mulheres, que por ela passaram. Aqueles com quem me entendi e partilhei projectos.
E também aqueles de quem discordei mas que foram a forma como fui aprendendo a respeitar outro ponto de vista, outra circunstância.
Agradeço a família, diferente como é.
Um lugar especial para os meus filhos que me têm ensinado que ninguém é pertença de ninguém.
Agradeço esta difícil condição humana de tantas vezes não poder aliviar o sofrimento do outro. Só conseguir estar a seu lado.
Um dia recebi no telemóvel uma mensagem sábia de alguém muito novo de quem sei o sofrimento. Dizia assim «Ninguém nos garante que a vida é fácil. Mas vale, porque é vida.»
Friday, August 07, 2009
TÃO ANTIGO O RITUAL
Thursday, July 30, 2009
COM A CLIX, PREJUDICADÍSSIMOS E ZANGADÍSSIMOS
Esta é a confirmação da reclamação que o meu marido acabou de fazer à Clix.
A reclamação vem imediatamente a seguir.
E só tem uma forma de ser adjectivada esta - INADMISSÍVEL.
Quem paga os prejuízos?
Quem paga ou repõe o tempo?
Numa crise
num país cheio de dificuldades,
O QUE SE FAZ A TANTO DESPERDÍCIO?
COMO NÃO SÃO OS RESPONSÁVEIS PENALIZADOS?
POR QUE É PENALIZADO O ÚNICO QUE PAGA, O CLIENTE?
VIVEMOS NUM MUNDO A QUE SE DIZ «NÃO VALE A PENA»...
ONDE ESTAMOS?
ONDE ESTOU?
Cá vai então:
«Caro(a) Cliente,
Confirmamos a recepção do seguinte pedido de esclarecimento:
Tipo de contacto: Reclamação
Assunto: Estado do Processo de Activação/Portabilidade»
RECLAMAÇÃO
«Nome: XXX
Contribuinte: XXX
Telemóvel de Contacto:XXX
Email: XXX
Tipo de Serviço contratado: Clix TV+NET+VOZ
Questão: Nº de Ident.:XXX
v/carta de 30/06/09
Anunciam-me transferência linha telefónica para o Clix a 10/07/09. Tradução: ficas sem telefone fixo nenhum (situação actual).
Anunciam-me que no prazo de 7 dias úteis serei contactado por um técnico Clix para agendar instalação do serviço TV. Tradução: silêncio absoluto até à data.
Continuo sem telefone fixo o que me faz uma imensa falta e me ocasiona uma incomportável despesa de telemóvel.
Tenho multiplicado os contactos telefónicos com o vosso Serviço ao Cliente. Para além de uma estranha informação inicial de que os serviços não me conseguiam contactar pelo telefone 21... (pois como seria tal possível se eu estava sem telefone fixo?!!) e não tinham forma de o fazer por falta de telemóvel. Respondi que para além duma morada onde fui contactado inicialmente por um vosso colaborador, tinha fornecido a este o meu telemóvel.
A todos os telefonemas para o vosso serviço, apenas encontrei a simpatia do vosso pessoal e apoio "moral" ao cliente.
Hoje informei o vosso colaborador Rúben Sabino que esperava até ao fim do dia um contacto responsável antes de iniciar os passos para agir através do meu advogado. Fiquei à espera, até agora em vão...
Assinatura
Horário preferencial de contacto: 10h às 12h»
Resposta:
«Obrigado pelo seu contacto. Daremos resposta no prazo máximo de 48h.
Com os melhores cumprimentos,
Serviço ao Cliente Clix»
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A reclamação vem imediatamente a seguir.
E só tem uma forma de ser adjectivada esta - INADMISSÍVEL.
Quem paga os prejuízos?
Quem paga ou repõe o tempo?
Numa crise
num país cheio de dificuldades,
O QUE SE FAZ A TANTO DESPERDÍCIO?
COMO NÃO SÃO OS RESPONSÁVEIS PENALIZADOS?
POR QUE É PENALIZADO O ÚNICO QUE PAGA, O CLIENTE?
VIVEMOS NUM MUNDO A QUE SE DIZ «NÃO VALE A PENA»...
ONDE ESTAMOS?
ONDE ESTOU?
Cá vai então:
«Caro(a) Cliente,
Confirmamos a recepção do seguinte pedido de esclarecimento:
Tipo de contacto: Reclamação
Assunto: Estado do Processo de Activação/Portabilidade»
RECLAMAÇÃO
«Nome: XXX
Contribuinte: XXX
Telemóvel de Contacto:XXX
Email: XXX
Tipo de Serviço contratado: Clix TV+NET+VOZ
Questão: Nº de Ident.:XXX
v/carta de 30/06/09
Anunciam-me transferência linha telefónica para o Clix a 10/07/09. Tradução: ficas sem telefone fixo nenhum (situação actual).
Anunciam-me que no prazo de 7 dias úteis serei contactado por um técnico Clix para agendar instalação do serviço TV. Tradução: silêncio absoluto até à data.
Continuo sem telefone fixo o que me faz uma imensa falta e me ocasiona uma incomportável despesa de telemóvel.
Tenho multiplicado os contactos telefónicos com o vosso Serviço ao Cliente. Para além de uma estranha informação inicial de que os serviços não me conseguiam contactar pelo telefone 21... (pois como seria tal possível se eu estava sem telefone fixo?!!) e não tinham forma de o fazer por falta de telemóvel. Respondi que para além duma morada onde fui contactado inicialmente por um vosso colaborador, tinha fornecido a este o meu telemóvel.
A todos os telefonemas para o vosso serviço, apenas encontrei a simpatia do vosso pessoal e apoio "moral" ao cliente.
Hoje informei o vosso colaborador Rúben Sabino que esperava até ao fim do dia um contacto responsável antes de iniciar os passos para agir através do meu advogado. Fiquei à espera, até agora em vão...
Assinatura
Horário preferencial de contacto: 10h às 12h»
Resposta:
«Obrigado pelo seu contacto. Daremos resposta no prazo máximo de 48h.
Com os melhores cumprimentos,
Serviço ao Cliente Clix»
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Sunday, July 26, 2009
CARTAS de Etty Hillesum

Leio as «Cartas» de Etty Hillesum.
Ainda que a tal vértebra partida me limite algumas actividades,
quero deixar aqui um nadinha de uma delas, que nem é um excerto. Mas julgo saber de cor e sei que no mínimo a ideia está certa.
Diz assim:
«Em mim a gratidão é sempre maior do que a tristeza».
Quero,
desejo muito apropriar-me desta sabedoria
A GRATIDÃO MAIOR DO QUE A TRISTEZA
Sabendo bem que «isto» não depende do que está fora de nós.
Há-de ir nascendo dentro,
criando raízes,
ser essência.
Sermos nós.
E ACONSELHO MUITO A LEITURA DESTAS «CARTAS». Podem mudar a vida toda.
Monday, July 20, 2009
ALCANÇADA A LUA EM VÉSPERAS DE PORTO COVO
Teve o sabor de um milagre.
O chão da nossa casa repleto de amigos.
Multiplicação do espaço.
Os pequenos ao colo do pai. A noite toda.
Incansável PAI neste assistir deste tão improvável alcançar da lua.
Veio a calhar uma avaria no Hilman Imp. Havíamos de partir mais tarde para Porto Covo.
Que era mesmo só aldeia.
De pescadores.
Uma rua, um largo.
Ao fundo, uma esplanada tímida, p'raí três cadeiras, onde bebíamos água tónica ao fim da tarde.
Aldeia
Crepúsculo
Milagre do que ainda hoje não é acreditável.
«Menina» de Ary dos santos no festival da canção.
E que saudades
e que presença de Ary.
O chão da nossa casa repleto de amigos.
Multiplicação do espaço.
Os pequenos ao colo do pai. A noite toda.
Incansável PAI neste assistir deste tão improvável alcançar da lua.
Veio a calhar uma avaria no Hilman Imp. Havíamos de partir mais tarde para Porto Covo.
Que era mesmo só aldeia.
De pescadores.
Uma rua, um largo.
Ao fundo, uma esplanada tímida, p'raí três cadeiras, onde bebíamos água tónica ao fim da tarde.
Aldeia
Crepúsculo
Milagre do que ainda hoje não é acreditável.
«Menina» de Ary dos santos no festival da canção.
E que saudades
e que presença de Ary.
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