Monday, August 19, 2013
8 837, 09 euros de IRS
Acabei de pagar. Aí há duas horas. Alguém é capaz de fazer umas apostas sobre quanto é que eu recebo em cada mês, ainda que "para o mês que vem, nunca se saiba"?
Sabia o que me esperava e fui juntando ao cêntimo. Lá paguei, ainda que tenha feito uma reclamação. Gosta de perceber o que é que realmente eu estou a pagar. E a quem?
Friday, August 16, 2013
"SABEMOS PARA ONDE QUEREMOS IR" Pedro Passos Coelho
Já ouvi "isto".
Tenho idade. Tenho memória. Sei quando é que ouvi. A quem ouvi. Em que situação ouvi. E é uma muito má memória. Senhor primeiro ministro, tenha idade e vida para lhe pedir que tenha respeito pelos portugueses.
Thursday, August 15, 2013
UMA FOTOGRAFIA
A força das palavras do Manuel, lembradas e escritas tantas vezes pelo André julgo que como metáfora da sabedoria, têm sido, para mim, palavras presentes, palavras reflectidas, palavras fortes pela vida dentro. «Ver a imagem para lá da imagem».
Mas foi no dia 8 (73 anos, graças a Deus), que sabendo que por cá havia de aparecer alguma família, alguns amigos, desdobrei-me em mesas e loiças, e de repente, à procura de uma fotografia dos meus sobrinhos e dos meus filhos para mostrar «como cresceram», encontrei uma lindíssima em que o André está no quintal de Tibaldinho, coberto de mal-me-queres rasteirinhos, pela Páscoa, 7, 8 anos, um sorriso enorme, feliz, agarrado a um cão de sonho, talvez um serra da estrela. Mostrei-a. Feliz também. E o André «Mãe, esse foi um dia muito triste para mim.Chorei tanto, mãe» E eu sem perceber nada. Explicou «Vocês proibiram-me de andar com aquele cão».
Como é que palavras tantas vezes impensadas podem matar a felicidade? Raramente temos consciência «do que está nas nossas mãos» quando somos pais, professores, amigos ....É importante deixarmo-nos surpreender mesmo que seja aos setenta e três anos (confesso que me tenho surpreendido muito mais nestes últimos anos).
«Ver para lá da imagem» não é sempre possível. Bem que o Manuel o dizia com dor quando falava da sua arte de realizador a que se referia como sendo «aprendiz de feiticeiro».
Bom que eu tenha encontrado a fotografia. Bom que tenha percebido ou tenha começado a perceber (aprendizagem longa) que tantas vezes uma fotografia não diz a vida. A dor não costuma ser fotografada quando se trata de um album de família.
FILME DE TERROR - REALIDADE DE TERROR
Chego a casa. Ligo a televisão. Notícia - UM ÚNICO SERVIÇO DE URGÊNCIA EM LISBOA. E não é um filme. É no meu país.
Na minha cidade. E no meu país, na minha cidade, há homens e mulheres?
ESPLANADAS SEM ABRIGO
Vou muitas vezes a uma esplanada. Obrigo-me com gosto a estar numa esplanada. É-me mais fácil ler, escrever. Vivo também e respiro de ler e de escrever. Numa esplanada só sou interrompida se quiser ou se deixar. Posso "fazer o meu horário" (sempre a Escola ... ).
Às vezes, muitas vezes, interrompo tudo para trocar palavras. E oiço vidas. Narro a vida. Trocamos um sorriso. Um endereço de mail.
E cada vez mais amiúde decido p'lo silêncio. É então que procuro esse jeito difícil de ver para lá de todas as imagens, de ouvir para lá de todas as palavras, de todos os gritos. De todos os silêncios.
E vai-me parecendo que tantos de nós, homens e mulheres ali na esplanada, me parecem homens e mulheres sem-abrigo.
Ou não será que não somos todos sem-abrigo?
Sim, sem-abrigo.
A condição humana.
Assim
Sunday, July 28, 2013
O QUE NÃO ALCANÇAMOS
Voltar a Tibaldinho, voltar a um qualquer lugar ou apenas ir a um qualquer lugar, pode parecer e tantas vezes parece que "há-de estar lá" tal móvel, tal jardim, tal árvore, tal janela, quiçá o prato e o talher da infância ou o que resta da trave do baloiço. E pode acontecer que o móvel ainda é "aquele móvel", que o jardim lá continua e também a árvore, mais seca ou mais frondosa. Assim como a janela. E o prato e o talher e até a trave do baloiço.
Mas as pessoas não. A vida. A liberdade. O pensamento. O querer tão só de cada um. As pessoas são todas o mistério. O inesperado. O insondável. As pessoas são tudo o que não cabe no móvel, não cabe no jardim, nem na árvore. Nem na janela, nem no prato ou na colher. As pessoas não cabem na trave do baloiço. As pessoas são o que não alcançamos. E que havemos de amar. Assim. Tal qual. Na aceitação do que sempre há-de ser desconhecido.
Saturday, July 27, 2013
TIBALDINHO
Estou em Tibaldinho.
Mais um dia talvez.
A intenção é voltar breve.
Aproveitando as pausas que só tenho aqui, reli alguns textos do início deste blog.
A certa altura, a propósito de um amigo que ia para Roma, escrevi qualquer coisa como "Tenho saudades de Roma. (...)
De certo modo estamos sempre nos lugares que amamos."
Estamos.
Sempre nos lugares que amamos.
Thursday, July 25, 2013
VAMOS À NOSSA MERENDA, PRIMO FERNANDO ESTEVES?
Esta foi a última pergunta/convite que me fez, primo Fernando.
E suspeitávamos os dois que era a última.
Engano enorme.
Nenhuma das suas palavras, nenhuma das suas causas, dos seus afectos, dos seus sorrisos será último.
Bem-haja, como sempre disse.
Bem-haja por tudo.
Parece que vou amanhà ao seu enterro em Tibaldinho.
Só parece.
Da janela do escritório, suspeito sempre a vida da sua casa.
Ao alcance do abraço.
Do sorriso tranquilo.
Da novidade de todas as manhãs de Tibaldinho.
Sempre
Saturday, July 20, 2013
DE CONSCIÊNCIA TRANQUILA
No meu país, através da televisão ou das rádios, oiço perplexa cada um dos dirigentes partidários ou dos seus porta- vozes que TODOS ELES ESTÃO DE CONSCIÊNCIA TRANQUILA. E realmente não consigo ver, não consigo medir, não consigo pesar a consciência de ninguém. Mas consigo vislumbrar a falta, a fome, a inquietação, o desespero, o nada. O nada aonde chegou o meu país. Aonde também eu deixei chegar o meu país. E NÃO ESTOU DE CONSCIÊNCIA TRANQUILA.P
Thursday, June 27, 2013
Sunday, June 16, 2013
PRONÚNCIA FRANCESA, OBRIGATÓRIO
E se António José Seguro aprendesse um pouquinho só de pronúncia francesa? Verdade que nunca tive assim nenhum aluno! É claro que não.
Monday, June 10, 2013
CASA DO ALENTEJO
Pois foi uma surpresa cheia de emoção quando hoje vi e ouvi que «A Casa do Alentejo» comemora hoje 90 anos. Verdade que foi aí, há cinquenta anos e uns meses, a festa do nosso casamento. Uma bela notícia. Uma bela festa. O início de uma bela vida. E a casa é linda. Nós gostámos.
Sunday, June 09, 2013
QUANDO SE TRANSFORMA O AMADOR NA COISA AMADA
Para reflectir que acontece, que pode acontecer "quando se transforma o amador na coisa amada"?
Saturday, June 08, 2013
O HOSPITAL E AS SARDINHAS
P'ra levar um sorriso a uma amiga, fui ao hospital, como se fosse a primeira vez depois "daquilo tudo". Naturalmente, há-de ser sempre a primeira vez depois "daquilo tudo". Bem me parece que hoje preciso muito de rir e de sorrir. Talvez umas sardinhas na "Cervejaria Europa". Deve ser isso mesmo. Umas sardinhas ...
Saturday, June 01, 2013
TOMARA QUE A SENHORA NÃO PERCEBA
Um dia fantástico. Sair de casa é vital. Um café e uma água no Ruacaná. A seguir vou fazer uns pagamentos na CGDepósitos.
Entro. Uma senhora bem idosa e bem perdida. Que o neto lhe tinha levantado a pensão. Mas que já não tinha senão umas moedas . A caderneta na mão. Ilegível. Amachucada. Não consigo metê-la na ranhura. Percebo que a D Augusta sobrevive, nem sei como, dos roubos dos netos. "São muito bons" afirma. E volta a afirmar. "São muito bons". E vive os dias.
Thursday, May 30, 2013
28 de Maio de 1926
Um conselho, sobretudo para mim.
Uma viagem até 28 de Maio de 1926.
A História que é bom lembrar.
Para melhor percebermos.
Para melhor nos percebermos.
E interrogarmos.
Wednesday, May 15, 2013
FESTIVAL DE CANNES
O Festival de Cannes em nossa casa é e foi sempre um vôo de alegria, janela para esse outro olhar a que o cinema sempre nos convida.
Nunca fomos. Nem o Manel. Nem eu. Mas foi sempre «como se...».
Hoje inicia-se este Festival. Hei-de acompanhá-lo de perto.
E, na aparente estranheza das palavras, tenho muitas saudades do Festival de Cannes.
Saturday, May 04, 2013
CAMILO PESSANHA, em véspera do Dia da Mãe são estas as palavras que aqui quero deixar
"Quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho/onde esperei morrer, - meus tão castos lençóis-?/Do meu jardim exíguo os altos girassóis quem foi que os arrancou e lançou no caminho?/Quem quebrou (que furor cruel e simiesco!)/ A mesa de eu cear, tábua tosca de pinho?/ E me espalhou a lenha? E me entornou o vinho?/ - da minha vinha o vinho acidulado e fresco.../ Oh minha pobre mãe!...Não te ergas mais da cova./ Olha a noite, olha o vento. Em ruína a casa nova .../ Dos meus ossos o lume a extinguir-se breve./ Não venhas mais ao lar. Não vagabundes mais./ Alma da minha mãe ...Não andes mais à neve/ de noite a mendigar às portas dos "casais"."
Thursday, May 02, 2013
Esperamos o quê do comunicado de Passos Coelho?
Não espero nada.
Temos mais que razões para não esperarmos nada.
Este senhor ainda espera a nossa boa vontade?
Não pode esperar.
Não pode.
Há uma espécie de loucura avulsa e sem rumo que nos impóe cortes, cortes, cortes ...
Para quê?
E até hoje para quê?
País sem luz.
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